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1413 Palavras
Dario O tatame macio acolhia seus pés pequenos enquanto Dario, com seus cinco anos recém-completados, curvava-se diante dos dois garotos maiores no pódio improvisado do dojo. Seu quimono branco, um pouco grande para seu corpo franzino, estava levemente amassado, mas o sorriso que iluminava seu rosto era radiante. A medalha de bronze, fria contra seu peito, parecia pesar uma tonelada, mas era o peso da sua pequena vitória. Seus olhos brilhavam enquanto procuravam por eles na pequena plateia de pais e senseis. Ah, ali estavam! Seu pai, um homem alto e forte com um sorriso largo, e sua mãe, Isabella, elegante e de voz suave, com os olhos marejados de orgulho. As palmas dos dois ecoavam no pequeno salão, um som que para Dario era a mais doce das melodias. "Eu consegui, papai! Mamma! [Mamãe!] Eu fiquei em terceiro!" Sua voz infantil, ainda um pouco rouca, transbordava excitação. Ele agitava a medalha, a luz fraca do dojo refletindo no metal. Seu pai caminhou até a beirada do tatame, os olhos brilhando de alegria. "Meu campione! [campeão!] Você viu só, Isabella? Nosso piccolo leone! [pequeno leãozinho!]" Ele mandou um beijo no ar, um gesto que sempre fazia Dario rir. Sua mamma [mamãe] não ficou atrás, aproximando-se com passos rápidos e graciosos. Ela se ajoelhou em frente ao pódio, seus olhos azuis fixos nos de Dario. "Amore mio, [meu amor,] estamos tão orgulhosos de você! Hai combattuto con tanta grinta e disciplina. [Você lutou com tanta garra e disciplina.] Questa medaglia è più che meritata. [Essa medalha é mais que merecida.]" Sua voz era suave, carregada de uma tenerezza [ternura] que aquecia o coração de Dario. Ele desceu do pódio correndo, tropeçando um pouco no quimono, e se jogou nos braços da mamma, [mamãe,] que o apertou em um abbraccio [abraço] carinhoso. O profumo delicato [perfume delicado] dela era o seu conforto preferido. "Eles eram grandes, mamma," ele disse, com a sinceridade de uma criança. "Mas eu não tive paura! [medo!] O sensei disse que fui molto coraggioso. [muito corajoso.]" Seu papà [papai] se juntou ao abbraccio, [abraço,] envolvendo os dois em seus braços fortes. "Sei stato più che coraggioso, figlio mio. [Você foi mais que corajoso, meu filho.] Sei stato incredibile! [Você foi incrível!] Andiamo a festeggiare? [Vamos comemorar?] Che ne dici di um gelato bello grande? [Que tal um sorvete bem grande?]" Os olhos de Dario se arregalaram de felicidade. "De cioccolato [chocolate] com codette colorate! [granulados coloridos!]" Sua mamma [mamãe] riu, beijando sua testa. "Certo, amore mio. [Claro, meu amor.] Oggi ti meriti tutti i gelati del mondo. [Hoje você merece todos os sorvetes do mundo.]" Naquele momento, no calor do abbraccio [abraço] dos seus pais, com a medaglia di bronzo [medalha de bronze] pulsando contra seu peito e a promessa de um gelato [sorvete] delicioso no ar, Dario sentia que o mondo [mundo] era um lugar perfeito. Ele era amato [amado], talentoso e vittorioso [vitorioso]. Semanas depois A pequena testa de Dario, geralmente macia e fresca, irradiava um calor incômodo. Seus cachinhos cor de caramelo, habitualmente saltitantes e cheios de vida, agora estavam grudados na pele pálida e úmida. Ele se encolhia sob as cobertas finas, apesar da brasa que parecia consumi-lo por dentro, os lábios rachados murmurando o nome dos pais em um fio de voz. "Papai... Mamãe..." Desde a manhã, a febre o castigava, subindo e descendo em ondas nauseantes. A garganta arranhava a cada deglutição, e o corpo todo doía, como se pequenos lutadores de sumô resolvessem duelar dentro dele. A babá, Signora Elena, uma mulher de rosto bondoso e mãos experientes, trocava as compressas frias em sua testa, mas o alívio era fugaz. "Calma, pequeno," ela sussurrava, a voz suave como um afago. "Vai passar. Signora Elena está aqui." Mas Dario queria seus pais. Queria o abraço forte do papai e o carinho delicado da mamãe. Eles sempre o faziam se sentir melhor, com suas palavras de incentivo e seus beijos na testa. Só que hoje, como em tantas outras vezes, eles estavam em uma daquelas "reuniões importantes", "coisa de gente grande", como sempre diziam, com a promessa vaga de voltarem logo. A tarde se arrastava, lenta e dolorosa. Dario tossia, um som seco e fraco que preocupava Signora Elena. Ele chamou pelos pais mais uma vez, a voz embargada pelo cansaço e pela febre alta. Signora Elena suspirou, o olhar cheio de preocupação. Aquela febre não estava cedendo. Com uma decisão silenciosa, pegou o telefone e discou o número do escritório. Sabia o quanto eram ocupados, mas a palidez do rosto de Dario e o brilho febril em seus olhos a fizeram ignorar qualquer hesitação. "Senhor? Sou Signora Elena, a babá de Dario... Sim, ele não está bem. Está com muita febre desde cedo... Não, não parece ser só um resfriado... Ele está bem abatido e chamando por vocês..." Sua voz era urgente, transmitindo a gravidade da situação. Do outro lado da linha, houve um silêncio breve, seguido por um tom de voz que Signora Elena raramente ouvia no geralmente calmo senhor Martini. Havia preocupação, uma nota de alarme que ecoava o seu próprio medo. "Febre alta, você disse? Ele está muito r**m? Isabella e eu estaremos aí o mais rápido possível. Avise-me se houver alguma mudança." Signora Elena desligou o telefone com um suspiro de alívio. Ela sabia que, em breve, os braços de papai e mamãe envolveriam Dario, e talvez, só talvez, o calor da febre diminuísse um pouco com a presença deles. Os raios de sol da manhã invadiam o quarto de Dario, dançando sobre o papel de parede com desenhos de aviões e super-heróis. A febre finalmente havia partido, deixando em seu lugar uma leve moleza, mas uma energia infantil ansiosa por ser gasta. Seus cachinhos caramelo brilhavam à luz, e um sorriso travesso curvava seus lábios enquanto seus dedinhos tamborilavam na colcha macia. "Signora Elena!" chamou, a voz ainda um pouco rouca, mas muito mais forte do que nos dias anteriores. "Signora Elena, vamos brincar! Podemos montar o forte de lençóis!" A porta se abriu lentamente, e Signora Elena surgiu, sua figura habitualmente animada curvada por um peso invisível. Seus olhos, geralmente brilhantes e cheios de calor, estavam vermelhos e inchados, e havia olheiras profundas sob eles. Ela forçou um sorriso fraco ao ver Dario sentado na cama. "Buongiorno, piccolo," disse, a voz embargada. "Buongiorno!" respondeu Dario, radiante. "Estou muito melhor! A febre sumiu! Podemos brincar agora?" Ele estendeu as mãos pequenas em direção a ela, esperando ser puxado para fora da cama. Signora Elena hesitou, seu olhar vago. "Claro, caro. Mas talvez... talvez um pouco mais tarde? Signora Elena precisa... organizar algumas coisas." Havia algo estranho no ar. Desde que acordara, Dario sentia uma atmosfera pesada pairando sobre a casa. Os empregados se moviam em silêncio, seus rostos sombrios e seus sussurros abafados. Ninguém sorria, nem mesmo o jardineiro que sempre lhe mostrava os botões de rosa mais bonitos. Era como se uma nuvem escura tivesse se instalado sobre a casa, apesar do sol radiante lá fora. Intrigado, Dario desceu da cama, as pernas ainda um pouco bambas. Ele seguiu Signora Elena com seus pequenos passos curiosos. A encontrou no corredor, perto da janela que dava para o jardim, encolhida em um canto, o rosto escondido nas mãos e os ombros tremendo silenciosamente. "Signora Elena?" Dario se aproximou hesitante, sua alegria matinal começando a se dissipar diante da tristeza da babá. Ele tocou levemente seu braço. "Signora Elena, você está chorando? Machucou o joelho?" Signora Elena se assustou, levantando o rosto banhado em lágrimas. Seus olhos encontraram os de Dario, e sua expressão se tornou ainda mais desolada. Ela tentou sorrir, mas apenas um soluço escapou de seus lábios. "Oh, piccolo mio..." ela murmurou, abraçando-o apertado contra seu corpo trêmulo. O cheiro suave de lavanda que sempre a acompanhava agora vinha misturado com o sal das lágrimas. Dario a abraçou de volta, sua pequena mente confusa. Ele não entendia por que Signora Elena estava tão triste. Ele estava melhor, o sol estava brilhando... tudo deveria estar bem. "Não chora, Signora Elena," ele disse, tentando imitar o tom reconfortante que ouvia seus pais usarem. "Vai ficar tudo bem. A febre foi embora." As palavras de Dario, pensadas para acalmar, pareciam ter o efeito contrário. Signora Elena apertou-o ainda mais, e suas lágrimas começaram a cair com mais intensidade, molhando os cabelos de Dario. Seu choro silencioso era carregado de uma dor profunda que a pequena mente de Dario não conseguia compreender.
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