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1286 Palavras
— Tem duas na minha frente ainda, fiquei muito ansiosa e cheguei cedo demais — confessou, encolhendo os ombros. — Pelo horário da minha, devo ser a última — disse a outra, rindo. — Se você ficou ansiosa, imagine eu para descobrir o resultado dos meus exames e como proceder daqui para frente. Fiz o cálculo mental de quanto tempo eu levaria para ser chamada, se não fosse a carona que peguei com o meu pai, teria passado em um dos hospitais antes de vir para a clínica. — Quantos anos você tem? — perguntou a grávida, me fazendo erguer a cabeça para encará-la. — Vinte e sete. Antes que ela pudesse falar mais alguma coisa, uma porta foi aberta em um estrondo, assustando a nós três. O barulho ecoou pelo corredor, aumentando o som. Uma jovem ruiva saiu da sala com o peito ofegante e o rosto corado. — Seu maldito! Vai se arrepender do que está fazendo — gritou, apontando o dedo para alguém que estava dentro da sala. — Eu não admito uma coisa dessas, nós estamos destinados a ficar juntos. Abri a boca em espanto, acompanhando de perto o barraco que se sucedia em uma das clínicas mais renomadas do país. O elevador apitou e dois seguranças atravessaram o corredor correndo. Eles se direcionaram até a mulher e a agarraram gentilmente pelos braços, arrastando-a para longe. — Me larguem! Leon, você está ferrado, não sabe do que eu sou capaz! — acusou, elevando ainda mais o tom de voz. — Não sou mulher de uma só noite, seu desgraçado! Como ousa me demitir? — crispou. — Eu tenho uma consulta marcada, me soltem! Os seguranças a arrastaram até o fim do corredor, sumindo com a jovem de vista. Os gritos dela continuaram entoando por mais alguns segundos, até que o silêncio tomasse conta outra vez. Uau. Nunca esperaria algo assim vindo da Fertility, mas até mesmo os ricos não estavam imunes a um bom e velho escândalo. Um homem deixou a mesma sala em que a mulher estava. Ele parou no meio do corredor e balançou a cabeça, como se estivesse desgostoso com a situação. Levando as mãos as lapelas do jaleco, puxou-o para baixo, desamassando o tecido e então correu uma mão pelos cabelos loiros-escuros, alheio ao fato de que estava sendo observado. Ele virou a cabeça em nossa direção, como se sentisse o peso do meu olhar nele, fixando os olhos verdes-azulados em mim. Lindo. Encarei-o, analisando as feições bonitas e harmônicas. O rosto era perfeito, nariz fino, boca carnuda, rosada e bem-desenhada, maxilar quadrado coberto por pequenos fios claros e maçãs do rosto definidas. Abaixei meu olhar. Os músculos definidos dos braços se acentuavam pelo jaleco apertado, os ombros largos faziam com que o tecido se alargasse, deixando-o solto no abdômen liso. E, mesmo estando um pouco longe, parecia ser bem mais alto que eu. Parado no meio do corredor branco e reluzente, parecia um anjo sedutor. Mordi as bochechas e desviei os meus olhos, constatando que fiquei tempo demais encarando-o. Pela visão periférica, podia vê-lo ainda no mesmo lugar, sem mexer um único músculo. Um rubor cobriu as minhas bochechas, a vergonha de ter sido pega admirando-o esquentou o meu rosto e fez meu coração acelerar. O homem riu, a risada rouca, masculina e extraordinariamente sexy, reverberou, arrepiando os meus pelos da nuca. Girei a cabeça em sua direção, encarando-o outra vez. Ele curvou os lábios, manifestando uma fileira de dentes brancos e alinhados, me lançando um sorriso depravado e malicioso e arqueando uma sobrancelha loira. Um cafajeste. Não tinha uma vasta experiência amorosa, considerando que o único amante que tive havia sido Liam, mas não era totalmente leiga no assunto, conseguia farejar e identificar um de longe. A imagem da mulher me alvejou, percebi que ela estava falando dele, que ela estava sofrendo por ele. E ele nem se deu ao menos o trabalho de parecer triste por ela e por todo o escândalo que fez por ter tido o coração partido. Fiz uma anotação mental de que deveria me manter muito longe do indivíduo, caso eu fosse admitida para uma das vagas de residente. Homens como ele eram uma dor de cabeça que não estava nos meus planos. Ele era bonito? Com toda a certeza, mas não valia a pena o estresse que me causaria. Outra porta foi aberta. — Bridget? — A voz feminina entoou através do torpor em que eu me encontrava. Pisquei, franzindo a testa, desvanecendo a minha mente da inércia em que se encontrava. Ergui o olhar e encontrei uma jovem de cabelos castanho-claros e olhos escuros grandes e expressivos. — Bridget? — repetiu o meu nome, encarando-me, a pergunta explícita em seu tom de voz. Sentia como se o médico cafajeste tivesse dissolvido o meu cérebro nos poucos segundos em que eu mantive o olhar dele. Engoli em seco e acenei. — Por favor, me acompanhe — disse. — Sou a doutora Dubrow, estou aqui para auxiliá-la em todo o procedimento. Me levantei, meus músculos estavam rígidos e concisos sob o peso do olhar do médico cafajeste. Atravessei o corredor e entrei na sala sem olhar para o lado. Voltei a respirar quando ouvi o baque da porta sendo fechada às minhas costas. — Bridget, preciso que vá até o banheiro anexo e troque de roupa para que possamos começar os procedimentos — orientou. Deixei minha bolsa em cima da mesa dela e fui até o local indicado. Removi as minhas roupas, vesti a camisola branca que estava pendurada em um cabideiro e calcei as pantufas fofas. Encarei o meu reflexo no espelho, os olhos verdes demonstravam meu desafeto com a consulta. Puxei meus cabelos para cima e os enrolei em um coque. Preferia mil vezes ser a médica ao invés da paciente. Voltei para a sala e encontrei a médica de costas para mim, organizando alguma coisa em cima de uma mesa de alumínio ao lado da cadeira. Não conseguia ver o que estava fazendo, pois o corpo dificultava a minha visão, mas parecia separar os equipamentos para o exame. — Vamos começar — avisou, por sobre o ombro. — Fique de frente para mim, por favor. Ela se virou e parou em minha frente, os dedos precisos tocaram em meus s***s, apertando-os, verificando a existência de algum caroço. Era um pouco desconfortável, mas nada absurdo. — Sente desconforto? — perguntou. — Sim, estão doloridos — confirmei. Ao terminar, ela sorriu para mim. – As glândulas mamárias têm receptores hormonais. Portanto, quando ocorre a produção de estrogênio as m***s podem ficar mais doloridas — explicou. — Isso é ótimo. Bridget, sente-se, já vamos começar o procedimento — avisou, apontando com o queixo para a cadeira. O consultório exalava o mesmo cheiro do restante da clínica e o ar-condicionado parecia ainda mais potente dentro da pequena sala, me fazendo estremecer de leve por conta do frio. Me deitei na cadeira e encaixei minhas pernas abertas no suporte. Tinha feito o exame uma única vez, anos atrás, quando perdi a minha virgindade e minha mãe achou que era necessário verificar se eu era saudável e se estava tudo bem comigo. Não lembrava muito decomo era feito, só de quão desconfortável era. Encarei o teto, as luzes incandescentes irritavam os meus olhos, mas era o ponto mais relaxante de toda a sala e o único que conseguia me fazer espairecer. — Prontinho, Bridget, tudo certo? — falou a doutora Dubrow, sentando-se na cadeira e a arrastando até a minha frente. — Sim — respondi, somente. Não era como se tivesse muita coisa pra me preparar, era um exame chato e de rotina que toda a mulher passaria algumas vezes na vida, simples assim.
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