capítulo seis

1929 Palavras
12 de outubro de 1991: Acordei assustada, alguém estava gritando bem ao meu lado, mas apenas me viro de lado e vejo que era uma alma. Ela parecia ser uma criança ou uma adolescente pequena. Sentei-me na cama e a menina ficou procurando alguma coisa. _ Qual é o seu nome? - Levou um susto. _ O que foi? Pensou que não poderia vê-la? - Acenou com a cabeça e veio até mim. _ Você tem uma cor bonita, sua alma é quente como uma brasa, mas é fria como gelo. - Não fazia sentido. _ Não faz sentido, não é? - Concordei. _ Se me aproximar de sua alma, ela é quente, mas se tentar tocá-la, é fria. _ Faz mais sentido. - E era interessante. _ Qual é seu nome? _ Não sei, apenas acordei aqui. - Mentiu. _ Por que não me dá um nome? _ Kalira? - Rodopiou no ar e sorriu. _ Então será Kalira. - Me levanto e olho para o meu quarto que não tinha nada de mais. Pego a toalha em cima da cadeira e vou para a segunda porta do meu quarto, era um banheiro. Deixo a toalha em cima da pia e começo a tirar meu pijama da Sonserina. Vou até o chuveiro e o abro, mas dessa vez estava em uma distância considerável e água fria não foi derramada em mim. Entro debaixo do chuveiro e molho meus cabelos, me fazendo arrepiar pela água. _ Você é bastante bonita. - Levo um pequeno susto e a olho. Ela estava flutuando como uma bolinha azul de chamas da mesma cor. _ Por que você se transformou em uma bolinha azul? _ Ficar naquele modo me cansa e gosto mais desse. _ Então fique assim, não queremos uma alma cansada. - Começo a lavar meu cabelo. _ Por que você é a única que consegue me ver? _ Deve ser porque estudo sobre vocês, e falando nisso, preciso tirar um dia para começar o meu treinamento. - Tinha tanta coisa para fazer. _ E por que você estuda sobre nós? - Fechei os olhos. Mas sentia a pequena aura envolta da bolinha, era fria. _ Porque vocês são fascinantes. Comecei a estudar isso pela minha curiosidade, e quando vi que ficava cada vez mais forte, o poder subiu a minha cabeça e queria de todo o jeito aprender cada vez mais. Era isso que iria fazer, estudar cada vez mais esse tipo de magia e invocação. Desligo o chuveiro e vou até a toalha, a enrolando no meu corpo. Vou até ao meu guarda-roupa, pegando meu uniforme e uma lingerie verde de renda. Coloco minhas roupas, e apenas faço um movimento com a mão para arrumar meu quarto. Começo a escovar os dentes e arrumava meus materiais que já estavam flutuando atrás de mim. Cuspo a espuma e molho a boca tirando a espuma. Penteio meus cabelos e eles ficaram armados, faço um feitiço de diminuição de volume e ficaram definidos e baixos. Abro a porta do quarto e saio por ela, a fechando logo em seguida. O salão comunal não era f**o, ele tinha uma grande janela que tinha a vista do Lago n***o. Estantes de livros enormes, uma lareira que tinha fogo verde saindo dela, sofás, poltronas e pufes de cores escuras. Uma mesa bem ao fundo e quadros de pinturas estranhas. Saio daquele lugar e vou em direção do Grande Salão. Hoje deveria começar a minha missão dada por Dumbledore, e já sabia qual era aula deles nessa manhã, era aula de voo. Entro no salão e vejo que alguns professores estavam conversando animadamente, não saberia o motivo, apenas me sentei na minha mesa e comecei a comer. Meus materiais continuavam flutuando ao meu lado. Não tive aula com Tom, mas não ligava muito, já tive aula com ele naquela época e foi muito interessante, ainda mais depois de descobrir que o homem que estava dando uma aula espetacular era Tom. Já o conhecia desde que peguei o diário nos pertences de Harry, ele era uma pessoa atraente, persuasiva e manipuladora. Quase entreguei minha vida a ele, apenas para ver um sorriso no seu rosto, e aqueles lábios que pareciam macios e quentes... Sim, naquele ano tive sonhos quentes com Tom Riddle e não me arrependo. O homem era uma beldade, ninguém chegava aos seus pés. Paro de pensar em besteira e comecei a me concentrar na comida que estava na minha frente, ela estava deliciosa. Minha mãe às vezes tinha saudades da culinária dos elfos do castelo, um dos motivos que ela roubou o elfo chefe desse lugar. Jarr era a prova vida de como a minha mãe conseguia o que queria, quase tudo. Até mesmo o coração de um Comensal conseguiu capturar. Rio dos meus pensamentos e algumas pessoas me olharam, principalmente Tom/Quirino. Limpo minha boca com um guardanapo e vejo se os alunos que teriam aula de voo estavam no salão e constato que não. Eles já deveriam estar no campo. Levantei-me e meus materiais me dão espaço para sair daquele lugar. Começo a andar e uma pessoa me olhava, mas não sabia quem era. Saio do Grande Salão e ando calmamente para a saída do castelo, minha aula de poções começaria só mais tarde. Chego no campo e vejo os alunos tendo a aula de voo. _ [...] O que estão esperando? Estiquem a mão direita e digam suba. Draco conseguiu de primeira e Harry logo depois, Rony levou uma vassourada na cara e todos riram. _ Agora que vocês já conseguiram pegar a vassoura, quero que vocês subam nela. Quando apitar, quero que vocês deem um impulso bem forte com os pés. Neville começou a flutuar e fiquei apavorada, como ele conseguiu fazer isso, deve ter alguém manipulando a vassoura. Mas por quê? Continuo observando e Neville voou pelo campo, mas acabou caindo depois de alguns segundos. _ Saiam todos da frente. - Os alunos saíram da frente e a professora viu que o pulso do garoto estava quebrado. Olho para o grupo de pessoas e vejo que Draco pegou um objeto no chão. Ele sorria perversamente e me aproximo, vendo que era um Lembrol. Deveria ser de Neville. _ Fiquem com seus pés bem firmes no chão, enquanto levo o senhor Longbottom para a enfermaria. - Disse andando. _ Se eu vir uma vassoura no ar, será expulso antes que possam dizer quadribol. Olho para a professora que se ia e vejo a confusão que estava se formando, apenas devido a um Lembrol. _ Me dê isso, Malfoy. - Disse Harry. _ Não, colocarei em algum lugar para Longbottom possa pegar. - Começou a flutuar com a vassoura. _ Que tal no telhado? Olho para os lados e nenhum professor, ou algum adulto estava por perto. i****a! Os dois que estavam voando eram idiotas! Deixo meus materiais cair no chão e vou até ao grupo de pessoas que estavam vendo a exibição de voo. _ Me entreguem uma vassoura, ou seus amigos irão virar patê. - Digo com raiva e Hermione me entregou sua vassoura. Deixo-a no chão e subo em cima dela. _ Uau, ela está voando em pé. - Disse Thomas. _ Parem isso imediatamente! - Vou até eles. _ Se vocês não quiserem ser expulsos de Hogwarts. _ Lestrange. - Disseram os dois. Vou até ao Draco e pego de sua mão o Lembrol. _Desçam. - Começaram a descer. _ Onde já se viu, brincar sem saber voar direito. Saíram das vassouras e me olharam, entrego o Lembrol para Dino e olho para todos. _ E se vocês tivessem se machucado? O que vocês iriam fazer? A professora poderia ter perdido o emprego. _ Mas não perdeu. - Disse Draco. _ Poderia. _ Não tenho medo de você, Lestrange. _ E você acha que tenho medo de você? _ Pelo menos meu pai não está na prisão! - Gritou. _ Pelo menos meu pai não foi covarde como o seu. - Digo impetuosa. _ Harry Potter e seus amigos, por favor, me acompanhem. Todos me olharam assustados, mas Harry, Rony e Hermione vieram comigo. _ Estou pegando três alunos seus, professora. - Vejo ela e estalo meus dedos fazendo meus materiais começaram a flutuar novamente. _ Dumbledore me avisou. - Apenas disse e saiu do nosso caminho. _ Me chamo Tessa Lestrange, e irei cuidar de vocês a partir de hoje. - Continuo andando. _ Ela sabe fazer magia sem varinha. - Disse a menina. _ Com licença, mas como aprendeu feitiço sem varinha? _ Treinando com pequenos objetos. - Não menti. _ Vamos para o pátio, lá deve ser melhor para conversar. _ Ela é sempre assim? - Harry perguntou. _ Como? - Perguntaram os dois. _ Adulta e séria. Chegamos no pátio e estava vazio, me sento no banco e os três fizeram a mesma coisa. _ Recebi uma missão de Dumbledore, ele me pediu para cuidar de vocês e ensinar qualquer matéria, caso necessário. _ Uma Sonserina? - Harry olhou para o meu brasão. _ Não são todas as cobras que são más. - Era uma. _ Confie em mim e seremos bons amigos. - Rony concordou, tentando me ajudar. _ Vocês têm alguma pergunta para mim? _ Como você conseguiu voar em pé? - Rony perguntou, já era de se esperar. _ Prática, meu pai era bom no quadribol e me ensinou quando tinha três anos, mamãe ficou maluca no dia. _ Você se lembra de tudo? _ Fala de minha infância e essas coisas? - Concordaram. _ Sim, me lembro, lembro de tudo. - Até de vocês me matando. _ Bom, temos que ir. - Hermione puxou os braços de seus amigos. _ Obrigada pelo aviso. _ De nada, vejo vocês qualquer dia. - Continuo sentada e vejo eles irem embora, meu sorriso morreu e fiquei olhando para a paisagem. _ Está matando aula? - Perguntou o professor Quirino, se sentando ao meu lado. _ Não, minha aula só começa às dez e são oito ainda e você? - Suspirei. _ Não deveria estar dando aula? _ Só às onze. - Olhou em volta. _ O que estava fazendo? _ Cumprindo minha missão, cuidar de Harry Potter. - Dou de ombros. _ E o senhor? _ Andando por aí. - Olhou o céu. _ Posso te fazer uma pergunta? - Concordei. _ Por que escolheu a luz? _ Vai me achar boba. - Discordou. _ Mas escolhi a luz para não ser presa igual ao meu pai. - Suspirei o olhando. _ Depois escolhi por gratidão. _ Gratidão? _ Quase morri no primeiro ano, fui espancada por Sonserinos do sétimo e Dumbledore me ajudou. - Que grande mentira. _ Se não fosse por ele, não estaria nesse mundo. _ É uma história interessante. - Disse me olhando, seus olhos estavam vermelhos. _ Seus olhos são bonitos, professor. - Ficou sem entender. _ Eles parecem vermelhos. - Piscou e tossiu constrangido. _ Obrigado, é a primeira que me diz isso. - Até que esse cara não é um b****a sem racionalidade. _ O que espera do mundo? _ Caos e destruição. - Sorriu negando. _ Espero que tudo que imaginei para esse mundo se concretize. _ E o que você imaginou? _ Isso é segredo. _ Adoro segredos. - Me levantei. _ Eles escondem a mais pura realidade dos nossos corações. - Concordou. _ Bom, vou indo, até mais. - Vejo a alma que estava no meu quarto sorrindo, como se soubesse de algo. Começo a andar e vou para a sala de poções.
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