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1847 Palavras
Sofia "Sofia... bem... ela não... não fará parte do salão esta noite." Um murmúrio de descontentamento percorreu o salão, crescendo rapidamente em um coro de protestos. "Como assim, Mamis?" gritou o homem corpulento, sua voz carregada de frustração. "Acabamos de começar!" "Eu ofereci uma fortuna!" exclamou o homem elegante, sua compostura habitual rachando sob a irritação. "Isso é um ultraje!" Mamis tentou remediar a situação, a voz ainda vacilante. "Senhores, por favor... entendam... ela já... ela já foi reservada." Um frio percorreu minha espinha ao ouvir essas palavras. Reservada? Por quem? A alegação de Mamis só pareceu inflamar ainda mais o descontentamento. "Reservada? Por quem? Por que não nos disse antes?" questionou o homem mais jovem, a voz acusatória. "Isso não é justo!" gritou uma mulher de cabelos vermelhos sentada em um dos sofás, sua voz ecoando a frustração de muitos. "Viemos aqui por ela!" Mamis tentava acalmar os ânimos, gesticulando nervosamente com as mãos. "Senhores, senhoras... eu entendo o desapontamento... mas prometo que temos outras opções... outras... outras belezas esperando para agradá-los." Seu olhar hesitante percorreu o salão, buscando o apoio de Ella e Marina, que observavam a cena com uma apreensão crescente. A elegância de Mamis havia se esvaído completamente, substituída por um nervosismo palpável enquanto tentava conter a onda de desgosto que sua declaração havia provocado. Mamis agarrou meu braço com uma força surpreendente, seus dedos cravando em minha pele. "Por que não disse nada, garota?!" sibilou entre dentes, a voz carregada de uma raiva fria que eu nunca tinha presenciado. "E eu achando que você era boba.... De boba você não tem nada!" Ela me puxou bruscamente, me arrastando pelo salão em meio aos olhares curiosos e agora ressentidos dos clientes. Meus pés tropeçavam nos saltos altos enquanto ela me guiava a passos largos em direção ao elevador privativo, aquele que eu aprendi a temer, o elevador dos VIPs. Assim que nos aproximamos da porta de metal dourado, a lembrança me atingiu como um raio. Aquele era o elevador... o mesmo que eu usei... o mesmo que me levou até ele naquela noite de terror. O pânico me invadiu, paralisando meus músculos. Tentei resistir, agarrando-me à moldura de uma coluna, mas a força de Mamis era implacável. "Não!" consegui sussurrar, a voz embargada pelo medo. "Não me leva para lá..." Mamis se virou para mim com fúria, a mão levantada. O tapa estalou em meu rosto, a dor aguda me fazendo cambalear. "Você quer me complicar?! Quer que eu seja morta?!" seus olhos estavam arregalados, a máscara de chefe fria e calculista completamente desfeita, revelando um desespero aterrador. "Não, Mamis, eu imploro! Não me leva pra esse lugar..." As lágrimas escorriam pelo meu rosto, o medo me sufocando. "Você ao menos sabe quem é ele, Sofia?! Ele é perigoso, Sofia... é um mafioso, Sofia! Dono de tudo isso! Se não quer nos ferrar, faça! Eu lhe darei o dinheiro que precisar, mas faça!" Mamis falava de forma atropelada, as palavras jorrando em um fluxo de terror desesperado. E então, a imagem nítida e brutal invadiu minha mente: o homem ajoelhado, implorando por piedade, o estrondo do tiro, o corpo se contorcendo no chão, o sangue manchando o tapete persa. Aquele era o poder dele. Aquela era a crueldade daquele homem. O medo se transformou em um terror paralisante, e eu soube, com uma certeza gelada, que Mamis estava certa. Minha recusa não era apenas um ato de autopreservação, mas uma ameaça para todos ali. O elevador subiu em um silêncio opressor, quebrado apenas pela minha respiração entrecortada e pelos soluços silenciosos que ainda me sacudiam. Minha mão permanecia colada à face, o local do tapa de Mamis latejando em sincronia com o meu coração acelerado. Quando as portas se abriram no andar VIP, fui praticamente arremessada para fora por Mamis. Meu corpo chocou-se contra o chão macio, mas firme, de um tapete de veludo cor de vinho. O impacto tirou o pouco ar que restava em meus pulmões. O espaço VIP era opulento e sinistro. As paredes eram revestidas de painéis de madeira escura, adornadas com pinturas a óleo de mulheres sensuais em poses provocativas. Sofás de couro preto e vermelho estavam dispostos em semicírculos, e uma iluminação indireta e avermelhada criava uma atmosfera de luxúria sombria. O ar estava carregado de um perfume caro e enjoativo, uma mistura de tabaco, álcool e um doce floral. Patrone estava parado perto de uma grande janela que oferecia uma vista panorâmica da cidade iluminada. A luz da noite banhava seu perfil forte, destacando a linha firme de sua mandíbula e o porte atlético sob o tecido caro de sua camisa. Ele observava a cena lá fora com uma expressão neutra, quase entediada, a mão elegantemente repousada no bolso da calça, o corpo relaxado, mas emanando uma aura de poder contido. Seus olhos escuros percorreram meu corpo caído no chão, sem qualquer traço de surpresa ou emoção, como se observar uma peça de mobília fosse mais interessante. "Aqui, senhor," disse Mamis, a voz ainda trêmula, curvando-se ligeiramente em uma submissão forçada. "Toda sua. Eu não sabia que havia separado ela." Patrone finalmente desviou o olhar da janela, girando lentamente o corpo. A luz agora incidia em seu rosto, revelando traços marcantes e um olhar penetrante que parecia atravessar a alma. Seus lábios finos se curvaram em um leve sorriso, que não alcançava seus olhos frios. "Ainda não é motivo para o leilão lá embaixo." Sua voz era baixa, um sussurro rouco, mas carregada de uma autoridade inquestionável que pairava no ar. "Mas... mas... senhor... achei... que seria bom..." Mamis tentou se explicar, gaguejando sob o olhar gélido de Patrone, sua postura antes confiante agora curvada pelo medo. Ele ergueu uma mão elegante, interrompendo-a com um gesto displicente e arrogante, como se dispensasse uma mosca irritante. Sem desviar os olhos de Mamis, fez um sinal quase imperceptível com a cabeça em minha direção, um movimento lento e calculado. Era uma ordem silenciosa para que eu me aproximasse. Fiquei hesitante, o choque e o medo me mantendo paralisada no chão. Minhas pernas pareciam feitas de chumbo, e a ideia de me aproximar daquele homem me aterrorizava. "Vai!" sibilou Mamis, empurrando-me com força nas costas, o desespero em seus olhos implorando obediência. "Anda!" Com passos lentos e hesitantes, como se estivesse caminhando para a forca, comecei a me aproximar de Patrone. Cada célula do meu corpo gritava para que eu fugisse, mas a presença ameaçadora dele me prendia como uma teia invisível, sua beleza fria e perigosa exercendo uma estranha paralisia. Assim que cheguei perto o suficiente, ele estendeu a mão, seus dedos longos e pálidos roçando levemente minha face. O toque, apesar de breve, enviou um arrepio de pavor pela minha espinha. Seus olhos escuros fixaram os meus, e por um instante, senti como se ele pudesse ver através de mim, lendo cada um dos meus medos. Seus dedos encontraram a área sensível da minha bochecha, ainda dolorida pelo tapa de Mamis. Um gemido baixo e involuntário escapou dos meus lábios, a dor física se somando à angústia avassaladora. "Normalmente não esperaria, mas estava bem ocupado ontem," disse ele, a voz rouca e arrastada, como se a impaciência m*l contida borbulhasse sob a superfície de sua calma. Ele fez um gesto displicente com a mão em direção a Mamis e aos seguranças que ainda pairavam pela sala, dispensando-os com um aceno preguiçoso. "Saiam. Deixem-nos a sós." Mamis hesitou por um instante, o medo ainda estampado em seu rosto, mas o olhar frio de Patrone não admitia desobediência. Ela fez um sinal apressado para os seguranças, e todos se retiraram em silêncio, deixando apenas nós dois naquele espaço carregado de tensão, onde sua presença magnética e ameaçadora dominava o ar. Assim que a porta se fechou com um clique suave, Patrone se aproximou, seus olhos fixos nos meus, avaliando-me com uma intensidade fria. Ele estendeu as mãos, e um arrepio percorreu meu corpo quando seus dedos roçaram minha pele. Ele começou pelas minhas mãos, subindo lentamente pelos meus braços, a possessividade em cada toque me causando náuseas. Seus dedos deslizaram pela lateral do meu corpo, demorando-se na curva da minha cintura antes de descerem ousadamente, roçando a lateral dos meus s***s por cima da renda fina do sutiã. "Mas não perderia essa chance," murmurou, a voz carregada de um desejo predatório que não se traduzia em calor, mas em uma fria determinação. Sua mão desceu ainda mais, roçando a parte superior da minha coxa por baixo da barra do robe, um toque que me fez estremecer de repulsa. Ele inclinou a cabeça, o rosto se aproximando do meu, a intenção de me beijar estampada em seus olhos escuros e penetrantes. Instintivamente, virei o rosto, o contato de sua boca fria e possessiva em minha bochecha causando-me repulsa. Ele riu, um som seco e desdenhoso que ecoou no silêncio do quarto. "Você realmente gosta de dificultar as coisas, não é?" Sem dizer mais nada, ele agarrou meu braço com força, seus dedos apertando minha pele como uma algema invisível. Sem me dar tempo para reagir, me puxou bruscamente em direção a uma porta discreta que eu não havia notado antes. Ele a abriu com um chute, revelando um quarto adjacente, iluminado por uma luz suave e sensual, onde uma grande cama de dossel com lençóis de seda preta dominava o espaço, exalando uma aura de perigo e luxúria. Ele entrou no quarto com uma desenvoltura fria e confiante, a porta fechando com um clique pesado atrás de nós, selando meu destino. Sem desviar os olhos de mim, começou a desabotoar a camisa cara com movimentos lentos e deliberados, revelando o peito musculoso sob o tecido fino, cada músculo definido sob a luz suave. "Não..." repeti várias vezes, a voz um sussurro trêmulo, enquanto dava passos hesitantes para trás, tentando desesperadamente criar distância entre nós. "Não... por favor... não." Ele jogou a camisa em uma poltrona de couro, um sorriso frio e calculista curvando seus lábios finos. "Você estava disposta a se leiloar a quem pagasse mais lá embaixo, não me venha com esse jeitinho santinho que você moldou." Aquelas palavras me atingiram como um golpe, a verdade nua e crua da minha situação me estilhaçando por dentro. Eu me sentia vendida, mesmo que não tivesse sido minha escolha direta. Mamis... Mamis havia feito tudo aquilo. Aquele pensamento, a traição velada, fez uma lágrima solitária escorrer pela minha face. "Olha... foi... foi um erro... eu não..." tentei dizer, mas as palavras se atropelavam, presas na garganta pelo nervosismo e pelo medo paralisante. "Não posso fazer isso..." murmurei, a voz quase inaudível. "Ah, mas você vai," disse ele, a voz agora carregada de uma certeza sombria, aproximando-se enquanto eu me afastava até sentir a parede fria contra minhas costas, sem ter para onde fugir. Ele tocou meus cabelos agora soltos, os dedos deslizando pelas mechas com uma possessividade fria, como se reivindicasse algo que já era dele. "Estava disposta a se vender de tal forma e se n**a a mim... você mais do que ninguém deveria estar colaborando." "Que...?" Aquilo me deixou
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