Joalin se sentiu tonta enquanto caminhava de volta para a praia, provavelmente era seu organismo avisando que necessitava de sal.
Bailey viu a garota encostada em uma das árvores, com uma das mãos na cabeça e olhando para o chão
-Tá tudo bem? - se aproximou segurando na cintura da loira
-Acho que minha pressão caiu
-Senta um pouco, vou tentar ver se consigo algum peixe pra gente comer.
O filipino a acompanhou até o bote.
-Fica parada aí que eu já volto.- ela apenas concordou
A Loukamaa sentia o desespero em cada parte do seu corpo desde que colocou os pés naquela ilha, no dia anterior. Ela ao menos conseguiu perceber como seu sentimento em relação ao lugar havia mudado.
Talvez algum sonho ou a loira apenas se conformou, enquanto esperava May com a refeição, ela finalmente parou para avaliar seus sentimentos. Começava a se sentir segura e tinha certeza que, não importava quanto tempo fosse demorar, um dia iria sair daquele lugar mas que enquanto isso não acontecia, deveria usar a oportunidade que a vida estava te dando para crescer, amadurecer e principalmente, aprender a dar valor a coisas simples.
Não seria fácil, ela sabia que não. Mas também tinha certeza de que ficariam bem e que em um piscar de olhos estaria de volta a sua rotina.
Bailey por outro lado, havia amadurecido rápido com relação ao medo, o que mais pesou para o moreno foi a culpa. Depois da conversa com Joalin, na noite anterior as coisas pareciam se encaixar melhor dentro de sua mente, desde o início o garoto sabia que a situação não era por nada.
O motivo para ele e a finlandesa acabarem juntos naquela ilha? Ele ainda não sabia, porém não demoraria para descobrir.
Alguns fatos eram claros, desde que se conheceram, o asiático sentiu -se atraído por Joalin. Naquela ilha o contrato não era um problema, mas controlar seus desejos relacionados ao corpo nu da loira seria ainda mais complicado do que quando um pedaço de papel os separava.
Em contra partida, a europeia via seu corpo dar sinais de carência e vulnerabilidade, o que de certa forma era perigoso quando só uma pessoa podia ser capaz de mudar tudo isso, seriam só eles dois.
Toda sua admiração, física e emocional, pelo moreno não iria ajudá-la quando seus hormônios falassem por si.
Grandes títulos vinham com grandes responsabilidades, os dois já estavam acostumados com isso. Mas de um dia para o outro, quando todo esse peso, as regras, as leis, o contrato e qualquer compromisso com trabalho desaparecem, ou melhor, quando os dois desaparecem deixando tudo isso longe, o perigo do sentimento puro, genuíno e sem barreiras de suas almas parece incontrolável.
Joalin já tinha vivido uma amostra grátis do que o período perdida a traria. Se segurar e manter sã em frente a um Bailey praticamente nu, com uma cueca que não cobria nada, foi a maior prova de autocontrole que ela pode ter.
Seu m*l-estar levou-a a grande reflexão do dia. Por sorte, seu raciocínio foi interrompido pelo asiático animado, que trazia consigo um grande peixe na mão.
- Eu tive que enfiar um galho no fundo por pelo menos umas 100 vezes, mas consegui acertar o maior alvo. - Joalin aplaudiu, fingindo animação.
-A fogueira ainda tá acesa, vamos prender ele em uns galhos e esperar assar- ia se levantar
-Deixa que eu pego, você vai ficar sentada aí até comer.
Bailey encontrou um limoeiro e usou a fruto, com um pouco de água do mar para "temperar" o peixe. A Loukamaa o perdeu de vista por dentro da mata e passou a monitorar a comida na fogueira.
O mais novo parecia ter saído direto de um programa de sobrevivência, ele voltou da mata com dois cocos ainda com água e catou os que tinha aberto no dia anterior, juntando algumas algas em um e bananas sem casca no outro.
- Hina come algas, então a gente também pode comer- disse alimentando um pouco mais a fogueira, antes de apoiar os cocos em cima da mesma. -Teremos peixe, algas, bananas cozidas e água de coco pro almoço. Agradeça aos programas de aventura que eu já assisti.
Joalin se permitiu gargalhar, pela primeira vez desde sua chegada àquele lugar.
-Ainda bem que eu tô perdida com você, não com Noah ou Krystian. Seria péssimo.
-Realmente seria péssimo- ele riu
-Estava pensando, acho que se conseguirmos alguns galhos mais grossos ou bambu, conseguimos construir uma cabana de madeira, a gente forra madeira debaixo do bote e constrói em volta, um pouquinho maior.
-Acho que dá certo, a gente pode continuar dormindo dentro do bote mais tranquilo, porque podemos tirar nossas coisas de dentro do bote e colocar em cima da Madeira com um estoque de comida.
-Olha, somos bem aventureiros- esticou a mão para fazer um high five com a loira. -Acho que vou começar a catar umas madeiras e ver se acho alguma fruta nova enquanto as coisas cozinham.
Joalin olhou para a "dispensa" ao seu lado, cocos com água, alguns sem, limões, bananas, mangas, acerolas e o resto de algumas algas. Bailey estava se esforçando para que tivessem uma boa alimentação, eles teriam livre acesso às árvores frutíferas da ilha mas mesmo assim ele parecia fazer um estoque para emergências, ou até mesmo para não precisarem entrar na mata a noite.
A finlandesa quase pulou de alegria quando ele voltou com cajú, kiwi e maracujá. Para quem pensou que teria que viver de coco, manga e banana, teriam uma alimentação variada.
Essas pequenas coisas na verdade, como a construção de um lugar mais seguro para dormirem ou o estoque de alimentos eram medidas que os deixavam mais tranquilos, protegidos e seguros.
-Parece que esse peixe vai demorar um século para cozinhar- Joalin balançou as pernas, entediada.
-Enquanto isso, vamos pensar como nos proteger. Aquela chuva de ontem foi complicada.
-A lona em cima do barco aguentou bem junto com o teto improvisado- a fala da europeia saio como um elogio a estrutura- o problema maior foi o vento.
-Acho que a gente podia colocar as madeiras mais grossas em cima do teto que eu fiz ontem, ele sozinho não vai resistir por muito tempo e vai acabar caindo em cima da lona.
-A gente reforça com algumas madeiras a estrutura dele pra aguentar mais um em cima, vamos ter três camadas de p******o, impossível que molhe. E vai acabar com o problema da chuva de vento, se tiver parede.
-Perto da Cachoeira tem um tipo de argila que a gente pode usar com a madeira, e depois jogar folha por cima de tudo, assim só vamos precisar deixar um espaço pra entrar e sair. Mas da pra colocar uma madeira pra tapar enquanto a gente dorme e pra sair é só empurrar.
-Mailey Bay, se você não fosse cantor diria pra fazer engenharia. Já foi escoteiro ou algo do tipo? - perguntou arrancando risadas envergonhadas do filipino.
-É isso Jojo, vamos comer e construir logo um lugar seguro, ainda temos muito o que viver.
-Se a gente passar 10 anos nessa ilha, vamos construir uma mansão até alguém nos resgatar.
-Temos o plano de sobrevivência perfeito Jojo.
"Difícil vai ser me controlar em um abrigo minúsculo com você e esse seu corpo, seu cheiro, grudado em mim" a loira pensou, negando em seguida.
-Se controla Joalin- brigou com si em finlandês.