Adam quer ir embora na mesma hora, porém, Cristiano tenta acalmá-lo. É necessário que todos estejamos calmos e que pacientes, vamos planejar a fulga e depois pôr o plano em prática, de uma maneira que não levante suspeitas, senão, tudo irá por água abaixo.
Se o prefeito descobrir, com toda a certeza deste mundo estaremos mortos antes mesmo pensar se vamos morrer ou não.
— Ainda temos muito tempo, agora não é a hora — avida Cristiano.
— Por quê? Todos estão trabalhando — insiste meu irmão. — Você já disse que tem um buraco atrás do bloco 5. É só a gente ir.
Tudo é atrás deste bloco 5, gente?
Os outros foram tirar um cochilo, sugestão de Cristiano, descansar antes de enfrentarmos o perigo do lado de fora. Não sei como conseguem, Adam está nervoso e eu ansioso, jamais conseguiríamos dormir assim. Lila está no meu colo, em cima de uma almofada e eu estou a acariciar o seu couro cabeludo, tomando cuidado para não desmanchar os cachos.
— Como você disse, todos estão trabalhando, e os vigias também. Eles ficam rondando por todo o condomínio, não temos um padrão porque é algo bem aleatório. Mas, há apenas um horários que os vigias descansam para a chegada de outros. Às seis horas.
Adam olha para o relógio na parede.
— Ainda são 10:00 da manhã.
— Sugiro que tire um cochilo, a viagem vai ser muito longa.
— Não vou conseguir. E vocês já têm um lugar específico para ir?
— Mais ou menos, por isso estamos há um ano aqui, desde que eu decidi ajudá-la a fugir do prefeito. Estava de vigia quando encontrei uma falha no muro atrás do bloco 5, como ali é cheio de lixo e entulho, eu fui abrindo aquela falha e escondendo até ter um tamanho adequado para uma pessoa passar.
Foi muito esperto da parte do Cristiano ter feito isso. Ninguém nunca desconfiou que poderia haver uma passagem aberta ali? Acho que aqueles homens é que não são nada espertos.
Adam, olha para a Lila e depois para mim e pegrunta:
— Quando vocês se conheceram?
Tenho receio em responder, ainda estou naquele dilema da mentira que tem pernas curtas.
— Desde o segundo dia em que chegamos aqui — respondo sem dar muitos detalhes, ainda não estou preparado.
— Por que não nos contou?
— Porque vocês não apoiariam e me proibiriam de ver a Lila de novo — isso é verdade e ele n******e negar.
— Prego, você tá apaixonado por ela? — esta pergunta do Adam faz o Cristiano e eu segurarmos uma risada.
Quando foi que ele ficou tão inocente?
— Não — respondo —, o Cristiano quem está. Nós criamos uma amizade muito forte e onde nós formos, ela vai também.
— Ah, tá! Confesso que fiquei confuso — Adam se volta para Cristiano. — Qual a sua idade, rapaz?
— Tenho 19 anos.
— Dezenove? Desculpa, pensei que fosse mais velho — ele aponta para Lila. — E ela?
Eu faço questão de responder.
— Ela é da minha idade, Adam.
— Dezesseis? — Adam fica surpreso. — Ela só tem 16 anos? Aquele ogro tá casado com esta menina de 16 anos? Eu não posso acreditar.
Cristiano se levanta.
— Parece que vocês tem muito o que conversar. Eu vou ter que sair, não posso sumir por muito tempo. Não a esta hora.
Eu me preparo para conversar com Adam sobre Lila, ele vai ficar chocado assim como eu fiquei com toda a história.
***
No meio da tarde, Adam e eu conversamos muito, até Lila acordar e participar da conversa. Adam a admira completamente, principalmente pelo bom humor, mesmo a ter motivos para ser uma pessoa amargurada de espírito.
Em seguida, os outros levantam da cama e vamos para a cozinha comer alguma coisa. Comemos muito, precisamos de bastante energia para enfrentarmos o nosso destino.
Em poucos minutos, alguém entra no AP, nós todos vamos até e sala e nos deparamos com o Cristiano a segurar uma bolsa longa de estampa camuflada. Ele a joga no chão e a abre, mostra várias armas e munição. As melhores.
— Alguém sabe atirar? — ele pergunta.
Adam, Estêvão e eu levantamos as mãos. Tinhamos pais militares, mas eles não nos ensinaram a mecher em armas, tinham outros planos para nós. A gente que aprendeu por conta própria, sempre com as armas deles.
Cristiano, vasculha a bolsa novamente, retira uma espada na bainha e a entrega para Lucas que fica maravilhado.
— Acho que isso é seu.
— Meu bebê, achei que tinha perdido para sempre — Lucas da um abraço muito forte em Cristiano e dá um beijo na boca dele. — Obrigado, obrigado, obrigado — ele agradece e depois pega a sua espada e vai abraçar o seu namorado para comemorar, exibir a única coisa que lembrava a sua família.
— Uma hora você se acostuma — digo ao ver que Cristiano ficar atônito. — Ele já beijou na boca de todos nós.
— Mas a minha língua só entra na boca do Steve — conclui Lucas com gracejos.
Para finalizar, Cristiano entrega a Lila uma peça de roupas masculinas, camiseta branca, jaqueta, calças também com estampa camuflada e um par de coturnos pretos, o menor número que ele encontrou, tudo novo. Faz parte da indumentária dos capangas do prefeito. Aqueles eram para um novo recruta.
— Troque de roupa, meu amor. Não dá para enfrentar este mundo de vestido.
— Bem pensado — diz Lila.
Ela começa a puxar uma manga do vestido para baixo e os rapazes dizem em uníssono: NÃO!
— No quarto, doida — eu pego a roupa e a puxo para o quarto do Adam.
Depois de um tempo, ela volta pronta, os sapatos estão só um pouco folgados, ela se sente estranha os usando, é a primeira vez em anos, mas consegue usar e fica perfeita. A roupa lhe cai tão bem que parece que foi feita para ela.
— Vocês têm certeza que ela só tem 16 anos? — Lucas nunca deixa nada passar.