A Ruby é uma garota muito linda, sempre teve de uma beleza tão angelical tem um rosto e um corpo de modelo. Chama a atenção de qualquer pessoa quando passa, sinto que maioria daquelas garotas mimadas que a excluíam, colocavam o pé na frente para ela cair, bagunçavam as coisas dela e a chamavam de v***a sentiam pura inveja.
Meu pensamento sempre foi, se ela é ou não garota de programa, o que todas aquelas pessoas tinham haver com isso? Sério, o que tinham haver com isso?
Eu ouvia os garotos falarem m*l dela, ou dizer algo extremamente desrespeitoso sobre ela, é só conseguia sentir nojo. Riquinhos mimados.
Não que eu não seja rico, mas não sou mimado. Não como esses garotos, pelo amor de Deus. Antes de sequer alcançarem o acelerador, os pais já estavam comprando os carros mais raros do mundo, carros que só haviam dez iguais no mundo.
Garotos que se acham os galãs, que qualquer garota iria querer beijar ele e acreditam que elas surtariam se dissessem que não a queriam.
Vi a Ruby no primeiro dia de aula, estava sorridente. O seu olhar era tão esperançoso, o olhar brilhava, os olhos se destacavam de longe e os cabelos morenos ondulados volumosos também, em meio aquelas loiras que usavam shampoo com ouro em pó adicionado, Ruby era especial, tinha algo único que era só dela.
Nunca sequer abri a boca para julgá-la, afinal, o meu pai também não era um santo e nunca me escondeu nada, também nunca o julguei.
Meu tempo é muito valioso para ficar cuidando da vida dos outros, mas isso nunca me impediu de observar ela.
Sempre achei interessante esse jeitinho dela de ignorar tudo, de só seguir em frente e não explodir com qualquer coisa. Sempre senti que ela tinha potencial, mas nunca me envolvi com isso, não me deixava levar com coisas pequenas, ela era só uma garota que eu sabia que estava sofrendo bullying por não ser riquinha mimada e no meio dos iguais ela era julgada. Nunca dei importância.
Até ela aparecer no quarto de hóspedes de frente ao meu.
Estaciono meu carro e saio caminhando calmamente em frente a minha casa até abrir a porta e entrar.
Caminho mais rápido até as escadas e já ia subir quando ouço um coçar de garganta vindo do sofá no meio do escuro e então as luzes se acendem e meu pai me olha com o controle na mão e com as sobrancelhas levantadas com um meio sorriso como se dissesse “te peguei, seu i****a”.
— Parabéns, ninja. Me pegou. — Ironizo caminhando até ele e sento ao seu lado no sofá bem espojado.
— Já falei que não gosto que você saia assim no meio da noite. — Resmungou chamando a minha atenção.
— Você tem que relaxar, eu só fui buscar o meu carro que estava no concerto. Onde estão aqueles seus charutos importados? Está precisando para relaxar. — Aponto meu indicador em sua direção como se estivesse dando uma sugestão maravilhosa e sorri.
— Por que não avisa, seu filho da p**a? Ein? — Resmunga pegando a caixa do charuto nojento dele de cima da mesa de canto.
— Você tem medo de que? Sabe que não ando em festas de adolescentes. — Pontuo. — Você trouxe uma garota para cá e também nem me avisou, acho que estamos quites, não é?
— Ah, você já a viu, não é? — Sorriu consigo mesmo enquanto acendia a p***a do charuto.
— Ela está no quarto de frente para o meu, como que eu não iria ver? — Ironizei semicerrando os olhos para ele enquanto o olhava buscando seriedade nas expressões dele, porque ele só devia estar brincando.
— O que achou dela?
— Está falando sério? — Ri sem humor. — Bebeu? Por que está me perguntando isso?
— Claro que não, diz o que achou dela. — Ele pedia como se fosse o assunto mais empolgante do mundo.
— Bonitinha. — Franzi o cenho. — Não vá me dizer que está interessado nela de um jeito muito nojento? — A ideia me enojou de um jeito estranho.
— Mas que p***a, Elay. Claro que não, ela tem idade para ser minha filha, que ideia estúpida.
— Então por que trouxe ela para cá? Você nunca trouxe ninguém aqui.
— Ela trabalhava para a Ruth.
— Aquela velha nojenta?
— Essa daí mesma. — Ele confirmou me encarando sério pela ofensa mas deixou de dar importância e só continuou. — Ela estava prendendo a Ruby lá, com dívidas e mais dívidas que a Ruth inventava porque tinha medo daquela garota que está dormindo de frente para o seu quarto ir embora.
— Onde quer chegar com esse diálogo de bêbado?
— A Ruby trabalhava lá como garçonete e para atiçar os homens, uma coisa ridícula, só você vendo.
— Não estou interessado.
— Dá para me escutar? — Meu pai resmungou elevando o tom de voz e eu balancei a mão gesticulando para que ele continuasse. — Aquela garota tem potencial, dá para utilizar os serviços dela muito bem se usar a cabeça, coisa que aquela i****a da Ruth não sabia. Aquela garota é uma peça chave.
— Dá para explicar o que está querendo dizer? Porque está me deixando com nojo desse modo de falar que parece que você vai fazer alguma coisa muito perversa ou sei lá o que, não está querendo construir a p***a de um bordel também não, não é?
— A Ruby vai ser nossa peça chave, Elay. Ela pode deduzir e encantar nossos clientes, fazer nossos negócios estourarem, ela pode nos ajudar a convencer eles a aceitar o que nós propormos. Esses velhos pervertidos amam um r**o de saia e viram a cabeça por um, o que me diz?
— Acho que entendi o que está querendo dizer, mas por que está me perguntando isso?
— Porque nós trabalhos juntos, os negócios são nossos, você é meu sócio. — Deu um soquinho no meu ombro sorridente. — A Ruby pode ser nossa agente secreta, igual nos filmes de ação.
— Bom, não vai mudar nada na minha vida então está tudo bem. Mas você acha que ela iria aceitar? — Questionei brincando com os pelinhos da minha camisa.
— Elay, aquela garota trabalhava com homens pervertidos, mulheres com p****s de fora e velhos passando a mão nela. O que acha?
— Se você diz, a gente trabalha com ela. — Aceitei sem dar muita atenção.
— Você vai.
Ele ganha toda a minha atenção só com duas palavras.
— Como é? — Ergui uma sobrancelha.
— Nós somos sócios, não somos? Eu já trabalho com outras coisas, não tenho tempo para isso. Agora se me dá licença. — Levantou e saiu andando quase que correndo.
— Sócios só na teoria, eu nunca fui sócio na prática! — Gritei, mas ele já estava longe. — Mas que merda.