19

2986 Palavras
CHRISTOPHER Uckermann pov's Quais as malditas chances daquilo acontecer? Como eu poderia prever que de todos os homens do mundo minha mãe se casou justamente com o pai da Dulce? Lembro-me bem de cultivar ódio pelos dois, de desejar toda a infelicidade do mundo para esse relacionamento que começou com traição. Ela partiu o coração do meu pai, o destruiu, fez ele ficar no fundo do poço e demorar anos para se reerguer.  Eu quis apagá-la da minha vida e por muito tempo achei ter conseguido. Achei que se um dia a visse de novo não sentiria nada, mas eu senti. Meu coração se partiu em mil pedaços por ver aquele sorriso tão grande e por saber que ela não sorria assim quando estava comigo e com o meu pai. Meu primeiro instinto foi sair de perto e correr para qualquer lugar onde eu não pudesse vê-la.  Agora eu estava no meio do estacionamento com Dulce. Ela ainda segurava o meu rosto e parecia chocada ao ouvir que sua madrasta era a minha mãe.   — Você quer ir embora? — ela perguntou. — A gente pode ir.  — Eu não... Não vou estragar a sua noite. Você quer ver o seu pai, quer passar uma boa imagem para a sua família. Não vai ser legal ir embora assim.  — Eu respeito o que você está sentindo, de verdade. Não me importo em ir embora.  — Eu estou bem. — engoli em seco e tentei me recompor. — A gente vai entrar lá e fingir que nada aconteceu. Faz quase vinte anos que ela não me vê, tenho certeza que nem vai me reconhecer.  — Quando você disser o seu nome talvez ela te reconheça.  — Ou talvez não.  — Tem certeza que quer fazer isso?  — Eu sou um homem adulto, eu sei me controlar. Esconder emoções é o meu ponto forte. — estendi a mão para ela.  Dulce sorriu fraco, segurou minha mão e eu a puxei de volta para o salão de festas. De longe, avistamos o Fernando. Ele olhou na nossa direção e sorriu, aproximando-se em seguida. Ele não estava mais acompanhado de Alexandra, então seria mais fácil lidar com isso, por mais que a presença dele também não me fosse tão agradável assim.  — Minha garotinha! — ele abriu os braços e a abraçou.  — Oi, papai! — Dulce sorria enquanto seu pai a aconchegava em seus braços de uma forma muito carinhosa.  — Você está tão linda, como sempre esteve. — ele disse segurando as mãos dela depois que finalizaram o abraço.  — Obrigada, pai. É muito bom te ver, eu morri de saudades.  — Eu também estava louco de saudades, mas tenho boas novidades pra hoje.  — Eu também tenho boas novidades. — Dulce olhou para mim e segurou minha mão em seguida. — Pai, esse é o meu namorado, o Christopher.  — É um prazer conhecê-lo, senhor Saviñon. — eu disse formalmente, apertando a mão dele em seguida.  — Pode me chamar de Fernando. — sorriu. — E eu sei que nem preciso fazer mil perguntas sobre você. Dulce é a pessoa mais inteligente e exigente que eu conheço. Tenho certeza de que você é um bom rapaz. — ele parecia ser um cara muito gentil, mas a parte de mim que o detestava ainda gritava alto.  Conversamos mais um pouco, contamos como eu e Dulce nos conhecemos e eu consegui manter uma pose calma durante todo o tempo. Até que fingir emoções era mesmo o meu forte.  — A Alexa estava conversando com a sua avó, mas ela já está vindo. — Fernando disse, olhando por cima do ombro de Dulce.  Não olhei para trás, mas ainda assim fiquei tenso ao saber que ela se aproximava.  — Dulce, querida! — a voz dela... a mesma voz de antes. — Você está tão linda!  — Obrigada, Alexa!  Pela minha visão periférica, eu vi as duas se abraçarem.  — Ei, amor, adivinhe só, Dul está namorado! Não é ótimo? — Fernando anunciou animado. — Esse é o Christopher. — acenou com a cabeça na minha direção.  Finalmente ergui a cabeça e criei coragem para olhar para ela. Sim, era mesmo a minha mãe. Ela não havia mudado quase nada desde que a vi pela última vez. Ela estava sorrindo quando a olhei, mas seu sorriso morreu gradativamente, dando lugar a uma expressão séria e preocupada. Se ela ainda não tinha me reconhecido, estava quase lá.  — É um prazer conhecê-la. — fui o mais frio que pude, mantendo a voz calma e com um tom gentil.  — É... o prazer é meu. — já a voz dela saiu estremecida.  — Acho que já vão servir o jantar. Vou garantir um lugar ao lado da mamãe. — o pai de Dulce avisou. — Falamos com vocês depois.  Os dois se despediram e caminharam em direção à grande mesa onde o banquete seria servido. Olhei para a minha mãe e a vi virar a cabeça na minha direção uma única vez, ainda com a mesma expressão de choque.  — Você foi ótimo. — Dulce disse. — Se eu não soubesse, diria que você não a conhece.  — Eu não a conheço. — afirmei.  Ela entendeu o que eu quis dizer com aquilo e acenou positivamente.  Dulce enlaçou seu braço ao meu e nós fomos até a mesa. Seu primo Hart estava sentado ao lado de Maite e aproveitou para me lançar um olhar desafiador quando me aproximei. O ignorei e puxei uma cadeira para Dulce, sentando ao lado dela logo depois.  A família inteira se acomodou e eu me vi obrigado a ficar de frente justamente para a pessoa que eu mais queria ignorar naquele lugar. Alexandra nem conseguia evitar de ficar olhando para mim constantemente e mesmo me sentindo desestabilizado de início, agora eu me sentia capaz de ficar ali até o fim da noite.  DULCE Saviñon pov's Tudo foi bem com Christopher apesar do infeliz encontro com a mãe que ele não via há anos. Fiquei impressionada com o autocontrole que ele teve, mas sabia que quando alguém guardava as emoções para si mesmo, estas acabavam explodindo de vez depois. Eu não queria que ele desmoronasse.  — Eu disse pra ficar de olho na sua mãe. — Maite, que estava sentada do meu lado direito, sussurrou em meu ouvido. — Ela bebeu demais e está a um passo de fazer uma cena.  — A partir de hoje, isso não é problema meu. — sussurrei de volta.  — Eu consegui fazer ela e o tio Fernando não se encontrarem, mas com todos aqui na mesa fica difícil.  Desviei o olhar para a minha mãe, que estava em uma das pontas da mesa. Ela bebia champanhe e estava com aquele olhar debochado com um ar de descontentamento. Se ela já era grosseira sem álcool, agora as coisas ficariam piores.  Antes do jantar, nós cantamos parabéns para a vovó Hellen. Até aí, tudo em paz. Os garçons serviram a comida e quando estávamos com os pratos preparados, os discursos começaram. Primeiro com os filhos. Agradeci aos céus por meus tios terem falado antes que o meu pai. Não me surpreenderia caso minha mãe quisesse alfinetar o discurso dele.  E foi aí que o meu pai ficou de pé para fazer o seu brinde. No mesmo momento, eu já estava fazendo umas dez preces para que Deus adormecesse a língua da minha mãe, a impedindo de falar pelos próximos dez minutos.  Meu pai começou falando o quanto amava a própria mãe e o quanto estava feliz por ela estar completando mais uma primavera. A todo momento, eu tratava de observar Blanca, que apesar de estar revirando os olhos e enchendo a sua taça de champanhe, ainda não se pusera a dizer nada.  — Me sinto ainda mais feliz agora que tomei a decisão de voltar a morar aqui definitivamente. Vou ficar mais perto da minha mãe, da minha filha e de toda a família. — meu pai disse sorrindo.  Uma risada sarcástica foi ouvida e eu fechei os meus olhos e murmurei um "c****e".  — Algum problema, Blanca? — meu pai ficou incomodado e não iria se omitir diante da provocação.  — Não, nenhum. — ela disse. — Só acho engraçado você querer ficar perto da família agora, mas não ter se importado com ninguém quando fugiu com o seu brinquedinho.  — Não fale assim da Alexa! — meu pai aumentou o tom de voz.  — Gente, aqui não é lugar pra isso! — tio Timothy, o pai de May, alertou.  — Essa família não é lugar para a Blanca. — meu pai retrucou.  — Como é que é!? — Blanca gritou, ficando de pé. — Eu dei o meu sangue por essa família! Sua mãe me acolheu quando você me abandonou! Eu fiquei ao lado de todo mundo, eu amei essas pessoas como se tivessem o meu sangue, eu lutei pelo sobrenome Saviñon por eles e não por você! Eu mereço estar aqui bem mais do que o filho ingrato e o pai negligente que você é! — Você é uma aproveitadora, isso sim! E não venha falar de negligência, você nunca tratou a Dulce como uma mãe deveria tratar um filho!  — E onde você estava enquanto ela crescia!? Presentes de natal e visitas em feriados não são o suficiente! Mas você fez o mínimo, o pior foi a sua esposa que não fez nada pelo filho dela!  — Blanca! — aquele grito do meu pai foi uma verdadeira advertência.  — Eu sou aproveitadora, Fernando? — bebeu todo o champanhe em um gole só. — Essa daí largou o marido mecânico pra ficar com o milionário! Largou o próprio filho só por causa de dinheiro. Mas você se fodeu, Alexa. O cara que você largou ficou rico. — ela começou a caminhar, dando a volta na mesa. — E adivinha só? — parou atrás de Christopher e colocou as mãos nos ombros dele. — O seu pequeno príncipe de coração partido se tornou um empresário. Fala pra ela, Christopher. Fala pra sua mãe o que ela perdeu por ter te deixado.  O burburinho começou, todos estavam pasmos e agora Alexa se encontrava aos prantos, olhando para Christopher com um remorço estampado em sua testa. Christopher, por sua vez, respirava fundo, seu rosto passou de neutro a furioso em uma fração de segundos.  — Que maravilhoso, não é? — minha mãe falou mais alto, agora com uma das mãos também em meu ombro. — Igual Romeu e Julieta. Mas não se preocupe, querida. — segurou o meu queixo e sorriu. — Mamãe apoia você.  Agora quem estava furiosa era eu. Christopher estava claramente desestabilizado e tudo isso por culpa do desequilíbrio emocional da minha mãe.  — Já chega, Blanca. — fiquei de pé e agarrei o braço dela. — Tudo tem limites!  Saí arrastando ela até a saída, mesmo com ela protestando e tentando se soltar.  — Você não me ouviu!? — ela reclamou quando chegamos ao jardim e eu finalmente a soltei. — Eu disse que apoio você! Eu apoio o seu namoro! Não era isso que você queria quando disse na minha cara que eu era uma mãe horrível?  — Apoia o meu namoro por conveniência! Agora eu entendi o porquê de você não ser exigente com o Christopher. Como você tem coragem de brincar com as emoções dele assim? Isso te faz sentir melhor?  — Não, não faz! — começou a chorar. — Não faz... Eu só... Eu abandonei a minha família pelo seu pai. Eu abdiquei de quem eu era porque os Saviñon eram os rivais que o meu pai mais detestava. Eu fiz tudo por amor. Tudo. E o que eu recebi em troca? Um par de chifres e uma criança pra criar sozinha.  — Eu tinha dez anos. Você já era bem r**m antes disso.  — Não. Eu só tentava te incentivar a fazer coisas divertidas como pular corda, desenhar, brincar na caixa de areia... só isso. Eu não entendia que você estava à frente disso. Eu não entendia o quão você era boa demais. Eu achava que tinha alguma coisa errada com você. Eu só compreendi que você era um gênio depois que você começou a ganhar aqueles prêmios na escola. Mas aí era tarde. Seu pai tinha me deixado e eu estava louca.  — Ainda está.  — Eu sei. — acenou positivamente. — Mas essa sou eu.  — Não é não. E se você continuar aceitando ser assim, eu não quero ficar perto de você.  Ela ficou em silêncio, apenas deixando as lágrimas correrem por sua face. Eu queria abraçá-la e dizer para não chorar, mas aquilo tinha que doer pra que ela aprendesse.  — Dulce! — a minha tia Edna veio em nossa direção. — Acho que a sua mãe precisa de um pouco de café e um banho gelado. — abraçou Blanca de lado. — Eu vou levá-la pra casa.  — Obrigada, tia.  Observei as duas se afastarem e irem até o estacionamento.  Outra pessoa saiu do salão de festas e eu virei minha cabeça, encontrando um Christopher bem diferente das versões que eu conheci até aqui. Ele parecia indefeso.  — Dulce, a gente pode ir embora? — pediu.  — Claro. — concordei no mesmo instante. — Você... Quer jantar na minha casa?  — Sim. Antes que pudéssemos ir até o carro, mais alguém resolveu vir até o jardim. Alexandra estava com a maquiagem borrada de tanto chorar e parecia ter corrido. Meu pai apareceu logo atrás dela, com um semblante preocupado.  — Christopher— ela caminhou até ele, mas parou a alguns metros de distância. — A gente pode...  — Não, a gente não pode. — Christopher a interrompeu. — Eu não tenho nada pra falar com você. — deu as costas para ela. — Vamos, Dulce. Fiquei parada olhando para Alexandra e querendo fazer alguma coisa por ela. Nós duas não convivemos muito tempo juntas, mas o pouco que ela esteve perto me fez ter uma boa imagem da mulher que ela é. Sempre muito amável, sempre sabendo o que dizer. Eu nunca imaginei que ela tivesse um passado r**m, então ver as suas verdadeiras cicatrizes me confundiu.  — Dulce. — Christopher me chamou novamente.  Andei até ele e depois de segurar sua mão, nós dois fomos até o seu carro e saímos de lá em direção ao meu apartamento. Não conversamos nada de importante durante o caminho. Apenas decidimos o que jantaríamos, já que m*l tivemos a chance de aproveitar o banquete no aniversário.  Passamos em um restaurante de comida chinesa e seguimos de forma silenciosa até o nosso destino.  Já em meu apartamento, eu resolvi trocar de roupa antes de comermos e aproveitei para retirar o vibrador que eu quase havia esquecido ainda dentro de mim. Vesti uma camiseta e um short, calcei meus chinelos e fui até a cozinha.  Christopher havia tirado o blazer, a gravata e aberto os primeiros botões da camisa, além de ter retirado os sapatos. A mesa já estava posta e ele mesmo serviu os nossos pratos.  — Então, o que achou da minha família no geral? — perguntei ao sentar ao seu lado.  — A maioria é bem legal. — disse apenas.  Ele estava mais desanimado do que o normal e vê-lo assim estava me fazendo sentir da mesma forma.  — E olha que hoje nem foi um grande escândalo, acredita? A gente já passou por coisa pior.  — Pior do que a sua madrasta ser a minha mãe, eu ter socado a cara do seu primo e a sua mãe ter me exposto na frente de todo mundo? — arqueou a sobrancelha. — Não quero nem saber o que é pior que isso.  Vendo que a melhor opção era o silêncio, eu olhei para o meu prato e tratei de comer para evitar qualquer conversa constrangedora. Estava cedo demais para falarmos sobre os acontecimentos recentes.  Assim que terminamos de comer, eu automaticamente levei os pratos até a pia e comecei a lavar. Christopher continuou sentado à mesa e nós continuamos a não trocar uma só palavra.  Terminei com a louça e quando estava enxugando minhas mãos no pano, senti as mãos dele em minha cintura, agora envolvendo o meu corpo. Christopher afastou o meu cabelo e beijou o meu pescoço. Fechei os meus olhos para sentir a carícia e logo ele girou o meu corpo e me beijou com ansiedade.  Suas mãos se apressaram em retirar minha blusa e eu tratei de abrir os botões de sua camisa, jogando-a no chão logo depois. E entre aqueles beijos, nós fomos andando pelo apartamento, ora tropeçando, ora parando em alguns pontos só para aproveitarmos um pouco mais daquele beijo.  As roupas ficaram pelo caminho e chegamos ao quarto já despidos. Fui atirada na cama e tive todo o meu corpo beijado. Não nos demoramos em preliminares e depois de nos prevenirmos, ele já estava dentro de mim, minhas pernas envoltas em sua cintura enquanto ele fazia movimentos lentos e rítmicos. Acho que ele nunca me abraçou tão forte durante o sexo quanto estava fazendo agora. Era como se ele achasse que eu pudesse fugir caso ele me soltasse.  Eu sabia que toda essa intensidade e essa necessidade de contato físico era sinal de carência e uma dor que só Christopher entendia. Naquela noite, tudo foi diferente. Naquela noite, não era só pelo orgasmo, não era só sexo. Ele precisava de algo em que se apoiar, precisava extravasar de alguma forma e t*****r pareceu ser a opção mais correta.  Ele também me beijou muito mais do que fez nas outras vezes. Eu senti o quanto ele precisava de mim e fiz o possível para que ele sentisse que eu estava disposta a saciar as suas necessidades físicas e emocionais.  Quando terminamos, eu estava tão exausta que simplesmente apaguei, tendo noção de que provavelmente ele teria ido embora quando eu acordasse.  Mas... Não foi bem assim.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR