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1448 Palavras
Sua paixão é o combustível para as histórias! Vote, comente, compartilhe e juntos construiremos um futuro incrível para este livro. Estou ansiosa pelo feedback de vocês bjs Sofia O cheiro caro e acre de tabaco cubano me fez abrir os olhos para a realidade c***l daquele quarto de luxo. Tentei inutilmente sair da cama de lençóis de seda negros e frios como a morte. Uma dor lancinante irradiava de cada parte do meu corpo, um lembrete físico e brutal da violência sofrida nas mãos de um homem que colecionava poder como outros colecionam arte. "Ahh..." Um grito rouco e involuntário escapou da minha boca ressecada, um som que ecoou no silêncio pesado do quarto, quebrando a atmosfera opulenta com a fragilidade da minha dor. "Vamos, levanta." A voz de Patrone surgiu fria e cortante, como o fio de uma navalha, quebrando o silêncio. Não havia resquício de gentileza, apenas a ordem seca e autoritária de um predador acostumado à obediência imediata. Com todas as últimas forças que ainda residiam em meu corpo exausto, tentei ficar de pé. Minhas pernas tremiam incontrolavelmente, como galhos secos sob uma tempestade, e a dor aguda entre minhas pernas me impedia de dar sequer um passo. Ele me analisava com seus olhos escuros e penetrantes, como se eu fosse um inseto sob uma lente de aumento. Não havia qualquer traço de remorso ou empatia naquela análise fria e calculista. Seu olhar, carregado de poder e desinteresse, percorria cada centímetro do meu corpo marcado, e aquilo me deixava extremamente incomodada, expondo minha vulnerabilidade como uma ferida aberta sob os holofotes cruéis. Até que ele se aproximou, sua presença física opressora preenchendo o espaço com uma aura de perigo elegante. "Pegue suas coisas!" Sua voz era um comando final, desprovido de qualquer margem para discussão, antes que ele se virasse com uma desenvoltura fria e saísse do quarto, me deixando sozinha com a dor lancinante e a humilhação esmagadora. Peguei o robe de plumas brancas, agora manchado com vestígios da minha dor e com um cheiro nauseante que me lembrava daquele horror. Vesti-o, tentando cobrir a nudez ultrajada do meu corpo violentado, buscando um mínimo de proteção contra o mundo. Saí cambaleando daquele quarto sombrio, atravessando a suíte VIP agora silenciosa e desolada, carregando o peso invisível do trauma. O clube já estava fechado, as luzes baixas e a música cessada, mas encontrei Ella e Marina no camarim, seus rostos cansados e preocupados, marcados pela longa noite e pela apreensão. Ella tinha um hematoma arroxeado se formando ao redor do olho, um sinal silencioso da violência que também permeava aquele submundo de luxo e perversão. "O que aconteceu?" perguntei, a voz rouca e frágil, um fio de sofrimento escapando dos meus lábios. "Não importa..." respondeu Ella, desviando o olhar do próprio ferimento, como se sua dor fosse insignificante comparada à minha. "Como você está?" Sua pergunta carregava uma tristeza silenciosa e profunda, como se já compreendesse a extensão da minha dor e do horror que eu havia vivenciado. Eu queria chorar, gritar, vomitar tudo aquilo para fora, libertar a angústia que me sufocava, mas as lágrimas pareciam presas em algum lugar profundo, um nó doloroso em minha garganta, impedindo qualquer alívio. Mamis surgiu no camarim, a maquiagem borrada pelas lágrimas e a respiração agitada, um misto de alívio e nervosismo em seu semblante. "Muito bem, Sofia... aqui está o combinado..." Ela enfiou um envelope grosso e pesado em minha mão, sem fazer contato visual, a culpa e o medo pairando entre nós. "O senhor Patrone a requisitou como exclusiva..." Aquelas palavras me apavoraram, a ideia de estar ligada para sempre àquele homem me gelava a alma, mas ao mesmo tempo me deu coragem para finalmente fazer o que eu sabia que precisava fazer agora, com esse dinheiro manchado de sangue. "Me demito," murmurei, a voz quase inaudível, mas carregada de uma determinação fria e inabalável que surpreendeu até a mim mesma. A ideia de permanecer naquele lugar era insuportável. "Como?! Não pode fazer isso comigo! Eu.... não entende a gravidade da situação, garota....será a minha e a sua cabeça! Assegurei que estaria disponível para ele!" A raiva explodiu em sua voz, o desespero tingindo suas palavras, mas sua manipulação não tinha mais poder sobre mim. "Não seja orgulhosa, garota! Você precisa disso, sua mãe precisa! Ele pode nos dar uma vida melhor!" Ela tentava me persuadir, usando minha maior fraqueza contra mim, cega pelo medo de desafiar o poder de Patrone. "Eu não vou ficar! Adeus, Ísis," disse, usando seu verdadeiro nome pela primeira vez, cortando qualquer laço que ainda pudesse existir entre nós, deixando para trás aquela identidade forjada. Saí do clube com Ella e Marina me amparando, seus braços oferecendo um apoio físico e emocional essencial. O peso do dinheiro em minha bolsa queimava como brasa, um lembrete constante do preço terrível que eu havia pago. "O que vai fazer agora?" perguntou Ella, enquanto me ajudava a entrar na banheira fumegante em seu pequeno apartamento, o vapor úmido envolvendo meu corpo trêmulo. A água quente m*l conseguia aquecer o frio que me consumia por dentro, a alma ferida. Eu não sabia como me sentir... de certa forma, me vendi para proteger minha mãe, mas ainda assim fui brutalmente violada, a linha entre sacrifício e exploração borrada pela violência. Marina surgiu com uma bisnaga na mão, o rosto marcado pela preocupação. "Achei uma pomada muito boa, sempre uso, alivia..." Ela aplicou um pouco na minha boca machucada com cuidado, seus dedos gentis contrastando com a brutalidade que eu havia sofrido. "Agora, Sofia... como vocês vão ficar? Sem emprego?" "Com esse dinheiro..." respondi, a voz exausta e sem vida. "Vou voltar para casa... voltar para o meu país... será melhor... Vou para a fazenda do meu avô... mesmo sabendo que ele pode não estar mais lá... mas tem a minha tia, meus primos... lá é uma cidade pequena, ficarei reclusa de tudo..." A ideia de distância, de um lugar onde pudesse tentar me curar longe daquele horror, era a única luz bruxuleante no fim do túnel escuro. Fugir desse homem e de qualquer praga que meu pai tivesse feito. "Vamos sentir sua falta..." disse Marina, seus olhos marejados. Pela manhã, quando cheguei no apartamento, a cena era desoladora. Quase todos os móveis estavam na rua, ou melhor, o que restava deles depois que muitos dos vizinhos, aproveitando a oportunidade, haviam depenado o apartamento. Faltava o colchão, a televisão, o fogão... mas nada disso importava mais. Ao subir, mesmo que cada degrau fosse uma tortura ardente, ouvi uma discussão acalorada vindo do apartamento da vizinha que tanto me ajudara. "Eu não vou!" ouvia os gritos angustiados de minha mãe, sua voz carregada de pavor e confusão. Mesmo com a ardência latejando em cada músculo, uivei os degraus, temendo o que encontraria lá dentro. Bati rápido na porta, e a vizinha abriu com uma tristeza profunda estampada em seu olhar cansado. "Oh, querida... sua mãe... ela não quer tomar os remédios de forma alguma," disse com a voz exausta, o peso da situação visível em seus ombros. "Tudo bem... eu vou tentar... descansa um pouco," digo, adentrando o apartamento, sentindo o ar pesado de tensão. "Filha, ainda bem... ela quer me envenenar!!" Berrava minha mãe, seus olhos arregalados e fixos, a expressão intensa como se aquela paranoia fosse a mais pura verdade. Sua mente lutava contra as sombras da demência, mas a realidade ainda se misturava com as ilusões de forma dolorosa. "Mãe, ela é uma pessoa muito boa, não faria isso, tudo bem?..." tentei acalmá-la, a voz suave e paciente. "...olha, trouxe um doce." Era um dos poucos subterfúgios que ainda funcionavam para trazê-la de volta à realidade por alguns instantes. "Doce?... tenho uma filha tão boa.... você cresceu," disse por fim, seus olhos marejados de uma vaga lembrança, antes de tomar o remédio que, após um tempo, a deixou um pouco lenta e sonolenta. "Obrigada pela ajuda, senhora.... não sei o que faria sozinha..." Abracei a vizinha gentil, um gesto de gratidão silenciosa, antes de me despedir. Por fim, deixando para trás a Sicília, a ilha que se tornara palco do meu pesadelo. Que meu pai desaparecesse da minha vida e pagasse suas dívidas com aquele bandido... e que aquele homem jamais me encontrasse novamente. O interior do Brasil era tão pequeno e isolado que a ideia de anonimato era quase palpável. Não consigo chorar em frente à minha mãe, preciso ser forte por ela, mas era tudo que eu mais queria naquele momento: desabar e deixar as lágrimas lavarem a dor que me consumia por dentro. Quem que eu escreva e libere mais capitulos hoje? claro se eu tiver tempo, caso não tenha aviso!
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