Mia senta na cama e abaixa a cabeça mexendo em seus dedos. Eu não estou nem um pouco com dor dela. A mesma está aprontando uma atrás da outra, e não podemos deixar isso acontecer, mesmo porque daqui a pouco isso já está arrastando o nome dos meus avós e dos meus pais em todos os jornais.
- Tem alguma coisa para dizer Mia. Não a seu favor, porque isso não vai mais fazer a gente ter pena de você. Elliot fala e ela não nos olha. Suspiro.
- Mia, Elliot e eu cansamos de te avisar. Cansamos de falar que você precisa tomar um rumo na vida, mas não esse rumo errado. Já conversamos nós dois e chegamos a conclusão que seus bens serão responsabilidade nossa é não sua mais. Declaramos você incapaz. Nosso advogado já está cuidando de tudo. Digo.
- Vocês querem roubar o que é meu? Vocês não podem me deixar na miséria, na rua. Ela grita com raiva.
- Não vamos deixar você na rua, na miséria. Se precisar de dinheiro você terá. A casa ainda é sua, as contas serão pagas como estão sendo até hoje. Só estamos evitando que você fique sem nada mesmo com esse seu jeito. Elliot diz.
- Não quero saber. Bem que me falaram que vocês tirariam tudo de mim. Ela diz e quem está colocando isso na cabeça dela?
- Quem disse isso para você está enganado Mia. Neste momento só queremos proteger você de você mesma.
- Não me venham com essa. Pois eu entrarei na justiça contra vocês. Não vou aceitar ficar sem o que é meu por direito.
- Ótimo, leve aos tribunais. Vamos ter maior prazer de provar que você é uma drogada, uma viciada e ainda alcoólica. Elliot fala firme.
- Vocês não podem fazer isso comigo. Ela grita.
- Já fizemos. Digo e Elliot pega todos os cartões que ele havia tirado da bolsa dela, talão de cheque. E pega a tesoura e corta todos os cartões na frente de Mia e rasga seu talão de cheque.
- Acaba aqui suas gracinhas. Se não vai crescer por bem, vai crescer por m*l. Procure algo de bom para fazer, se você voltar ao seu normal vamos ter o maior prazer em lhe devolver tudo seu, porém se você continuar na mesma vamos ver um meio de te parar de vez. Elliot fala e sai do quarto.
- Me ajuda Christian. Você sempre foi o mais sensato dos três. Mia pede, mas ela não vai conseguir nada de mim.
- Não posso fazer nada. Estou de acordo com tudo que Elliot fez. Melhora sua vida e depois conversamos. Digo e saio do quarto.
Na sala Elliot está conversando com Elena, pedindo para ela não dar nenhum centavo para Mia. Caso isso aconteça ela será culpada pelas atitudes de Mia. Vamos embora, pois hoje eu nem tive tempo de trabalhar. Vou ver se consigo fazer isso a hora que chegar em casa.
Em meu escritório já estava lendo o terceiro relatório quando Gail apareceu e disse que o jantar estava pronto. Fui para sala de jantar e questionei a ela sobre Anastásia. Ela me disse que estava em seu quarto, não queria jantar. Bufei. Ela consegui me incomodar em tudo, se está perto me incomoda, se está longe me incomoda. Eu só tenho a certeza que amanhã eu irei acabar com essa farsa dela e da amiga.
Hoje é sexta feira e eu me levantei cedo já que tinha que comparecer a consulta médica. A contragosto acabei decidindo ir. Mas ele me dissesse que eu nunca mais voltaria a andar eu descontaria toda a minha frustração naquela maldita. Fora que hoje, ela já estava para ser mais uma vez desmascarada.
Já no consultório médico, não tem só um mais uns quatro para avaliar meu caso. Faço todos os exames para verificar se tenho ou não possibilidade de voltar a andar. Depois de quatro horas, me sento e espero o médico falar.
- Sr Grey, seu caso é muito simples. Não precisamos de uma cirurgia reversível, não precisamos de nada mais drástico. O Sr ficou muito tempo nessa cadeira de rodas sem fazer um exercício físico, uma fisioterapia. O trauma do seu acidente pode ter bloqueado seus movimentos inferiores. O que vamos fazer é uma sessão de fisioterapia por seis meses a um ano, sendo que serão todos os dias essas sessões.
- E com essas sessões eu voltarei a andar? É uma certeza do Dr? Peço querendo algo certo, não vou ficar fazendo fisioterapia atoa.
- Sim. É uma garantia que o Sr vai voltar a andar. Ele confirma e uma esperança cresce em mim.
- E quando vamos começar? Indago.
- Na segunda feira.
- Quero que seja montado uma sala com os equipamentos que eu vou usar na minha casa. Quero fazer tudo na minha casa. Falo e ele assenti.
- Só vou olhar a disponibilidade do pessoal deixar o hospital para lhe atender em casa.
- Ótimo, separe uma equipe boa, e eu pagarei o que for para eles estarem a minha disposição.
- Tudo bem Sr Grey.
- Mais alguma coisa que preciso saber?
- Não, era só isso.
- Ótimo. Segunda feira estarei esperando na minha casa na parte da manhã. Falo e saio.
Eu nem acredito que depois de tanto tempo sem andar eu vou poder andar. Eu vou poder me locomover como uma pessoa normal. Fico muito feliz por isso. Vou para a empresa mais confiante e animado. Ethan um amigo meu, que é médico estava já me esperando com o resultado de exame de DNA. Eu havia pedido a ele que fizesse esse exame para mim em total sigilo. Entramos na minha sala e então ele me entrega o resultado. Abro já querendo saber o que deu, querendo já comprovar as minhas suspeitas. Olho e deu negativo para fraternidade, ou seja, Ava não é minha irmã.
- Entendeu o resultado Christian? Ethan pede e eu o olho.
- Não era o que eu esperava. Tinha certeza que a menina era minha irmã.
- Ela não é sua irmã, mas é parente sua. Ele diz e eu fico sem entender.
- Como assim. Peço intrigado.
- Você me pediu para fazer um exame detalhado. Eu não poderia somente fazer um exame de fraternidade, então fiz de paternidade.
- Impossível. Digo o interrompendo.
- Sim, você não é o pai da garota. Fiz de parentesco. E deu positivo.
- Ethan eu não estou entendendo. Falo ainda intrigado.
- Christian eu não sei o que você é da menina, mas sei que a mesma é sua parente. Pode ser uma sobrinha. Ele fala e eu relaxo na minha cadeira de rodas.
- Não pode ser. Ela teria que ser filha de Elliot, e o mesmo não é irresponsável para negligenciar uma criança, ou a mãe da menina é minha irmã. Meu pai pode ser pai dela. Merda. Digo.
- E o que você pensa fazer o que? Ethan questiona.
- Não sei. Vou conversar com Elliot primeiro. Falo.
- Então tá, deixa que ir, porque meu plantão começa agora. Ele fala e eu o cumprimento e agradeço com um aperto de mão.
Tento processar esse resultado. Preciso falar com Elliot. Ligo para o mesmo e peço para vir a empresa. Enquanto ele não chega, ligo para Welch fazer uma investigação da mãe da garota. Katherine Agnes Kavanagh. Eu quero saber quem é a mãe dela, quero saber tudo da vida dela. Vou para uma reunião com a cabeça a mil. Eu não conseguia pensar em mais nada, a não ser essa informação. Como papai teve coragem? Ele já traia mamãe a muito tempo. Anastásia não é sua primeira amante, e com certeza ele deve ter conhecido Anastásia e sua família através dessa minha meia irmã. A reunião termina, e meus pensamentos não param. Saio da sala de reunião e Andreia me avisa que Elliot estava na minha sala. Já entro e o mesmo está sentado.
- Mano, fala logo, pois eu estou uma pilha de nervos. A menina é nossa irmã? Ele pede agitado.
- Não, ela não é nossa irmã, mas sim nossa sobrinha. Digo e Elliot enrugou a testa em sinal confusão.
- Não entendi. Nossa sobrinha, como? Ele pede.
- A que tudo indica a mãe dela é nossa meia irmã. Falo e ele se levanta.
- Tem certeza?
- É a única explicação. Foi usado meu DNA para o exame. Eu não sou o pai dela, não acho que você tenha uma filha negligenciada por você por aí. Indago.
- Nunca faria isso. Mas eu ainda não entendi o que tem Anastásia nessa história.
- Ela não deve ter sido a primeira amante do papai. O mesmo deve ter conhecido ela e sua família através dessa nossa meia irmã.
- Christian, eu depois dessa não acredito que Anastásia tenha alguma coisa a ver com papai. E acredito que estamos sendo injusto mesmo com ela. Talvez tenha sido coincidência.
- Pois eu não estou convicto disso. Elas podem estar tramando algo para pegar a parte da nossa meia irmã, já que ela não foi reconhecida pelo nosso pai. E também não descarto que ela tenha sido amante do nosso pai. Porque a foto dela estaria no meio das coisas dele?
- Não sei cara, mas eu estou com dúvida disso agora. Tenho quase certeza que ela não teve nada com nosso pai. E se elas querem mesmo tirar alguma coisa da gente que faça. E já te digo que vou procurar essa nossa meia irmã.
- Você quer fazer isso?
- Claro que quero. Quero entender como papai se envolver com a mãe dela.
- Eu não quero falar com ela até Welch descobrir mais sobre a vida dela.
- Você pediu isso a ele?
- Sim. Eu quero saber quando é que papai começou a trair a mamãe, e também quem é a mãe dela. E se elas querem dinheiro vamos conversar primeiro.
- Tudo bem. Eu vou esperar o relatório de Welch. Mas não quero abandonar a garotinha. Ela não tem culpa dos erros dos pais, e nem do nosso pai.
- Concordo.
Eu ainda não estava cem por cento seguro de que Anastásia não tinha nada a ver com isso. Eu gostaria muito de estar errado, gostaria de poder esquecer esse fato e seguir em frente nesse casamento, mas não, tudo que eu via era uma foto dela nas mãos de Mia, meu pai não dizendo sim ou não para toda aquela discussão e ainda as pesquisas de Welch que não deixavam dúvidas que papai sempre teve relação com Ana e seu pai. Elliot foi embora, mas eu senti que ele ficou meio receoso com toda essa situação.
Como hoje era sexta feira, eu já estava esperando que a minha "digníssima esposa" saísse para sua balada, dormisse fora e só aparecesse aqui no domingo a noite, porém eu não estava disposta a aceitar isso mais. Então já estava em casa mais cedo e dispensei todos os empregados. O apto foi trancado, então ela não sairá hoje, e se ela quer brigar, estou mais que disposta para isso.
Estou na sala, olho em meu relógio são oito e meia da noite. Bebo meu vinho olhando a vista de Seattle pela minha janela panorâmica. Escuto barulho de salto e sei que é ela. Nem me dou o trabalho de olhá-la, pois sei que a mesma vai voltar quando ver a porta trancada. Como a mesma não tem a chave de casa, porque nunca me passou pela cabeça dá a mesma a ela, e ela também nunca me pedira. E como sempre ela não fala nada e sai, não demora muito para ela voltar.
- Porque a porta está trancada? Ela pede e eu viro a minha cadeira para olhá-la. A mesma está vestida em uma saia rodada preta e uma regata branca. A jaqueta está segura em uma das suas mãos. Percorro meus olhos por todo seu corpo.
-!Porque já são quase nove da noite e já está na hora de dormir. Digo. Ela dá um sorrisinho.
- Ótimo, boa noite para você, mas eu quero a chave. Dou um sorrisinho também e faço sinal em negação com a cabeça.
- Você não vai sair. Falo firme, e a mesma enruga a testa em sinal de confusão.
- E porque não? Ela pede.
- Porque eu já disse que não quero mais que você saia a noite, e ainda mais durma fora. Eu deixei as coisas bem clara para você ontem, não?
- Você não manda em mim. Não estamos nesse casamento porque nos amamos, então para de querer impor as coisas para mim e me deixa viver, porque diferente de você, eu quero viver, ser feliz.
- Isso não vai acontecer. Temos três anos para ficarmos juntos, então não teremos vida e nem seremos felizes. Falo e ela começa a rir.
- Christian, se você é amargurado com sua vida, eu não posso fazer nada. Eu amo minha vida e você querendo ou não eu vou sim vivê-la.
- Eu sou amargurado por culpa sua. Porque se você não tivesse entrado na vida do meu pai, da nossa família, eu não seria assim. Falo firme.
- E lá vamos nós de novo tocar esse disco.
- Vamos mesmo. Você fica aí se fingindo de vítima, dando uma de Santa, querendo me convencer do contrário, mas o que você fez não tem perdão. Durante os três anos que viveremos juntos, não seremos felizes. Sua vida é comigo, e a partir de hoje você não sai mais de casa para ficar v******o a noite.
- Sabe o que sinto por você? Ela pede e um aperto em meu peito se fez presente. Ódio, eu te odeio a cada dia mais, e se não nos matarmos nesses três anos será um milagre.
- Somos dois então. Porque você quis entrar na nossas vidas de uma forma errada. Sendo amante do meu pai. E você pode negar o quanto você quiser, mas sei que mais cedo ou mais tarde sua máscara cairá.
- Boa noite i****a. Ela fala, mas eu não terminei.
- Sua amiga é minha meia irmã. Falo e ela pára no meio da escada. Achou que eu não iria descobrir seus planos? Achou mesmo que você esconderia isso de mim até quando?
- De onde você tirou isso? É outra das suas alucinações? Ela indaga.
- Não. Um exame de DNA comprovou isso. E não adianta fingir que não sabia, porque tenho certeza que você sabia e estava armando algo junto com ela.
- Escuta Christian, nada que eu diga, faça, vai mudar sua opinião sobre mim. Então continue aí com suas alucinações, suas suposições e continue me julgando, difamando e até mesmo fazendo meu sentimento de ódio por você crescer mais. Eu não sou obrigada a ouvir nada que você fale. Boa noite. Ela diz e sobe.
Ela pode me odiar, mas eu só quero que ela fale a verdade. Talvez assim eu possa passar por cima disso tudo e seguir em frente. Porém, ela continua mentindo, e mentindo. É uma mentira atrás da outra, mas ela não vai me enganar. Nunca.
Me deito na cama e o cansaço do meu corpo já dá sinal. Acabo dormindo.
- Filho, como você está?
- Bem pai. O que houve?
- Você nasceu de novo, um anjinho te salvou.
- Como assim pai? Eu não tenho a doença mais? Peço, pois eu já não estava com esperança nenhuma mais de viver.
- Não meu amor. Conseguimos uma doação para você. Você vão ter que fazer os exames de praxe, mas tudo foi um sucesso e você viverá por muito anos. Mamãe fala com lágrimas nos olhos.
- Quem foi que me salvou mãe?
- Um anjo, que nasceu só para salvar você. E um dia você conhecerá esse anjo e poderá cuidar dela e retribuir o que ela fez por você hoje. Papai diz e eu sorrio, pois eu estou vivo.
Acordo suado, com um aperto em meu peito. Um sonho de quando eu estava com treze anos, e estava doente. Precisa de um transplante e um anjo salvou a minha vida. Porém as palavras da minha mãe e do meu pai voltaram com força na minha mente. " E um dia você conhecerá esse anjo e poderá cuidar dela e retribuir o que ela fez por você hoje". Será mesmo que eu vou encontrar essa pessoa que me ajudou? Se trava de um bebê que acabara de nascer enquanto eu estava já quase por um batimento em meu coração, e esse bebê me trouxe a vida.