Zyan esperou que as candidatas não selecionadas saíssem do grande salão, para começar a sua apresentação.
- Irei a cada uma para cumprimentar. Aguardem a sua vez. - Ele brada com sua voz alta e clara. Ele poderia escolher qualquer uma que quisesse. Mas resolveu escolher por ordem numérica crescente. Dirigiu-se para a número 1.
Parou em sua frente, a qual a moça, inclinou-se em cumprimento.
- Seu nome? - Ele perguntou analisando cada traço da garota. Era morena, cor de cuia, suas feições eram fortes e determinadas. Com certeza uma bela jovem.
- Aisha. - Ela responde dando-lhe o melhor dos sorrisos.
Passa para a próxima. Número 4. - Seja bem-vinda...?
- Fátima. - Ele assente enquanto avalia a bela mulher, também morena, no entanto com menos corpo, e mais baixa.
- Você?
- Hanna. - Ela faz uma pequena reverência e pisca para ele, que se surpreende com a audácia. As mulheres dali costumavam ser sempre contidas, mas os tempos estavam mudando, não é mesmo?
- Bem vinda, Hanna. - Ela era clara, com olhos verdes, mas a pele morena, queimada do sol talvez. Tinha o corpo avantajado e curvas proeminentes.
- Prazer...?
- Iasmin. - Zyan gostou dela. Tinha um sorriso simples, e se mostrava simpática sem exageros. Seu semblante demonstrava pureza e inocência.
Parou de frente a próxima. Uma pequena garota que estava vermelha, como um pimentão. - Tudo bem? - Questionou-a e viu-a assentir depressa.
- Isa! - Falou seu nome e baixou os olhos. Zyan seguiu finalmente para a próxima, que era quem ele queria que fosse a primeira. A número 16.
- Senhorita? - Ele tranca a respiração esperando-a erguer os olhos. E quando ela os ergue novamente sente-se sendo eletrocutado.
- Milk. - Zyan solta um pequeno sorriso.
- Milk?
- Sim. - Ela responde encarando-o bem dentro dos olhos. Sentia-se hipnotizada pelo verde profundo.
- Leite, em inglês? - Ele insiste e Milk dá um sorriso sem querer.
- Já deve imaginar o porquê. - Zyan assente.
- Faz sentido. - Ela era realmente tão branca quanto o leite de uma vaca. Não lembrava-se de ter visto alguém assim antes.
- Albinismo. - Ela sussurra, como se ele não soubesse, a verdade era que ele nem lembrava-se dessa condição.
"anomalia orgânica congênita que se caracteriza pela ausência total ou parcial da pigmentação da pele, dos pelos e dos olhos.."
- Gostaria que aceitasse jantar comigo, hoje! - Zyan trata de fazê-la a primeira escolhida para uma refeição.
Milk percebe os olhares das outras garotas sobre si, assim como o do Sheik, aguardando a sua resposta. Como se ela pudesse dizer que não! Uma vez ali dentro, era propriedade deles, até que a mandassem embora.
- Claro! Será um prazer. - Falou forçando um sorriso, e voltou a baixar os olhos.
Zyan, ergueu o rosto dela com as pontas dos dedos, fazendo-a encará-lo assustada. - Qual sua idade?
- 19. - Respondeu ainda séria, sentindo os dedos grandes, tocando-lhe o queixo.
Ele sorri e segue para a próxima garota.
Milk não consegue concentrar-se no nome das próximas, afinal o homem tinha a tocado! Isso era permitido? Tentava controlar a respiração e a vontade de sair correndo pelo grande salão, rumo a sua casa.
Zyan, m*l se atentou as próximas candidatas. Fascinou-se pela voz suave e doce de Milk. Sorriu involuntariamente. Seus pais foram sagazes ao escolher seu nome.
Nádia, Hadassa, Samara, Soraia, Thamires, Zaya, Raíssa, Layla e Rosana.
Finalmente chegara ao fim da fileira. Voltou-se para o centro.
- Todas estão liberadas para irem aos seus aposentos. Terão uma acompanhante que lhes dará apoio e auxílio em tudo que precisarem. - Todas começam a se encaminhar para a saída, então ele a chama. - Milk! - Ela para e vira-se para ele. - Você, já pode me acompanhar para a refeição.
Milk sente que não conseguirá andar até ele, seus pés estão colados no chão. Que mërda! O que ele queria com ela? Um dos guardas lhe estendeu a mão em direção ao sheik, fazendo-a dar-se conta que ele ainda a esperava no mesmo lugar. Assentiu e foi até ele, que lhe deu o braço.
Zyan observava a garota caminhando ereta ao seu lado, parecia até que estava indo para o abate. Pequena, com o corpo aparentemente magro, e com poucas curvas. O que ela tinha que o tanto fascinava? Seria sua pele apenas, que estava causando curiosidade?
Ao adentrarem na grande sala, reservada para a primeira refeição noturna, viu-a respirar e erguer a cabeça, deixando mais visível seu belo rosto, com traços suaves e harmoniosos.
- Tudo bem? - Questionou-a intrigado.
- Está refrescante aqui dentro. - Ela arregala os olhos prateados.
- Ar condicionado. - Diz com um leve sorriso.
Milk assente e sorri. - Descobri que amo ar condicionado.
Zyan ri da garota e a encaminha para a mesa. A mesa é grande, e farta. Colocam-se sentados um de frente para o outro. - Podem começar a servir. - Ele diz, e assim o fazem.
No primeiro prato Milk, sente que vai desmaiar. O cheiro está maravilhoso, o que era aquilo? Põe-se a comer, esquecendo-se que alguém do outro lado da mesa a observava. Fazia dias que vinham racionando comida, deixando para os mais velhos, ou crianças. Por um momento fechou os olhos, agradecendo a Deus por seu pai tê-la levado até ali, pelo menos uma refeição ela estava tendo.
Zyan admirava-se com a forma de Milk comer, ela comia rápido e não desvia o olhar do prato. Era difícil conhecer mulheres que não se preocupassem em comer pouco, principalmente na frente de um homem.
Depois de vê-la respirar, comenta. - Está gostoso?
Milk arregala os olhos, e tinha certeza que seu rosto de branco estava ficando vermelho. - Me-me desculpe, Sheik...
- Zyan, pode me chamar de Zyan. - Ela o encara e assente, logo baixando os olhos.
- Desculpe os meus modos.
- Não tem problema. Que bom que gostou da refeição. - Estava curioso sobre ela, muito curioso. - Me conte sobre você. - Pede e cruza as mãos em cima da mesa.
- Bem... eu sou da parte baixa da cidade, dos bairros mais carentes. - Milk pensa que talvez assim, sabendo de sua miséria a dispensará logo. - Tenho 19 anos, moro com minha família, e trabalho com limpeza junto com minha mãe, em algumas casas de classe média.
- Tem irmãos?
- Tenho! - Milk suspira. - O mais velho com 24, eu de 19, minha irmã com 15 e o caçula com 10.
- Família grande. Todos moram com você? - Milk sentia-se num interrogatório, mas tinha saída? Provável que não. Mas depois dessa deliciosa refeição, sentia-se até tentada a ficar mais um pouco.
- Sim. Meu irmão casou-se e mora com sua esposa em nossa casa. Minha avó materna também mora com a gente.
Zyan ergue as sobrancelhas. - Qual a profissão de seu pai? - Tinha que trabalhar muito para sustentar a todos.
- Carpinteiro. Mas no momento está desempregado. A nova política está complicando as coisas.
- Entendo... - Zyan queria saber uma coisa ainda. - Porque veio?
Milk riu. - Meu pai e meu tio me trouxeram de arrasto. - Ela maneia a cabeça. - Não literalmente, porque também não sou louca de deixar chegar a esse ponto, mas quase isso.
Então ela estava lá obrigada mesmo. Que pena...
- Porque fizeram isso?
Milk morde o lado de dentro da bochecha. - Nosso bairro está morrendo a míngua. Todos se ajudam, mas tem dias que nem todos conseguem comer. Na última semana, já faziam dois dias que eu não comia. - Zyan sentiu como se uma faca atravessasse seu peito. Agora entendia a maneira afoita da menina comer. - Eu vindo para cá, era uma esperança para eles.
- Mas? - Zyan sabia que tinha um motivo para ela ter que ser praticamente arrastada até ali. Milk faz uma careta.
- Não tenho vontade de me casar. - Melhor ser sincera. - Queria estudar, conhecer outros lugares... - Dá um sorriso triste. - Mas sabe, por essa refeição aqui já valeu a pena. Pode me mandar embora quando quiser.
- Não quer ficar? - Zyan questiona sério, mas com brandura na voz.
Milk piscou algumas vezes. Como assim? Ele queria saber realmente? Se importava? Vendo o silêncio dela, ele continuou. - Pode ir se quiser. Está livre. - Milk baixou a cabeça, pensando na decepção de seu pai, mas sentiu um certo alívio mesmo assim. - Mas... - Ela ergueu os olhos para ele novamente. - Se ficar posso ajudá-los...
- Como assim? - Milk se ajeita na cadeira. Não pensava em ficar, se pudesse escolher, mas ele falou em ajudá-los, e se tinha uma cosia que estavam precisando, era de ajuda!
- Posso pedir agora mesmo que enviem comida para todo o bairro, e que arranjem alguns empregos. - Viu o rosto da garota se iluminar, de uma forma que não imaginou ser capaz.
- Sério que faria isso?
- Tem minha palavra! - Viu-a sorrir ampla e genuinamente. Só por aquele momento, valera a pena sua proposta, mesmo que ela não ficasse. E os ajudaria de qualquer forma.
- Então eu fico! - Zyan engoliu o sorriso que queria escapar, se levantou e chamou um de seus acompanhantes. Conversou baixo com ele, fazendo as solicitações que havia prometido e voltou-se para mesa.
- Feito!
Milk m*l acreditava. Mesmo que ela fosse enxotada dali, semana que vem, a vila estaria alimentada por um tempo. m*l continha a alegria em seu peito. Sua vontade era pular e dançar, mas aguentaria, não podia fazer isso na frente do sheik.
Zyan acompanhou-a até seus aposentos. Pegou-lhe a mão e depositou um beijo. Milk não reagiu apenas fez uma pequena reverência e entrou no quarto, fechando a porta.
Zyan ficou um momento ali parado, hipnotizado com o que havia acabado de acontecer, com as coisas que descobrira sobre ela. Então ouviu um barulho alto vindo de dentro do quarto.