CAPÍTULO 19

3064 Palavras
Eu estava com medo depois que Ana me disse sobre Christian ter feito um exame de DNA de Ava. Droga meu mundo poderia desmoronar a qualquer momento e eu não estava preparada para isso. Eu sofre muito pelo desprezo dele naquela festa, nunca imaginei que ele poderia ser um homem tão cafajeste. Marcar comigo e depois está com outra. Ele não poderia ter feito isso comigo. Descobri minha gravidez e me sentir m*l, pois eu havia me envolvido uma só vez com ele e estava grávida. Eu não sabia nada dele, assim como ele não sabia nada de mim. Então deixei que isso fosse apagado na minha vida. Seguir em frente com a ajuda dos meus pais que em nenhum momento me criticaram. Me formei em Marketing, conheci Ana. Essa sim foi tudo para mim. Foi uma irmã em todos os quesitos, e quando Ava nasceu escolhi Ana para ser a madrinha dela. Sabia que minha amiga daria a vida dela pela minha filha. Ava sempre foi um amor de criança. Cuidada, educada, feliz, porém a cada dia que passa vejo seus olhos uma tristeza que sabia o que era. A falta de um pai, ela desde os três anos me cobrava pelo pai e eu nunca quis falar. Ela não tem pai, ele não merece ser chamado de pai. Eu desviava a conversa, tentava dizer para ela que ela não precisava de um pai. Eu estava ali sempre para ela. Eu sabia que minhas tentativas de preencher esse vazio que ela sentia não estava dando em nada, pelo contrário, ela queria mais que isso. Talvez se ela soubesse a verdade, ela não me cobraria tanto. Ana também sempre me dizia para eu procurar Elliot. Ele tinha o direito de saber na visão dela, mas não minha não. Elliot não tinha o direito de nada, ele só fez Ava e mais nada. Eu era a mãe, o pai e isso bastava para mim. Os anos se passaram e minha vida andava a mesma. Ava já com seus seis anos, ainda tinha a tristeza no olhar. Eu tentava de todas as formas tirar essa tristeza dela, mas é inevitável. Ainda mais quando se tem coleguinhas que falam muito dos pais. Falam como foi o final de semana com o pai no parque, no cinema, em tudo que é programa, que para minha filha não adiantava eu fazer com ela. Eu não estava mais aguentando a pressão dela sobre o pai, mas também não queira contar a verdade e muito menos queria ir procurá-lo. Eu preferiria arrumar um namorado para fazer de pai para Ava do que procurar o verdadeiro pai. Ele não merece a filha que tem. Ela não merece um pai igual a ele. Fico pensando que é capaz dele rejeitá-la assim que souber. Eu não vou correr esse risco mesmo com os avisos de Ana, que isso mais cedo ou mais tarde pode acontecer e quem vai sofrer é Ava. Ana estava muito m*l com o divórcio, então eu não queria deixá-la sozinha. Ainda mais agora que ela estava grávida e teria um filho daquele desumano. Sei o que ela está passando, somos duas mulheres que se envolveram com os homens errados. Viemos passar o final de semana na fazenda dela. Eu queria que ela morasse comigo, pois assim como ela me ajudou, eu a ajudaria. Porém ela não quis, ela disse que viveria na fazenda com seu filho. Eu estaria aqui todo final de semana por ela. Sei que ela vai se fazer de forte como sempre, mas eu não vou deixá-la. Somos mais que amigas, somos irmãs e tudo que eu puder fazer por ela, farei. A campainha toca e Ava corre para atender. Ana está deitada em seu quarto. Ela não quis sair dele até agora e eu já havia ligado para José para vir para cá a noite. Jack ainda estava em Paris, e José veio passar uns dias aqui em Portland com sua família, mas logo estaria indo embora de novo. Mas eu e José tentaria animar a nossa amiga. Ava está demorando. Saio da cozinha e vou ver o que está acontecendo. - Ava meu amor, quem é? Falo e olho para meu passado. Fico sem fala, meu rosto queima ao vê-lo ali, e ele parece me reconhecer. - Merda, eu não acredito. Elliot diz e ele olha para Ava e para mim. Sua cara já demonstra que ligou os fatos. - Está tudo bem Elliot? Christian pede. - Porque você não me disse? Elliot pede passando as mãos na cabeça. - O que vocês querem? Indago querendo que ambos vá embora. - Não, não mesmo, você não vai fugir da minha pergunta. Elliot diz exaltado assustando minha filha. - Mamãe o que está acontecendo? Ava pede olhando para mim. Eu não tenho resposta e nem sei como sairei dessa. - Ava, você pode me levar até a sua tia Ana? Christian pede e Ava sorrir. Elliot não tira seus olhos de mim. - Sim tio Chris. Ava fala e os dois passam por mim. - Então, eu mereço uma explicação aqui não? Elliot indaga e eu não quero explicar nada. - Não tenho nada para falar com você. Digo entrando. - Não? Depois de tanto tempo você não tem nada para falar comigo? Nem sobre ter ficado grávida e nunca ter me procurado para dizer que eu iria ser pai? - Porque eu faria isso? Ficamos sem compromisso. Eu não sabia nada de você, assim como você não sabia de mim. - Certo, mas acredito que Ana te contou do exame de DNA que deu positivo, e mesmo assim você não se dignou a me procurar nesses três anos? - Eu não tinha o porque te procurar. Falo e ele me olha com raiva. - Ela sabe de mim? Ele pede e eu abaixei a cabeça. - Eu não acredito Katherine. Não acredito que você me escondeu ela esse tempo todo, e ainda para ela também. Você não tinha esse direito. Ele grita. - Não tinha o direito? Eu sou mãe dela, quem decidi o que é certo ou errado para ela sou eu. - Então eu que sou o pai, e sou errado para ela? Sou uma pessoa horrível para conviver com ela? Ele pede e eu não quero saber se ele é ou não o pai dela. - Elliot isso não vem ao caso. Ava não precisa de você. Eu sou o suficiente para ela. Eu cuidei dela esses seis anos sem me importar com nada. Nunca precisei de você para nada, então não venha cobrar algo que cabe a você. - Não cabe a mim? Assim que você quer tratar? Ótimo, vou tratar igual a você. Se eu sair daqui agora, não peraí, Se eu pegar meu celular agora é ligar para meu advogado e dizer que você teve uma filha minha e me escondeu durante seis anos, e requerer a paternidade dela e ainda requerer a guarda dela, isso vai vir ao caso? Ele pede eu fico nervosa com a possibilidade dele tirá-la de mim. - Você não pode fazer isso. Falo firme já chorando. - Não posso? E esconder ela de mim por seis anos você pôde? Me esconder dela também você pôde? Eu não quero saber de mais nada. Então escuta bem o que eu vou lhe dizer. Te dou até amanhã para você contar a ela, porque se não eu mesmo estarei aqui amanhã a tarde para fazê-lo. - Você não tem esse direito. Grito. - Vamos ver se eu não tenho direito. Ele fala mais com raiva ainda. Meu recado está dado, até amanhã, nem um dia a mais e nem um dia a menos. Eu quero e vou fazer parte da vida dela. E se for preciso eu entrarei na justiça para fazer valer meus direitos de pai. Choro mais. Ele não tem esse direito, Ava é minha filha, só minha. Há não tente brigar comigo na justiça, você sairá perdendo. Ele fala e vai embora batendo a porta. Meu mundo está desmoronando. Ele não tem direito de me exigir nada. Ava é minha filha, e ele não pode querer agora dar um de pai. Subo e passo pelo quarto da minha menina. Ela está entretida com algo no computador. Acho ótimo, pois não queria que ela me visse desse jeito. Vou para o quarto de Ana e entro em desespero mais ainda. Me deito em sua cama e ela não diz nada. Só passa as mãos em meus cabelos para tentar me acalmar. O que eu vou fazer? Sei que era tudo que Ava queria, mas eu não quero a aproximação de Elliot. Me acalmo depois de alguns minutos e me sento na cama. Ana me olha e limpa meus olhos. Minhas lágrimas insistem em sair ao lembrar que perderei meu único bem precioso. Ava é tudo para mim e eu faria qualquer coisa para ela. - Quer desabafar agora? Ana pede e eu sorrio fraco. - Ele quer tirar ela de mim Ana. Falo chorando em desespero. - Shiiii... Calma Kate. Não acredito que Elliot faça isso. Ele me pareceu o mais sensato daquela família. - Ele disse que se eu não contar a ela até amanhã, ele fará isso. Eu não posso deixar ele tirar ela de mim Ana. Não mesmo, ela é minha. - É dele também Kate. Olha eu te disse que isso iria acontecer, era só questão de tempo ainda mais com a aproximação de Christian por causa do nosso filho, então eu acho que é melhor você contar a Ava logo. Ela vai adorar saber que tem um pai, não prive ela mais disso. Eu não falo nem por Elliot, mas sim por ela. - E se ele quiser tirá-la de mim? O que vai ser de mim Ana? Digo chorando mais. - Ele só vai tomar uma decisão dessa se você continuar privando o mesmo de ter contato com Ava. Kate pensa bem, ele é o pai dela, já tem seis anos que você guarda isso para você, tem seis anos que você os priva de viver como pai e filha. Não adianta mais, não trave uma briga com ele por causa disso. Quem será mais machucada aqui é Ava e não vocês dois. Ana fala e eu enxugo meus olhos com as costas das mãos. - Será mesmo? Será que ele vai ser sensato para não afastá-la de mim? - Ava te ama Kate, e ela nunca vai querer se afastar de você. Só que contando a ela, já te digo que ela vai querer ficar mais com o pai. Ela vai ficar deslumbrada, vai querer apresentar as coleguinhas da escola, vai querer fazer programas de pai e filha. Então tenha a mente aberta para isso. Eu deito a cabeça no colo dela e sorrio. Ela é uma irmã e tanto. - Obrigada! Obrigada por estar aqui sempre por mim. - Não precisa agradecer. Sei que você também está aqui por mim. Ana diz e novamente sorrio. - E sua conversa com Christian? Como foi? - Ele veio me pedir perdão, quer fazer parte da vida do nosso filho. - E você vai deixar né? - Nunca privaria ele disso Kate. Só não quero ele nas consultas do pré natal, não quero ele perto de mim em nenhum momento. Ela fala e eu me levanto para olhá-la. - Você não acha que está sendo c***l com ele? Amiga, sei que não sou a melhor pessoa para te julgar. Mas já que você está concordando que ele tenha contato com filho de vocês, não tem o porque você priva-lo das consultas. - Eu sei que não estou sendo legal, mas eu não quero perto de mim Kate. Ela fala se levantando. - Ana eu acho que Christian não vai desistir. Ele venho determinado pelo que vi, e outra não adianta você querer não ter contado com ele, vocês terão um filho, esse contato é para sempre. - Não se eu puder evitar. Olha eu não quero falar dele, não quero pensar nele. Não estou preparada para nada em relação a ele. - E se ele aparecer nas consultas? Peço cruzando os braços. - Não vai entrar na sala comigo. Ele que se contente com que eu já vou fazer por ele. Eu poderia muito bem não ter dito nada sobre a gravidez, poderia ter sumido no mundo sem ele saber de nada, mas não, para o bem do nosso filho achei melhor contar. A relação deles para mim será sempre preservada independente da nossa relação. - Entendo. Eu vou te apoiar em tudo que você decidir. Eu falo e ela sorrir para mim. Já era noite quando eu tomei coragem para conversar com Ava. Ela havia jantado e ido escovar os dentes. José não pôde vir, pois seus irmãos estavam lá e ele queria passar mais tempo com eles. Subir para seu quarto e me sentei na sua cama esperando a mesma sair do banheiro. Não demorou muito, ela estava lá olhando para mim com seu sorriso e seus olhos verdes. - O que foi mamãe? Veio me dar boa noite? Ela pede e eu a chamo para ela se sentar na cama comigo. Ela vem correndo e se joga em meus braços. - Minha princesa eu te amo tanto. Eu preciso falar com você sobre seu pai. Vejo os olhos dela brilhando. Sei que é um assunto que você queria a muito tempo que a gente conversasse. E quero também que você me entenda que tudo que fiz foi pensando em você. Por medo de te perder. Falo já chorosa. - Mamãe você nunca vai me perder. Eu vou ser sua princesa sempre. Ava fala com seu jeitinho doce e meigo. - Fico feliz em ouvir isso de você minha princesa. Suspiro. Seu pai apareceu, na verdade ele apareceu tem três anos e eu não tive coragem de procurá-lo por medo dele tirar você de mim. - Eu posso conhecê-lo mamãe? Ela pede já animada. - Sim. Amanhã ele virá aqui para conhecer você. Ela bate palmas toda feliz. Seus olhos brilham como estrelas. - Aí mamãe, eu quero conhecê-lo agora. Sempre esperei por isso. Sempre vi minhas amiguinhas com seus papais e eu ficava triste por só eu não ter um papai. - Mas agora você tem e ele está querendo te conhecer. Falo e ela sorrir mais ainda. - Vamos poder fazer programas de pai e filha? Ela pede. - Sim meu amor. Vocês poderão fazer todos os programas de pai e filha. - Como ele se chama mãe? Suspiro e olha para ela. - Seu pai se chama Elliot. Ele é irmão do tio Christian. Digo e ela se levanta do meu colo. Ela não diz nada e eu tenho medo. Meu coração acelera. - Mamãe se meu papai é o irmão do tio Chris, o bebê da tia Ana será meu priminho? Ela me questiona e sorrio voltando a respirar. - Sim linda. O bebê da tia Ana será seu priminho. Falo e ela pula na cama falando que agora ela tem um priminho e um papai. Fico feliz que ela aceitou bem. Por um momento achei que ela iria me rejeitar, me dizer que não me ama mais. Mas ela como sempre é um amor. Sempre compreensiva. Ela fala como será bom conhecer o pai. Custou a dormir de tanta felicidade e ansiedade para amanhã. O dia amanheceu chuvoso em Portland. Ana saiu para caminhar, mesmo com a chuva. Ela havia dito que quer dar privacidade a Ava, Elliot e eu. Esse momento é só nosso. Ava estava no seu quarto procurando uma roupa bonita para se apresentar ao pai. Ela não parava de dizer que tinha medo que ele não gostasse dela. Eu a tranquilizei dizendo que isso era impossível, já que ela era a menina mais linda do mundo. Ela sorriu. A campainha toca e eu sei que é ele. Abro o porta e ele me olha e entra. - Espero que você já tenha contado a ela. Ele fala sério. - Sim. Eu vou buscá-la. Só peço para você ser gentil com ela. Ela está com medo de você não gostar dela. Falo e ele não diz nada. Me viro e vou para escada. Subo a mesma e vou para o quarto dela. Ava está vestida com um vestido lilás rodado. Seus cabelos louros estão soltos e ela está sentada em sua cama olhando para seus dedos. - Amor. A chamo. Ela me olha. Ele chegou. Ela sorrir fraco e me olha meio triste. O que foi Ava? Você estava toda empolgada e agora está triste. O que foi? - Estou com medo dele não gostar de mim mamãe. Estou com medo de não ser a filha que ele queria. Ela diz quase chorando. - Isso não vai acontecer meu amor. Ele quer te conhecer. E outra mamãe sempre estará por perto. Mamãe sempre estará aqui por você e para você. Então vai lá e conheça ele como você sempre quis. Digo e ela sorrir ainda fraco. Vamos mamãe vai com você. Digo e ela me olha. - Eu estou bonita? Ela pede se levantando, eu sorrio. - Você está linda e é muito bonita. Falo. Vamos? Ela assentiu. Descemos e ela ainda estava com vergonha, com medo. E assim que chegamos na sala ela viu Elliot, ela foi para trás de mim. Olhei para Elliot e fiz sinal com a boca para ele dizer algo a ela. - Ava? Elliot a chamou. Ela não saiu de trás de mim. Ava querida, podemos conversar? Elliot continua. Ela coloca a cabeça para fora e olha para ele. Eu quero te conhecer. Elliot diz fazendo minha filha abrir um pequeno sorriso. Porque você não senta aqui e me conta um pouco sobre você. Ele pede e ela vai toda tímida depois de soltar a minha mão. Ela olha para trás e me olha assinto e ela se senta olhando para baixo. - Amor, mamãe vai está na cozinha. Qualquer coisa pode me chamar. Digo e vou para cozinha deixando eles conversando. Espero que ela se sinta à vontade com ele. Espero que ele saiba conversar com ela, e tenha todo cuidado com a mesma. Sei que não será fácil para ambos construir uma relação de pai e filha agora, mas não quero que Ava saia magoada.
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