Milk se delicia em mais um banho de chuveiro antes do jantar. O dia fora calmo. Depois do chá com doces com todas as garotas, pode passear pelo palácio e por uma parte do lado de fora, sempre acompanhada por sua acompanhante, claro. Em sua casa, costumavam trabalhar, ou limpando, ou plantando, mas nunca estavam paradas. Se procurando coisas para fazer quase passavam fome, imagina se ficassem apenas passeando como ela fizera hoje?!
Sorriu ao se olhar no espelho. Seus cabelos estavam lisos escorridos, não lembrava-se de eles estarem tão hidratados assim na vida. Com certeza era a qualidade da água e os produtos. Cheirou-os. Hummmm... lembrava cheiro de rosas. Saiu do banheiro e encontrou Zahara segurando um vestido azul-claro, com um lenço azul-escuro com detalhes dourados.
- Milk, já separei uma roupa divina para você! - A mulher disse sorrindo, estava animada para arrumar sua pupila.
Milk sorriu, não dificultaria a vida de sua acompanhante, ela só estava fazendo o seu trabalho.
- Tá bom, Zah. Muito obrigada. - Deixou que a mulher a ajudasse a se vestir e arrumar o seu hijab.
- Agora os acessórios! - Zahara batera palmas, mas Milk revirou os olhos, fazendo a mulher ficar séria. - Não faça isso menina! Vai se encrencar por essas caras que faz!
- Sem acessórios, Zahara! - Milk falara se admirando no espelho. Realmente o vestido lhe caíra muito bem. Era magra e não muito alta, e pensando nas mulheres que estavam no palácio, ela percebera que não tinha nada de p****s, em comparação as outras. Não que se importasse, afinal, p****s não levavam a lugar algum, não é mesmo? Mas o cérebro? Ah esse sim, levava longe. Sorriu consigo mesmo! - Estou pronta!
- Mas nem mesmo uma sombra, ou batom nos lábios? - Zahara parece horrorizada, e Milk quase revira os olhos.
- Não! Já lhe disse que não me fazem bem.
- Mas hoje o Sheik estará no jantar, deveria se apresentar melhor.
- Mas ele já me viu assim, e não se importou... - Milk dizia colocando as mãos na cintura, será que a mulher ainda não entendera que ela não ia se pintar feito uma palhaça para sheik nenhum? Se sua mãe não a convencera, ela que não iria convencê-la.
- Não o sheik Zyan, o pai dele. - Sente um calafrio.
- O pai? - Desde criança ouvia-se falar do Sheik Zoey Al-Baghdadi, um dos motivos em que relutara tanto em estar ali. Ele era um homem cruël, sem escrúpulos, que mältratava seus funcionários e se achava um deus. Tivera centenas de mulheres, e sempre optava pela jovens e virgens. Sempre ouvira que nunca devia olhar em seus olhos, ou ele iria querer o seu corpo até te m***r. Arregalou os olhos ao lembrar-se do que diziam. - Não vou ir! - Correu para a beirada da cama, pronta para se esconder em baixo da coberta. Começava a pedir a Deus, que Zyan a mandasse embora logo.
- Não pode, não ir, Milk! - Zahara arregala os olhos, se repreendendo mentalmente por ter falado da presença do sheik. - Vocês são obrigadas a comparecerem nas refeições principais.
- Diga que estou doente, passando m*l, cólica...? - Milk sentia frio, mesmo estando um calor de 30 graus naquela noite.
- Vamos! - Zahara puxa-a pela mão. - É só não revirar os olhos e estará tudo bem. - Fala segurando um sorriso. A garota era medrosa, apesar de demonstrar-se petulante às vezes.
- Ele não pode nos pegar, não é? - Ela fala estremecendo a voz.
- Como assim pegar vocês? - Zahara questiona franzindo o cenho.
- Ouvi que ele pega virgens... - Ela cochicha e Zahara fica séria.
- Onde ouviu isso?
- Ué, em todo lugar se falava isso...
- Nunca mencione isso ao sheik Zyan, ou acabará apedrejada!
Milk arregala ainda mais os olhos e segue a mulher para fora do quarto.
É uma das últimas a chegar na fileira, onde se encontram todas as pretendentes. Engole seco ao ver as amplas portas, do outro lado da grande sala de jantar, se abrirem.
Zyan ouve o pai reclamando de dores abdominais por quase uma hora, então depois lhe diz que vai acompanhá-los no jantar, para conhecer todas as jovens antes que ele comesse a eliminá-las. Não gostou muito, pois conhecia seu pai, e não duvidava que o homem quisesse se meter em sua escolha. Mas já estava com 27 anos, sabia bem o que procurava em uma mulher, talvez tão bem assim, também não, mas isso não importava! A escolha era dele, e não aceitaria sugestões.
-Pai, tem certeza? O senhor não estava agora mesmo se queixando?
- Eu quero vê-las, somente com essas informações, da pasta, não dá para saber quem são! - Zyan olha para sua pasta no bidê ao lado da cama do pai.
- Não acredito que mandou pegarem as pastas nas minhas coisas! - Zyan fala de cenho franzido para o pai.
- Olha meu filho, sabe que te amo, por isso aceito esse seu jeito, mas quero estar por dentro de quem será a esposa do futuro Sheik de Bromendia.
Zyan sente vontade de rir. O homem estava com o pé na cova e queria mandar ainda!
- Ok, pai! Mas saiba que a escolha é minha! - Ergue as sobrancelhas para o mais velho, que apenas faz uma cara de desgosto.
Zyan empurrava a cadeira de rodas do pai em direção ao salão de jantar, quando viu Milk andando depressa até a outra porta, onde estariam todas as pretendentes. Estava linda, com uma roupa azul que parecia que harmonizava com toda a sua brancura. Engoliu seco, seguraram as portas e abriram para eles.
Seus olhos passaram de uma a uma, até chegarem em Milk, a última da fileira. Estava de cabeça baixa e mãos para trás, exatamente como no dia anterior, na escolha das 15. O que será que acontecera para ela baixar os olhos novamente?
- Boa noite! - Diz em alto e bom som. Todas se inclinam em uma breve reverência. - Farei como da última vez, chamarei nome a nome e se sentarão nos lugares indicados. - Todas assentem e ele começa. Não pensara em colocar Milk tão perto, gostaria de dar uma chance as outras mulheres, mas agora vendo-a tão séria e sem olhá-lo, sentia seu peito fraquejar. - Milk...
Milk pragueja mentalmente e segue para o primeiro lugar, ao lado de onde Zyan estaria.
- Fátima... - Optou por uma que ainda não esteve tão perto. E assim seguiu até a última. - Thamires. - Já decidira que não ficaria com ela, apenas daria mais um dia.
- Essa noite, meu pai, Sheik Zoey Al-Baghdadi nos dará a honra de sua presença. - Ele vê as moças assentirem e sorrirem levemente, menos Milk, que nem erguera os olhos.
Sentou-se e seu pai, autorizou a servirem o jantar. Enquanto serviam, o Sheik Zoey falou algumas palavras.
- Como sabem, ando muito doente, mas ainda não estou morto! - Diz com voz grossa e rouca. - Quero que saibam, antes de continuarem nesse concurso, que a vida de mulher de um Sheik, não é pouca coisa! - Zyan m*l ouve o que o louco do seu pai diz, focado no vermelhão que Milk vai ficando conforme seu pai vai falando. - Aqui é permitido ter várias esposas, espero que isso não seja um problema, porque quero muitos netos!
- Pai! - Zyan interfere, vendo para onde o homem se encaminha com seu discurso.
- Clareza, sempre preze por isso! - Ele fala para o filho. - Outra coisa, lembrem-se que a submissão, é uma virtude das mulheres, façam jus a seu ventre!
Milk fecha os olhos, para poder revirá-los sem ser apedrejada.
Após o ridículo discurso começam a comer.
Zyan observa Milk remexer a comida e m*l comer. Definitivamente algo não estava bem!
- Então.. - Zyan pigarreia. - Milk, como foi sua tarde? - Fala baixo com ela, enquanto observa seu pai conversando com Fátima, que está a seu lado.
- Bem. - Ela responde com sua voz suave e baixa, mas não o encara.
- Está tudo bem? - Ele toca seu queixo com dois dedos, fazendo-a erguer a cabeça e olhá-lo.
Ela engole seco, fitando aqueles verdes profundos. Como ele poderia ser diferente do pai? Baixou os olhos.
Zyan maneia a cabeça. - Que tal um passeio no jardim, depois do jantar? - Milk morde o lado interno da bochecha.
- Não será muito tarde? - Ela pergunta erguendo os olhos prateados, causando arrepios no homem a sua frente.
- Creio que não, e não iremos longe.
- Está bem.- Ela fala, remexendo em sua comida.
Zyan aguenta mais um discurso do pai, falando de como é importante as tradições e como queria ter muitos netos. No fim, ele pede que as moças lhe esperem pois ele quer beijar-lhes a mão.
Na mesma fileira do início, as garotas esperam ansiosas pelo beijo no dorso da mão que o Sheik Zoey lhes dariam. Ele era um homem mais velho. Com seus 65 anos, mas era bonito, cabelos grisalhos, olhos verdes, e o sorriso grande. Mesmo doente, era um belo homem. Zyan observava a atitude de cada uma, andando ao lado do pai, considerando a simpatia de cada uma.
Ao chegar em Milk, seu pai para-se e o olha. - Ela está doente? - Nesse momento, ele vê Milk erguer a cabeça e encarar seu pai com fúria nos olhos.
- Albinismo pai. - Ele força um sorriso.
- Isso tem cura? - Olha para a garota com o cenho franzido.
Milk tem vontade de dar um chute naquele velho. Doente estava ele, beijando mão de mulheres, que são pretendentes de sue filho, estando em uma cadeira de rodas! Bufa e ergue a cabeça.
- Não tem cura! E não é doença! - O velho faz uma cara de desgosto e vira-se, sem dar-lhe o beijo na mão. E ela até agradecia por isso.
Zyan está petrificado com a atitude de seu pai. - Jacker, acompanhe meu pai, até os aposentos por favor. - O acompanhante de seu pai assente e o leva.
Vira-se para as garotas que estão sérias, sentindo a tensão que se formou.
- Queridas, peço desculpas pelos modos de meu pai. - Maneia a cabeça. - Ele vem passando por vários tratamentos médicos, e por vezes ultrapassa os limites. - Aguarda alguma objeção, mas vendo que nenhuma diria algo, o que ele sabia ser costume da região, o que às vezes o indignava. Pois queria saber a opinião delas também. - Ok, podem irem descansar. Amanhã o café da manhã, será com todas novamente. - Suspira sentindo-se cansado. Só passear não cansava, mas pensar sem parar, cansava em sobre maneira.
Zyan anseia em conversar com Milk, e dessa vez ele não precisa chamá-la. Ela fica parada enquanto as outras moças se retiram.
Ele se aproxima, e antes de dar continuidade ao passeio se desculpa. - Milk, peço desculpas, de todo coração, pelas palavras do Sheik Zoey. É meu pai, mas ele passa dos limites!
Milk apenas assente. Teria outra opção? Não poderia simplesmente, dizer: Não! Ele é um idiöta!
Ele lhe estende o braço ao qual ela aceita e seguem para o jardim.