CAPÍTULO 18

2281 Palavras
" Oi querida, não vou perguntar para você como está hoje, porque se você está lendo essa carta, é porque o casamento com Christian não deu certo. Sinto muito, tinha esperança que vocês dessem certo, tinha esperança que crescesse um sentimento mútuo de amor. Quando eu e Carrick fizermos o acordo, ele já havia me falado das suspeitas de seus filhos em relação a você. Ele quis esclarecer com seus filhos, mas eu o impedi. Eu queria que Christian te conhecesse, visse que você é uma pessoa excelente, uma pessoa madura para sua idade. Queria que ele tirasse suas conclusões ao te ver, ao te conhecer, mas não acertei fazendo isso, pois o que eu temia aconteceu. Você se separou e acredito que esteja sofrendo tanto quanto Christian. Ana tenha fé e paciência. As pessoas erram querendo acertar, às vezes será difícil entendê-las, mas depois nosso coração se abre e tudo fica mais fácil. Não perdoe com a mente, mas sim com o coração. Liberte-se primeiro de toda mágoa e ressentimento para depois perdoar e se permitir ser feliz. Siga em frente, mesmo que seja difícil entender tudo agora, levante a cabeça e siga em frente. Permita ver as coisas de um outro ângulo. Não se limite viver cheia de mágoas, pois por mais que não deu certo, sei que você mudou a vida dele, mudou algo dentro dele, e com o tempo vai perceber que algo mudou dentro de você também. Querida sei que não deve ter sido fácil esses três anos. Sei que você tentou, e não só pela fazenda, porque sei que você ama esse lugar, mas também por que você sentiu necessidade de ajudar a trazer um homem a vida, a ver a luz que ele havia deixado de enxergar a muito tempo. E tenho certeza que ele pode não ter enxergado no começo como você é, porém enxergou depois e todos seus erros cometidos foi por ele ter visto uma Ana diferente do qual desenharam para ele. Não estou aqui defendendo ele, só quero que você entenda que não deve ter sido fácil para ele também. Quero que você veja que ambos erraram e vai errar mais, porém tudo será esquecido quando ambos deixarem o amor em seus corações falarem mais alto. Dê tempo ao tempo minha vida. Seja feliz, abra seu coração e afaste tudo de r**m que possa fazer você infeliz. Sempre admirei sua coragem e sua determinação para as coisas. Quando sua mãe morreu, você se fortaleceu e cuidou de mim, não foi eu que cuidei de você com três anos de idade, mas sim você que cuidou de mim. E eu não queria que você continuasse a cuidar de você sozinha, queria que você tivesse alguma para você e por você. Achei que esse alguém seria Christian com todo seus defeitos, e ainda continuo achando, mesmo que você esteja hoje chateada com ele. O tempo será o melhor amigo para ambos. Christian crescerá com o tempo, amadurecerá e você o olhará diferente. Tenha calma e paciência. Não busque o impossível, tenha sempre em mente que as falhas são para crescimento e desenvolvimento da mente e do coração. Pense bem nisso. Eu te amo meu amor. Sempre estarei com você, nunca se esqueça disso. Há e volte a sorrir, nada na vida merece que seu sorriso morrar. Fique bem minha vida". Do seu pai que te ama muito. Lágrimas escorrem pelo meus olhos, nunca imaginei que papai tinha deixado uma carta para mim. Eu o amo tanto, mesmo que ele não esteja mais comigo. Sinto tanto a falta dele, acredito que tudo seria mais fácil se ele estivesse comigo agora. Como dói a falta dele, como dói tudo que estou vivendo. Limpo minhas lágrimas que insistem em cair. Me deito abraçando a carta dele, como se fosse ele aqui me consolando por tudo que passei e estou passando. Por tudo que sentir e estou sentindo. Choro mais, choro pela angústia que estou vivendo e por saber que acabou que a oportunidade de mudar a mente dele sobre mim. Havia recebido também uma carta de Carrick, porém essa eu ainda não tive coragem de ler. Deixei para quando estivesse bem o suficiente para saber o conteúdo dela. Depois do divórcio eu fiquei trancada por uma semana no apto de Kate. Eu sei que não devia ficar m*l, mas eu estava. Eu tinha uma vida crescendo dentro de mim, e acabara de me separar do pai dele. Eu deveria ter pensado que nossa única noite juntos resultaria em um bebê. Porém estava tão chateada, estava tão irritada comigo mesma por permitir que ele me tocasse para depois me humilhar, que não pensei nas consequência. Me lembro do dia do divórcio. Vi em seus olhos o pedido para não fazer acontecer, mas eu já estava determinada. Eu não queria passar nem mais um dia casada com um homem que me via como uma vagabunda. Um homem que quis fazer da minha vida um inferno durante três anos, e mesmo com tudo que ele havia feito, eu quis me entregar, deixei rolar, com a esperança que ele visse a mentira que contaram a ele. Esperança que a nossa relação mudasse, e juro que em nenhum momento pensei na p***a do divórcio que estava se aproximando. Mas o homem a qual me entreguei se tornou cego, além de um homem amargurado e desconfiado, portanto não quis continuar com nada. Nossa relação havia começado errado, e estava mais que na hora de pôr um fim nisso,mesmo que meu coração pedisse outra coisa. Quando soube que estava grávida, chorei muito. Como disse antes, não pensei nas consequências, estava muito chateada para pensar. Agora eu estaria ligada a ele para sempre, coisa que não queria. Esperava nunca mais vê-lo, e agora teria que vê-lo com frequência, teremos um assunto em comum para conversar para o resto da vida. Já havia se passado um mês e minha rotina voltou. Estava na fazenda cuidado de tudo. Ainda não pensei se montarei a minha galeria aqui ou em Seattle. Na verdade não queria mudar. Quero mesmo criar meu filho aqui. Eu havia ido à consulta médica aqui em Portland, mesmo começando o pré natal em Seattle, eu já havia conversado com a médica sobre fazer o pré natal na minha cidade. Meu bebê de três meses estava lindo, ainda não sabia o que era, mas eu já estava apaixonada por ele ou ela sem saber. Seria minha paixão eterna. Estava deitada na cama lendo um livro, quando ouvir uma batida na porta. Pedir que entrasse. Não me dei conta de quem era, pois não disse nada, mas a hora que tirei meus olhos do livro, ele estava na porta me olhando com um olhar que não soube decifrar. Eu não queria vê-lo, e nem falar com ele. Suspirei. - O que faz aqui? Peço já me levantando. - Desculpe, quero conversar com você. Acredito que precisamos conversar. Ele diz calmo. - Eu não preciso conversar com você. Falo, porque não precisamos conversar sobre nada. - Mas eu preciso. Suspira. Como você e o nosso bebê está? Sorrio de canto com sua pergunta, pois esse bebê não é dele. Não nasceu para ele ter direito. - Eu estou ótima, e meu bebê também. Agora se é isso que você gostaria de saber, por ir embora. Digo olhando para a janela. - Eu vim te pedir perdão. Eu fui um t**o, um i****a. Não acreditei em você, eu não tenho maneiras para consertar meu erro. Ele me fala e tenho convicção que o mesmo teve certeza pela carta do seu pai. - Você chegou a conclusão da verdade pela carta do seu pai? Ele fica intrigado. - Como você sabe? Ele pede. - Eu recebi duas cartas. Uma do meu pai e uma do seu pai. Mas não interessa isso. Respondi a minha pergunta. - Constatei dias depois da nossa noite, mas confesso que a carta do meu pai me fez ver muitas coisas que eu não via. Eu estou mais que arrependido. Eu ao invés de te agradecer por ter me dado a vida novamente, eu te ataquei. Eu fui o pior dos homens. Eu peço que me perdoe, que me deixe consertar a coisas com você, que me deixe fazer parte da sua vida e do nosso filho. Ele diz e eu fico aqui pensando no que papai disse em sua carta. " As pessoas erram querendo acertar, às vezes será difícil entendê-las, mas depois nosso coração se abre e tudo fica mais fácil. Não perdoe com a mente, mas sim com o coração.Liberte-se primeiro de toda mágoa e ressentimento para depois perdoar e se permitir ser feliz". Ana. Ele me chama. - Sabe o que mais dói em mim? Peço quebrando o silêncio. Ele não respondi. Que tem coisas na vida que não dá para consertar. O que você fez comigo, suas palavras não dá para apagar. Eu fui odiada por você, sem nem almenos ter feito nada a você e nem a sua família. Eu não posso esquecer da noite para o dia o que você fez. Então eu não te perdoo. Pode ir embora por favor. Digo e ele me olha sem reação. - Eu não posso mudar o que eu fiz, o que aconteceu. Mas eu posso te mostrar um cara diferente daquele que você conheceu. Eu posso ser diferente, na verdade eu posso ser eu mesmo, porque aquele que você conheceu não era eu, era um i****a que mudou quando achou que seu pai traia a sua mãe. Neste momento eu só quero conhecer a mim mesma. Pois eu perdi toda a essência casada com esse homem. - Eu não quero conhecer você, nem o antes e nem o depois. Eu só quero que você não volte a me procurar. - E nosso filho? Eu quero fazer parte da vida dele. Ele fala com convicção. - Você não tem filho. Eu tenho um filho. Esse bebê é meu. Ele ainda não nasceu para ser seu. Quando ele nascer você saberá e poderá vê-lo sem problema nenhum. Falo e ele suspira. - Tudo bem. Quero saber sobre as consultas de pré natal. Quero acompanhar tudo de perto. - Isso você não terá. Falo e ele faz cara de confuso. Não quero você perto de mim enquanto o bebê não nascer. Não precisamos nos ver, nos falar e nem nada. Já disse que enquanto meu bebê estiver dentro de mim não quero sua aproximação. - Ana por favor. Sempre sonhei com esse momento. Sempre esperei para ter um filho. Não tire isso de mim. E o que ele tirou de mim? Isso não vem ao caso? - Você tirou pior de mim. Minha dignidade, minha alegria. Você me humilhou por três anos, e a pior humilhação foi ter me entregado a você e ainda ser humilhada. Portanto não estou te tirando nada comparado ao que você me tirou. E friso novamente, enquanto esse bebê tiver crescendo aqui não quero você perto. Você não me acompanhará em nada, nenhuma consulta. Seu contato com ele será quando o mesmo nascer. - Não faz isso. Me puna de outra forma. Não olhe mais na minha cara, mas não me deixe de fora desse momento. Estou cansada dele. Vou até a porta e abro. - Vai embora. Daqui seis meses eu te ligo para te avisar que ele nasceu. Vejo ele passar as mãos na cabeça em desespero. Ele saiu do quarto e não quero escutar mais nada. Fecho a porta e deslizo a mesma. Me sentando no chão. Eu sei que tenho que ser forte. Sei que agora mais que nunca eu preciso sair dessa tristeza e cuidar de mim e do meu bebê. Desci e encontrei uma discussão de Elliot e Kate. Eu já sabia que isso mais tarde ou mais cedo iria acontecer. Eu cansei de avisar Kate para procurá-lo e dizer a verdade, e também contar a Ava sobre o pai. A menina não parar de sonhar em conhecê-lo e Kate estava privando a mesma de ter esse contato. Eu nunca faria isso com meu filho, independente do que o pai dele fez comigo. A relação de ambos deve ser sempre preservada, não importa o que aconteça comigo e com Christian. Procuro Ava no meio dessa discussão e não há encontro. Subo novamente e vou no quarto dela. A mesma está desenhando. - Está tudo bem querida? Peço para saber se ela percebeu a briga dos pais. - Está titia. Estou fazendo um desenho. - Que lindo. E sua mãe? Indago. - Está lá embaixo conversando com o irmão do Cris. Ela fala sorrindo. - Você estava ouvindo? Peço com cara de brava. - Não titia. Você e mamãe já me disseram para não fazer isso. E eu não faço. Ela diz seria. - Que bom meu amor. Mas logo você saberá o que está acontecendo. Falo. - Posso ver um filme no computador? - Claro que pode. Deixa eu ligar ele para você. Ligo o computador e coloco o desenho que ela queria ver. Deixo a mesma em seu quarto e sigo para o meu. Não quero ouvir a discussão deles. Sei que não deve está sendo fácil para minha amiga toda essa situação, mas ela não deveria ter escondido essa verdade do Elliot, mesmo ela não sabendo quem era, quando soube deveria ter procurado ele e dito. Não sei quanto tempo se passa e Kate entra chorando em meu quarto. A conversa não foi nada boa e sinto que Elliot não vai deixar isso barato. Kate deita na minha cama. Eu não digo nada, só passo as mãos em seus cabelos e para tentar acalmá-la.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR