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989 Palavras
Entrei na clínica contendo a vontade absurda de sorrir que eu sentia. Era meu primeiro dia de residência e eu me sentia tão eufórica que nem mesmo consegui pegar no sono durante a noite, minha mente parecia não estar disposta a colaborar e descansar, todas as vezes que eu fechava os olhos, lembrava que em poucas horas estaria atuando em minha profissão. Um grupo de estudantes aguardava no rol de entrada, quando cheguei ao prédio reconheci alguns rostos da faculdade, dentre eles, Liam. Entreguei os papeis para a balconista loira. Ela checou os documentos em seu sistema, pegou algumas assinaturas e, enfim, me entregou o crachá de identificação. Minha mãe tinha feito um delicioso café da manhã para comemorar mais essa conquista, e, pela graça de Deus, Mark não estava presente, ele já tinha saído para o trabalho, o que tornou as coisas mais leves. No sábado, quando voltamos para casa após a formatura, ele e minha mãe entraram em uma discussão assídua, ela não conseguia aceitar o fato de que o marido não compareceu na formatura da única filha, mas ele deu uma desculpa esfarrapada de que o cano da pia de um dos clientes mais antigos estourou e ele precisou ir socorrê-lo. Ruth não gostou da resposta, ficou sem falar com ele, enquanto eu nem liguei, ignorei-o, entretida demais na minha própria felicidade para deixá-lo me abalar. Me aproximei do grupo de residentes e removi o celular do bolso, mexeria nas redes sociais para que não precisasse socializar com ninguém. — Ei, gata, não sabia que também viria para cá. — Ouvi a voz de Liam ao meu lado esquerdo. Bloqueei o aparelho e lancei a ele um olhar. Liam era muito charmoso e bonito, cabelos castanho-claros, olhos verdes, ombros largos, alto e com um sorriso arrebatador. Ele também era um homem muito esforçado e tinha certeza de que um dia seria um bom médico. Infelizmente, nossos planos eram diferentes como um casal, mas poderíamos ser bons amigos. — Para falar a verdade, nem eu sabia, mas fui chamada e é uma boa oportunidade, então... — respondi, encolhendo os ombros. Liam tinha noção do quanto eu gostaria de ir para o hospital oncológico, ele sabia algumas partes bem rasas sobre a minha vida. Acontece que, infelizmente, o hospital não pagava tão bem quanto a clínica. E com as minhas dívidas, não arrecadaria dinheiro o suficiente para ir abatendo-as. — Mas a clínica de fertilização? — murmurou com a testa franzida. Ele fazia parte da parcela que não sabia a verdade sobre o meu status financeiro, ou seja, todos. Exceto, é claro, eu, faculdade e o Banco. — Eles só contratam os melhores médicos do país, Liam, não ache tão absurdo que eu tenha vindo parar aqui, sabe sobre as minhas ambições — retruquei, estalando a língua no céu da boca. Não era bem uma mentira, tinha certeza que não estaria dentre o pequeno grupo de residentes selecionados se não tivesse me formado com honras. Mas também, se não fossem as dívidas, jamais teria vindo parar em uma clínica de fertilização, longe da minha verdadeira meta, mesmo que o hospital não fosse tão renomado, me colocaria no caminho que eu desejava. — Por este lado... — comentou, pendendo a cabeça. — Fico feliz que também tenha sido selecionada, Bri, é bom ter alguém conhecido para dividir as experiências. Sorri para ele. — Está animado para qual parte? — perguntei, pensando na minha pergunta. Liam ponderou por um momento. — Acho que quero fazer um parto... — revelou, pensativo. — Sempre quis ver como é o primeiro instante de vida. E você? A imagem de Brandon alvejou a minha mente, dos seus últimos instantes de vida, em como os sorrisos se transformaram em medo e horror. — Quero aprender o máximo possível, mas não quero ver o primeiro instante de vida de uma pessoa, quero estar presente no seu último, quero ser o apoio necessário que precisam para dar o último suspiro. Liam bateu com o ombro de leve no meu. -Metas diferentes, mas não menos bonitas. — Sim — concordei, suspirando. Alguém pigarreou às nossas costas fazendo com que Liam e eu pausássemos a nossa conversa e nos virássemos. Dois homens nos aguardavam, dentre eles, o médico que eu vi no dia da minha consulta na semana passada. Encarei-o, deslizando os olhos pelo corpo alto e musculoso. Ele vestia o jaleco por cima da roupa social, os cabelos loiros-escuros estavam impecavelmente escovados para trás e um sorriso lustroso franzia os lábios para cima. Ao lado dele havia um homem tão bonito quanto, cabelos e olhos escuros, poucos centímetros mais baixo e as feições sérias, menos amistosas do que o amigo esbanjava. — Bom dia a todos! — cumprimentou o médico gato. — Sou o doutor Leon Dubrow, sou o diretor da clínica — avisou, apontando a mão para o lado. — Este é o doutor Ben Reed, o vice-diretor. O nome de Leon titubeou pela minha mente, como se eu já tivesse conhecimento dele, mas não conseguia lembrar de onde. — Viemos recepcioná-los e avisar que estamos honrados por terem escolhido a Fertility para cursarem a residência de vocês — disse Ben. — Vocês serão conduzidos através da clínica para que possam se habituar com as salas e o local e então cada um será induzido a uma tarefa específica. Ouvi alguns bufos e cochichos ao redor de alguns estudantes que não ficaram contentes com a informação do médico. Já estava esperando por isso, no fundo, sabia que a clínica não colocaria residentes em seus primeiros dias para exercer tarefas importantes, um erro nosso poderia causar grande prejuízo para a clínica. — E quando vamos passar a exercer tarefas de verdade? — questionou alguém. Leon ergueu os lábios em um sorriso zombeteiro e arqueou uma sobrancelha. — O que quer dizer com “tarefas de verdade”? — questionou. POR FAVOR ME SEGUE PRA TER MAIS PÁGINA
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