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643 Palavras
Subi os degraus que levavam ao palco onde os alunos receberiam os diplomas e espiei, procurando pelos meus pais no meio da multidão. Depois de tanto procurar, avistei a minha mãe sentada sozinha. Comprimi os lábios e respirei fundo. Não sei por que ainda me surpreendia de Mark não ter vindo me prestigiar, era óbvio que ele não faria isso, ele tão pouco se importava comigo. Idiota de coração mole! Grunhi em pensamento. Por que mesmo depois de tanto tempo a indiferença dele ainda me doía? Não sei quando, e se é que algum momento isso fosse mudar. Meu celular apitou, um número desconhecido piscava na tela. Atendi no segundo toque. — Alô? — murmurei, pigarreando para limpar a garganta. — Bridget Adams? — A voz da mulher ela melodiosa do outro lado da linha. — Sim. — Bridget, aqui é da Fertility Partners, estou ligando para informá-la que a senhorita foi aceita em nosso programa de residência. Oh, meu Deus! Levei minha mão à boca e dei uma mordida forte o suficiente para sentir o gosto de cobre na língua. Queria ter certeza de que não estava sonhando e evitar que um grito agudo soasse pela minha garganta e me fizesse passar vergonha. — Senhorita Bridget, ainda está aí? — A voz dela reverberou através do torpor em que eu me encontrava. — Sim, sim, estou aqui. — Limpei a garganta. — Certo, venha na segunda-feira e traga todos os documentos que solicitarei por e-mail, por favor — instruiu, podia ouvir o barulho das teclas enquanto digitava no computador. — A clínica agradece seu interesse em fazer sua residência conosco e será uma honra ter você em nosso time. — Obrigada — ciciei, mas ela já havia encerrado a ligação. _capitulo 4_ Não podia acreditar que isso estava acontecendo, agora sentia que a luz estava brilhando mesmo para mim. Nem mesmo o fato do meu pai ter se ausentado na formatura da única filha me incomodava mais. Minha vida estava seguindo o rumo que eu tanto almejava, cada passo que dei nos últimos anos, fossem eles bons ou ruins, eram para que eu pudesse estar neste exato momento comemorando a essas conquistas. Fazia isso pela lembrança de Brandon, por mim e pelo resquício que restou do que eu podia chamar de família depois da morte dele. Em três anos, estaria trabalhando em um hospital e ajudando crianças a enfrentar a batalha contra o câncer, faria das vidas delas o mais leve possível. E enfim, cumpriria a minha meta de vida. Caminhei saltitante até o canto em que os formandos deveriam ficar e aguardei. Segui atrás dos meus colegas quando o diretor chamou a nossa turma, as salvas de palmas flutuaram pelo ar, entre gritos e assobios dos parentes. Eles começaram a citar nome por nome, convocando-nos para buscar o diploma. E quando enfim chegou a minha vez, não pude fazer nada além de sorrir e sentir o peito inflado de tanta felicidade. Subi ao palco com as pernas trêmulas e as mãos empapadas de suor. Os músculos das minhas bochechas estavam rígidos, cansados de tanto sorrir. Fechei a mão em punho ao redor do canudo de veludo, segurando-o, enquanto o mestre de cerimônia discursava no microfone as minhas honras de formatura, antes de me entregar o cords que indicava a homenagem por isso. Uma salva de palmas soou às minhas costas, desconhecidos comemorando comigo, alegres pela minha conquista. Podia ouvir meu nome sendo clamado através da algazarra, minha mãe gritando festivamente o nome da filha. — Parabéns, Bridget, foi uma honra tê-la conosco esses anos todos de curso — disse o professor, sorrindo para mim. — Obrigada. Desci do palco segurando em minhas mãos a minha maior conquista, o maior feito da minha vida, tão feliz que nem mesmo a desfeita do meu pai com esse dia tão importante poderia me abalar.
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