CAPÍTULO 13

2704 Palavras
Eu estava já no hospital, andando de um lado ao outro sem saber notícias de Mia. Havia pedido ao um dos seguranças para ligar para seu patrão e avisá-lo do ocorrido. O que será que houve com Mia para ela está ali naquele parque caída? Ela é uma garota bonita, tem tudo para ser feliz e crescer na vida, e está aí desperdiçando tudo que pode ser lhe oferecido. Tenho dó dela, e se ela se permitisse a minha aproximação, eu estaria mais que disposta em ajudar. Já não sei quanto tempo estava ali, só sei que se demorasse mais, eu iria na ala da recepção para perguntar o que houve. A porta da sala de espera é aberta, meu coração por um momento fica aliviado achando ser o médico, porém era Christian entrando em sua cadeira de rodas. Ele me olha de cima a baixo. - Você já pode ir embora. Você não é da família para estar aqui. Ele diz e eu respiro fundo. Esse cara é um i****a mesmo. Saio da sala sem falar nada, eu não vou embora, claro que não. Eu quero saber notícias dela, e não vou embora, enquanto não tiver. Esbarro em alguém, olho para pedir desculpas, e vejo que é Elliot. Ele me olha estranho e eu resolvi não falar nada. Vou para o final do corredor e me sento no chão. Do jeito que essa família é louca, é capaz de me culpar pelo m*l de Mia. Minutos se passam e vejo um médico indo para a sala de espera. Corro para lá e o mesmo fala o nome de Mia Grey. Elliot e Christian dizem que são irmãos dela. - Ela teve um começo de overdose. Tivemos que fazer uma lavagem em seu estômago para que a mesma pudesse ficar bem. Já digo a vocês que ela teve sorte hoje, pois seus batimentos cardíacos já estavam fracos, e mais um pouco ela estaria morta. O médico diz e eu fico em choque com isso. Vejo Elliot passar as mãos na cabeça e Christian balança a cabeça em negação. - Ela ficará bem? Christian questiona abalado com que o médico disse. - Sim. Aconselho a vocês a procurar um tratamento para ela. Até mesmo especialistas para entender o motivo do uso das drogas. Eu estou acompanhado o caso dela. A mesma ficará internada por mais um dia. Qualquer coisa estou em meu consultório. O médico e sai. Me viro para ir embora, já que tenho notícias. Porém escuto Elliot me chamar. - Anastásia. Elliot me chama e me viro para ele. Obrigada por ter trago ela a tempo, talvez se você não tivesse a encontrado, não estaríamos com ela agora. Não digo nada, só aceno a cabeça em afirmação, e vou embora. Pelo menos um deles não me atacou. Espero que o outro enxergue que não quero m*l algum deles. Os seguranças já estão me esperando e peço para me levar para casa. Chego na mesma e vou para meu quarto. Tomo um banho e me deito, espero mesmo que Mia saia dessa. Ela não precisa disso para viver. Não sei o que a levou para esse caminho, mas espero mesmo que ela veja que drogas não é a solução de nada. Mais um ano da minha vida se foi, e eu não estou vivendo como gostaria. Tenho evitado ao máximo qualquer atrito com Christian, pois isso está me deixando triste, desesperada por querer sair disso logo. Falta somente um ano, um ano que parecia que nunca mais iria acabar. Nossa relação se tornou insuportável, insustentável, ainda mais agora que ele já estava andando. Meu quarto que não era visitado por ele, passou a ser. Eu já não tinha meu lugar em casa, eu já não tinha o sossego de não vê-lo. E o pior que ele não me procurava para me falar de coisas normais dia a dia, era sempre uma ofensa diária. Se não era porque eu fui para casa de Kate da faculdade, era porque eu ficava de papo com alguns amigos da faculdade. Eu já não tinha nome para ele, pois o mesmo tinhas vários nomes feios para mim, que me faziam estremecer só de pensar. Estava pedindo a Deus para terminar esse martírio. Mia estava pior do que nunca foi internada duas vezes, e nada de melhora. Ela estava se deteriorando a cada dia. E seus irmãos, não faziam o que deveria ser feito. Porque por mais que ela fizesse sessões com psicólogo, nada estava resolvendo, parecia que estava pior. Eu não sabia de tudo que estava acontecendo com ela, pois a mesma não me permitiu nem vê-la quando na primeira vez a levei ao hospital. Mesmo sabendo que eu a salvei, disse que ela não queria ser salva, ainda mais por mim. Fui embora triste no dia, porque achei mesmo que ela não estaria com raiva de mim, pelo contrário, achei que com meu ato ela chegasse à conclusão de que eu não sou esse monstro que sua família desenhou. Porém nada disso aconteceu, fui enxotada do quarto do hospital, e nunca mais a vi. Só sei de notícias, porque Gail me conta algumas coisas que ela sabe através da empregada da casa dos Greys. Esses irmãos precisam tomar uma atitude. Ela vai acabar morrendo, e a culpa será deles, porque ela já está pedindo socorro a muito tempo, e nenhum deles percebem. Estou na bancada da cozinha comendo um pedaço de bolo que Gail fez para mim. Eu amo bolo, lembro muito quando tinha três anos e minha mãe fez o último bolo pra mim. Sinto tanta falta deles, que eu fico pensando em porque papai quis esse casamento com um homem que me ver como um monstro. Gail já estava preparando o jantar, e eu estava aqui comendo e tendo lembranças boas com meus pais, mais com papai do que com mamãe claro, mas eu gostava de lembrar de ambos juntos, da nossa família como era feliz e hoje só restou eu e não sou e nem tem um pingo da felicidade que eu tinha antes. Meu sorriso morreu a dois anos, minha alegria morreu assim que fui tachada de p**a e vagabunda. Eu não merecia isso, e isso estava cada dia me machucando por dentro. Suspiro pesado. - Está tudo bem menina? Gail pede e meus olhos enchem de lágrimas. E sem querer deixo a mesma escorrer pelos meus olhos. Menina não chora. Sei que não está sendo nada fácil para você, mas continue forte. Não desista de você agora. Ela fala me fazendo chorar mais e me levantar. Eu não quero mais ficar aqui, eu não quero mais escutar nenhum insulto. Eu não quero essa Merda de vida. Sigo para o quarto, mas antes de chegar às escadas trombo em Christian, não deixo o mesmo ver que eu estava chorando, mesmo sabendo que seria impossível não notar que eu estava desmoronando. Subo rápido para o quarto e me tranco ali, deixando as lágrimas tomar conta de todo meu rosto. Mesmo desabafando com Kate às vezes, parece que não é o suficiente. Eu sempre estou angustiada e triste por dentro, talvez porque por mais que Christian fizesse isso tudo comigo, eu não conseguia vê-lo como uma pessoa má. Sei que deveria odiá-lo, mas não consigo. Eu tinha esperança nesses dois anos que algo mudasse dentro dele, que ele visse que eu não sou má pessoa, que pudéssemos nos dar uma chance ao menos de sermos amigos, de convivemos bem, porém nada disso aconteceu e também tenho certeza que não acontecerá. Ele me odeia por uma mentira sem fundamento, me odeia por eu nunca ter o conhecido, e nem ter conhecido a sua família. Eu queria só saber o porque de tudo isso. Será que meu pai previu que eu sofreria com essa situação, que o mesmo me obrigou a viver? Não era possível que papai desejasse meu m*l. Não era possível que mais um ano eu viveria dessa forma. Amanheceu e eu me arrumei para a faculdade, eu estava no meu último ano e então poderia montar minha galeria com minhas obras de artes e de outros artistas. Estava empolgada com isso. Diferente de ontem, hoje eu estava melhor, menos melancólica, menos revoltada com essa vida. Suspirei fundo e resolvi, tentar levar esse ano restante com a cabeça erguida. Desci depois de me arrumar e encontrei Gail na cozinha. Dei bom dia a ela, e a mesma me questionou se eu estava melhor. Disse que sim, pedi desculpas por ontem, e ela muito sorridente, disse que quando quiser conversar, ela estará aqui para mim. Dei um abraço nela a agradecendo. Peguei uma maçã e fui para a faculdade. Me encontrei com José e Jack na entrada da faculdade. Os abracei, e fomos conversando até às nossas salas. Eles pareciam animados, pois Jack havia recebido um convite para trabalhar em um restaurante em Paris, e então eles só estava esperando o curso de José acabar para poderem ir juntos. Eles estavam mais que felizes, o relacionamento deles estava mais que perfeitos. E eu amava vê-los juntos. A hora de embora e entrei dentro do carro e os seguranças já estavam me esperando. Um deles começou a dirigir o e eu fui olhando para a cidade. Não queria voltar para casa, então pedi ao mesmo que parasse o carro no parque. Assim fui andando por todo parque, sendo seguida pelos seguranças. Me sentei debaixo de uma árvore e fiquei ali olhando para as pessoas, pássaros e o lago com seus patos. Saudades da minha fazenda, vou para lá o final de semana, mesmo sobre os protestos de Christian, ficarei nela esse final de semana. Preciso realmente de ar puro, de ficar no meu canto e lembrar mais dos meus pais. Preciso da paz que a fazenda me traz. Mais tarde resolvi passar em uma padaria, pois não tinha comida nada o dia todo, então minha fome já estava apertando. Na hora que desci do carro, já vi um alvoroço na padaria. Tinham pessoas saindo da padaria assustados, um dos seguranças veio para me impedir de entrar, porém disse que eu iria entrar, eles não sabiam que o que estava acontecendo e precisávamos saber. Eles foram comigo e quando entramos, olhei para onde estava alguma mesas e somente uma pessoa estava sentada com a cabeça baixa. Fui até o balcão e perguntei o que houve, a moça disse que a garota sentada ali parece drogada. Entrou espumando pela boca, e pedindo dinheiro, o dono já estava chamando a polícia. Lembrei de Mia, então da mesma forma que ajudei Mia, fui até a garota. A chamei, mas nada, a chamei de novo e nada. De repente ela começou a tremer toda, me afastei um pouco, e ela acabou caindo no chão tremendo. Quando tirei seus longos cabelos sujos do rosto, tive a surpresa de ser novamente a minha cunhada. E isso para mim acaba aqui. Se os irmãos não se preocupam com ela, eu me preocupo. Chamo o seguranças e peço para pegá-la e colocá-la no carro. Falo para a balconista que a moça não precisa de polícia, mas sim de tratamento, eu estaria a levando para fazer isso. Deito ela no banco de trás, colocando sua cabeça no meu colo. Mia está fedendo, parecendo que há dias não toma banho, o cheiro de drogas está evidente. Pego meu celular e olho alguma clínica para tratamento de viciados em drogas. Eu não sei o procedimento para internação, mas ela não ficará mais assim. Ela precisa de cuidados sérios, e nada melhor que um clínica especializada para cuidar dela. Peço as seguranças para me levar para a clínica que eu pesquisei. Chegamos na mesma e eu já peço as seguranças para pegar Mia no carro. Vou para dentro da clínica e converso com a recepcionista sobre os procedimentos de internação para viciados em drogas. Ela me explica que nos casos em que o dependente químico não quer receber tratamento, a família pode optar por uma internação involuntária, mas existem algumas regras para esse tipo de tratamento. Para solicitar a internação involuntária, o pedido deve ser feito por escrito e aceito pelo médico psiquiatra. Para fazer para internar um dependente químico a força é recomendado que o familiar a leve a uma clínica. Em casos como esse, a Clínica de Internação deve informar o Ministério Público sobre a internação involuntária, para evitar a utilização desse tipo de internação como prática de cárcere privado. Questiono a ela como proceder quando o paciente resiste à internação? Ela me diz que uma das principais dúvidas dos familiares sobre como fazer para internar um dependente químico a força é como agir quando o dependente resiste à internação? Nesses casos atuam médicos e enfermeiros treinados para este tipo de situação. Com o tempo, a grande maioria dos pacientes acaba se adaptando ao tratamento. As clínicas de internação costumam ter tratamentos terapêuticos, que envolvem dinâmicas, atividades em grupo e rodas de conversa em grupo e atendimentos individuais, que fazem com que o dependente se sinta bastante à vontade durante o tratamento. Eu questionei a ela então que eu não poderia internar a minha cunhada hoje. Ela me disse que poderia deixá ela na clínica até eu conseguir o pedido do do psiquiatra. Então assim eu fiz. Assinei os papéis para internação dela e depois liguei para Gail para saber sobre o telefone do psiquiatra que estava acompanhando Mia. Ela iria tentar saber através da empregada na casa dos Greys. Esperei uns vinte minutos e ela me passou. Conversei com o médico através do telefone e ele me disse que passaria através de e-mail para a clínica. Ótimo, espero que Mia quando acordar não queira sair daqui. Espero que ela veja que é para o bem dela. Estou na sala de espera, esperando o médico responsável pelo caso dela dizer alguma coisa, eu não quero deixá-la aqui sem saber se ela vai ficar bem. Essa é uma das melhores e renomada clínica de Seattle, mesmo assim estava preocupada. Ouço passos no corredor e Christian aparece na porta da sala de espera. - Minha irmã não vai ficar internada aqui. Ele diz nervoso. Você não tem o direito de interna-la. Você não é ninguém para tomar essa decisão, então não se meta aonde você não foi chamada. - Excelente Christian, tire ela daqui, deixa a mesma morrer, mas eu já te digo, que se você ou seu irmão tirá-la daqui, e ela aparecer novamente na minha frente do jeito que vi hoje, eu trarei a mesma para cá e internarei de novo, vocês querendo ou não. Porque ao contrário de vocês, eu estou preocupada com ela. - Você não sabe o que está dizendo. Ela é a minha irmã e não sua, você aqui não é ninguém, então para se meter em nossas vidas. Ele fala com mais raiva ainda. Meus olhos enchem de lágrimas. - Deixe a morrer e fique com isso em sua consciência. Talvez seja melhor para você e Elliot não ter ela para se preocupar com nada, somente com o umbigo de vocês. - Some da minha frente. Não volte a se meter na vida da minha família. Não venha banca de Santa, pois para mim você não presta. Ele fala e eu aperto meus lábios para reprimir o choro. Saio da sala sem falar nada e vou embora. Porém eu não quero voltar para o escala. Quero minha casa, meu lar, a minha fazenda. Os seguranças ficam esperando que eu entre no carro, mas aproveito um táxi parado na porta e entro no mesmo. Peço para ir para Portland. O cara acha estranho mas não diz nada. Segue conforme eu pedi. Nada do que eu faça adianta para ele. A visão dele sobre mim nunca mudará, não importa o que eu faça ou fale, tudo que ele ver a amante do seu pai querendo arrancar dinheiro da sua família. Suspiro e começo a chorar. Ele não é humano, não ver que eu não sou uma pessoa r**m, nao ver que o que eu quero, é que ele me conheça de verdade. Conheça a Anastásia, a amiga, a pessoa que adorava sorrir, que amava a vida, e que jamais faria qualquer m*l a alguém.
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