-Eu não sei Bailey, eu acho que não. Acho que a temporada de furacão é no verão. Mas a gente não pode ficar aqui por muito tempo, imagina o que pode acontecer com a gente.
May respirou aliviado, mesmo com o pequeno ataque da garota.
- Joalin, estamos mais seguros do que em Los Angeles, na nossa vida normal podemos sofrer acidente de carro, de avião, levar um tiro, uma surra.
-E aqui se a gente ficar doente a gente morre, se um animal me achar com cara de comida eu morro.
-Eles vão nos encontrar Jojo, não vamos ficar aqui por muito tempo. Deve ter uma equipe de buscas atrás da gente.
O filipino não estava errado, Sabina soube que as coisas não estavam certas assim que recebeu a mensagem de Joalin.
A produção já havia acionado bombeiros e equipes particulares de buscar caribenhas. Era essencial que os dois fossem encontrados com vida o mais rápido possível.
O pai de May e a mãe de Loukamaa já deveriam estar dentro do avião para encontrar a equipe. Estavam preocupados e confusos, choravam a todo momento.
Assim como Matt e Johanna, Sabina não desistiria de procurar os amigos, nem que para isso precisasse gastar seu próprio dinheiro. Toda a responsabilidade foi jogada em suas costas com a mensagem, ela tinha certeza que eles estavam vivos e seguros.
Ela lutaria para encontra-los, levando 5 horas, dias, meses ou até 5 anos.
Ninguém sabia como, mas a notícia do desaparecimento dos dois se espalhou tão rápido que agora, rondava os jornais de todo o mundo. Parecia que as 7 bilhões de pessoas existentes agora sabiam o que era o Now United e que os dois estavam desaparecidos.
- Eu tô com medo- Joalin olhou para cima, tentando controlar algumas lágrimas- Medo May, que ninguém encontre a gente, que desistam, que a gente morra aqui.
- Eu também tenho medo, eu tô tentando fingir que tenho certeza que amanhã um helicóptero vai pousar bem na nossa frente e nos levar pra casa mas eu também tô em pânico. A cada segundo eu tento criar um novo plano de sobrevivência nessa ilha ou colocar na minha cabeça que essa hora o mundo inteiro deve tá atrás da gente. Ótima forma de conhecer o grupo, com o desaparecimento dos integrantes.
-A gente não deveria ter feito isso
-E você acha que eu não sei Joalin?- o moreno se exaltou um pouco, se mexendo dentro do bote- Eu sei que a culpa da gente tá aqui é minha, fui irresponsável e sei que você não tem nada haver com isso mas não é possível que isso tudo tenha acontecido a toa.
-Desculpa te fazer se sentir mais culpado, eu aceitei tudo isso. A culpa também é minha. - a loira se aproximou do filipino e o abraçou
Bailey chorou no ombro da garota, para ela, era estranho ve-lo tão vulnerável. Os dois sentiam medo e naquele momento só tinham um ao outro.
Enquanto a mais velha fazia questão de expor seus sentimentos a cada 10 minutos, May passou o dia se culpando sozinho, sendo refém de sua mente.
Ele apertou o corpo magro da finlandesa e encaixou seu rosto no pescoço dela. Ele chorava baixinho, ela só percebeu pelas lágrimas que lavaram seu ombro e pela respiração pesada contra sua pele.
Joalin não desfez o abraço, pelo contrário, abraçou Bailey com mesma força e intensidade. Se permitiu derramar algumas poucas lágrimas.
A chuva caia forte, respingos atingiam os dois.
Joalin se via em uma situação completamente nova, em anos de convivência, nunca viu o filipino derramar uma lágrima, nunca iria imagina-lo chorando como criança em seu ombro. Agora ela havia entendido que apesar da culpa de estarem ali ser dele, não precisava lembra-lo disso o tempo todo.
May faria tudo não só para sair daquela ilha, mas para principalmente, levar a loira para um lugar seguro.
Apesar disso, eles ficariam bem e já sabiam disso.
A estadia na ilha perdida não seria nem tão curta como os pensamentos otimistas nem tão longa quanto o lado pessimista.
Porém seria o suficiente para virar a vida dos dois de cabeça para baixo.