No final do expediente, eu saí muito irritada. Precisei barrar a entrada de duas mulheres que Nicolas estava evitando contato. Ele havia me ligado e frisou que essas duas mulheres não poderiam entrar, não naquele dia. Ele me avisaria quando estivesse disponível para atender qualquer pessoa, por mensagem via celular. Fiquei irritada de ter que passar meu número para ele, pois eu não tinha um celular da empresa. Eu iria cobrar dele isso, com certeza.
As duas mulheres que ele não queria receber era sua mãe, senhora Audrey Linford e a senhorita Alisson Crawford. Elas eram mulheres altas, esguias e elegantes. Cada uma veio em um horário do expediente, para me enlouquecer. A senhora Linford desejava ver seu filho a qualquer custo e não queria esperar para ser atendida. Tive que barra-la, para o desespero. Ela tinha um olhar penetrante. Olhos azuis frios e cabelos curtos, em um tom loiro médio. Ela me olhou de cima abaixo e não parecia ter gostado do que viu. Ela ficou sentada por um longo tempo na poltrona de couro preta, na área de visitantes. E eu senti meus ombros enrijecerem, por tê-la ali. Ela frisou que iria espera-lo sair. Em algum momento, ele teria que sair. Mas, se cansou de esperar, depois de uma hora. Finalmente, eu pude respirar aliviada. Contudo, foi por pouco tempo. A senhorita Crawford era mais atenciosa em sua forma de falar e não me olhou com frieza ou desdém. Ela era linda, com cabelos escuros, olhos azuis e um rosto oval. Apesar da primeira impressão, ela insistiu em falar com ele e parecia muito chateada com a minha recusa. Eu até mesmo me senti m*l por ela. Por que será que meu chefe era tão grosseiro e desatencioso com aquelas mulheres? Elas pareciam gostar dele. Bom, ao menos a senhorita Crawford. Eu não sabia se ela era sua noiva, irmã ou amiga. Não fazia ideia do motivo da sua visita, mas para ela era muito importante falar com ele. Eu enviei uma mensagem para ele, enquanto ela aguardava. Sua mensagem foi em caixa alta:
ENDRIKA, EU FRISEI QUE NÃO QUERO SER ATRAPALHADO!!!
INFORME A SENHORITA CRAWFORD QUE ESTOU OCUPADO HOJE, PELO RESTO DA TARDE. DIGA A ELA QUE LIGAREI EM BREVE. E SE NÃO CONSEGUIR, QUE NOS VEREMOS NO JANTAR BENEFICENTE, HOJE A NOITE.
ESPERO NÃO SER INCOMODADO, PELO RESTO DA TARDE!!!!!
Respirei fundo, tentando controlar a tensão. E a raiva que senti, ao ler aquela mensagem. Ele era um e******o, grosso e eu queria matar ele. Cortar em pedacinhos. Mas, a única coisa que pude fazer era avisar a senhorita Crawford que ele estava indisponível e que ligaria em breve. Ou a veria no evento daquela noite. Ela me fitou com seus olhos azuis e pacíficos, parecendo que iria chorar. E saiu da recepção, com os ombros arriados. Pobre moça. Ela não sabia o cão do inferno que era Nicolas Linford.
Depois de vinte minutos, meu celular apitou com uma mensagem dele. Bom, ao menos ele acertou meu nome. Mas, pronunciava errado, o que me irritava muito.
Endrika, por favor, busque minha filha às cinco horas. Vou enviar o endereço do local. Pode pedir um Uber para busca-la. Depois, leve ela até meu apartamento. O porteiro vai liberar sua entrada e deixar as chaves com você. Use o cartão de crédito que dei a você para fazer o pagamento. Se Lauren pedir algo, pode comprar com o cartão.
Nem um, por favor, ou obrigado. Nem tratamento formal, que ele dispendia a mim. Ele me tratou com rispidez e i********e, me chamando pelo nome. Não que isso fosse incomum, mas não para uma pessoa estrangeira e além do mais, britânico. O tratamento era formal e polido. Eu não sei o que fiz para merecer aquele chefe m*l amado.
Busquei a filha dele na escola, perto do trabalho. Lauren era muito linda, com cabelos cacheados e loiros. Olhinhos cinzentos e um sorriso adorável. Ela vestia o uniforme da escola. Era uma saia de prega, cinza, camisa de botão, branca, sapatos estilo Mary Jane e os cabelos estavam amarrados em um r**o de cavalo. A escola que ela fora matriculada era internacional. Ela iria aprender duas línguas, a materna e a do nosso país, o português. E ela tinha a idade de cinco anos, mas se portava como se tivesse seis ou sete anos. Era inteligente e esperta. Eu nunca quis ter filhos, mas olhando para aquela pequena, meu coração se apaixonou imediatamente.
- Papai não vem me buscar de novo? – ela perguntou, quando entramos no Uber. Sentamos no banco de trás.
Ela parecia amuada. Tristonha. O mais interessante é que ela já falava português. Quase que fluentemente. Talvez, porque Nicolas tenha se mudado para o Brasil assim que seu pai faleceu. Ele vivia aqui, com sua esposa.
- Hum – eu disse, sem saber o que responder a ela – Ele está no trabalho. E eu vou cuidar de você, até ele chegar.
Ela me olhou com seus olhos grandes e espertos.
- Papai faz isso todo dia – ela disse, aperto suas saias com as mãos pequenas, batendo os pés no ar. Pelo seu tamanho, ela não iria conseguir alcançar o chão, sentada no banco – E ele quase nunca fica comigo. Nem conta história antes de dormir. E você não é a moça que veio me buscar ontem. Onde ela esta?
Mordi os lábios. Nem sabia o que responder para a garotinha. Pobre criança. Seu pai era relapso, apenas vivendo em função do trabalho.
- Bom, ela se demitiu – respondi, sendo franca – E eu fiquei no lugar dela. Me chamo Endrika. Muito prazer em conhece-la – Bom, eu respondi com quase toda a verdade. O fato era que o pai dela não iria permitir que eu abandonasse o cargo. Dominador com era, eu teria que bolar um plano para me livrar dele. Mas, como? Ele não me daria nem carta de recomendação. O que era injusto.
- Indrika? – ela repetiu meu nome, como o pai dela fazia.
Acabei sorrindo. Talvez, fosse alguma dificuldade ao ouvir o som do meu nome.
- Quase isso – eu disse, sorrindo. Não queria repreende-la – É Endrika – falei pausadamente, dessa vez.
- Endrika – ela repetiu, também, pausadamente e sorriu – Seu nome é estranho. Mas, é bonito.
- Eu sei. Até hoje não sei por que minha mãe me deu esse nome – eu ri.
Ela deu de ombros, ainda balançado os pés.
- Então, é você que vai cuidar de mim? – ela perguntou.
- Sim, sou eu mesma.
- Você quer brincar comigo de barbie? – ela perguntou.
Esforcei-me para não fazer uma careta.
- Ninguém nunca quer brincar comigo – ela fez beicinho, quando eu não respondi – Na escola, não posso brincar muito. Só no horário que a profe manda.
Escondi um sorriso involuntário. Eu não era paga para brincar com a filha do chefe, mas acabei me condoendo da situação dela.
- Está bem. Eu brinco com você – eu disse.
- Eba! – ela exclamou, alegre.
Logo chegamos ao prédio onde Nicolas morava. O local tinha pelo menos trinta andares. E a entrada era com um toldo vermelho e um tapete no mesmo tom. O local era moderno, mas com um estilo neoclássico, na cor bege. Nós entramos no prédio, eu segurando a mão dela e sua mochila, além da minha bolsa de couro. Falei com o porteiro, informando quem eu era. Ele estava usando uma roupa social. Terno e camisa branca. Parecia ser mais velho, na faixa de cinquenta anos. E era gentil. Seu nome era Mauro.
- Ah, sim. O senhor Linford me avisou sobre você – ele disse, me olhando, de forma simpática e olhou para baixo, para Lauren – Olá, Lauren. Como foi a aula hoje?
- Chata – ela respondeu, amuada – Mas, a Indrika vai brincar comigo. Ela prometeu.
- Ah, isso é bom, muito bom – ele sorriu e se virou, pegando uma chave no quadro pendurado. Havia várias chaves ali. Ele me entregou o molho – Aqui está, querida. Se precisar de mim, é só ligar aqui na portaria. O número é o zero. Ligue do interfone.
- Ok, obrigada seu Mauro – eu disse, sorrindo.
Sai da recepção com Lauren, que andava devagar, pois era pequena para acompanhar meus passos. Apertei o botão do elevador e entramos. Paramos no vigésimo nono andar. Só havia quatro apartamentos por no andar. O dele era 117. Abri com a chave e me deparei com uma sala enorme. Havia um sofá de quatro lugares, três poltronas. Uma reclinável. Uma TV de plasma embutida na parede. Tapete felpudo, de tom branco. E as paredes eram em um tom branco gelo. Uma sacada enorme mostrava a vista da cidade e dos prédios. O chão era de piso vinílico. Fiquei impressionada com tudo e principalmente com um quadro enorme, na parede oposta a da TV. Era uma paisagem de um campo florido e ao fundo um rio. Parecia estar em movimento. Fiquei deslumbrada com as pinceladas e a técnica utilizada. Era fluida, mas de uma forma realista. Não parecia uma foto, mas era tão real, que queria mergulhar na imagem.
Lauren me puxou pela mão, enquanto eu observava o quadro, quase tocando com o dedo indicador.
- Sim? – eu desviei a atenção do quadro, para ela.
- Eu quero mostrar meu quarto pra você – ela disse, erguendo o queixo, para falar comigo – Vamos?
Ela me guiou para um corredor, que também era repleto de quadros menores. Mostravam a natureza, pessoas comuns, prédios e flores. O local estava decorado com dois vasos de plantas. Havia cinco portas ali, em tom branco gelo. Ela abriu o dela, que tinha uma placa na porta, em rosa, escrito seu nome. O quarto era com uma decoração infantil. O tom das paredes era rosa claro. Havia uma cama de dossel no meio do quarto, com uma cortina diáfana, no tom lilás. Os lençóis sobre a cama eram de tom rosa, com imagens de princesa, com tema da Barbie. Uma grande casa de boneca ficava do lado da sacada, com cortina rosa. E havia um closet, com várias roupas dela, sobre cabide e seus sapatos em caixas. O local era bem arrumado. Eles deveriam ter uma empregada. Isso me fez perguntar o motivo para que Nicolas não deixasse a menina com ela, ou com uma baba. Por que precisava ser a assistente?
Fiquei a tarde e a noite com ela, brincando. É claro que procurei algo para ela comer, o que não tinha, na cozinha. A geladeira estava quase vazia. E dispensa também. Então, pedi comida por aplicativo, pagando com o cartão de crédito do Nicolas. Depois, ajudei Lauren a tomar um banho e colocar seu pijama. Lá por nove horas ela estava dormindo, depois de insistir para contar uma história para ela.
Quando ela adormeceu, fiquei me perguntando, sentada no sofá da sala, como um pai a deixava com um estranho? Acaso ele não sabia o que poderia acontecer? Realmente, eu tinha que conversar com ele. Aquela menina precisava estar com seus parentes.
Entediada e cansada, liguei a TV. Pelo menos, havia canal de TV a cabo e fiquei vendo um filme de suspense. Quando o filme terminou, já passava da meia noite. Minha mãe já tinha me ligado, desesperada, perguntando se eu havia sido assaltada, ou sequestrada. Ela estava muito alterada no telefone. Precisei acalma-la, dizendo que estava aguardando meu chefe voltar de um evento e que eu estava na casa dele, com sua filha.
- Mas, isso é errado, filha – ela disse – Não pode ficar trabalhando desse jeito. Você não é babá.
- Eu sei, mãe. Mas, por enquanto é o trabalho que tenho. E o salário é alto. Dá pra cobrir as despesas da casa e pagar as dividas que precisamos fazer, para cobrir nossas despesas, mãe. Eu vou arranjar outro emprego – Não comentei que as despesas com psiquiatra eram altas e o meu plano não cobria.
- Está bem, querida – ela suspirou – Vou dormir agora. Por favor, não chegue tarde. Pegue o Uber para vir. Sabe como está violento hoje em dia.
Eu queria dizer que sempre foi, mas não queria deixa-la mais nervosa. Mamãe sempre ficava nervosa demais, com qualquer coisa. Principalmente barulho de porta sendo aberta, ou se alguém chegava por trás dela, sem se anunciar. Respirei fundo, olhando para o celular. Meu chefe nem teve a capacidade de perguntar se sua filha estava bem ou não. Nem verificou nada. Então, foi quando eu notei um pontinho vermelho piscando, em um canto da parede, na parte superior. Era uma câmera. Bom, ele não era tão bobo assim e devia ter câmeras espalhadas pela casa. Percorri a casa de ponta a ponta, sem entrar nos quartos, e vi que tinha pelo menos cinco câmeras. Somente no banheiro que não vi. Ainda bem, pois seria estranho ser filmado dentro do banheiro. Então, fiquei tão curiosa com as outras portas, que mesmo sabendo que não era certo, abri as três portas restantes. Uma era o quarto de Lauren e a outra era um banheiro com banheira. Ana ia ficar louca por saber disso. Me faria deixa-la usar, com certeza, se eu contasse.
As duas primeiras portas era um escritório mobiliado e um quarto de hospede, com cama king size. A última porta era um quarto masculino. Talvez, fosse o quarto do meu chefe. Tinha uma parede azul, onde a cama de cabeceira de madeira recostava. Um closet, uma poltrona de couro envelhecido, uma sacada, fechada com cortinas cinzas. E o que mais me chamou a atenção foi um quadro pendurada, acima da cama. Era uma jovem, de cabelos castanhos e olhos escuros. Era um quadro de corpo inteiro dela, sentada em uma poltrona, segurando uma criança de colo, com cabelo encaracolados e loiros. Ela não sorria. Estava séria. Estava vestida com um vestido azul, com mangas curtas e o bebê com um vestido da mesma cor. E ela me lembrava alguém. Logo percebi que era muito parecida com Lauren.
- O que faz aqui? - escutei a voz de Nicolas.
Me sobressaltei, sentindo o coração quase sair pela boca. Me virei para ele e pude ver que ele parecia uma fera. Seus olhos estavam me encarando com irritação.
- O que faz aqui? - ele repetiu, de forma rispida - Não dei autorização para entrar no meu quarto!
Engoli a seco e baixei os olhos. Pude vir que ele estava trajado com uma calça social preta e sapatos sociais que pareciam ter sido envernizados.
- Eu sinto muito, senhor - Era a única coisa que poderia dizer.
- Apenas saia! - ele exigiu.
Eu sai do quarto, indo para a sala e peguei minha bolsa. Quando seguia para a porta, ele me chamou:
- Aonde vai? - ele perguntou, mais calmo - Não precisa ir embora, assim. Eu levo você.
- Não precisa - eu disse, sem olhar para ele, apenas para a porta a minha frente.
- Eu insisto - ele estava atrás de mim agora. Sua presença era quase palpável - Não pode ir sozinha para casa, não nesse horário.
- Eu não acho que seja necessário. Posso pegar um Uber.
- Mas, eu insisto. Eu a deixei muito tempo esperando e peço desculpas.
Eu me virei para ele. Nicolas mordia os lábios e parecia tenso.
- O senhor tem costume de deixar sua filha sozinha tanto tempo? - alfinetei.
Os olhos dele se tornaram escuros. Eu logo me arrependi de ter dito aquilo.
- A senhorita é muito insolente - ele retrucou, irritado - Não tem nada que opinar sobre o que faço da minha vida. Agora, vamos.
Eu abri a porta e segui para o corredor, tentando manter a distância dele. Quando estamos dentro do elevador, mais uma vez, eu não me controlei.
- O senhor não devia deixa-la com estranhos. Pode acontecer qualquer coisa com sua filha.
Ele respirou fundo. Olhei de canto para ele. Nicolas me fitava parecendo querer voar no meu pescoço.
- Você seria capaz de fazer algo contra minha filha? – ele perguntou, em tom irônico. Neguei com a cabeça – Então, não há nada com que se preocupar. Se preocupe com sua função, que é trabalhar para mim, não me questionar. Por muito menos, já demiti funcionários. A senhorita está sendo arrogante em questionar o que faço ou deixo de fazer da minha vida.
Bufei, irritada. Ele poderia ter razão, mas estava errado em deixar sua filha sozinha com estranhos.
- Eu estou apenas preocupada com sua filha – justifiquei, com a voz alterada – Ela é uma garotinha de cinco anos, senhor. Ela deveria estar com alguém da família e não sozinha. Sabe-se lá quem o senhor está deixando entrar na sua casa.
- Por isso, pedi seus antecedentes criminais ao RH – ele disse, sarcástico – E tenho câmeras, se não notou. Sei a hora exata em que chegou. E o que fez com minha filha. E que ficou bisbilhotando minha casa, como se morasse nela.
Depois do que ele disse, resolvi ficar quieta. Não era bom cutuca-lo demais, ou eu iria ouvir o que não desejava. Quando o elevador chegou no subsolo, onde ficava a garagem, ele me guiou até seu carro. Era uma BMW preta. Ele abriu com a chave e entramos. Ele parecia estar tenso e resmungou algo, em voz baixa.
- O senhor disse algo? – perguntei, enquanto ele guiava o carro pelas ruas vazias.
- Só estava irritado com a forma como você dirigem – ele respondeu, sem tirar os olhos da rua – Eu quase bati o carro várias vezes por vocês dirigirem a direita. Eu fico louco com isso.
Mordi os lábios, para não rir do problema dele. Eu não dirigia muito, mas sabia que o volante era do lado que eu estava sentada, no lado esquerdo. Além do fato das ordens das ruas. O trafego de carros segue o lado esquerdo para ida e para volta o direito. No nosso país, o trafego de ida é para a direita, e volta, esquerda. Então, devia ser muito confuso para ele.
- Está rindo de mim? – ele perguntou e dessa vez, sorriu – Pode rir. Eu sei que deve ser muito engraçado. Vou adorar rir de você, quando precisar pegar um carro para dirigir na Inglaterra.
- Dirigir na Inglaterra? – perguntei, franzindo o cenho – Eu não preciso ir para lá.
- Mas, em algum momento vai. Eu preciso voltar algumas vezes para lá e vou leva-la comigo. Tem carteira de habilitação? – ele perguntou. Assenti – Então, vamos tirar sua carteira internacional e seu passaporte. Dê entrada no processo essa semana.
E mais trabalho para mim e era quase uma da manhã. Apenas assenti. Mas, eu não ficaria muito tempo trabalho para ele. Contudo, quando ele me deixou em casa e foi embora, eu pensei que se ele fosse gentil, como foi comigo o trajeto todo, eu talvez não fosse embora.