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997 Palavras
Soltei um suspiro quando terminei de falar o último nome da longa lista dos novos residentes. Esse grupo era diferente do último que entrou, eles estavam ávidos por experiência, animados e exasperados para aprender tudo o que podiam e enfim se tornarem médicos por completo. — O que achou? — perguntou Ben, apontando com o queixo para o elevador onde os últimos residentes entraram momentos antes. Nós passamos o último final de semana analisando ficha por ficha de cada um que preencheu os nossos formulários, escolhendo apenas os melhores para fazer parte das nossas equipes. Depois disso, pegamos os que mais se destacavam dentre eles para realocá-los na clínica. E, ao final da residência, quem tivesse interesse em continuar trabalhando na clínica preenchia um novo formulário para admissão. — Acho que até o final do ano teremos apenas metade do grupo conosco — revelei, entregando a prancheta para uma das assistentes. Nem todos conseguiam acompanhar o ritmo alucinante da clínica, eles queriam colocar em prática tudo o que aprenderam, eram jovens e imaturos. Eu entendia eles, mas acontece que tudo na vida levava tempo, até mesmo se tornar um especialista ou um bom médico. Eles deveriam começar pelas atividades mais básicas, até evoluírem para as mais complexas. Os que tinham paciência, aguardavam e saíam daqui com empregos definidos e uma carreira brilhante, já os impacientes... tornavam-se apenas mais médicos de pronto-socorro, salvavam vidas, mas não tinham destaque algum em um corredor no meio de tantos jalecos brancos. Ben fez um barulho com o fundo da garganta. — Concordo, mas acredito que não levará todo este tempo, tenho certeza de que a metade vai sair antes mesmo do final do ano — bufou, afastando-se, os sapatos lustrados fazendo barulho conforme caminhava. — Jovens ansiosos, nosso pior pesadelo — zombou. Era cada vez mais difícil encontrar mentes brilhantes no meio de um grupo de residentes. Eles andavam ansiosos demais, querendo pular as etapas que um renomado médico precisava enfrentar. — Então, eu vi o jeito como olhou para uma das residentes... — comentou Ben, enquanto eu atravessava o corredor com ele em passos sincronizados. Abri um sorriso incisivo. — Não sei do que está falando... — brinquei, piscando um olho. A garota já tinha chamado a minha atenção muito antes de virar residente da clínica, quando estava aguardando uma consulta com Izabela dias antes. Me senti atraído assim que pousei os olhos nela e consegui identificar perfeitamente bem que ela sentia o mesmo que eu. Bridget. Passei uma mão nos cabelos engolindo uma risada estrangulada. Esse nome parecia me perseguir, no mesmo dia em que a conheci, expulsei outra Bridget da minha vida. Infelizmente, não consegui manter a enfermeira conosco, a obsessão dela por mim começou a atrapalhar não só o seu trabalho na clínica, como o de outros. Naquele mesmo dia, soube que ela quebrou algumas análises do laboratório após descobrir que eu transei com uma das novas secretárias. — Leon, não nos envolva em mais problemas, por favor — murmurou, lembrando do mesmo fato que eu. Revirei os olhos. — O incidente com Bridget foi o único em anos, felizmente, a maioria das mulheres sabe separar as coisas como eu sei. — Só... — Baixou o tom de voz. — Deixe o p*u dentro das calças por um tempo, as pessoas comentam, Leon, e desde o escândalo com Bridget o seu nome não sai da boca do povo. Isso era... inadmissível! Eu não tinha culpa nenhuma, nunca prometi nada a nenhuma das mulheres com quem eu fodi, era apenas s**o e ponto. Todas as mulheres da clínica sabiam como eu era, elas dormiam comigo porque queriam, porque estavam buscando alívio rápido e sem compromisso. Não havia nada para falar sobre o meu jeito ou de como eu levava a vida, não havia mérito sobre isso para entrar. — Então faça-os parar de falar, somos todos adultos e sabemos muito bem como separar as coisas, não quero os meus funcionários falando de mim, assim como não admito que me acusem de algo em que sou inocente — retruquei com um esgar nos lábios. — Não posso controlar o que eles falam, mas posso orientá-lo como o seu melhor amigo que se comporte por um tempo — disse, parando no meio do corredor e virando-se para mim. — Se não se importa com a sua fama, ao menos faça isso pela clínica, nenhum homem vai querer trazer a esposa para ser inseminada ou fertilizada em um ambiente de promiscuidade. Mordi as bochechas para evitar um sorriso. Promiscuidade? Deus, talvez Izabela tivesse mesmo razão, Ben e eu estávamos ficando velhos. — Mantenha a boca deles fechada e deixe que eu cuide das residentes — refutei, acrescentando-o para calá-lo quando o vi abrir a boca para contestar. — Vá enfiar seu p*u em alguma coisa, Ben, está tenso demais e estresse causa cabelos brancos, assim como falta de s**o causa estresse. — Ele me lançou um olhar fulminante. — Vou cuidar dos bebês espermatozoides, até mais. Adorava passar o dia no laboratório analisando os melhores espermatozoides e separando-os para o banco de esperma, assim como averiguar os óvulos mais saudáveis para serem fecundados das nossas pacientes. Deixava para Ben a administração da clínica e para Izabela a responsabilidade da fertilização. Era um médico especialista em obstetrícia e reprodução humana assistida e amava a minha profissão. — p***a, Leon, você é um desgraçado — sibilou às minhas costas, me arrancando uma risada rouca que reverberou pelo corredor vazio. Eu só era um homem que gostava de aproveitar a vida ao máximo e era muito bom no que fazia, ou seja, um ótimo médico e uma máquina de s**o. Dane-se o que diziam sobre mim, se fossem coisas boas... era tudo verdade. E como gostava de metas e desafios, colocaria como uma delas levar Bridget para a cama, a nova residente da clínica. Queria ver como os olhos verdes profundos ficavam turvos enquanto gozava descompensadamente. POR FAVOR ME SEGUE PRA TER MAIS PÁGINA
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