percorri os corredores da clínica observando tudo ao redor, era um lugar muito bonito e aconchegante, diferente de alguns hospitais que presencie visitar ao longo da faculdade. o ar-condicionado gelado arrepiou a minha pele, me fazendo estremecer.
As paredes de vidro davam vista para a rua, as películas espelhadas proibiam que a mesma visão se sucedesse na parte de fora e que a luz solar incomodasse, repelindo os os raios.
O cheiro de álcool com pinho era forte e agradável.
Parei em frente a um balcão de mogno branco e sorri para a recepcionista.
- Olá, tenho uma consulta marcada - avisei, recolhendo a identidade da minha bolsa transversal.
A jovem - uma loira muito simpática, - recolheu o documento e digitou em seu computador, mechendo os dedos em uma velocidade vertiginosa.
Uma pilhas de folhas ao lado do balcão chamou a minha atenção, estreitei os olhos naquela direção e dei um passo para o lado. era formulários de inscrição para novos residentes.
- Quando será as contratações? - perguntei, sentindo o meu coração acelerar.
Não estava nos meus planos fazer a minha residência em uma clínica de fertilização, mas era inevitável o fato de que a fertility era uma das melhores no ramo. O salário era maravilhoso e o renome carregava um peso importante no currículo acadêmico.
A loira ergueu os olhos para mim.
- Semana que vem - Avisou, franzindo uma sobrancelha. - Está atrasada.
- Mas não sem tempo - atirei, sorrindo amarelo.
Ela balançou a cabeça e voltou a se concentra no computador.
Não tinha pensado em tentar uma vaga na clínica, estava ficando nos hospitais mas banda ado da cidade. queria fazer minha residência em pronto- entendimento, mas com as cobranças da minha dívida universitária batendo em minha porta. a fertility me parecia uma boa oportunidade, não era a área que eu queria, mas me ajudaria a respirar, conseguiria a pagar os boletos atrasados e ainda teria dinheiro para me manter, enquanto não me tornasse médica de uma vez por todas.
sem pensar mas, recolhi as caneta do lado dos papéis e comecei a preencher o formulário. talvez fosse Deus me dado um sinal, tinha indo até a clínica para uma consulta, mas poderia sair com uma proposta de emprego, então...
Retirei meu histórico de dentro da bolsa e o grampeei atrás da ficha. Carregava algumas cópias comigo para que pudesse chegar nos hospitais e fazer a mesma coisa que estava fazendo agora. — Sua sala de consulta fica no quarto andar, senhorita Bridget, a responsável pelo seu atendimento será a doutora Izabela Dubrow, uma de nossas residentes — avisou a balconista, entregando-me de volta a minha identidade e o papel da consulta.
Ergui a ficha preenchida para ela, que a recolheu e colocou em cima de uma pilha atrás do balcão.
— Obrigada — agradeci.
— Boa sorte com a vaga, senhorita Bridget. — Sorriu amplamente. — O elevador fica à direita no corredor.
Caminhei para longe do balcão com a mente em um turbilhão, ansiosa para descobrir a resposta quanto a minha inscrição.
Mais cedo, preenchi o formulário de um dos hospitais mais requisitados da cidade, embora a vaga fosse benéfica, o salário e o status alcançado nem se comparava ao da Fertility. Óbvio que se eu estivesse podendo escolher alguma coisa, iria para o hospital, mas na minha atual situação, o que me pagasse mais seria o mais bem-vindo.
Entrei no elevador e aguardei, uma música baixa e agradável soava enquanto os números dos andares apareciam no painel digital.
As portas foram abertas, dando para outro corredor largo, extenso e claro.
Verifiquei o número do consultório no papel e comecei a passar pelas portas, até chegar na sala indicada. Duas mulheres ocupavam algumas cadeiras, uma delas estava muito grávida. Me sentei em um lugar vazio e esperei.
O lugar estava silencioso, era possível ouvir apenas o barulho rítmico do pé da gestante que batia constantemente no chão, parecendo nervosa com alguma coisa.
— Vou descobrir o s**o do bebê hoje — disse ela, depois de um momento de silêncio. — Estou muito nervosa, é meu primeiro bebê, sempre quis ser mãe e só o doutor Dubrow que conseguiu realizar esse sonho.
Abri um sorriso para ela.
— Parabéns pelo bebê — falei, apontando com o queixo para a barriga protuberante.
— Tem algum palpite? — perguntou a outra mulher. — Estou aqui para ver o resultado dos meus exames, antes de ver qual o tratamento indicado para o meu caso, também sonho em ser mãe e não vejo a hora de realizá-lo.
A grávida espalmou as mãos na barriga, acariciando-a de leve.
— Não tenho nenhum palpite, e nem me importa, para falar a verdade, eu quis tanto esse bebê... não importa o que seja, ele já é muito amado. — Virou o rosto em direção a outra. — Vai dar tudo certo, estava ansiosa como você quando vim olhar os exames na minha segunda consulta.
As duas se viraram para mim.
— Também veio fazer exames para engravidar? — perguntou a gestante.
Engoli em seco e arregalei os olhos, balançando a cabeça veemente.
Um dia, em um futuro muito, repito, muito distante, eu me tornaria mãe, mas crianças estavam no final da minha longa lista de desejos.
— Exames ginecológicos de rotina, nada que envolvam gravidez — respondi, mordendo as bochechas.
Um fato que tinha ficado óbvio para mim, além do nome que a clínica carregava, a maioria dos pacientes vinham para engravidar ou acompanhar a gestação, uma parcela muito pequena — como eu — aproveitava os bons médicos para os exames de rotina.
— É jovem ainda, terá muito tempo pela frente para realizar esse sonho — comentou a não-grávida.
Me abstive em apenas acenar.
Não entraria nesse assunto agora, as chances de eu engravidar eram raras, considerando que eu não transava há pelo menos dois anos, não desde que Liam e eu nos afastamos.
Liam era um estudante de medicina, fomos colegas na faculdade por um tempo e então começamos a nos relacionar, mas quando as coisas apertaram e tivemos que escolher entre os estudos ou os encontros, terminamos o que estávamos tendo, seja lá o que fosse, tudo amigavelmente, claro. Ele entendeu que o meu foco era a minha profissão, foi legal o que tivemos, mas não deixaria nada atrapalhar os meus planos.
Virei a tela do celular para cima e verifiquei as horas, ainda faltavam longos minutos para a minha consulta e eu gostaria muito que o tempo fosse apressado, pois tinha que ir em alguns hospitais para preencher os formulário de admissão depois que saísse da clínica.
— A consulta de alguma de vocês será a próxima? — perguntei.
A grávida balançou a cabeça.
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