Por culpa de Milk

1514 Palavras
Zyan sai do seu quarto novamente vestido com as suas roupas costumeiras. Calças sociais, camisa branca dobrada até os cotovelos, os cabelos bem penteados e a barba por fazer. Não crescera vestindo-se como os costumes do país, dessa forma, preferia as roupas mais casuais americanas. Claro que quando fossem encontros formais, vestia-se tradicionalmente. Parou-se na porta da grande sala de jantar, e observou as mulheres o aguardando. Buscou Milk com os olhos e encontrou-a. Mas dessa vez os olhos não estavam baixos. Estavam lhe encarando, e sentiu um frio estranho percorrer-lhe a espinha. Quase cedeu a vontade de ignorar todos os protocolos e chamá-la para um almoço a sós. Mas já havia combinado com Aisha. Sorriu a todas, e falou em seu tom de voz alto e claro. - Todas podem sentar-se e aproveitar da refeição. - Ele avalia todas as moças com o olhar, então continua. - Aisha, pode me acompanhar! Vê a mulher vindo em sua direção com um grande sorriso e estende o braço para ela. Juntos saem do grande salão de refeições e se encaminham para uma área reservada para os encontros e refeições. O lugar é uma área aberta e bem arejada, com alguns arbustos, e árvores. A mesa de madeira, pintada de branco, possui duas cadeiras, uma de frente para a outra. Ele puxa a cadeira para Aisha sentar, e toma o seu lugar. Zyan observava a garota por alguns segundos, então inicia o assunto, visto que a garota está visivelmente nervosa. - Então Aisha, como passou a noite? Gostou do castelo? - Sobremaneira Sheik, não me lembro de alguma vez ter dormido tão bem em minha vida. - Zyan sorri. - Fico feliz. - Assente para que comessem a servir o almoço, e continua a conversa. - Me diga Aisha, o que fez você se inscrever no concurso? - Essa pergunta ele faria a todas, era uma de suas maiores curiosidades. - Eu sempre fui fã do senhor, eu pedia a minha mãe, que comprasse revistas para saber sobre os Sheiks. - Zyan dá um sorriso de leve. Fã? Essa era nova! Enquanto a garota discorria sobre como sabia de cada país que ele visitara, observava os traços fortes, as sobrancelhas grossas, a boca bem pintada e os inúmeros colares e pulseiras que ela usava. - Interessante, não sabia desse movimento de fãs do Sheik Zyan. - Ele solta uma gargalhada, e percebe a garota se remexer na cadeira. Ela parecia que pularia em cima dele a qualquer instante, deixando o momento no mínimo inusitado e engraçado. - Qual a sua idade, Aisha? - 26 anos! - Os olhos dela brilham. - E o senhor 27. Apenas um ano de diferença. - Exatamente. - Zyan começa a comer o seu almoço, sentindo uma preguiça sobre-humana. A mulher a sua frente não mostrara nada de interessante até o momento, e só fazia falar de como ele era maravilhoso, e interessante, lindo, prestativo. - E você gosta de fazer o quê? - Tentou outro assunto, querendo saber mais sobre a moça. - Eu gosto de ler, assistir filmes, cozinhar. - Hum, e o que gosta de ler? - Zyan foca sua atenção a moça. - Revistas! - O sorriso de Zyan morre por um momento, então esforça-se para recoloca-lo nos lábios. O restante da conversa fora breve, apenas onde morava, e coisas simples. Descobriu que ela era de classe média, não tinha intenção em estudar mais. Seu sonho era casar e ter muitos filhos. Ao final do almoço, levou-a para a grande sala onde encontravam-se as outras pretendentes. Ele poderia escolher outra para passar a tarde, e o jantar seria com todas novamente. Milk aproveitou o almoço sem ninguém lhe observando. A comida era magnífica e ela facilmente se acostumaria com aquilo, pensou quase revirando os olhos com um molho que provara. Gostaria de saber se a sua família já recebera os suprimentos que Zyan prometera. Mas não achava que seria apropriado perguntar. Esperaria mais alguns dias, caso ele não a mandasse embora, questionaria-lhe. A manhã em sua companhia fora boa. Ainda que as suas dúvidas não tivessem sido de um tödo sanadas, a conversa fluíra e descobrira que o Sheik era um homem aberto a várias opções. Não era como a maioria dos homens dali, que tinham a mente fechada e achavam que mulher tinha que ficar em casa, tendo filhos. Estava simpatizando com ele, até! Todas foram encaminhadas para uma grande sala onde tinham chá e alguns doces. Era um momento para se conhecerem e conversarem. Mas pelo visto não iria acontecer. Milk tentara puxar assunto com uma das mulheres, Raissa, mas ela não lhe deu muita atenção, então desistiu e pôs-se a observar os detalhes da grande sala. O teto era feito de gesso, com alguns detalhes pintados em dourados. Típico de gente rica, mas lindo, não podia negar. Cada uma das concorrentes sentara-se um um sofá, ou poltrona, ou cadeira ali disposta. Mas Milk estava de pé, observando os cantos da sala. Zyan deixa Aisha na porta da sala, e pergunta a um dos guardas. - Como estão as coisas? - Como hoje é o primeiro dia, deixamos apenas elas se conhecendo, mas está meio parado. - O homem olha para dentro da sala, praticamente em silêncio. - A senhoria falou que a partir de amanhã, terão atividades, um dia pela manhã, noutro pela tarde, para não deixar as garotas no ócio. - Ótimo, pois só posso sair com uma de cada vez. - A senhoria era a governanta da casa. Trabalhava com eles há quase 20 anos, e era de total confiança. Fora escalada para arrumar coisas para as garotas fazerem enquanto estavam ali. Com ela contrataram uma equipe, pois seria trabalho demais para apenas uma pessoa. O sheik Zoey Al-Baghdadi, queria muito que o filho se casasse. Sua vontade era que o filho tivesse ao menos 3 mulheres, mas o garoto era teimoso, e dizia que não achava necessário mais que uma esposa. Às vezes se recriminava por tê-lo mandado para as Américas. Agora era um desordeiro das tradições. Quase não podia mais sair do quarto, visto sua saúde debilitada. Mas hoje a noite aproveitaria, para jantar junto com todas as moças, para conhecê-las e até avaliar qual era a melhor para seu filho. - Jacker - Chamou seu fiel acompanhante. - Me traga a pasta com os dados das moças, quero dar uma olhada. - Sim, senhor! - Jacker sai em busca das informações. Zyan entra na sala, e observa-as novamente. Quem chamaria para um passeio a tarde... Seus olhos param novamente na figura branca e curiosa de Milk. Todas as mulheres o encaram esperançosas, mas ele caminha calmamente até a garota de vestido e hijab rosa. - Está aprovada a arquitetura do palácio? - Milk se sobressalta, levando a mão ao peito, fazendo Zyan segurar o sorriso. - Que susto, Sheik... - Zyan... - Ele corrige dando-se conta, que não pedira para Aisha o chamar pelo nome. Maneia a cabeça intrigado consigo mesmo. - Zyan... - Ela volta a olhar o pilar que observava. - Estou fascinada com esse pilar, com o que foi feito esses detalhes? - Na verdade essa construção é muito antiga, data-se antes de 1500, então não saberia dizer-lhe... Milk apenas faz cara de surpresa, visto que o ambiente aparentava ser tão moderno. Após alguns minutos observando os detalhes que nunca reparou com Milk, ele se volta as outras mulheres, que estão obviamente incomodadas, com a interação desmedida com a pretendente albina. Ele passa os olhos por todas, então decide-se de chamar Thamires. A núemro 24. - Thamires. Gostaria de dar um passeio pelo lago? - Thamires se levanta depressa, assentindo com os olhos grandes e esverdeados. Zyan ainda dá uma olhada em direção a MIlk, que agora senta-se em uma poltrona, com um doce na mão. Sorri satisfeito. Leva Thamires até um pequeno lago há alguns metros do palácio. - Thamires, qual sua idade? - O sheik questiona sentando-se na grama, sendo acompanhado pela moça tímida a seu lado. - 22. - Ela responde mantendo a cabeça baixa. - Porque está aqui? - O senhor me chamou... - Zyan sorri. - Não, digo porque se inscreveu no concurso? - Bem... a verdade é que sou de uma família muito tradicional. - Ela ergue a cabeça e olha para os lados. - Não poderia me casar com ninguém que fosse menos tradicional. E um sheik, é a tradição pura. - Zyan sente seu estômago embrulhar. Essa estava aí só pelo status. Mas era uma garota tão bonita... olhos esverdeados, a pela levemente bronzeada, joias delicadas no pescoço e braços, não sendo demais, maquiagem bem feita. É... estava na cara, que era tradicional e conveniente. Não que ele não gostasse. Mas ele queria sentir-se vivo, como sentiu-se com Milk... ah dröga! Era esse o problema! Não conseguia achar as outras interessantes por culpa de Milk. Tinha que descobrir os defeitos dela também agora. Precisaria de mais encontros! A tarde foi amena, com assuntos sobre tradições e história. Fascinante! Pensava Zyan desanimado, a caminho do quarto de seu pai.
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