capítulo dois

2829 Palavras
Dois dias: Olho para o teto de madeira e percebo que tudo que pensei ser um sonho era real, não sabia quanto tempo dormi, mas sentia meu corpo aliviado e leve. Sentei-me na cama e olho para a janela, ela continuava com uma iluminação branca e até mesmo parecia que estava no céu no qual os trouxas acreditavam. Levantei-me da cama e retiro o pijama que estava vestindo, havia encontro ele no guarda-roupa de madeira que tinha no quarto. Mas ao invés de pegar outra roupa, apenas vou até ao banheiro para tomar um banho. O meu dilema antes era tomar banho no chuveiro ou na banheira, mas sempre vai ser banheira. Jogo sais de banho e abro a torneira, fazendo um pouco de espuma em pouco tempo. Olho para o cesto de roupa suja e vejo que meu pijama já estava ali, mesmo não o colocando ali de fato. Pensando bem, quem lava minha roupa? Será que é um anjo ajudante? Não demorou muito para que a água chegasse na metade. Desligo a torneira e me sento na banheira, sentindo a água quentinha. _ Isso que é morte. - Digo apreciando a água. _ Deveria ficar aqui para sempre, aproveitando de comida boa e água quentinha. Deveria, mas não podia, ainda estava tentando saber o que escolheria e estava cansativo ficar fazendo tópicos de coisas que sentia falta da Terra e coisas que não sentia. Mergulho na banheira e fico olhando a água incolor, vendo o teto de madeira ou até mesmo colocando uma mão na superfície para sentir o ar frio que estava ao lado de fora. Alguns cachos do meu cabelo boiavam e outros afundavam, era legal de se ver. A água quente ficava morna a cada segundo, mas não me importava, apenas queria sentir meu pulmão doer pela falta de ar. Morrer não poderia, já estava morta, mas era interessante saber que algumas coisas não mudavam. Menos meu coração, ele não batia. Estava morto como meu corpo. Escuto alguém entrar no meu quarto e vir até ao banheiro. _ Acabará morrendo mais uma vez. - Meus ouvidos estranharam sua voz. Sentei-me na banheira e respiro fundo, fazendo meus pulmões se encherem de ar. _ O que faz aqui? - Digo sem vergonha nenhuma. _ Queria lhe mostrar um pouco do meu mundo para você, talvez você queira ficar nele. - Deu de ombros. _ Até agora quero ficar. - Sorri. Levantei-me da banheira e saio dela, pegando minha toalha em cima da pia, a enrolando no meu corpo. _ Desculpe, não queria atrapalhar seu banho. _ Estaria entediada nesse quarto se você não viesse. - Sentei-me na cama e começo a me secar, sem me importar com a presença dela. _ Alguns humanos sentem vergonha quando estão sendo observados. - Disse indo até a janela, tentando me dar um pouco de privacidade. Coloco o sutiã e a calcinha e, depois enrolo a toalha no meu cabelo. Coloco o short e a blusa e estava quase pronta. Só faltava escovar os dentes e pentear o cabelo. _ O dia está muito bonito lá fora. - Disse com as bochechas coradas. _ Me perdoe, mas não sou tão intima de uma mortal há bastante tempo. _ Não ligue para isso, já estou pronta. - Falo com a escova na boca e o pente no cabelo. Termino de escovar os dentes e coloco o pente no lugar, olho para minha cama e a deixo bagunçada, vou dormir nela novamente. _ Não precisa usar sapato, o chão no lado de fora é fofo. - Olho para seu pé e realmente não tinha sapato. Saio do quarto e ela me segue, mas a deixo ir à frente já que não conhecia o lugar tão bem quanto ela. A mulher percebeu minha postura e continuou seguindo o nosso possível caminho, me fazendo ver como era lindo aquele mundo quando saímos do lugar que estávamos. Tinha um trem ao longe, apitando e saindo fumaça, tinha crianças correndo e pessoas dando mesuras para a Morte. Mas não fiquei parada admirando esse lugar ou pessoas, já que a Merfina me puxou para que fôssemos a uma praça. Tinha a sensação de que não queria sair daqui nunca mais, talvez fosse pelo chão quente e macio. Era tão aconchegante. Sentei-me em um banco e fico vendo as crianças brincarem de um lado para o outro. _ Aqui chamamos de reclusão pós-vida. - Parecia gostar desse lugar. _ Aqui só tem pessoas que estão indecisas sobre reencarnar ou ir para o lugar onde os trouxas chamam de céu. _ Então meus pais não estão aqui. - Concordou. _ E aquele homem? _ Tom está na reabilitação de alma, como ele dividiu a alma sete vezes, tivemos que reintegrar a alma dele para que ele fosse capaz de entrar no inferno ou céu. _ Se eu escolher voltar para o mundo mortal, o que vai acontecer com essa alma? _ Nada, só fazemos isso para que ele não fique em dois lugares ao mesmo tempo. Tom fez muita coisa errada, mas também muitas coisas boas. _ Por exemplo? _ Ele doou toda a herança da família Slytherin para uma fundação de caridade e o restante que sobrou em seu bolso, deu para um orfanato. - Olho para ela chocada, não parecia o homem que tentou m***r um bebê. _ Não faz muito sentido... _ Na guerra vale tudo, Tessa, até mesmo assassinar um bebê de meses. - Não estava errada. _ Quando você for para a Terra e ver como era a vida das pessoas das trevas, você irá concordar comigo. _ E como é a vida deles? - Respirou fundo, seus lábios estavam mais vermelhos do que antes. _ Você, quando seguia a luz, podia falar abertamente para todos que partilhava a ideologia deles. Mas para as trevas não tinha essa possibilidade, era prisão ou morte. _ Porque todos acham que ela é apenas escuridão e sofrimento. - Entendia isso. _ Mas é isso que eles passam, parece que só podemos seguir um caminho estando naquele lado. _ É diferente, as trevas é como concordar que não existe só magia branca e cinza, que todas as magias podem machucar, se assim desejar. - Ela se levantou do banco e me olhou. _ Venha, deixa-me te mostrar a biblioteca do pesadelo. _ Por que pesadelo? _ Porque quando você entra lá, todas as verdades que você pensa acreditar se tornam mentiras. A segui, passando por algumas árvores que ao invés de folhas, tinham nuvens. Alguns caminhavam com suas famílias e outros estavam pensativos, andando sozinhos por aí. Cada um tinha um monstro que os impedia de progredir e eu tinha o monstro da dúvida, da desconfiança. Tinha medo de confiar mais uma vez em um lado que poderia me m***r. Estava com medo. Respiro fundo tentando dissipar todos os meus pensamentos contraditórios e depressivos. Vejo que a biblioteca parecia uma casa de chá e... _ É porque eles fazem chá. - Abriu a porta e um sininho tocou, fazendo que um homem de estatura baixa com bigode cinza, corresse até nós. _ Luigi. _ Merfina, que maravilha lhe encontrar de novo. - Observou-me. _ Tem tempo que não vem aqui. - Mostrou um canto da biblioteca que continha sofás e poltronas. _ O que desejam? _ Quero um chá de hortelã. - Sentamo-nos. _ Chá de camomila. - Olharam-me. _ O que foi? _ Só uma pessoa pediu chá de camomila em toda a história dessa biblioteca. - Sorriu e se foi. _ Quem? - Estava curiosa. _ Um dia você vai conhecê-lo e espero que você saiba fazer chá de camomila. - Não parecia estar zombando. _ Já que estamos aqui, vou pegar alguns livros para você se aprofundar na nossa última conversa, já volto. - Levantou-se e desapareceu da minha frente. Olho para o sofá e deslizo meus dedos em um "TR", sorrindo pelo pequeno ato de vandalismo. Olho para os lados e pego a tesoura da mesa de centro, fazendo um "TL" embaixo da sigla da pessoa. Coloco a tesoura no lugar e vejo como ficou a minha sigla. Até que ficou bom. _ O que estava fazendo? - Levo um susto e coloco a mão no coração, e depois de alguns segundos percebo que meu coração não iria pular. _ Estava olhando para a biblioteca, enquanto você e o senhor não vinham. _ Entendo. - Fez a mesinha de centro virar uma mesa. _ Aqui, peguei alguns livros e esses são maravilhosos. O Livro dos Mortos vol.3 O Enigma das Trevas A Segunda Chance _ Ah, sem querer peguei esse. - Pegou o livro "Segunda Chance". _ É que gostei muito dele e se quiser ler... - Pego o livro de sua mão e o coloco no lado dos outros. Invocação das Sombras Invocação dos Mortos Extração de Sombras Reanimação _ Poderia me dizer o que significa isso tudo? _ Quando você se decidir, você entenderá. - Estava misteriosa. _ Mas até lá, leia esses livros, eles lhe darão mais conhecimento do meu mundo e sobre suas dúvidas. Pego o primeiro livro na pilha e era o livro dos mortos. Falava sobre como os mortos iam para o véu e era conectado com o mundo dos humanos. Nada muito explicativo, mas muito didático se for comparado com os meus livros da escola. Continuo lendo e uma página me chamou atenção, era como extraia a alma das pessoas mortas. Abro o livro de extração de sombra e vejo que era exatamente igual, só mudava a palavra. _ Esse feitiço... - Coloco o livro de extração de alma na mesa. _ Não é um feitiço. - Disse séria. _ Então o que é? - Estava animada. _ Aqui fala que a extração da sombra pode ajudar a recuperar danos, mas não explica que danos. Também diz que a extração de alma pode servir como alimento, ou guerreiros em uma possível guerra, mas como? _ Vejo que está interessada. - Pegou a tesoura e sorriu. _ Essa não é uma simples tesoura, ela pode abrir o véu. Usei uma tesoura que tinha o poder de abrir o véu? Sou i****a? Mas até que minhas iniciais ficaram boas. _ E para que queremos abrir o véu? _ Para você ver como funciona essa "ação"... - Tentou reformular a frase. _ Isso que você leu não é um feitiço, é mais como se fosse uma inovação, uma ação de seus pensamentos. E para você entender isso melhor, é melhor testar, não acha? _ Claro, vamos lá. - Pego os livros que estavam na mesa e espero a mulher falar com o dono da biblioteca. _ Iremos voltar? _ Sim, precisamos beber nosso chá. - Sorriu, cortando o ar com a tesoura. O corte esbranquiçado saia vozes de sofrimento e de misericórdia, até mesmo alguns sussurros com o meu nome. Ela não me deu tempo para perguntar o que estava acontecendo, apenas passou pelo véu, fazendo que a seguisse. No véu existia duas paredes grandes com uma cor estranha, parecia fumaça e no final desse corredor estreito tinha uma porta. Não demorou muito para que a porta mudasse de posição e parasse em nossa frente, aberta, como se estivesse nos convidando a entrar. Gritos e mais gritos saiam de todo esse lugar, mas o vento frio que passava por mim, era estranho. Merfina pegou no meu pulso e passamos pela porta. Estávamos em uma sala completamente branca e não tinha nada nela, nem mesmo um grão de poeira. Coloco os livros no chão e olho para Merfina que sorria. _ Aqui está cheio de almas. - Não tinha ninguém. _ Quando você começar aperfeiçoar seu núcleo, poderá sentir pessoas mortas e vivas, e se sentirá mais viva. _ Não crie conclusões precipitadas, ainda estou pensando na possibilidade de ficar aqui. - Apenas riu ainda mais. _ Qual é a graça? _ Ah, me perdoe, é que uma alma está fazendo careta bem ao seu lado. - Disse se recompondo. _ Você me perguntou sobre a recuperação de danos. - Concordo. _ Quando você come uma alma ou se apaixona, você pode se recuperar dos seus danos. _ Qualquer dano? _ Sim, seja de faca ou feitiço. - Deu de ombros. _ Mas as almas servem como alimen... _ Tem gosto de alguma coisa? _ Tem gosto de chocolate, mas se ficar muito tempo no seu corpo, poderá lhe fazer m*l. - Iria perguntar algo, mas ela já estava respondendo. _ Começa com uma tremedeira na mão e depois pode levar a morte. _ E para não acontecer isso? _ Você precisa destroçá-las dentro de si e elas irão virar ** de alma. Quando as quiser novamente, é só focar nesse ** e eles irão virar almas de novo. _ E o guerreiro? _ São receptáculos de alma. - Alongou-se. _ Irei lhe explicar melhor. - Ficou a minha frente. _ Para invocar, você precisa saber o que está em sua volta, mas para isso você precisa se sentar no chão em posição de lótus. - Faço o que ela pediu. _ Agora você vai respirar fundo e fechar os olhos, tentando canalizar tudo que estiver em sua volta. Fecho os olhos e me concentro na minha respiração, mas depois de alguns minutos começo a ver algumas flutuações em minha volta. _ Parabéns, você conseguiu enxergar as almas. - Bateu palminhas. _ Agora você precisa vê-las por inteiro. - Fico confusa. _ As almas, elas têm formas, cores, cheiros. Você precisa tentar vê-las de outro ângulo. Tento fazer o que ela pediu e continuo meditando, tentando de todos os modos enxergar as almas. Depois de algumas horas consigo ver duas almas que faziam careta atrás de Merfina. _ Eu... - Estava suando. _ Consegui. _ Parabéns, agora levante e irei te ensinar a como fazer um receptáculo. - Me levanto do chão vou até ela, que segurava uma adaga. _ Onde você tirou uma adaga? _ Acabei de fazer uma. - Sorriu. _ Você vai pegar essa adaga e vai cortar sua mão, depois que o sangue cair no chão, você irá dizer: ergam-se. - Tinha tantas regras. _ Os receptáculos serão do seu sangue e qualquer dano que eles sofrerem, você sentirá o impacto. _ Tem outros tipos de receptáculos? - Não queria sentir dor. _ Cadáveres, você pode guardá-los nas sombras dos mortos, e se eles sofrerem um impacto, você não sentirá. _ Sombras dos mortos? O que é isso? - Era cada nome estranho. _ Quando uma pessoa morre, ela deixa a alma, o corpo e a sombra. Você pode pegar essa sombra e transformá-la em uma f***a do d***o. - Era tão confuso. _ f***a do d***o é como uma caixa e você pode guardar tudo nela. _ Como morri, posso ter essa f***a do d***o? - Isso seria interessante. _ Sim, você pode guardar livros ou outras coisas. - Isso já ajudava. _ Também tem a travessia do anjo, que é um portal entre os dois mundos. Mortal e não mortal. _ E tenho isso? _ Só terá se receber um poder dos mortos. - Ponderou a respeito. _ Ela permite visitar, trazer ou levar coisas para os dois mundos. Corto a minha mão e digo a palavra, mas nada saiu. _ Precisa ser uma entonação de comando, você precisa sentir que está mandando alguém fazer algo. _ Ergam-se! - Digo severa e um cavaleiro com armadura e uma espada vermelha, se ajoelhou perante a mim. _ As ordens. - Tinha uma voz rouca e sem vida. _ Agora você invocará uma alma para esse cavaleiro. - Por quê? Se ele já falava, isso não quer dizer que ele já é consciente? _ Ele será morto sem uma alma, olhe. - Chutou o cavaleiro devagar e ele virou uma poça de sangue. _ Viu? _ Ergam-se! - Virou novamente um cavaleiro. _ As ordens. - Ficou ajoelhado. _ Agora diga: me obedeça. Olho para as almas que estavam fazendo caretas e digo ainda mais confiante. _ Me obedeça! - Uma das almas virou uma bolinha com uma chama verde envolta e entrou no receptáculo. _ AS ORDENS. - Disse o cavaleiro com uma voz estridente. Merfina foi até ao cavaleiro e tentou chutá-lo, mas ele pegou seu pé e a jogou do outro lado da sala. _ Uau. - Vejo ela se levantar sem nenhum arranhão. _ Bom, já te mostrei tudo que podia, agora pegue os livros e vamos beber nosso chá. Corro até meus livros, os pegando e ela abre a porta, fazendo que dessa vez não passássemos naquele lugar inóspitos. Saímos do véu sem problemas e coloco os livros em cima da mesa, _ Foram tão rápidas. - Disse Luigi. _ Aqui está. - Trouxe uma bandeja contendo duas xícaras de chá. Aquele dia foi completado por leitura, pensamentos de ida para a Terra ou de ficar naquele lugar. Mas meu olhar sempre ia naquela sigla, como se ela estivesse me chamando.
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