Capítulo 5

3487 Palavras
Os dias passaram de forma causticante. Pelo fato de que precisei várias vezes atender as exigências de Nicolas. O café estava sem açucar, ou o café estava muito forte. Que eu deveria comprar chás diferentes para ele. E me fez sair procurando um chá que encontrou na internet. - Eu preciso desse chá, Indrika. Poderia comprar para mim? - ele pediu, mostrando para mim na tela do seu notebook. Infelizmente, o chá era vendido apenas na Inglaterra. Então, procurei uma opção aqui no Brasil, de chá naturais. E que não fosse de saquinho. Comprei uma lata no shopping e fiz o chá para ele. Ao menos ele havia gostado da opção. O chá misto de maçã, com mamão, abacaxi e mirtilo. E com sabor de morango e pitaia. Era o chá mais exótico que comprei na vida. E tinha um sabor tão bom. Até fiz um xícara para mim. Essa parte foi a mais fácil. A difícil e complicada foi segurar a entrada da senhora Linford no seu escritório. Ele estava fugindo dela, com certeza. E não respondia nenhum email dela, ou da senhorita Crawford. Haviam outros emails que abri, que exigiam sua atenção. Uma tal de Hannah Montegomery exigia que ele respondesse quanto ao evento da galeria Linford, em Londres. Que seria no mês que vem. E que ele ainda não havia decidido qual seria o tipo de entrada e o vinho a ser servido. Nem a decoração. Ela colocou tudo em caixa alta. Parecia irritada. Apenas avisei ele por mensagem via telefone sobre isso. E sobre outros emails que lotavam a caixa. Eu precisava lembra-lo de tudo. De responder os emails, de ir para as reuniões no horário combinado, de comparecer a eventos e principalmente, de ser pai da sua filha. E ele gritou comigo, por estar me metendo em sua vida pessoal. Que eu não era ninguém para fazer isso, que era só sua secretária. Eu fiquei possessa da vida naquele dia. Sai do seu escritório e fui direto para casa. E ainda eram três horas da tarde. Quando cheguei em casa, já era quatro e meia. Meu telefone tocou sem parar. E pelo identificar de chamada, pude ver que era ele. Não iria atender. Eu não iria voltar para aquela empresa mais. Eu não suportava mais seus acessos de raiva e dominação. Ele, por um momento, era gentil e educado. Em outros momentos, quando algo saia do lugar, ou quando algo não dava certo, gritava. E não só comigo, mas com os fornecedores e com os empregados da empresa, que precisavam se relacionar diretamente com ele. Entrei em casa e minha mãe se assustou comigo. Ela estava limpando o quintal de casa, tirando ervas daninhas, com luvas de jardinagem. Seus cabelos outrora castanhos, estavam esbranquiçados e precisavam urgente de uma tintura. - Querida, você me deu um susto. Achei que alguém estava invadindo a casa - ela disse, com a mão no peito. Estava pálida. O ataque de pânico parecia estar dando as caras. - Mãe, respira fundo. Me desculpe por chegar assim - eu disse, segurando ela pelo cotovelo e a levantando. - Está tudo bem, querida. Só fiquei assustada. Preciso só me sentar - ela disse, com a voz fraca. - Claro, mãe. Eu a levei para dentro de casa. Nossa casinha era simples. Com um andar só. Tinha quatro peças, mas a lavanderia do lado de fora. Nós entramos na cozinha e eu fiz ela sentar na cadeira em frente a mesa. Peguei um copo de vidro no armário em cima da pia e coloquei açucar e peguei a água da torneira. Entreguei o copo para ela, que bebeu devagar. Ela me olhou com seus olhos castanhos e cansados. Mamãe havia perdido o brilho especial dela. Estava sempre assustadiça. - Por que chegou tão cedo? Todo dia está vindo tarde - ela perguntou - Não me diga que foi demitida. - Não mãe, mas eu vou me demitir - eu disse, soltando um suspiro frustrado e sentado em frente a ela. coloquei as mãos na lateral da cabeça. Estava com muita dor - Eu não suporto mais as oscilações de humor do meu chefe. Ele é insuportável. Por um momento, está calma e no outro parece que está tomado pelo próprio... Me calei, diante do olhar da minha mãe. Ela não suportava palavrão em casa. E eu ia falar besteira. Soltei o ar que estava prendendo e tentei não trincar tanto o maxilar. - Filha. Eu sei que esta dificil, mas não saia do seu emprego sem ter algo em vista - ela pediu - Tá dificil de encontrar trabalho hoje em dia. Aguenta mais um pouco. Eu não sabia se iria aguentar. Estava farta das exigências do meu chefe. Mas, o que me irritava mesmo era sua forma grosseira de lidar com tudo. Não era só porque eu enfrentava ele, mas porque ele sempre estava de m*l humor. E não nasci para ser tratada daquele jeito. Eu estava começando a ter medo de ir para o trabalho. É só estava trabalhando com ele há duas semanas. Além do fato de que eu não era babá. Adorei conhecer Lauren e cuidar dela, mas eu estava cansada de toda sexta-feira precisar ficar até mais tarde com ela, na casa dele, porque ele tinha algum evento. Já havia questionado ele quanto a uma babá e ele me respondeu que confiava em mim. A droga era que depositou um valor a mais na minha conta, por fazer isso. Aquilo já era exploração, mesmo ele pagando por estar cuidando da sua filha. - Eu sei mãe. Eu sei que está difícil para achar emprego, mas...- Eu iria acrescentar que ele era um explorador, arrogante e dominador, contudo, meu telefone interrompeu minha frase. Olhei para o identificador de chamada. Era Nicolas. Bufei, irritada. - Filha, atende. Deve ser importante - minha mãe disse. - Sim, claro. É só a droga do meu chefe - disse, entredentes. - Olha boca, menina. Não te criei pra falar desse jeito. Atende o telefone, que é o mais correto - ela insistiu. Respirei fundo, preparando meu espirito. Atendi no quarto toque. - Até que enfim - escutei a voz dele - Onde você está? - Eu vim pra casa - respondi, seca. - Ah, é mesmo? - ele perguntou, em tom irônico - E você sai sem avisar, sem me dizer nada. E não atende esse telefone - Agora, ele estava aumentando o tom de voz - Eu preciso de você aqui, agora. Você trabalha para mim e não te pago para ficar em casa. - Eu não vou mais trabalhar para você. Seu grosso, e******o e i****a! - esbravejei, desligando o telefone na cara dele. Estava tremendo por dentro. Minhas mãos mostravam o estado que estava. - Filha, por que fez isso? Ele pode te mandar embora por justa causa. Ai você perde o seguro - minha mãe disse, com um olhar exasperado - Liga pra ele e pede desculpa. Dona Maria era uma mulher que sempre batalhou a vida toda. Minha mãe simplesmente baixava a cabeça para patrão e levava todo os problemas deles para ela. Trabalhou em casa de família rica, como faxineira, governanta, babá, cozinheira e até mesmo educou os filhos daquela gente. Eu ficava pasma toda vez que minha mãe falava sobre seu passado. Papai, que era engenheiro civil e ganhava bem, tirou ela desse tipo de trabalho, quase escravo. Mas, dona Maria não parou de trabalhar. Ela costurava para fora. Fazia uniforme de escola e ainda conseguiu montar um atêlie de costura. Contudo, montou sociedade com o irmão do meu pai e ele levou a empresa a falência. Ele fazia a contabilidade, mas estava sonegando imposto e ainda roubou ela. Meu tio era um crapula, que não teve dó de nós. Até hoje minha mãe pagava aquela divida. E com o dinheiro do meu salário, mais o dinheiro do meu pai e da aposentadoria da mãe, por invalidez, devido a problema na coluna, a gente estava pagando tudo. Até que meu pai morreu. E só sobrou eu e mamãe. Realmente, se eu perdesse aquele emprego, estavámos em uma situação critica. - Mãe, eu vou ligar para meu chefe depois e me retratar - prometi. - Filha, deveria fazer isso agora - ela pediu - Não piora mais sua situação O problema era que eu não iria levar na cabeça o tempo todo, como minha mãe fez. Eu tinha minha dignidade a resguardar. - Mãe, depois - respondi - Agora, eu vou tomar um banho. Eu faço a janta, tá? - Tá bom filha - ela disse daquele jeito resignado. Tomei um banho demorado, lavando meus cabelos, fazendo uma hidratação nos fios lisos. Meus cabelos eram da cor da minha mãe. Um castanho quente, quase chocolate. Meus olhos eram escuros. Não sei se eram castanhos, mas eram como o céu da noite, como um ex namorado havia dito. O Carlos sempre falava aquelas coisas românticas. Era sempre tão galante. E foi esse meu erro. Ele falou isso para a metade das meninas do bairro. Eu fui traida tantas vezes, que nem sabia contar. Então, nada de homem para mim. Homem só dava dor de cabeça. E só sabia procurar r**o de saia. Sai do banho, mais relaxa, com meu roupão que comprei pela internet. Era lindo, preto e o tamanho ia até os joelhos. Nem sequei os cabelos, pois estava com preguiça. Caiam sobre meus ombros, molhando o roupão. Quando fui para a sala, eu me deparei com uma cena que não estava esperando. Nicolas estava sentado no sofá da minha mãe e ela estava servindo café para ele. Ele me fitou, com olhos em chama. Eu não sabia interpretar aquele olhar dele. Mamãe estava falando com ele em português, é claro. Ela só tinha instrução até a quarta série. E ele respondia de forma monossilabica. Eu ficaria irada se ele falasse qualquer coisa r**m para ela ou aumentasse o tom de voz. Mas, ele estava sendo educado, pólido. Minha mãe me viu parada ali na porta da sala e disse: - Filha, vai se trocar. Seu chefe veio aqui conversar com você. - Hum. Eu não sei se quero conversar - eu disse. - Mas, vai - ela insistiu. Ele me fitou com um sorriso vitorioso. Ele entendia tudo que nós falávamos, então não poderia xingar ele na minha língua. O que era uma pena. Fui me trocar e coloquei uma calça de moletom, camiseta e um chinelo. Não estava me importando com apresentação. Não estava no meu trabalho. Quando cheguei na sala, minha mãe não estava e Nicolas tomava o café, com uma expressão que havia gostado. Do café da dona Maria ele gostava, só do meu que não. E isso me deixou com raiva. - Então - eu disse, chamando a atenção dele. Falei em inglês, pois ele não sabia se comunicar tão bem assim no meu idioma. E não queria ser torturada com seu sotaque. - Estou surpreso com você - ele disse, deixando a xicara do seu lado, no sofá, sobre o pires. Cruzou as pernas longas e elegantes. Me fitou com um olhar indecifrável. Eu perdi o ar, de repente. Havia me esquecido do quanto ele era bonito. Ele parecia um anjo, com aquele rosto perfeito e cabelos cacheados na ponta, de tom dourado. Seus olhos me analisavam de cima a baixo. Ele ruborizou. Eu tinha certeza disso. Pigarreou e disse: - Não imaginava que eu seria tão insultado na minha vida. Fiz algo para merecer isso? - Fez - eu respondi, sincera - Você está sendo e******o comigo, abusando da sua autoridade. Eu não gosto que gritem comigo, ou me tratem como escrava. - Ok, quando foi que eu gritei com você? - ele perguntou, não sendo debochado. - Deixe me ver - eu disse, um pouco irônica - Você teve a capacidade de gritar comigo hoje. Apenas porque lhe falei sobre sua filha. Da necessidade de que ela tem de ter sua companhia, Nicolas. Qual é o problema com isso? Eu não fui grossa com você. Falei de forma educada e profissional. Ele respirou fundo, parecendo irritado. Passou a mão pelo queixo. - Está bem - ele disse - Eu vou tentar ver se entendi. Você quer que eu aceite seus palpites sobre minha vida pessoal? É sobre isso que estamos falando? Ele estava desconversando sobre o fato de ser grosso? - Não estou pedindo isso - eu disse, exasperada - Estou pedindo que pare de gritar. De ser grosso. Aliás, pare de tratar todo mundo na empresa assim. Ele retesou o maxilar. Era a coisa errada a se dizer. Eu sabia disso. Estava questionando sua autoridade. - Você não tem direito de dizer como devo ou não me portar, Indrika - revirei os olhos ao ouvir meu nome errado - E não me olhe assim, como se eu estivesse errado. Foi você que faltou com postura ética e profissional, largando seu posto no meio da tarde, sem me avisar. E questionar minha autoridade não é o caminho certo. - Então, você o manda chuva e eu me calo e obedeço? - eu ironizei. - Eu sou o que? - ele perguntou, franzindo o cenho. - Deixa - eu fiz um gesto com a mão - Eu quero dizer que você é o chefe e manda em todos. Enquanto, eu apenas me calo e consinto. - Eu sou o chefe e sei o que é melhor para a empresa. Você é funcionária, paga para obedecer ordens. Não pensar. Sou eu que penso naquela empresa. Eu sou eu quem controlo minha vida pessoal. Se não está bom, peça demissão. - Ah, ótimo. Então, estou pedindo agora. Eu me demito - eu disse, pausadamente. Os olhos dele arregalaram e ele soltou um muxoxo. Ele se levantou do sofá, de repente. Respirou fundo. Por um momento eu pensei que ele iria embora, mas ele não foi. - Eu não permito - ele disse, com a voz baixa - Você vai ficar. - Eu não sou obrigada - cruzei os braços, com um olhar de desafio. Seus lábios eram um linha fina e seu olhar era intenso. Ele estava bravo por eu ter virado o jogo - Não foi você que disse: se não está bom, se demita? Ele passou a mão pela tempora. Parecia prestes a explodir de raiva. - Não achei que fosse tão irresponsável - ele disse, balançado a cabeça - E sua mãe, como vai ficar? E o tratamento dela? - Você andou me investigando? - perguntei, quase esbravejando. Como ele se atrevia a se meter na minha vida. - Eu fiz sim - ele confirmou, com um sorriso insolente - E não vejo por que não saber. Gosto de saber tudo relacionado a quem trabalha comigo. E aliás, você deveria repensar nisso. Você precisa de mim, mais do que eu preciso de você. Ele falou isso, como se eu fosse, sei lá, apaixonada por ele. Como se necessitasse dele. O que era ridículo. Eu sei que era no ambito profissional. Mas, se ele pensava que iria me dobrar, estava bem enganado. - Escuta, Nicolas - eu disse - Só vai embora. Não suporto mais sua voz e não suporto mais ver você. Eu me recuso a trabalhar para um chefe que escraviza seus funcionários. - Pense bem, Indrika - ele disse, se aproximando de mim, dessa vez, ficando a minha frente. De repente, percebi o quanto ele era alto. E o terno de cor cinza metálico se colava ao corpo dele. Engoli seco ao perceber o quanto ele era bonito e com um corpo atlético. Até a droga do seu perfume caro me inebriou os sentidos - Eu posso demiti-la por justa causa - ele teve a capacidade de me ameaçar. - Ah é, com base no que? - eu disse. - Com base na sua ligação grosseira. Eu posso pedir a gravação da ligação a operadora - ele disse, com um sorriso cretino. Mas, que grande filho da p**a. - Isso ai não existe - eu disse - Nem tem como eles te passarem. - Não mesmo? Tem certeza? - ele disse, com um brilho vitorioso no olhar. - Não tem mesmo - eu insisti. Li em algum lugar que era violar a lei - Duvido muito que consiga qualquer coisa nesse sentido. Ele bufou. - Então, eu dobro seu salário - ele jogou, assim, sem mais nem menos. - O que? - eu exclamei - Eu já vou ganhar um bom dinheiro e você ainda vai dobrar? Parecia bom. Eu poderia tirar minha mãe daquela casa. - Sim. E o melhor é que você pode se mudar para perto do trabalho e cuidar da sua mãe - ele disse, com um sorriso - Vê como é melhor para nós dois? Você não vai embora. Eu tenho minha secretária e você me ajuda com Lauren. - Eu não quero ser babá da Lauren. Não sou paga para isso. Não terminei minha faculdade para ser babá! Ele suspirou, apertando o nariz com o dedo indicador e polegar. - Eu não posso deixar ela com estranhos. E tenho medo de contratar alguém que não seja bom para ela. Só confio em você. E foi ai que ele me ganhou. Ele se importava com a filha. - Então, admita, Nicolas. Você gosta da sua filha e se preocupa com ela. Ele riu, mas não foi uma risada alegre. Era cinica. - Você não conhece nada sobre mim, Indrika. E não tem esse direito. Apenas me diga, aceita a proposta ou não? Era pegar ou largar. E ele estava me empurrando, tentando me manipular de todas as maneiras possíveis. Aquele cara sabia negociar. E resolveu apelar para meu lado emocional. Mas, que grande i*****l. - Ok. Eu topo. E quero o dobro do salário. E nada de me ligar no final de semana. Estou cansada de ouvir sua voz as nove da manhã. Ele sorriu e dessa vez, era malicioso. Engoli a seco. Esse homem era minha perdição. Ele conseguia me deixar com raiva e ao mesmo tempo, acha-lo sexy demais. - Eu não sei se posso fazer isso - ele disse, balançado a cabeça - Eu preciso de você. Engasguei quando ouvi isso. - Você precisa de mim profissionalmente, né? - eu perguntei, tentando contornar meus pensamentos maliciosos. - Sim, é claro - ele parecia desconsertado. - Ok, tá bom. Agora, vai embora da minha casa. Eu vou aproveitar minha folga. - Você sabe que vai ser descontado do seu salário esse tempo que você ficou fora. Era para você ter saído as cinco e meia - ele disse. O cretino teve a capacidade de dizer isso. - Tá, desconta então. Estou nem ai - eu disse. - Espero que não use esse linguajar no trabalho, Indrika - ele disse, sério. - Com certeza que não vou. Mas, você veio até minha casa. Está sob meu teto. Ele balançou a cabeça e riu. E riu de forma sincera. Eu acabei sorrindo e admirando suas covinhas que formavam na bochecha. - Tá, ok, você venceu. E já que estou aqui, sua mãe me convidou para jantar. Então, vou ficar - ele disse, piscando para mim - E não estou aqui como seu chefe. Mas, como amigo. - Amigo? - perguntei, arqueando a sobrancelha - Você, amigo? - Eu sei ser amigo - ele disse, claramente ofendido - E gostei da sua mãe. E gosto de você, Indrika. Eu sei que exagero um pouco, mas...- ele se calou, ruborizando. - Tá, só não estou no trabalho. Você está na minha casa agora. Minha casa, minhas regras. Ele deu uma risada rouca que me arrepiou inteira. - Ok, claro. Mas, com você bisbilhou na minha casa, eu posso fazer o mesmo aqui? - Nem pensar. No fim, ele jantou conosco e eu fazia a ponte entre minha mãe e ele. Ele fez várias perguntas sobre ela. E minha mãe parecia contente em responder tudo que ele queria saber. Nicolas era agradável fora do escritório. E não parecia olhar para nós com soberba. Ele parecia até mesmo simples. Quando o levei até o portão, vi sua BMW parada na calçada. E não sei como ninguém tentou rouba-lo. Era muita sorte. - Então - ele disse, passando a mão na nuca. - Então, até amanhã, chefinho - eu disse, brincando. Ele sorriu. - Até amanhã, Indrika - ele disse. Eu senti uma conexão entre nós. Algo diferente no ar. E ao invés de ele se virar para entrar no carro, ele puxou minha mão. O contato da sua pele com a minha causou arrepios involutários. Ele beijou meus dedos e sorriu. Eu vi ele se afastar e entrar no carro. Ele não olhou para trás. O carro dele se afastou e eu ainda senti o leve comichão dos seus lábios nos meus dedos. E não sei por que, eu criei um vinculo emocional com ele, naquele dia. E isso seria minha perdição.
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