Jota narrando
Saio de casa doido da vida com a Bianca que ta batendo neurose que eu trai ela com a p i r a n h a da Jessica. Essa p u t a também marca em cima, eu vou ter que partir para a ignorância desse jeito. Vou dar o papo pro cachorrão e vou meter a máquina no cabelo dela, não vai ter jeito.
Me pegou desprevenido nem vi ela vindo, veio meter o caô que tropeçou, logo em cima de mim, por reflexo segurei ela, mas o inimigo é f o d a mandou logo a Bianca na minha direção, o olhar dela me quebrou, mas ela também muito da tinhosa não deixou nem eu falar. Ainda vem jogar papo de foto c a r a l h o impossível.
Ainda quer me largar, ta é doida parceiro, larga p o r r a nenhuma mano, ta malucona. Sigo pra boca, vou adiantar umas paradas da contabilidade. To sentindo os caras pá porque eu to pegando firme, de olho mesmo, não tá dando para eles meterem a mão num real a mais do que o que eles têm direito. Eles nem oferecem para me comprar porque já sabem que vai ser sem ideia, dou o papo no cachorrão e vai ser sem massagem para eles. Eu sou do crime, não posso dizer que sou de todo honesto, mas também não vou morder a mão que me alimentou.
Não vou roubar do cara que me deu uma oportunidade quando eu precisei. Eu sou do crime, mas ainda tenho alguma decência. Até no crime tu tem que ter postura se não tu acaba com a tua mãe chorando porque te acharam numa vala qualquer em decomposição, 10 dias depois de morto, porque sentiram o teu corpo feder.
Fico umas duas horas na boca, me concentro que nem pego o celular, nem mandei nada para a Bia e nem ela me mandou nada. Desligo o notebook que uso para a contabilidade e guardo os livros caixa, mantenho as duas formas de organização. Pego o meu celular conferindo que realmente ela não mandou nada. No mínimo ainda ta p u t a, ou ja foi dormir chorando de novo, tá f o d a parceiro.
Quando to saindo da boca os fogos estouram no céu e o rádio começa apitar, os menor que ficam aqui próximo da boca, tanto vapor quando aviãozinho, fogueteiro, agora todo mundo vira soldado, são todos treinados. Eles já começam a se movimentar e eu vou junto, vamos para a sala de armas e munição e já vamos pegando as coisas, colete a prova de balas.
Cachorrão: - Quem tá invadindo nesse c a r a l h o? Propina tá paga p o r r a, ta me tirando?! - ouço sua voz bolada saindo do rádio e os menor responder que não sabem.
Subo numa laje um pouco mais adiante da boca e fico intocado, com a minha glock na cintura e a fuzil na bandoleira, os bolsos lotados de munição extra. É uma laje que, na verdade, o cara da casa tentou fazer uma área de lazer em cima, só não deu certo, não tinha estrutura, como não tem telha, vazava água da chuva dentro da casa, ela inclusive, tá até abandonada hoje em dia. A laje tem muros altos então dá pra ficar de boa escondido e ainda ter uma boa visão por meio dos buracos das lajotas do muro.
Meu celular toca e vejo que é o sub do morro, o Navalha, ele tem esse vulgo, pois anda sempre com uma navalha no bolso, que ele inclusive gosta de usar em torturas. Na moral mesmo? Topo com esse cara não, o meu sexto sentido não falha, sinto cheiro de traíra de longe, e ele é uma deles, por isso tomo muito cuidado, to sempre com um olho aberto. O Cachorrão na mesma medida que é implacável também é muito tranquilo e eu já disse a ele que esse jeito dele não combina com a função dele.
Em relação ao Navalha sem provas não posso fazer nada, seria colocar o meu pescoço sobre a guilhotina para a lâmina só descer e a minha cabeça sair rolando.
*ligação on*
Jota: - Fala memo – atendo me preparando para o caô, porque não sei o motivo dele me chamar, ainda mais no celular e não no radinho, ainda por cima no meio da invasão.
Navalha: - Tá na onde p o r r a? Em hora de confronto tem gerente não parceiro, é todo mundo soldado. - ele diz se achando, acha que manda e m alguma coisa, zé ruela do c a r a l h o.
Jota: - Pode pá meu sub patrão. - tiro uma com ele - Já to na atividade com os menor, brota. - quero ver qual a dele, ultima invasão sumiu. Não sei como o cachorrão releva uma parada dessa. Aí tem coisa.
Navalha:- Vou perder a minha paciência contigo Jota, tô te avisando. - ele diz nervoso – Que ponto da favela tu tá? - já corto ele.
Jota: - Aí dá pra bater papo não, p a u ta torando aqui, falou. - desligo o celular e f o d a s s e, depois resolvo essa parada, quem já tá perdendo a paciência no bagulho sou eu parceiro.
*ligação off*
Vejo uns caras se aproximando e penso, que p o r r a é essa, a roupa é militar, como a do exército, camuflada, calças e camisa, bota preta e coletes prova de balas, mas estão de touca ninja na mesma estampa. Com certeza não é o exército, bagulho é invasão pra tomar o morro e eu boto a minha mão no fogo que não é nenhum morro rival, os cara dá a cara a tapa, isso é coisa de c u z ã o covarde.
Enquanto os menor estão lá embaixo na trocação sincera, pra ajudar mais rapidamente, daqui onde eu tô eu dou aulas na mira, derrubando um por um com a fazul, os caras não sabem nem dizer de onde o tiro veio, eles procuram, procuram e nada. Até que eu ouço uma voz muito familiar, paro e controlo a minha respiração, me arrasto pela laje e arrisco uma olhadinha e p o r r a, é o Navalha, falando baixinho do celular intocado, ouço ele falar onde o Cachorrão fica nas invasões e diz estar me procurando, pois sou o unico que oferece perigo a ele. Filho da p u t a, eu sabia c a r a l h o!
Ele desliga e vejo ele tentar subir no na mesma laje que eu tô. Eu levanto meio agachado e vou para o muro oposto, o bagulho é alto, mas vai ter que dar certo, pois se não vai ser f o d a, nois dois vamos trocar tiro aqui em cima e um de nóis vai morrer. Quando eu vou pular o muro ele alcança a laje. Ele não perde tempo e saca a arma e atira. Eu puxo a glock que é mais rápido e atiro também.
Vejo ele caindo, mas não sei onde eu atingi, e eu me jogo pelo muro para não ser atingido caindo no chão igual um saco de cimento. P o r r a, e ainda bem na hora tá passando dois inimigo e eu descarrego a fuzil. Preciso sair daqui, mas tudo dói, pelo menos o tiro dele não me acertou.
Theus: - Bora irmão p o r r a, tava muito longe, demorei pra chegar. - ele chega correndo já me ajudando a me levantar, ele sempre sabe os pontos que eu gosto de ficar, mas ele tava nos corres do outro lado do morro. - Que que ta pegando? - faço um resumo rápido para ele. - P u t a merda, bora até o cachorrão então.
Corremos até o patrão no meio da trocação intensa, eu manco mais que tudo, mas tiro a dor do meu pensamento e acelero para chegar lá no ponto estratégico logo, mas infelizmente não é o suficiente. De longe eu avisto ele ajoelhado e um verme com ele na mira do revólver. Não penso duas vezes e atiro, mas o cara atira também, mas evito que ele acerte mais que um tiro.
Jota:- Patrão p o r r a! - digo alcançando ele e o Theus faz a nossa contenção. Meu tiro foi certeiro no inimigo, sem chance dele fazer mais nada. - UM CARRO NA CURVA DA RUA K AGORA C A R A L H O, PATRÃO FOI BALEADO! - grito no radio e não demora muito um menor chega cantando pneu. - Fica firme jaé?
Cachorrão: - Cade o navalha? - faço cara de desgosto. - Fala Jota, eu já ando desconfiado, só não queria acreditar. - ele diz com dificuldade.
Jota: - C a r a l h o Cachorrão, dei várias deixas pra tu, não falei mais porque nunca tive prova, acabamos de trocar tiro agora a pouco, duas ruas abaixo da boca, cai da laje os c a r a l h o. - ele pega o rádio dele enquanto eu ajudo a colocar ele no banco de trás do carro.
Cachorrão: - Acertou ele? Confirmo com a cabeça, ele pega o rádio - Tropa, quero o navalha agora na salinha de tortura. Esse vacilão armou para mim e se alguém estiver do lado dele vai passar m*l junto. - ele me olha e vejo o ar faltando nos pulmões dele. - Jota tá no comando, e se eu não viver, o morro é dele. - eu arregalo os meus olhos – Papo tá dado! - olho ele negando com a cabeça. - Tu tem potencial moleque, só escolha bem o teu sub. - ele diz olhando para o Theus.
Jota: - Chega dessa p o r r a. Leva ele Vitinho. - o menor arranca com o carro e eu pego o meu rádio – Bora geral botar esses c u z ã o pra descer e volto para o confronto.
...