— Inseminação, fertilização... parto..., algo que seja realmente relevante — respondeu o residente.
Leon deu um passo para a frente, os olhos faiscavam em uma ameaça silenciosa.
— Quando eu ou o doutor Ben acharmos pertinente, enquanto não estiverem prontos, farão o que for ordenado, caso estejam descontentes, sintam-se à vontade para concluir a residência em outro lugar — refutou, cada palavra soando mais trincada que a anterior. — A Fertility é uma renomada clínica e faremos de tudo para que permaneça assim, qualquer erro pode ser a nossa ruína ou a de um paciente. Somos idealizadores de sonhos de muitas famílias, as pessoas vêm até nós porque confiam em nosso trabalho, portanto, se quiserem fazer parte das equipes principais, sugiro que deem o seu melhor.
Leon não sabia, mas tinha acabado de acrescentar uma nova meta em minha lista. Se para entrar nas equipes principais precisava dar o melhor, então eu faria exatamente isso.
Ergui o meu olhar e encontrei Leon me encarando tão profundamente que precisei prender a respiração para não suspirar audivelmente. Ele pendia a cabeça para o lado, enquanto os olhos, fixos em mim, me analisavam com minúcia.
Leon exalava um poder puro e absoluto de sedução sem nem mesmo precisar fazer esforços, como se fizesse parte de quem ele era.
Meu interesse amoroso era muito vago, Liam e eu transamos porque fizemos um trabalho em dupla que, por consequência, acabou nos aproximando e fazendo com que as coisas rolassem de forma espontânea e natural. Mas com Leon era diferente de tudo o que eu já tinha sentido, desde que o vi pela primeira vez, fazia coisas com meu corpo que eu nem sabia que eram possíveis.
Estudei o corpo humano isoladamente, aprendendo sobre cada camada de pele, músculos, órgãos, veias e ossos, mas o que eu sentia diante do olhar do médico parecia tão diferente de tudo o que eu aprendi, não conseguia identificar o que ele me fazia sentir, como se cada célula do meu corpo se tornasse uma só.
Era estranho e me confundia de um jeito absurdo.
Desviei o olhar para o piso branco de cerâmica, incomodada demais com tudo o que ele me causava.
— Acompanhe-nos, vamos mostrar a clínica para vocês e então delegar as tarefas — disse Leon.
Passos ecoaram ao meu redor e forcei minhas pernas a acompanharem os meus colegas residentes. Liam não saiu do meu lado nem por um momento enquanto eles nos apresentavam os funcionários da clínica e nos mostravam as principais salas.
Os andares eram divididos por repartições, os dois últimos eram responsáveis pelo armazenamento de esperma, assim como o estudo e separação dos melhores óvulos e espermatozoides; embaixo, ficavam os laboratórios de coleta de sangue, berçários e salas de parto; e, mais abaixo, os consultórios tanto para consultas ginecológicas quanto para as obstétricas. A clínica já deixava transparente em sua organização o motivo do seu renome, cada funcionário e ala tinha tarefas exclusivas incumbidas para si, assim, evitava transtornos desnecessários ou erros.
Uma secretária se aproximou e entregou para Leon uma prancheta. Ele vagou os olhos pelo papel e limpou a garganta.
— Tenho aqui o nome e a ficha de cada um de vocês, vou começar a citar um por um e indicando o local em que começarão a residência — avisou, erguendo a folha para olhar o final da lista. — Também já adianto que em breve faremos uma lista dos plantões, embora seja uma clínica de fertilização, a maioria das nossas pacientes optam pelo parto na Fertility e nem sempre o bebê vem ao mundo no dia e horário marcado. Aqui, vocês irão aprender levemente o que é passar vinte e quatro horas de plantão para que, no futuro, se quiserem ir trabalhar em hospitais, estejam preparados. Bom..., vamos começar! Andrew Davis, banco de esperma; Adam Miller, berçários... — anunciou, chamando o nome de cada residente e indicando o local de trabalho.
Parecia estranho, mas eu estava muito animada para enfrentar um plantão, talvez essa animação se dissipasse após o primeiro, mas até isso acontecer, queria estar no topo da lista dos escolhidos
. A equipe começou a se dispersar e o número de residentes a diminuir no corredor, conforme cada nome chamado ia para a sua respectiva sala.
— Bridget Adams — chamou Leon, ergui a cabeça e o encarei, ignorando o sorriso sacana que permeava em seu rosto. — Coleta de sangue.
– Coleta de sangue. Concordei com um leve aceno de cabeça e lancei um olhar na direção de Liam antes de me afastar. Coletar sangue era uma das minhas tarefas favoritas na faculdade, ficaria feliz em desenvolvê-la por um tempo na residência, era tão fácil para mim quanto respirar.
Até então, estava tudo indo conforme eu tinha planejado, a vida seguindo o rumo que eu escrevi para mim.