Pré-visualização gratuita Prólogo e Cap. 01
Prólogo
Bianca narrando
Jota: - NÃO É NADA DISSO QUE TU TA PENSANDO C A R A L H O. ESCUTA UM POUCO! - grita vindo atrás de mim.
Bianca: - TU ME TRAIU SIM, EU VI! - me viro e grito também para ele, apontando o dedo na sua direção e me olha furioso.
Jota: - TU TÁ LOUCA C A R A L H O! TU NÃO SABE O QUE TU VIU E TA FALANDO MERDA. - se altera respirando forte.
Bianca: - Eu venho há dias recebendo fotos tua e daquela v a g a b u n d a. - acuso nervosa.
Jota: - Não é possível c a r a l h o, não tem como! Eu nunca comi ela, nunca peguei ela nem nada. Eu te juro mano. - diz nervoso com as mãos fechadas em punho.
Bianca: - Quem jura mente Jeferson! Acabou. - digo me afastando.
Jota: ACABOU UM C A R A L H O! TÁ MALUCA P O R R A! - ele vem e segura no meu braço.
Bianca: - Se tu me machucar, eu nunca vou te perdoar. - digo olhando a mão dele no meu braço com os olhos cheios de lágrimas e ele me solta.
Jota: - Bianca, na moral, eu vou dá uma saída pra não me estressar contigo. Depois a gente continua conversando, jaé?! - ele diz e sai pela porta sem esperar nenhuma resposta minha.
Eu me sento no sofá com o meu rosto banhado em lágrimas, pego o meu celular e fico olhando as fotos do Jeferson com a v a g a b u n d a da Jéssica na cama, não é possível que seja montagem, não tem como uma imagem tão perfeita dessa. Já não gostava quando ele era apenas um vapor, aí se destacou, ele sempre foi muito bom em matemática e por isso o dono do morro gostou ainda mais dele o tornando gerente da boca muito rápido. E se de vapor as coisas já eram ruins com essas p u t a s em cima, desde que ele virou gerente a minha vida se tornou um inferno, ele também passa mais tempo fora, segundo ele, trabalhando, mas eu não sei o que pensar direito.
Tomo uma decisão, não sei se certa ou não. Subo no nosso quarto, troco a minha roupa e coloco uma muda de roupa extra numa bolsa pequena. Decido ir embora com o mínimo possível, não posso chamar atenção. Se um vapor me ver de mala e cuia capaz do Jeferson se teletransportar na minha frente virado no super saiyajin, do desenho dragon ball z que ele sempre gostou muito.
Com o essencial arrumado eu saio de casa sem olhar para trás, praticamente só com a roupa do corpo. Vou me esgueirando pelas vielas, o cabelo jogado bem para frente, tampando o máximo possível o meu rosto e consigo descer o morro sem ninguém me notar, pelo menos assim espero, mas creio que foi isso mesmo, pois passei na barreira sem problemas e sem o Jeferson me ligar, paro um táxi e entro pedindo que me leve a rodoviária e desligo o meu celular.
Capitulo 1
Bianca narrando
Eu sou a Bianca Tavares, tenho 20 anos e sou cria do Morro da Babilônia. Cresci aqui com a Camila, o Jeferson e o Matheus. Desde novinhos sempre estivemos juntos e juntos romanticamente também. Eu com Jeferson e a Camila com o Matheus.
Sempre fui apaixonada no Jeferson, desde novinho ele sempre foi um homão, todo grande, começou a treinar desde os 15 anos e ele só foi ficando cada vez mais gostoso com o tempo. Eu sempre fui mais magrinha, mas tenho peito redondinha e b u n d a. Me considero bonita, tenho 1 metro e 70 de altura, os cabelos mais curtos e um pouco ondulados, num corte long bob, na cor natural deles mesmo, castanhos escuros, assim como os meus olhos, nariz fino, os lábios grandes, corpinho todo no lugar, p e i t o pequeno, mas redondinho, povo acha até que é silicone, mas é natural e o quadril um pouco mais largo.
Com 16 anos comecei a ficar com o Jeferson, o s a f a d o investia em mim desde os 14 anos, mas eu achava a gente muito novo. No morro, tudo começa cedo demais. E assim foi a vida do Jeferson no crime, muito cedo ele começou, 1 ano depois que a gente começou a se envolver, eu relutei muito, quis terminar o nosso namoro, mas eu já estava apaixonada demais e fui fraca.
Então ainda com 17 anos começou o meu inferno. As garotas que não valiam nada começaram a se jogar nele por ver ele começar a ter uma condição um pouco melhor. O meu coração vivia na mão a cada invasão de inimigos e da polícia. E inteligente como ele sempre foi, ele começou a se destacar e logo virou gerente, ainda como vapor achou irregularidades em prestação de contas, porque sim, até no crime tem contabilidade, afinal o nome já diz, crime organizado. E assim ele foi ganhando a confiança do dono.
Eu terminei a escola e comecei uma faculdade tecnológica de RH na pista, o Jeferson que me deu, ele nunca quis que eu fosse trabalhar na pista, mas estudar ele nunca se importou, só vivia com ciúmes e dava vários surtos, quando podia ele ia me levar e me buscar, quando não, eu avisava a hora que eu passava na barreira tanto na ida quanto na volta. Mas claro que eu não fico sem trabalhar, gosto de ter o meu dinheirinho, então eu trabalho na recepção do postinho de saúde do morro.
Com 18 anos, a minha mãe, Katia, voltou ao nordeste para cuidar da minha avó que ficou doente. Como eu era maior de idade e não quis ir, ela foi sozinha. Sinto muitas saudades dela e ainda não consegui visitá-la, em parte porque o Jeferson faz drama para eu ficar longe, e em parte por questões financeiras. Mas estou me preparando direitinho para as minhas próximas férias ir lá. Apesar dos pesares, ela adora o Jeferson.
E a minha sogra, dona Joana, mesma coisa. Ele tem a mãe dele e é um excelente filho, dessa parte não tenho nada para falar que desabone ele. Pai, é sempre aquela história né, tanto eu quanto ele nunca nem vimos os nossos, mas também nunca fizeram falta.
Eu me considero uma pessoa muito tranquila, decidida, às vezes um pouco surtada, mas eu surto discretamente, sabe, é muito difícil ver eu dar show na rua. Qualquer coisa que eu tenha para resolver com qualquer pessoa eu gosto de resolver no particular, às vezes adoraria fazer um escândalo, mas não é do meu feitio. Esses anos com o Jeferson tenho passado muita raiva, a Jéssica marca em cima dele e tem hora que ele mesmo me irrita, parece que gosta, não sei, se faz de sonso, desentendido, vem com gracinha que só tem olhos para mim.
Já disse que ele próprio tem se que impor, que eu não vou ficar na rua brigando por causa de homem nenhum. E não é só ela não, o que não falta rondando aquela boca é p u t a. Um ranço, lavar uma roupa no tanque, ou uma pia de louça, ninguém quer.
Algumas até tem filho e fazem escândalo que quer vaga na creche do morro, mas não é pra trabalhar não, é pra ficar na rua o dia inteiro piranhando. Ranço.
Camila e Matheus são meus melhores amigos, e o Matheus tá na caminhada junto com o Jeferson também. Matheus é ainda mais grudado comigo que a Cami, ele teve uma irmã mais nova que faleceu pequena, por problemas de saúde. Foi um pouco antes da gente se conhecer, depois do ocorrido ele veio morar aqui no morro com a tia dele, com o falecimento da irmã, a família dele se perdeu e se desfez. Ele mudou-se para cá e fez de mim irmã dele, e só me chama assim, a Cami brinca que fica com ciúmes e diz que eu sou mais dela.
Mas foi assim que o nosso quarteto começou, eu e Cami já éramos amigas, praticamente vizinhas e ainda por cima, estudamos na mesma sala. E então veio Matheus e começou a nossa amizade. E em seguida o Jeferson se chegou, segundo ele porque já ficava de olho em mim e quando me viu muito com o Matheus que era novo na comunidade, já se adiantou para não me perder, um abusado né. E depois os casais se formaram.
Só que a vida às vezes toma caminhos que a gente não prevê.