Sorri para a mulher que estendeu o braço em minha direção, ela parecia nervosa.
— Medo de agulhas? — perguntei, apertando sua circulação sanguínea com o garrote.
Ela balançou a cabeça.
— Não gosto muito de sangue, mas resolvi ser mãe, então precisarei me acostumar com a ideia pelos próximos meses — revelou.
Analisei a pele, ela tinha boas veias para a retirada de sangue, fortes e grossas, seria fácil para mim e para ela o exame.
— Não se preocupe, não vai doer nada, se quiser virar o rosto... — murmurei.
Segurei a seringa e esperei que respirasse fundo antes de espetá-la em seu braço e sugar o sangue do corpo, enchendo o tubinho. Não levou mais do que vinte segundos para o exame acabar.
— Prontinho — Apertei a veia para a cicatrização e coloquei um adesivo, puxando a borracha e liberando a circulação –, viu como é fácil? Nada com o que precise se preocupar.
Ela abriu um enorme sorriso em minha direção.
— Obrigada doutora, espero agora que os resultados sejam tão positivos quanto o exame ocorreu — brincou.
Ouvi-la me chamar de doutora causou uma estranha sensação de reconhecimento na boca do meu estômago, foi a primeira vez que isso aconteceu, ela foi a minha primeira paciente como residente.
— Tenho certeza de que tudo ocorrerá como o planejado — ciciei, ainda em êxtase pelo reconhecimento que tanto desejei.
Ela baixou a manga da blusa
e se levantou, lançando-me um último sorriso antes de deixar a pequena sala de coleta de sangue.
Era meu segundo dia na clínica e meu primeiro coletando o sangue das pacientes. Ontem, eles apenas me informaram como eu deveria proceder em cada caso e me ensinaram o lugar onde cada coisa essencial ficava. Normalmente, o sangue era coletado para verificar se a fecundação havia ocorrido com sucesso ou para verificar a saúde da paciente antes do procedimento, assim como os exames de rotina e hemograma completo, também, em casos mais isolados, para descobrir o s**o do bebê.
Coloquei o tubinho com o sangue dela no lugar certo e me preparei para aguardar a próxima paciente. Estava concentrada demais anotando o nome em um papel quando ouvi a porta ser aberta.
— Doutora Adams — a voz do homem entoou pelo cômodo. Era alta, grave e autoritária. E fez com que os cabelos da minha nuca se arrepiassem. Girei em direção a ela em uma velocidade vertiginosa.
— Sim? — pigarreei, piscando para conter a tontura que me abateu por me mexer tão rápido.
Leon Dubrow me encarava, a postura altiva e as mãos nos bolsos do jaleco. Hoje, diferente das últimas vezes em que eu lhe vi, ele usava óculos de grau redondos que acentuavam ainda mais as maçãs do rosto, deixando-o incrivelmente mais sexy.
— Então, como está se saindo no seu primeiro dia? — perguntou, analisando a sala com um olhar minucioso, verificando se estava tudo em ordem como deveria estar.
Engoli para molhar a garganta que ficou iminentemente seca.
— Tudo ocorrendo muito bem, obrigada pela oportunidade — explanei, pousando os braços ao lado do corpo para esconder as mãos trêmulas.
Ele deu um passo para a frente, aproximando-se. O cheiro da colônia dele flutuou pelo ar. Inflei as narinas, inspirando-o. Era amadeirado com um toque cítrico, tão bom que eu poderia senti-lo o dia inteiro.
— Faça o seu melhor e mais oportunidades serão abertas para você, Bridget, este é o nosso lema — falou, me fazendo piscar e desvanecer a mente. — Eu vi a sua ficha, doutora, é realmente incrível, uma mulher muito inteligente e estudiosa, acredito que terá um futuro brilhante pela frente se for tão esforçada na residência quanto foi ao longo do curso.
Eu não sabia bem o que responder, havia um toque de arrogância em seu tom de voz, como se estivesse me testando de alguma forma. Não me admirava que ele fosse um homem prepotente, descobri ontem à noite enquanto pesquisava sobre ele na internet que o homem era um fenômeno no que fazia, muito renomado e conceituado.
— Obrigada — falei, somente.
Ele se aproximou um pouco mais.
— Se precisar de mim para qualquer coisa, fique livre para me procurar... — calou-se, ponderando — gosto de ser bem receptivo com os meus residentes.
Eu pisquei, atônita.
Ele estava dando em cima de mim? Talvez eu estivesse errada, já que não era nada experiente no jogo de sedução, mas... era isso que estava parecendo, pelo menos.
— Obrigada — repeti, prendendo a respiração.
Leon deixou uma risada escapar por entre os lábios rosados, sedutores e muito beijáveis.
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