capítulo oito

1755 Palavras
17 de dezembro de 1991: Eram 7:30 da manhã e estava novamente na sala precisa, olhando a bagunça que fiz. Varinha jogada no chão, papéis e desenhos de corpos e rostos. Estudos sobre poções e suas reações contra a maldição Maledictus, roupas jogadas pelos cantos da sala e o pior, meu pergaminho com o rosto perfeito para Tom Riddle voou para o fogo da lareira. _ Me mate de uma vez! - Grito para o fogo crepitante. _ Inferno. - Me levanto, indo até ao fogo para ver se tinha sobrado alguma coisa e tinha. Cinzas. Bufei, revirando os olhos. Mexo as mãos e a bagunça estava sendo organizada. Adorava magia. Invoco um espelho para ver minhas marcas que ardiam sem parar hoje. _ Vocês poderiam ter me avisado que isso ardia! - Olho para cima. _ Depois fala que sou a esquecida. Nenhum livro me dizia o porquê das marcas estarem ardendo, e Merfina ou Gefina, não iriam descer até aqui e me contar o motivo. Eu só deveria ficar quieta e ver se ardência melhorava. Suspirei e vejo o meu estado, não estava r**m e com isso, estava pronta. Pronta para ter uma aula interessante com Tom. Pego a minha varinha e faço meus livros, penas e tintas levitar. Saio da sala precisa e vou em direção da grande escadaria para descer para o Grande Salão. Encontro o professor e ele estava meio pálido, será que ele já estava morrendo? Não é muito cedo? Não, já estamos em dezembro. _ O senhor não parece muito bem. - Desço um degrau e ele se virou. Seus olhos ficaram meio avermelhados e isso indicava que era o Lorde tomando o lugar. _ Peguei uma gripe forte, mas não se preocupe. _ Mas me preocupo. - Zombei. _ O senhor é um professor excelente, apenas sua gagueira é irritante. _ Fico muito nervoso às vezes. - Aproximou-se. _ Mas comigo o senhor não fica nervoso, devo me sentir privilegiada? _ Sim. - Tentou me tocar. _ A senhorita é um mistério para mim, como professor, é claro. _ O que quer dizer? _ Sua cabeça fala uma coisa, mas seu coração e atitudes dizem outras. - Não posso discordar. _ Por isso que você é um mistério para mim. _ Talvez o senhor esteja certo, um dia, se for possível, lhe conto o que tanto te intriga, mas agora, só quero comer um bom café da manhã. - Entro no salão. _ Até mais tarde, professor. Sentei-me em meu lugar e Gemma ficou me olhando, e observou o professor. _ Não estou amando, saindo ou algo que você imaginou com o professor. - Revirei os olhos. _ m***a. - Disse emburrada. _ Você lê pensamentos agora? _ Está estampado em seu rosto. _ Ah, está empolgada para hoje? _ Não, não tem nada de mais para hoje. Apenas aula. _ E uma partida sem ser oficial de quadribol. - Duvido que vá. _ Nesse frio? Eles irão morrer de hipotermia. - Começo a comer. _ Seu senso de humor melhorou muito. _ Irei levar isso como um elogio. - Deu de ombros e continuou comendo. Depois de alguns minutos, limpo a minha boca e saio do Grande Salão com meus materiais me seguindo. Caminho até a sala do professor de DCAT e me sento na última cadeira, para não ser um alvo fácil para os meus fiéis inimigos. Meus materiais ficaram em cima da mesa. Hoje seria uma aula com a Grifinória e já sabia que teria pessoas indesejáveis ao meu lado. _ Tess? - Caliman era uma Grifinória loira e gostava de se sentar ao meu lado. _ Tem tanto tempo, não te vi pelos corredores durante esse ano. _ Mas é claro, cada esquina que eu ia, você estava com Josefin aos beijos. _ Por Merlim! - Se assustou com as minhas palavras. _ Até parece que você gosta dele. _ Já tenho um namorado e você, minha querida, não o conhece. - Nem eu. _ Vocês ficaram sabendo que visitei meu pai e começaram a se distanciar. Não foi culpa minha. _ Mas é claro que ficamos distantes, você visitou um traidor, um das trevas. _ Ele é meu pai! - Gritei nem me importando com o professor que nos olhava. _ Tenho todo o direito de visitá-lo, se ele acredita nas trevas é problema dele. - Precisava me acalmar. _ Se ele acredita em Voldemort é o problema dele e não meu. Não sou os meus pais e nunca serei... _ Acredito na luz e vocês deveriam confiar em mim, e não em pessoas desconhecidas que lhe disseram que fui a Azkaban. - Fofoqueiros. _ E qual o problema de ir a Azkaban? Não estou tirando ninguém de lá! _ Você precisa se acalmar. - Tentou me apaziguar. _ Me acalmar? - Revirei os olhos. _ Chamar meu pai de traidor e das trevas é fácil para você que não tem um pai preso, apenas porque ele acredita em um lado totalmente ao contrário do seu. Respiro fundo e olho para frente, todos nos olhavam e mordi minha língua para não tentar m***r todos que estavam me olhando. _ Acabou o chilique? - Disse Connor Back. Pego a minha varinha e aponto para ele. _ O que você vai fazer? Me m***r? - Zombou. _ Senhorita Lestrange? - Olho para o professor e tento me acalmar. Largo a minha varinha e mordo meus lábios com força, tentando controlar a minha magia. _ Se tivesse forças, poderia matá-lo para você. - Falou Kalira, a alma que passou a me seguir. _ Não gostei dessas pessoas te olhando, preciso ficar mais forte para te proteger. Sorri um pouco, não poderia falar com ela agora, ou eles me chamariam de doida. Olho para o professor que me observava preocupado e começo a pensar nessas pessoas morrendo e pedindo clemência, aquilo me acalmou. _ Bom, como todos se aca-acalmaram, quero abrir um debate com vocês. _ Que tipo de debate? - Disse Cristal sentada a minha frente. Ele se sentou na mesa e nos olhou sorrindo. _ Vocês sabem o porquê de termos aula de DCAT? - Perguntou enigmático. _ Para aprender nos defender. - Disse Caliman. _ Bom, você acertou, mas não é a-apenas isso. Aprendemos magia das trevas para que vocês diferenciem magia boa e a maligna. - Não fazia sentido. _ Mas, professor, a magia das trevas não é tecnicamente maligna. - Digo e todos me olham. _ Até mesmo magia branca pode m***r se for esse o seu desejo. _ Poderia me dar u-um exemplo? _ Estupefaça pode m***r uma pessoa, se a pessoa bater a cabeça em um lugar sólido. Wingardium Leviosa pode fazer flutuar uma faca, ou pena e pode ir direto para seu coração. Qualquer magia pode m***r, só depende do nosso desejo. _ Fascinante. - Seus olhos ficaram vermelhos vividos. _ Sua afirmação está correta se olhar por esse lado. _ Obrigada. _ Mas isso é estranho, aprendemos desde sempre que magia das trevas é maligna. _ Mas nem tudo que pensamos ser verdade, é verdade. - Comentei. _ Crucius, por exemplo, é feitiço que apenas serve para tortura. Mas descobri em um livro que Cruciatus foi inventado por um homem que tinha suas pernas imobilizadas. Ele usou o Crucius nele mesmo para que os nervos de sua perna fossem religados. _ Não sabia disso, você sabia, professor? - Cristal perguntou. _ Como os trouxas falam, vivendo e aprendendo. - Apontou para mim. _ Dez pontos para a Sonserina. - Deveria agradecer ao Luigi. _ Já que é assim, por que você não é das trevas? - Caliman me perguntou. _ Não quero ser presa. - Digo a olhando e ela riu. _ Está brincando, não é? Você não é das trevas apenas por causa disso? - Concordei. _ Acho que você precisa de terapia, você está estranha. - Disseram algumas pessoas. _ Me perdoem, não estou me sentindo bem. - Me levanto do meu lugar e pego meus materiais. Saio daquele lugar e olho para os lados, estava aguentando bem, mas não poderia calar minha nova "eu" para todo o sempre. Precisava de Voldemort, precisava de Tom. Vou para o segundo andar e entro no banheiro da Murta. Entro em uma cabine qualquer e me sento no chão, espalhando meus materiais. Sou um fracasso, deveria ter continuado morta e ter deixado esse mundo com a luz. Deveria... Lágrimas quentes caiam na minha roupa e meu coração doeu. Não tinha ninguém, não poderia confiar na minha mãe, não poderia contar tudo para o meu pai e meus amigos me largaram desde que fui visitar meu pai. As pessoas que pensei que eram confiáveis me apunhalaram nas costas e estou sozinha. Tenho que reerguer um lorde, sozinha e... Solucei, sentindo meu corpo tremer, estou pirando, preciso de alguém para conversar, preciso... Qualquer pessoa. Qualquer um. Escuto alguém bater na porta de minha cabine e me assusto, perguntando com a voz falha. _ Quem é? _ Uma amiga. - Merfina? Levantei-me do chão e abro a porta, vendo a mulher deslumbrante me olhar triste e abrir os braços. _ Acho que você precisa de um abraço. Dou um passo para a frente e me jogo nela, as lágrimas que tentava conter em vão se derramaram. _ Não sei mais o que fazer. - Sentamo-nos no chão. _ Não aguento mais me sentir sozinha, só queria alguém para confiar. _ Você tem a mim, você pode confiar em mim. Sua marca deve estar ardendo, não é? - Concordo com a cabeça e me aconchego mais em seu abraço. _ Quando uma pessoa tem a magia dos mortos em sua alma e ela está triste, a marca começa a doer, mas quando ela está feliz, ela brilha. - Beijou minha cabeça. _ Não é toda vez que ela vai arder, isso depende de sua tristeza. _ Me diga, vou confiar em alguém novamente? - Solucei. _ Ou vou viver para sempre assim? Tenho vinte e dois anos, mas me sinto uma garotinha com medo da tempestade e não gosto de me sentir assim. - Tentou secar minhas lágrimas e sorriu triste. _ Você vai poder confiar em uma pessoa e seu coração vai te ajudar a entender melhor minhas palavras, falta pouco, Tessa e você foi tão forte que estou orgulhosa de você. - Acariciou meu rosto. _ Não é fácil fazer isso que você está fazendo. Continuo chorando e fico aliviada, encontraria uma pessoa para confiar. Encontraria e ela estava próxima.
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