Sofia Narrando Saí do presídio com os olhos ardendo, como sempre acontece. Não adianta, toda vez que deixo o Iran ali dentro meu peito aperta, minha visão embaça, e o mundo parece mais pesado. Mesmo sendo advogada, tendo meus privilégios, podendo andar por aquelas bandas com mais liberdade que muita gente, ainda dói. É como se, toda visita, parte de mim ficasse lá trancada com ele. Engoli o choro, respirei fundo, ajustei os óculos escuros no rosto e segui em direção ao carro. A brisa quente da rua bateu no meu rosto, mas não refrescou a cabeça fervendo com os pensamentos. Entrei no carro, bati a porta com força, girei a chave e o motor roncou. Era hora de seguir. Dirigi com calma no começo, tentando organizar as ideias, pensando em tudo que eu precisava fazer ainda naquele dia. Mas foi

