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Milk Sheik

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casamento arranjado
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Sinopse

Milk Al-Amari, 19 anos. Nasceu na parte baixa do país. Pobre de marré marré.

Zyan Al-Baghdadi, 27 anos. Herdeiro do título sheik, um dos indivíduos com maior status social, popularidade e dinheiro do país. O pai de Zyan exige que ele se case, não quer morrer, sem ver o filho arranjado com pelo menos uma mulher. Zyan cresceu na América, estudou muito e se tornou muito diferente do pai. Mas o amava e não queria desagradá-lo. Aceitou a promoção de um concurso. Todas as mulheres de 18 a 27 anos poderiam se inscrever. Mas só teriam 30 vagas. Ou seja, somente as 30 primeiras inscritas, entrariam para a o concurso.

Milk. Leite em inglês. Por ser tão branca quanto o líquido. Albina de nascença, e pobre por descendência. Uma família grande e sempre faminta. Seu pai não vê outra saída, a não ser casar a filha. E um concurso surge, para dar esperança, inscreve-a, e lá vai ela, contrariada mas resignada.

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Milk Al-Armari
Milk estremece ao ouvir o anúncio de que o Sheik entraria, e escolheria 15 dentre as 30 moças inscritas. Maldita hora que seu pai a inscrevera naquele concurso. Nunca sonhou em casar, não podia pensar em ter de fazer as vontades de um homem para sempre. Ela queria mesmo era estudar, sair desse país, conhecer o mundo. Queria poder ir a praia, vestir um biquíni, igual aquelas moças das revistas. Riu internamente, onde já se viu...? Não, não teria coragem. Estava com 19 anos, quase 21. Quando poderia ser considerada uma adulta de verdade, e assim esperava conseguir uma oportunidade de estudar fora do país. Queria ser arquiteta. Se fascinava com as construções, e só conseguia pensar em ela própria desenhá-las, formulá-las e transformá-las. Não ousou erguer os olhos ao perceber a presença do Sheik. Nem lembrava-se o nome dele direito, Zyan não sei de quê. Travou os maxilares só de pensar em ser obrigada a casar com o tal homem. Ouvira horrores dele pela cidade. Um libertino dos piores. Mas o pior era seu pai, aquele era a ruindade em pessoa. Como o filho poderia ser diferente? Estremeceu só de pensar. Zyan observa as mulheres enfileiras, uma ao lado da outra. Todas bem vestidas, com suas vestes coloridas, e os hijab protegendo-as. Viera de volta a seu país fazia pouco mais de seis meses. Passara boa parte de sua vida fora do país, estudando, conhecendo novos lugares. Mas seu pai estava doente, e ordenou que voltasse, e nos últimos meses fez de tudo para que aceitasse se casar. Arrumou princesa de não sabia onde, escrava de não sabia quem... e ele não aceitava. Então seu pai em um último pedido, antes de sua morte, pediu que fizesse um concurso, e ele próprio escolhesse sua noiva. No início recusou, mas então se viu entre a cruz e a espada. Seu pai vinha piorando, e precisaria assumir os negócios. O homem era implacável com todos, mas sempre foi bom com ele. O amava, não poderia ignorar o seu último pedido. Então cedeu. Agora via-se diante de 30 mulheres, que se submeteram ao concurso. Ele sabia que muitas estavam ali por interesse por sua posição social. Mas era sua chance de encontrar uma esposa, que pudesse pelo menos o agradar, e talvez pudessem se amar e respeitar, assim como seus pais. Respirou fundo, lembrando-se das inscrições. Muito básicas, apenas apresentavam nome, altura, peso e idade. Não tinha como saber nada só com isso. Passou os olhos novamente por cada uma. Várias o olhavam de forma sedutora, outras com olhos inocentes. E algumas ainda com curiosidade. Mas tinha uma delas que estava com os olhos baixos. Era magra e não muito alta. Era branca como flocos de neve, franziu o cenho pensando em como uma pessoa podia ser tão branca. Os cílios longos também eram tão loiros, que beiravam o branco, assim como suas sobrancelhas. O único destaque eram os lábios avermelhados, naturalmente. Maneou a cabeça e teve vontade de chamar seu número. 16. Mas optou por escolher entre a que mais achava bonitas, ou que pareciam realmente interessadas. Afinal, o país tinha partes muito pobres, e ela podia estar sendo obrigada a ir ali, por necessidade. E ele queria uma pessoa que o quisesse de verdade. - Quatro. - Bradou em sua melhor voz. E a jovem deu um passo a frente. - Onze. - Um. - Trinta. - Vinte e Sete. - Vinte e Nove. - Cinco. - Nove. - Dezenove. A cada novo número que ele falava, Milk trancava a respiração. E agradecia a Deus. - Dezessete. Gelou. Quase Dezesseis, Meu Deus! Passou muito perto. - Vinte. - Vinte e Um. - Vinte e Quatro. - Vinte e seis. Faltava apenas um número. Milk, não aguentava a ansiedade de poder fugir dali. Ergueu os olhos brevemente, e que Deus tivesse piedade dela. Seus olhos cruzaram com o verde, dos olhos de Zyan, e por um segundo o ar parecia suspenso, tudo acontecia em câmera lenta, ele maneou a cabeça e entreabriu os lábios. Zyan observava a garota que ainda estava de olhos baixos. Era seu último número, e pensava se valia a pena. Então seus olhos se ergueram, e foi como se um raio o tivesse atingido. Os olhos prateados brilharam, como dois espelhos virados para o céu límpido de um dia de verão. Não importava os motivos por ela estar ali, ela estava, e ele a escolheria! - Dezesseis! Milk baixou os olhos e deu um passo a frente, juntando-se as 15 escolhidas.

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