Uma semana depois:
Estava sentada na poltrona do chalé, bebericando uma caneca de chocolate quente, enquanto pensava em tudo que vi e li. Li sobre as trevas e aprendi sobre ela.
Também aprendi a invocar sombras ou almas, chame do que quiser. Aprendi a criar receptáculos para que as sombras fossem capazes de lutar comigo contra a Merfina.
Aprendi tanta coisa que meu corpo doía como se tivesse feito vários exercícios ao mesmo tempo.
E nos dias restantes, comecei a pensar sobre minha vida aqui e sobre minha vida na Terra. E...
Escolhi a minha vida na Terra, porém, tenho ainda muito o que pensar. Mesmo sabendo de certas coisas, ainda queria repensar nessa ideia.
Sabia que deveria trazer a racionalidade de Voldemort de volta, mas não vou fazer isso, afinal de contas, para que iria querer isso?
E para tudo que estou planejando der certo, devo trazer a personificação do m*l em pessoa e se ele quiser ser racional novamente, ele que faça isso com sua própria força de vontade.
Eu só vou lhe dar um corpo descente, apenas isso.
Continuo bebendo o meu chocolate e penso nas minhas alternativas.
1- Posso pegar a pedra filosofal e fazer um novo corpo para ele.
2- Posso deixar Gina morrer.
3- Posso fazer um ritual de sangue, só faltaria o sangue de Harry, mas ele sempre se machuca, seria fácil.
A três é muito complicada, a dois preciso esperar quase dois anos e a um, preciso esperar alguns meses... Vai ser a um.
Mas onde ele ficaria? Em Hogwarts é muito perigoso, na mansão Malfoy seria óbvio demais, mas e a mansão Riddle? Também tem a mansão Slytherin...
Poderia conversar com os duendes e fazer com que eles me entreguem a chave de uma das mansões, até mesmo posso reformá-la se caso for necessário.
Mas tem o Severus, o que irei fazer com ele? Matá-lo? Não, isso poderia me prejudicar, devo usar um disfarce se eu for convidada para uma das reuniões. Devo continuar indo nas reuniões da Ordem e, mais o quê?
Retirar meu pai da prisão e fazer que meus pais fiquem em um lugar seguro de verdade, sem que o Dumbledore me impeça.
E quando tudo acabar, posso apenas morar sozinha em algum país afrodisíaco e adotar uma criança para ter alguém para cuidar e amar. Ou posso ser uma mulher com vários gatinhos maravilhosos. Perfeito.
Pode ter complicações no meu plano? Pode, qualquer plano pode ter complicações, mas não tenho só o plano "A", também tenho o "B" e o "C"...
_ Merfina? - A chamo depois de colocar tudo em ordem.
A mulher não estava longe de mim e mesmo sabendo que ela podia ler todos os meus pensamentos, até mesmo saber qual era a minha decisão. Queria que ela soubesse por mim e com palavras saindo de minha boca, não pensamentos.
_ Então? O que vai ser?
_ Tenho que ir para 1991, para pegar a pedra filosofal e as Horcrux do Tom. - Sorriu quando falei isso. _ E se eu for para outro ano, não poderei fazer certas coisas, como reverter a morte dos meus pais...
_ Ou recuperar o diário das mãos de Lucius. - Então os meus pensamentos não são loucos. _ E que mês você quer ir?
_ Agosto de 1991, aí dará tempo para pegar algumas Horcrux e guardá-las.
_ Você conseguiu pensar em tudo isso em apenas alguns dias de descanso? - Concordei. _ Estou orgulhosa. - Fiquei surpresa e não tive tempo de sentir vergonha.
_ Tenho que ir ao Gringotts. - Era essencial. _ Ir a Azkaban e contar algumas coisas para o meu pai, mas não posso contar nada para a mamãe, ela poderá ficar preocupada.
Mesmo que a nossa convivência de pai e filha esteja estranha devido aos anos que ele ficou na prisão. Sei que o melhor era contar para ele, mesmo que a mamãe sempre me apoiasse em tudo.
_ Então está tudo em ordem? - Concordei mais uma vez. _ Sabia que a senhorita iria querer vingança, aquelas palavras antes de sua morte foram o que me fizeram acreditar.
_ Naquela hora estava com muito ódio, falei coisas sem pensar.
Mas foram essas coisas que também me ajudaram a ter uma opinião concreta sobre minha segunda vida.
_ Temos que esperar um pouco. - Olhou para a porta do chalé. _ Gefina deve estar chegando no mundo dos mortos...
_ Por quê?
_ Ela precisa dar certas coisas, como o tempo que prometeu. - Levantou-se e se aproximou de mim. _ Posso lhe dar um presente também? - Não precisei falar.
Apenas acenei com a cabeça e sua mão alisou meu rosto, deslizando seus dedos pelas minhas bochechas, lábios e olhos. Como se estivesse tentando guardar minha fisionomia em suas memórias.
Porém, quando sua unha beliscou o canto do meu olho, fazendo que um pequeno gemido saísse dos meus lábios. Percebi que o presente poderia ser algo muito mais prático que um simples pensamento de saudade.
Não sabia o significado ou até mesmo se tinha algo marcado no meu olho, mas sentia uma abundância de magia em meu corpo.
_ Você será a minha nova rainha dos mortos. - Beliscou meu queixo. _ Use com sabedoria esse poder.
_ Tem certeza? Era a rainha do azar. - Revirou os olhos. _ Sentirei saudades. - Abracei ela, sentindo um pouco de seu perfume de jasmim.
Nunca pensei que a Morte poderia ter um cheiro bom de flores, ou que ela seria tão amável com os outros. Na verdade, nunca imaginei estar aqui, tendo uma conversa com uma das entidades.
_ Também sentirei saudades de você, pequena. - Me apertou em seu abraço. _ Mas não se esqueça que estamos ligadas pelos mortos. - Ela parece uma mãe protetora. _ Qualquer coisa é só me chamar por eles.
Toquei o lugar em que ardia e tentei saber como era a forma da marca, sentia que tinha pontas em algumas extremidades e até mesmo um círculo. Mas o que seria isso?
_ O símbolo das relíquias e uma coroa em cima, é uma das minhas marcas que apenas a pessoa que você mais confia poderá ver. - Fiquei um pouco confusa. _ Para aqueles que você não tem nenhum segredo.
Iria falar que isso era bom, já que mesmo confiando em meus pais, não confiava os meus segredos de minha vida passada. Não queria dizer o que fiz para que pudesse ressuscitar, mesmo tendo que falar algumas partes.
Ou talvez eu nem mesmo fale, depende da ocasião... Uma pessoa abriu a porta com uma certa brutalidade, quase me fazendo entornar a caneca de chocolate.
Mas era apenas Gefina com seus cabelos azuis e com uma aparência raivosa, não era como as minhas memórias.
_ Não me diga que ficará por aqui? - Sua raiva era por isso?
_ Ela irá para a Terra, como a Destino previu. - A maioria dos Deuses estava de olho em mim?
Porém, parei de pensar nisso e vi o sorriso da mulher ficar tão grande que poderia ser uma flor de lótus. Mas o pulo que ela deu, poderia derrubar a poltrona e a mim, já que a Merfina saiu de perto quando percebeu que sua irmã estava mais energética.
Ela me abraçou tão forte que pensei que poderia quebrar alguns ossos, mesmo não tendo nada para quebrar e as fungadas em meu pescoço me dizia que ela estava sentindo meu cheiro, talvez ache isso interessante.
_ Mais uma que tem o poder dos mortos. - Revirou os olhos. _ Lhe darei uma benção ainda melhor que essa, minha pequena. - Sorriu, beijando o canto do meu olho, mas dessa vez senti um pouco de ardência.
Não era o olho que já tinha uma marca, a marca da Morte, mas parecia que ardência não iria parar e já queria passar meus dedos para tentar conter a pequena dor.
_ Que poder ela tem, irmã? Nunca vi você dando suas ampulhetas para os mortais. - Então tinha mais pessoas como eu.
_ Lhe dei três poderes, um que é nunca envelhecer e outro, que você não pode morrer.
_ E o terceiro?
_ Quando você se apaixonar pela pessoa do seu destino, a ampulheta vai ficar embaixo do olho dele, fazendo que você perceba que é ele seu futuro marido ou esposa. - Levantou-se e retirou a caneca de minha mão.
Fazendo que minha cabeça entendesse a minha hora de despedir desse mundo, dessa morte. Levantei-me e as segui para longe desse lugar, nem mesmo prestei atenção da porta abrindo e fechando.
Das pessoas que sorriam e faziam mesuras, minha cabeça estava em branco e estava apenas no piloto automático.
_ Que ano você quer ir? - Perguntou Gefina e tive que sair dos meus pensamentos melancólicos.
_ Para 1991, agosto se for possível. - Paramos em uma estação de trem e fico um pouco confusa. _ Será assim?
_ É mais confortável assim. - Deu de ombros.
_ Então, agradeço por tudo. - Abracei elas. _ Os livros...
_ Só usa a travessia do anjo. - Mas como? Ela não tinha me explicado.
_ Minhas memórias?
_ Intactas. - Não me deixou perguntar mais nada. _ Apenas sua alma que irá mudar, mais nada. - Concordei, dando alguns passos para trás.
Entro no expresso e me sento em uma cabine qualquer, olhando para elas que conversavam alguma coisa.
Encosto minha cabeça na janela e escuto o apito soar, estávamos partindo. Partindo para algum lugar... Fecho meus olhos e deixo o trem me levar para longe, longe daquele pequeno mundinho.
───※ ·❆· ※───
20 de agosto de 1991:
Pisco algumas vezes para me acostumar com a iluminação e começo a rir, não conseguia segurar minhas gargalhadas histéricas, mas como poderia segurar a minha felicidade? Isso era impossível.
E acho que se a mamãe entrasse aqui, ela poderia ver meu corpo transbordando de felicidade ou os meus olhos brilhando.
Era tão bom estar viva novamente e era tão bom respirar um ar puro sem sentir dor.
Consigo andar e correr, consigo falar e dizer palavras que nunca falei, posso escutar e sentir as coisas ao meu redor...
Posso sentir minha magia no meu corpo ressoando tão intensamente que me deixava ainda mais nostálgica e feliz, viver era tão bom, tão mágico e irreal.
Mas não seria r**m ter continuado no mundo dos mortos, mas acho que fiz uma boa decisão.
Suspirei e saio da cama, retirando meu pijama. Queria tomar pelo menos um banho para me sentir perfeitamente viva.
Entro no banheiro e ligo a torneira da banheira, vendo a água ser despejada ali. Espero a banheira encher e desligo a torneira quando enche até a metade.
Sentei-me nela e um calafrio passou pelo meu corpo, trazendo uma sensação gostosa. Mergulho na água e abro meus olhos, me fazendo ver o teto branco que tinha no banheiro.
Era bom sentir a água batendo no meu corpo, um corpo que não estava dolorido, sujo ou com hematomas da guerra dolorosa da minha vida passada.
Uma guerra que não quis, mas dessa vez quero e como quero. Quero m***r aqueles três e rir como eles riram naquele dia, só assim poderei ficar em paz com os meus demônios.
Mas eu sabia que minha felicidade estava nublando minha melancolia, mas não posso deixar isso me vencer e não posso deixar que hoje eu perca a minha oportunidade.
Porém, estou feliz demais para deixar que essas coisas possam fazer tudo voltar ao preto e branco, não quero voltar para aquele mundinho desbotado.
Vou decidir minha posição quando voltar para Hogwarts, mas provavelmente não vou mudar, serei uma aliada dele, do Lorde das Trevas e terei minha vingança em mente.
Meu pulmão aguentava mais alguns segundos debaixo d'água e isso era sensação gostosa.
_ Filha? - Mamãe?
Volto para superfície e vejo minha mãe entrar no banheiro, ela continuava exatamente como era nas minhas memórias e isso era o que me deixava ainda mais feliz.
_ Sabia que você estaria aqui. - Sentou-se no chão e peguei sua mão, a beijando.
_ Foi visitar o papai? - Suspirou. _ Eu... Mamãe?
_ Sim, querida? - Pegou o frasco de shampoo.
_ Se eu fosse das trevas, o que você iria dizer? - Olhou-me e começou a lavar meu cabelo, fecho meus olhos para não cair sabão neles.
_ Direi a mesma coisa que disse antes, irei lhe apoiar. - Sua voz parecia angelical. _ Só espero que você não fale para ninguém sobre isso ou... - Sinto seus dedos no meu couro cabeludo, mas não continuou falando.
_ Espero que continue me apoiando mamãe. - Suspirei. _ Seremos uma família feliz de novo.
_ Somos uma família feliz, Tessa. - Mesmo? _ Não é porque seu pai não está aqui, que quer dizer somos infelizes.
_ Mas você é. - Sinto-a parar e me olhar, ter treinado um pouco meu núcleo me fez bem. _ Você ainda sente falta do papai, já vi você chorando abraçada a uma fotografia dele. - Minha memória era boa quando queria.
_ Eu o amo, e amar a distância dói muito. - Bateu no meu ombro e mergulhei na água, tirando todo o shampoo.
Volto para a superfície e a olhei, sorrindo. Sentia falta dessas conversas, mas ela sempre vinha me ver quando se sentia sozinha.
_ Mamãe? - Esperou que eu falasse. _ Irei visitar o papai em um dia desses, você apoia essa decisão?
Apreciava muito as palavras de minha mãe e mesmo que ela não deixasse, era apenas a sua opinião e não uma ordem.
_ E seus amigos da luz? - Mordeu os lábios. _ Não iriam ficar meio...
_ Não me importo mais com eles, e apenas quero visitar o papai.
_ Se você já decidiu, não tem o porquê dizer não. - Sabia. _ Mas vá quando o tempo estiver quente, estava chovendo naquele lugar.
_ Sim, senhora.