– Então está grávida de Matteo Montana?
Era difícil ainda admitir em voz alta. Mas sim, tinha uma proposta com seu ex– chefe baseada em s**o mas, que resultaria no pagamento do tratamento de sua tia e acabou que nisto, saiu perdendo.
– Infelizmente – murmura, tentando fingir que não se importava.
– Não diga isto – diz Lewis sério – Não é por quê aquele canalha rejeitou o bebê, que fará a mesma coisa. Isto só mostra o quão desprezível ele é – Ele pressiona os lábios, controlando o tom de voz – Tinha que estar feliz. Não consigo imaginar uma grávida triste.
– É difícil estar feliz desempregada – Ela mantém os olhos fixos na mesa de madeira bem polida.
Lewis franze o cenho, inclinando a cabeça para o lado. Analisando o rosto dela em busca de alguma pegadinha.
– ... ele a demitiu? – pergunta hesitante, em um tom baixo.
Beatrice apenas assenti.
Um murro é desferido de repente sobre a mesa, atraindo a atenção das pessoas ao redor.
– Certamente que isso não ficará assim! – diz tencionando o maxilar.
A última coisa que queria naquele momento, era que alguém fosse procurar briga com Matteo e acabasse piorando a situação.
– Lewis, não precisa ir questionar a decisão de Matteo – Praticamente quase implora. Imaginando o que ele podia fazer contra ela, o que poderia inventar.
– Não vou – diz se recompondo, olhando para as pessoas ao redor – Farei melhor. Lhe oferecerei um emprego na Grécia. Irei retornar no final de semana e seria uma honra tê– la na minha equipe.
Beatrice o ouve atônita, sem acreditar nas palavras ditas por ele.
Ele não podia estar lhe oferecendo em emprego.
Era mais uma pegadinha de m*l gosto.
– E então, o que me diz?
Havia Ida, não podia deixá– la para trás.
Não podia simplesmente ir embora e esquecer ela em um quarto de hospital, podendo ser despejada a qualquer momento.
Lewis percebe sua hesitação.
– Tem até o final de semana para decidir, só preciso do seu endereço para saber de sua resposta – Até o final de semana parecia ser o tempo suficiente, que precisava para tomar sua decisão.
Beatrice anota o endereço em um guardanapo, lhe entregando por cima da mesa.
– Agora preciso ir. Tem certeza que não quer comer nada? – pergunta com um sorriso, a olhando com atenção.
– Não conseguiria. Mas obrigada, por tudo.
Com a partida de Lewis, Beatrice decidi ir até o hospital, sem saber o que fazer com a proposta dele.
Não era todos os dias que se recebia uma proposta para ir para a Grécia, trabalhar para um homem como Lewis.
Não era todos os dias... e agora não sabia que decisão tomar.
Ainda precisava pagar o tratamento de Ida, mesmo com Matteo já tendo pagado um ano. Pretendia lhe devolver cada centavo.
Além disso, havia o bebê, logo precisaria comprar roupas e tudo que necessitasse. Precisava começar a se virar sozinha.
E duvidava de conseguiria um novo emprego, principalmente no estado em que se encontrava. Nenhuma empresa queria uma mulher grávida.
O emprego de Lewis era mais do que tentador.
O hospital estava agitado como sempre e algumas pessoas acabam por lhe fazer companhia no elevador.
Em passos largos, caminha em direção do quarto de Ida.
Ida admirava o dia pela janela, quando entra no quarto em silêncio, se aproximando da cama.
– Oi, tia – diz sorrindo.
Ida sorri.
– Oi. Não esperava vê– la hoje. Como foi na casa de Kathleen? – diz se virando para ela, a olhando com os olhos brilhando.
Beatrice se senta na beira da cama, afagando– lhe o braço.
– Não podia ter sido melhor – fingi contentamento, a vendo suspirar.
Ida estava aparentemente melhor, era o que acreditava. Dava a impressão de estar mais forte, apesar da doença e dos fortes medicamentos que tomava.
Analisando pela milésima vez a situação da tia, concluiu pela milésima vez que precisava dela e que se não encontrasse um emprego logo, teria que vê– la definhar em casa até morrer.
E não queria a ver sofrer mais.
– Tenho uma novidade – diz mudando o rumo da conversa – Recebi uma proposta para trabalhar na Grécia.
Ida ergue as sobrancelhas surpresa.
– Na Grécia? – O rosto de Ida se torna radiante com a notícia – Isso é maravilhoso. Irá aceitar, não é? – pergunta, já imaginando qual seria a resposta da sobrinha.
– Tia... – Beatrice não queria lista os motivos que tinha para ficar, muito menos os que tinha para ir. Não queria lhe trazer notícias ruins, só boas.
– Você precisa aceitar – diz forçando seu corpo fraco a sentar, segurando a mão dela com força. Colocando a outra por cima – É uma ótima oportunidade para você e será ótimo conhecer outro país. Conhecer gente nova, outros costumes. Voar, Trice – Beatrice baixa a cabeça, tentando aceitar a ideia, mas ainda não era algo que se via fazendo. Ida não tinha ninguém que cuidasse dela – E eu ficarei bem. Irá me encontrar aqui quando voltar – diz otimista.
Beatrice ergue a cabeça, encontrando seus olhos fixos nela.
Não havia sido aquilo que havia planejado para as duas.
Não era o futuro que queria.
Não queria quimioterapia, remédios fortes, muito menos ouvir a palavra hospital.
Queria a tia saudável como antes e livre do câncer.
– Não quero encontrá – la aqui quando voltar – rebate irritada levantando – Quero encontrá – la em casa – diz séria, sentindo toda a raiva guardada dentro de si, querendo sair para fora.
– Se for da v*****e de Deus.
Beatrice bufa. A fé de Ida era inabalável mas, sabia que nada valeria apenas a fé sem o dinheiro.
Todos os problemas que tinha, não iriam se resolver só com a fé. Tentará usar a fé antes, com todas suas forças e só conseguirá esperança e mesmo assim, a viu sumir por entre seus dedos, enquanto sua tia piorava dia após dia.
Ninguém podia mais exigir dela que tivesse fé.
Por quê não tinha mais.
Só conseguia pensar em conseguir dinheiro para resolver seus problemas.
Sua vida.
– Vou ficar bem – Ida garante novamente, em um tom de voz calmo – Agora dê– me um abraço , antes de ir fazer suas malas – Ela a abraçou, tendo em mente que não era uma certeza se iria para a Grécia. Tinha muito que ser pensado, antes de simplesmente entrar no primeiro voo para Atenas.
Beatrice ainda permanecerá algum tempo no quarto, em silêncio. Era seu jeito de impedir que dissesse algo que a tia não precisasse saber.
Mesmo sabendo que ela ficaria muito contente em saber da gravidez, não contou.
Não queria.
Por míseros segundos, ali parada em frente A janela do hospital, ainda cogitou a possibilidade de um aborto.
De evitar um possível sofrimento para ambas as partes.
Mas não sabia se tinha coragem para isso.
Não tinha certeza se conseguiria por um fim a uma vida, que não tinha culpa de ter um pai que o rejeitava, muito menos, por ter uma mãe desempregada .
Só estava ali seguindo o curso da vida. Existindo.
No corredor do hospital, vê quando Luca sai de um quarto e vem ao seu encontro.
– Oi – Ele lhe dá um rápido abraço – Não deveria estar trabalhando? – pergunta ao se afastar, colocando uma mecha de cabelo dela atrás da orelha.
– Deveria. Mais fui demitida.
– Como assim demitida? – Ele repete surpreso.
– Depois de ser demitida, recebi uma proposta de emprego para trabalhar na Grécia e tia Ida apoia a ideia.
Luca a olha sério, demonstrando aos poucos que não havia gostado da ideia.
– Não acho uma boa ideia em seu quadro clínico – diz por fim.
– Eu também não gosto. Só que estou sem opções, estando grávida e com tia Ida ainda doente.
– Posso muito bem cuidar de você, Beatrice – diz de repente, lhe fazendo piscar algumas vezes.
– Não acho justo. São minhas responsabilidades.
Uma enfermeira se aproxima.
– Doutor – chama, atraindo seu olhar – Preciso que me acompanhe até o quarto 320.
Ele apenas assenti.
– Essa conversa não acabou – diz antes de seguir a enfermeira.
Beatrice suspira, continuando a andar.