Olhei para a doutora Dubrow, ela examinava a ampola que estava ligava ao fino cateter, concentrada e totalmente voltada para a sua tarefa.
Ela suspirou, cansada, e se inclinou para a frente, depositando a cabeça no meio das minhas pernas. Corri os olhos para cima outra vez, um rubor esquentou as minhas bochechas.
Senti o momento em que ela inseriu o cateter na minha v****a, era desconfortável, porém, indolor.
— Respire fundo, Bridget, já estou quase acabando — murmurou.
Fiz como o orientado, inalando uma profunda lufada de ar pelo nariz e soltando-a pela boca.
Ocupei a minha mente com as coisas que eu ainda precisava fazer, minha formatura seria em dois dias, na sexta-feira, e eu pretendia estar empregada na outra semana, por isso era muito importante que conseguisse terminar de preencher o formulário de todos os hospitais que me interessavam em trabalhar.
Deveria ter deixado para o último minuto algo tão importante? Não, mas essa era Bridget Adams, a garota que só sabia agir sob pressão.
— Prontinho — expressou a médica, afastando a cadeira e removendo as luvas de látex. — Procedimento concluído com sucesso.
Senti a minha testa franzir.
— Só isso? — perguntei, removendo as pernas do suporte e me sentando.
— Sim.
Maravilha!
Pulei para o chão e esfreguei a mão em meus cabelos, ansiosa para ir embora de uma vez e seguir a minha vida.
— Recomendo que fique em repouso apenas hoje.
Com certeza isso não iria acontecer, ainda assim, limitei-me a confirmar com um aceno de cabeça, antes de sumir para dentro do banheiro outra vez.
Repouso por causa de uma porcaria de um exame? Senti vontade de rir.
Dívidas batiam em minha porta, precisava conseguir uma boa residência, repouso e exames ginecológicos estavam no final das minhas prioridades do momento.
Não podia acreditar que eu tinha finalmente me formado, depois de oito anos focada apenas em estudos e notas boas, a faculdade, tinha, enfim, terminado.
Era uma sensação estranha e conflituosa, o êxtase de saber que uma nova etapa se aproximava e que eu estava mais perto do que nunca de ser uma médica completa, duelando com a insegurança que insistia em me atormentar.
Eu não ficaria mais atrás de uma classe anotando informações e decorando referências que seriam essenciais no futuro, havia chegado a hora de mostrar que todas as horas vagas de sono valeram a pena, pois eu colocaria em prática tudo o que aprendi e decorei nos últimos anos.
Alisei a minha beca com a mão, esfregando os dedos no tecido, orgulhosa por estar finalmente vestindo a roupa clássica de formatura. O tassel em meu capelo fazia cócegas no meu rosto, mas eu não poderia me importar menos com isso, estava honrada demais ostentando através dele a cor da medicina, do curso em que estava me formando. E para finalizar, em meus ombros havia uma faixa, mais conhecida como stole, que indicava que eu era uma formanda com honras.
O sol estava forte no céu, como se estivesse dividindo essa alegria comigo e não pude deixar de pensar em Brandon e em como ele se sentiria orgulhoso por mim se estivesse aqui.
Caminhei até o pavilhão sem conter o sorriso que insistia em se espalhar pelo meu rosto. Não tinha amigos para dividir a minha felicidade, sempre fui a isolada da turma, a estudiosa que não se misturava com ninguém. E não me arrependia disso, mas gostaria de ter ao menos uma pessoa comigo agora.
Às vezes me pegava pensando se eu seria assim se Brandon ainda estivesse vivo, ele era meu melhor amigo, minha metade da laranja. Quando ele se foi, levando uma parte minha com ele, eu me fechei para o mundo, sentia que estaria substituindo-o se encontrasse alguém para dividir os meus problemas, então dediquei meu tempo aos livros, assim não me sentia sozinha e nem culpada.
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