WINDBER, WESTERN USA • 31 DE AGOSTO DE 2008
— Então… Como vocês chegaram aqui? Vocês moram aqui ou algo do tipo? — Ann-Marie procurava entender.
— Isso não importa agora, Ann. O importante é que eles me ajudaram. Obrigada. — Era a primeira vez que Olivia se manifestava.
Alec encarou Chris e afirmou com a cabeça. Christoffer então começou a sua fala, de maneira concentrada:
— Nós não moramos aqui, apenas passamos por perto e ouvimos o pedido de ajuda. — Sua voz ecoava como música. Ann-Marie o encarava encantada, sinal que a hipnose estava surtindo efeito. Já Olivia...
— Mas como escutaram? Eu não gritei tão alto assim... — Comentou, deixando a dúvida no ar.
Christoffer encarou o irmão de maneira confusa, já Alex esboçava um sorriso maroto em seus lábios. Ser sobrenatural, pensou ele.
— Então, Olivia, você disse que é de onde mesmo? — Alec questionou, enfatizando seu nome.
— Eu não disse… — Ela fitou-o confusa. — Eu vim de longe, um povoado distante. Você não deve conhecer. — A ruiva desviou o assunto.
— Ah, eu conheço muitos povoados. — Alec a encarava curioso.
— Bom, agradeço pela ajuda, apesar de não fazer ideia de como chegaram aqui. — Olivia se levantou e caminhou até a porta.
— Nós estávamos por perto e escutamos seu pedido de ajuda. Prontamente ajudamos e nada além disso. — Alec falou, encarando o fundo dos olhos da ruiva.
— Muito obrigada por isso. — Ela falou de maneira automática, o que indicava que a hipnose também havia funcionado nela.
— Você tem quantos anos mesmo? — Chris perguntou a ela, interessado.
— Dezenove. Por quê? — Ela estava um pouco desorientada, efeito colateral da hipnose.
— Interessante… — Alec murmurou pensativo. — Você, Ann-Marie, é daqui mesmo?
— Sim, eu nasci aqui. — Ela também estava confusa.
— Engraçado, você é extremamente parecida com uma amiga nossa. Desculpe-nos o jeito de te olhar, mas é notável a semelhança entre vocês. Ann-Marie é um nome um tanto quanto diferente. É de família? — Alec perguntou curioso.
— É uma tradição de família. Minha mãe se chamava apenas Marie.
— Encantador. Nossa amiga se chamava Marie também, mas seria muita coincidência. E ela vivia na França, faz alguns anos desde a última vez que nos falamos. Seria impossível ter alguma relação com você.
— Bom, como dizem que temos sete pessoas igual a nós pelo mundo, é possível que ela seja uma delas, não é mesmo, Alec? A família da minha mãe é da França, então não duvido de um parentesco. Porém, não tenho acesso a eles.
— Provavelmente uma grande coincidência. Desculpe-me o incômodo.
╬╬═════════════╬╬
— Irmão, você acha que Ann-Marie pode ter algum parentesco com Marie-Jeanne? — Chris questionou Alec, ainda confuso. De alguma maneira, estar perto de Ann-Marie o deixava desordenado.
— Não duvido! — Alexander ainda estava pensativo com relação a Olivia. — Ela é da França e completamente idêntica a Marie-Jeanne, com certeza tem parentesco. Provavelmente ela é da mesma família de sua amada.
— No que você tanto pensa, irmão? Vejo que algo está deixando-o intrigado. — Chris sempre se preocupava com o irmão.
— O fato de Olivia ser um ser sobrenatural. Aposto em lobo. Se fosse vampira, reconheceria seu nome quando apresentou-se a ela. A não ser que você não tenha usado o Bloodeye.
— Eu sempre uso, Alec. — Chris comentou, rolando os olhos. — Às vezes ela não ouviu falar de você. Ela mesma disse que vem de um povoado distante.
— Não ouvir falar sobre mim é algo intrigante. Será que esse povoado é tão pequeno que nem mesmo mencionam outros seres sobrenaturais?
— Por que não pergunta a ela? — Chris sugeriu ao irmão.
— Essa pode ser uma ideia interessante, irmão. Mas não posso despejar um turbilhão de informações sobre ela.
— Preocupado com outra pessoa além da família, irmão? Interessante... — Debochou de Alec.
— Vou procurar ela no bar amanhã. — Ignorou a fala do irmão.
╬╬═════════════╬╬
Alec chegou ao bar e havia pouquíssimas pessoas ali. Viu uma mesa um pouco afastada e se sentou lá. Estava com a cabeça abaixada, quando notou que alguém parou ao lado dele.
— Olhe, se não é o carinha que me salvou. — Olivia sorriu para ele.
— A ruivinha valente.
— Valente? — Ela riu, surpresa com o elogio. — Eu estava apavorada. Depois até consegui zombar da situação, mas a verdade é que eu estava aterrorizada.
— O importante é que nada de r**m aconteceu a você. Hoje a noite será bela. Você pensou nisso? A lua cheia estará mais brilhante que nunca! — Alec tentava descobrir mais sobre a bela ruiva.
— Escuta — Olivia olhou para os lados, procurando se alguém ouvia a conversa dos dois. —, eu sei, tá bom? Você é vampiro e me hipnotizou ontem.
— Não sei do que está falando. — Alec deu de ombros.
— Jura? Porque eu sei bem do que estou falando! — Ela parecia levemente irritada.
— Bom, suponho que você também seja alguma coisa. — Alexander sugeriu. — Loba, talvez?
— Olha, eu não quero problemas com seu tipo de pessoa. E nem com a minha família. Agora, se me der licença, eu preciso trabalhar.
Alec sentiu seu coração palpitar, um nervosismo tomou conta dele. Confuso, encarou a garota à sua frente. Notou que ela estava nervosa, sua boca estava seca, suas mãos suando e seu coração palpitando. Tudo que Olivia estava sentindo naquele instante, Alec também sentia.
— O que isso significa? — Ele acabou murmurando alto demais.
— Como? — Olivia olhou sem entender para ele.
— Eu deixo você nervosa? — Perguntou a ela, fazendo Olivia desviar seu olhar.
— Não, claro que não! — A garota rapidamente respondeu.
— Não é o que parece! — Ele falou, com um sorriso maroto estampado em seu rosto.
— Eu preciso trabalhar. Se me der licença… — Antes que ela pudesse sair, Alec segurou o seu pulso.
— Você não perguntou qual seria meu pedido.
— Ah, você quer alguma coisa? — Ela debochou. — Achei que queria apenas me atazanar.
— Bom, eu quero um whisky duplo com gelo, por favor. — Alec ignorou o comentário da ruiva.
— São dez da manhã!
— Sim, e vocês estão funcionando. — Ele deu de ombros.
— Porque vendemos café! — Olivia apontou para o balcão, mostrando como se fosse óbvio.
— Sendo assim, me traz um muffin e o whisky. Preciso ir trabalhar ainda.
— Então, você trabalha...
— Para quem não estava interessada, até que é bem curiosa. — Comentou sarcasticamente.
A ruiva rolou os olhos e saiu dali, deixando Alexander pensativo. Será que o que ele sentiu era um reflexo do que Olivia estava sentindo? Isso explicaria o medo que estava sentindo na noite anterior. Mas isso não fazia o menor sentido para ele. Em todos os seus anos de existência, nunca havia acontecido algo do tipo.
— Aqui está! — Olivia colocou o copo e o muffin sobre a mesa.
— Muito obrigado, lobinha. — Alec sorriu para ela.
— Eu não disse que sou loba!
— Na verdade, você se entregou no "seu tipo de pessoa". — Ele zombou da fala dela.
— Você é sempre assim?
— Depende... — Alec deu uma golada na bebida e encarou Olivia.
Por alguns segundos ele se perdeu naquela imensidão esverdeada. Olivia encarou com profundidade aqueles olhos maravilhosamente azuis e sentiu seu coração parar por alguns instantes, até respirar ficou difícil. Alec se sentia confuso, jamais havia passado por algo do tipo e não fazia ideia de como lidar com seus sentimentos.
— Ei, Olivia! Me ajuda aqui. — De longe escutaram Zoe chamando-a, o que fez os dois desviarem o olhar rapidamente.
— O que acabou de acontecer? — Alexander murmurou para si mesmo.