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AMARÁ

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Sinopse

Amará tem 19 anos, mas sua alma carrega o peso de uma vida roubada.Ainda criança, foi arrancada dos braços da mãe pela própria tia, irmã de sua mãe uma mulher amarga, corroída pela inveja. Enquanto sua irmã encontrou o amor verdadeiro, ela se afundou no rancor.O castigo foi Amará.Salvatore D’Italiano.O capo dos capos.Um nome que faz reis do crime se ajoelharem.Frio, Calculista, e Controlador.Um homem que não acredita em redenção, apenas em posse.Loiro, de olhos azuis como o céu antes da tempestade, Salvatore é tudo o que Amará nunca viu e tudo o que deveria temer.Ela fugiu do cativeiro, e caiu nas mãos do homem mais perigoso da Europa.Nem toda prisão tem grades. Nem toda proteção é liberdade.Ele não a salvou. Ele a escolheu.O amor dele não pede permissão. Ele toma.Ela sobreviveu ao inferno, para despertar o desejo do d***o.

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CAPÍTULO 1
Amará não lembrava do som exato da voz da mãe. Mas lembrava do calor. Havia um tipo específico de aconchego que só existia nos braços dela, um lugar onde o mundo parecia menor, mais lento, menos perigoso. Era ali que Amará dormia sem sobressaltos, com a respiração tranquila e o coração ainda intacto. Foi esse lugar que lhe foi arrancado. O dia começou como qualquer outro. O sol atravessava as cortinas claras, espalhando luz pela casa simples, mas cheia de riso. A mãe de Amará cantava enquanto organizava o café, e o pai a observava como quem agradece em silêncio por ter encontrado o amor da vida inteira. Do outro lado da mesa, havia um olhar que não sorria. A tia. Ela observava tudo em silêncio o carinho, os toques distraídos, a cumplicidade que não precisava de palavras. Via a forma como ele beijava a testa da irmã, como a filha era envolvida em proteção, como aquela família existia inteira, sem ela. O amor deles era um insulto. Enquanto uns recebiam afeto, outros colecionavam rejeições. Enquanto uns eram escolhidos, outros aprendiam a odiar em silêncio. E naquele olhar duro, algo se partiu de vez. A inveja não nasceu ali. Ela apenas encontrou coragem. — Você é sortuda — disse a tia, com um sorriso ensaiado, enquanto segurava Amará no colo. — Nem todas as crianças crescem em um lar assim. A mãe sorriu, sem perceber o veneno escondido naquelas palavras. Amará sentiu algo diferente. Um aperto pequeno, quase imperceptível, como se o corpo infantil reconhecesse o perigo antes da mente. Mas não chorou. Não sabia que aquele abraço era o último. Horas depois, tudo aconteceu rápido demais para ser entendido. Uma conversa baixa. Um tom falso de preocupação. Uma mentira bem contada sobre viagem, cuidado, ajuda. A tia dizia que queria “levar Amará por um tempo”, dar descanso à irmã, ajudar como boa família fazia. O amor confia. E foi esse o erro. Quando a mãe percebeu que algo estava errado, o carro já desaparecia na estrada. O choro ecoou tarde demais. O nome de Amará foi gritado até a voz falhar. Mas o mundo não voltou atrás. Dentro do carro, Amará olhava pela janela, confusa. — Mamãe? — chamou, com a voz pequena. A tia não respondeu. Foi ali, entre o silêncio e a distância, que a infância de Amará terminou. Não com um grito. Não com violência imediata. Mas com a pior das dores, é a separação disfarçada de cuidado. A estrada parecia longa. O já céu escureceu. E quando finalmente pararam, não havia casa com riso. Não havia braços esperando. Não havia luz. Havia uma porta. Uma porta que se fechou atrás dela com um som seco. — A partir de hoje — disse a tia, fria — você precisa aprender uma coisa: ninguém fica por muito tempo. Nem mesmo quem diz que te ama. Amará não entendeu as palavras. Mas o corpo entendeu a ausência. Naquela noite, ela chorou até adormecer no chão duro, abraçando a própria sombra. Não sabia ainda que aquele seria o primeiro de muitos dias iguais. Que o amor tinha sido trocado por inveja. Que a família tinha virado prisão. E que aquele lugar escuro seria seu mundo por muitos anos. Ali nasceu a menina roubada. Ali começou a história de Amará. **** O choro de Amará naquela primeira noite não foi ouvido. E, com o passar das horas, ele deixou de existir. Não porque a dor tivesse passado, mas porque o corpo pequeno aprendeu rápido demais que ninguém viria. O quarto onde a tia a deixou não parecia um quarto de criança. Não havia cores, Não havia brinquedos. Não havia nada que dissesse, você pertence aqui. Era apenas um espaço frio, com paredes ásperas e uma pequena a******a alta demais para ser alcançada. A luz que entrava era pouca. E o ar pesado. Amará acordou encolhida no chão, com o rosto úmido e o corpo dolorido. Por um momento, ainda meio perdida no sono, procurou com as mãos o calor da mãe. Não encontrou. — Mamãe ? — sua voz saiu rouca, fraca, quase um sopro. O silêncio respondeu. Foi então que a porta se abriu. O som metálico ecoou como algo definitivo. Amará se virou rápido, os olhos ainda inchados, o coração acelerado com uma esperança que insistia em não morrer. Mas não era a mãe. Era ela. A tia entrou devagar, observando cada movimento da menina como se analisasse algo que lhe pertencia, não com carinho, mas com cálculo. Em suas mãos, trazia um prato simples, colocado no chão sem cuidado. — Coma — disse, seca. Amará não se moveu de imediato. Ainda olhava para trás da mulher, como se esperasse ver alguém surgir. Como se acreditasse que aquilo tudo fosse um engano que logo seria corrigido. — A mamãe vem? — perguntou, com a inocência ainda intacta. A resposta veio em forma de riso curto, Frio e Cortante. — Sua mãe? — a tia cruzou os braços. — Já devia ter entendido. Amará piscou, confusa. — Ela não vem, Não vai vir. As palavras não entraram de imediato. Elas bateram, e ficaram ali, como algo incompreensível. — Não — a menina balançou a cabeça, negando. — Ela disse que me ama. O olhar da tia escureceu, como se aquela frase fosse um insulto. — Amor não enche barriga. Amor não sustenta ninguém. — aproximou-se um pouco mais, abaixando-se até ficar na altura dela. — E sabe o que mais? Quem ama, não abandona. Amará sentiu algo quebrar dentro de si. Pequeno, mas real. — Ela não me abandonou — insistiu, com a voz tremendo. A tia sorriu. Não era um sorriso bonito. Era o tipo de sorriso que destrói. — Foi exatamente isso que ela fez. O silêncio que se seguiu foi diferente. Mais pesado. Mais profundo. Amará não chorou naquele momento. Seus olhos ficaram fixos no chão, tentando entender algo que não fazia sentido. Porque, dentro dela, a memória da mãe ainda era quente, viva, verdadeira. Mas a dúvida, tinha sido plantada. E dúvida, quando regada todos os dias, vira crença. — Coma — repetiu a tia, levantando-se. — Você vai precisar aprender a não ser um peso. Antes de sair, ela parou na porta, olhando por cima do ombro. — Aqui não é casa. Aqui você aprende a sobreviver. A porta se fechou. Dessa vez, o som foi mais alto. Amará olhou para o prato no chão. A fome doía. O estômago se contorcia, lembrando que o corpo ainda precisava de algo, mesmo quando o coração já começava a se fechar. Ela se arrastou devagar até a comida. Comeu em silêncio. Cada movimento era mecânico, como se algo dentro dela tivesse sido desligado. Como se, aos poucos, estivesse deixando de ser criança, para se tornar outra coisa. Os dias seguintes vieram sem aviso. Não havia rotina de amor. Apenas regras não ditas, punições inesperadas e uma constante sensação de que qualquer erro, qualquer mínimo gesto, poderia trazer consequências. Amará aprendeu rápido. Aprendeu a não perguntar. Aprendeu a não insistir. Aprendeu a não esperar. Mas à noite, quando o escuro envolvia tudo e o mundo parecia ainda mais distante, ela sussurrava. — Mamãe, eu estou aqui… Sempre na esperança de que, em algum lugar, alguém estivesse procurando por ela. Mas o tempo passou. E ninguém veio. O berço que antes representava segurança e começo, foi substituído por um chão frio e silencioso. E naquele lugar, sem histórias antes de dormir, sem beijos de boa noite, sem braços que acolhem, Amará foi sendo arrancada, pouco a pouco, de tudo o que um dia foi. Não de uma vez. Mas todos os dias.

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