Passeio pelo jardim

1152 Palavras
Na manhã seguinte, Milk acordou antes de Zahara aparecer. Vestiu-se com um dos longos vestidos dispostos no guarda-roupas e arrumou o seu hijab. Pronto. Nada de pendurar aqueles 50 colares, aquilo coçava. - Porque não me esperou, Milk? - Zahara falou assim que abriu a porta e viu a garota, quase pronta. Parecia chateada. - Deixe-me arrumar seu hijab... - Está bom assim, Zah... - Está torto... - Milk deixa a mulher ajeitar, enquanto tem vontade revirar os olhos, mas não o faz. - Vamos passar uma maquiagem... - Não precisa Zah... - Como não? Desse jeito não vai ter chance com o sheik. - Milk riu. Exatamente! - Não gosto, arde o rosto. - Deixa de besteira, venha... - Zahara, se eu não conquistá-lo, estará ótimo! Agora vamos logo, ou vou me atrasar. - Milk fala, afinal não diria que não queria o sheik descaradamente, ou poderia se encrencar. Zahara fez uma cara f**a, mas não discutiu. Ao descerem as escadas, as outras garotas estão descendo também. Todas se olham de cima a baixo, mas não se cumprimentam. Milk tenta sorrir mas todas a ignoram, então se mantém quieta. Entram em um grande salão de jantar. Uma mesa enorme está servida. Possui oito cadeiras de cada lado e uma na ponta. Todas entram e se param lado a lado de frente para a farta mesa. Milk m*l se contém de vontade de comer logo, então seus olhos desviam da mesa para o homem que entra pela porta do lado oposto. Era Zyan. Estava vestido de terno e gravata, em uma cor marrom claro, camisa branca e sapato preto, cabelo bem penteado e a barba por fazer. Era tudo que ela não imaginava de um sheik. Cadê as roupas tradicionais? Todas estavam hipnotizadas por cada passo que ele dava, mas no momento ele estava querendo impressionar uma específica. - Vou chamar pelos nomes, para sentarem-se nos lugares de acordo com a ordem chamada. - Zyan estudou os nomes de todas durante a noite. Mesmo que tivesse uma curiosidade maior por Milk, daria chances a todas. - Layla, Aisha, Hanna, Milk... - Continuou chamando até todas sentarem-se. Ocupou seu lugar na ponta assim poderia observar a todas. Ele comia devagar e conversava com Layla a sua direita e Aisha a esquerda. Mas podia ver de perto Milk, que estava há apenas um lugar de distância. Ela não parecia estar com atenção nele, apenas nas comidas da mesa. Ela fechava os olhos enquanto saboreava cada item disposto na mesa. - Está gostando do café da manhã, Milk? - Desviou das garotas e perguntou a quem lhe chamava a atenção. Viu-a engolir o alimento rapidamente e acenar com a cabeça. - Está tudo divino... - Milk comia coisas que nem sabia que existiam, estava maravilhada. Zyan voltou sua atenção para as garotas ao seu lado. Layla tinha os olhos tão escuros como duas jabuticabas, e o olhava com desejo. Ele sabia o que ela fazia, estava tentando seduzi-lo, e ele não negaria que era uma bela mulher. Aisha do outro lado disputava sua atenção e só faltava babar em cima dele. Convidaria ela para o almoço, parecia uma boa pessoa, não se atirava em cima dele, mas demonstrava interesse. - Aisha, gostaria de almoçar comigo hoje? - Viu-a arregalar os olhos e sorrir amplamente. - Claro que sim, Sheik Zyan Al-Baghdadi. - Ele assentiu e sorriu. Ao virar-se para Layla, via ela fuzilar a outra garota com os olhos. Hummm isso não era bom... não queria brigas ali dentro. Observou as outras mulheres, e todas comiam pouco, e se mostravam educadas e interessadas em tudo que ele falava. Exceto uma. Milk! Estava ainda perdida olhando cada coisa que pegava para comer, ele podia sentir que ela nem estava realmente ali. Mas sabia que era por sua condição social, não julgaria. Após todos estarem satisfeitos, foram dispensadas. Ao estarem saindo, Zyan chamou Milk. - Milk Al- Armari. - Milk vira-se para ele séria. - Lembra-se de nosso passeio? - Ela sente que as outras mulheres estão olhando-a com desgosto, mas continuam a se retirar. - Claro. - Sorriu sem jeito e caminhou em sua direção. Zyan estende o braço a ela. - Que tal conhecer o jardim? - Ele propõe simpático e ansioso por agradá-la. - Seria ótimo! - Estava de barriga cheia e com o sono em dia. Seu humor estava magnífico. Milk aceitaria até se casar hoje. Bem... talvez isso não. Segurou o riso e caminhou ao lado de Zyan até a porta lateral que levava para o jardim. E que jardim... era enorme, não se via o fim. Lindo, coberto por grama, flores, arbustos e árvores. - É lindo... - Assim como você. - Milk não resiste e revira os olhos, fazendo Zyan rir. - Porque resolveu fazer um concurso para se casar? - Milk manda a pergunta do nada, fazendo Zyan engolir seco e ficar sério. - Bom, resumidamente, meu pai quer, e também acho que esteja na hora... - Hummm... - Mais alguma coisa que queira saber? - Ele provoca, vendo ela em silêncio apenas observando as flores. - Tem bastante coisas, mas não sei quais são os limites ainda... - Faz uma careta e Zyan sabe que perdeu a batalha. Nem sabia que travava uma, mas vendo-a tão de perto e sincera teve vontade de poder escolhê-la. - Não tem limites, para você. - Milk encara o homem a seu lado. Ele parecia legal demais. Franziu o cenho. - Hum... - Seguiram a passos até mais distante da grande casa. Ele podia sentir o perfume suave que emanava dela. Era apenas sabonete, ele sabia. Não usava perfumes, e nem milhares de joias, e via-se que não passara maquiagem. - O que quer saber, Milk? - Insistiu. - Porque me propôs ficar? - Estava com isso encucado em sua mente. Zyan tocou seu queixo e aproximou o rosto, fazendo-a se afastar. - Gostei de você. - Disse simplesmente. - Porquê? - Ela perguntou mais uma vez o desconcertando. - Ainda não descobri. Milk ainda desconfiava da veracidade de ele ter gostado dela. A caminhada fora prazerosa, conseguiram engatar uma conversa sobre as diferentes arquiteturas e estilos de prédios e casas. E nisso Zyan descobriu que Milk era muito inteligente, que estudava por conta própria em livros e revistas sobre estilos arquitetônicos e que ela amava desenhar. Deixou-a em seu quarto, depois das 10 horas da manhã, para poder se preparar para o almoço. Em seu banho deixou-se levar, pensando no que ele levaria em consideração na hora de escolher a mulher para se casar. Afinal precisava pensar melhor sobre o que procurava, não podia simplesmente escolher a que tinha a b***a mais gostosa, ou os olhos mais penetrantes. Tinha de pensar a longo prazo. Fechou os olhos sentindo a água fresca aliviando o calor, e sua mente foi preenchida por aqueles olhos cor de prata. m***a! Abriu-os! E saiu do banho.
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