16 Amice

1529 Palavras
Tempos antes... Dou uma última arrumada no cabelo, e saio do quarto. O peso na consciência é inevitável. Magnus já está no final do corredor me esperando, caminho em sua direção. Ele me olha dos pés a cabeça, dá um pequeno sorriso e estende a mão para mim. Seguro sua mão e devolvo o sorriso. — Está linda. — Magnus me elogia. — Obrigada. — Forcei um sorriso largo. Não que seja um sorriso falso mas não sorri pelo motivo que ele acredita que estou sorrindo. Estou sorrindo porque ele nem imagina como o homem que ele chama de "melhor amigo" e escudeiro me toca quando ele não está perto. É engraçado ficar pensando nisso ao lado dele, Magnus nem imagina. Então é essa a sensação que os homens sentem quando brincam com a suas mulheres dessa forma, sempre vi os maridos visitarem bordéis enquanto deixam suas mulheres em casa. Sempre achei errado, me coloquei no lugar delas milhares de vezes e me senti chateada por elas. Não me orgulho disso, mas você nem mesmo me ama, não é Magnus? — Tudo bem? — Magnus questiona enquanto caminhamos até o salão do palácio. — Sim. — Respondi franzindo as sobrancelhas como se fosse óbvio. — Você está me olhando diferente. — Diferente como? — Não sei. Sorri minimamente e manti a expressão agradável quando chegamos à entrada do salão. Todos se viraram de frente para nós, se curvaram e se levantaram novamente. Nos observavam enquanto caminhamos até estarmos de frente para o trono. Meu pai levantou do trono e ao seu lado estava minha mãe e do outro minha irmã mais nova, Emma. — Eis os futuros herdeiros do trono. Minha filha, Amice. E o Príncipe de Eldoria, Magnus Eldoria. Uma salva de palmas! — Papai gritou. As pessoas bateram palmas para nós, em seguida abriram espaço no meio do salão para dançarmos. Dancei com Magnus por muito tempo, até meus pés doerem. As pessoas em nossa volta começaram a dançar também, casais em nossa volta dançavam também. Era fácil enganar as pessoas de que Magnus e eu éramos um casal apaixonado, bastava pôr um olhar de garota boba, o tocar um pouco mais, e sorrir bastante para ele enquanto analiso seu rosto totalmente "encantada" com seus traços. Toquei seus braços, alisei seus ombros, segurei os cabelos de sua nuca, guiei sua mão para baixar um pouco mais nas minhas costas, tudo para todos acreditarem de verdade que eu estou perdidamente apaixonada por ele. — Por que está agindo assim? — Magnus questionou. — Assim como? — Me fiz de sonsa ainda sorrindo demais. — Não sei, você está... Diferente. — Eu? Estou normal, como sempre. — Afirmei tão convincente que até eu mesma estava acreditando. Eu não posso desenvolver uma amizade do nada com Drake Cadman o escudeiro do meu noivo Magnus, e passar a tratar meu noivo diferente. Já li várias histórias parecidas com a minha atualmente, e todas deram errado porque a Princesa é burra. Mesmo que Magnus me trate m*l, eu vou continuar o tratando como uma garotinha loucamente apaixonada. Porque se me descobrirem, ao menos poderei transformá-lo em vilão. Magnus Eldoria, que não deu atenção suficiente a sua esposa que fazia de tudo por ele, acabou a perdendo para seu escudeiro. Toquei seus ombros mantendo meus braços atrás do seu corpo, o puxei para mim apoiando meu rosto em seu ombro. Não olhei para Drake nenhuma única vez, mas podia sentir seu olhar queimar sobre nós. Eu podia sentir reações que ele causava em meu corpo mesmo de longe, podia sentir mais reações do que Magnus me causava. Magnus continuava me olhando estranhando meu comportamento, mas não tanto quanto antes. Senti sua mão se firmar em minhas costas, ele me puxa mais para ele. Aproxima nossos rostos, ergue meu queixo para ele com o indicador e beija suavemente meus lábios. Não estava esperando por tal ato, mas segui seus passos. O beijei suavemente, nada muito bruto mesmo que fosse parecer mais desejoso, já que estamos em meio a tantas pessoas. Afastei meu rosto do de Magnus, encarei seus olhos. Seus olhos estavam brilhando, mas eu não conseguia sentir nada. As pessoas começaram a aplaudir, procurei Drake onde eu teria o visto antes mas não o encontrei. — Estou um pouco cansada, Magnus. — Falei tentando convencê-lo a me largar. — Peça ao seu pai para se retirar. — Magnus sussurrou. Assenti e caminhei mantendo a mesma pose que sempre mantive desde pequena, a pose de menina fina, recatada e delicada. Caminhei devagar até estar ao lado de meu pai. Minha mãe, minha irmã e meu pai me olhavam fixamente surpresos. — Estou me sentindo cansada, Pai. Posso ir descansar, Magnus irá ficar. — Claro, pode ir. Não quer que Magnus vá com você? Só então percebi que já estava agindo como as princesas burras dos livros, estava agindo como alguém que havia acabado de cometer um erro. E no caso todos pensariam que o erro foi o beijo que dei em Magnus. — Não, não. Ele está se divertindo, deixa ele se divertir um pouco. — Falei me virando para olhá-lo e sorri voltando a olhar para eles. — Tudo bem então. — Minha mãe disse olhando para o meu pai e sorrindo. Acho que consegui convencê-los. Só para não deixar dúvidas entre eles, fui até Magnus e lhe dei um último beijo. Ninguém iria achar que me arrependi do beijo se o beijei pela segunda vez sem nenhum motivo, não é? — Boa noite. — Falei por fim. — Boa noite. — Ele respondeu sorrindo, correspondi o sorriso. Caminhei devagar até sumir pela porta do salão, depois que as pessoas que já estavam lá não poderiam mais me ver, deixei a pode de mulher recatada de lado e corri em disparada até o quarto de Drake. Ele não estava lá. Andei de um lado para o outro com as mãos na cabeça, pensando onde diabos ele foi. Corri pela entrada do castelo, olhei para trás vendo o castelo se distanciar, na verdade eu me distanciar. O castelo continuava parado. Vi a árvore de folhas rosas aparecer, corri um pouco mais com a respiração ofegante. Pude ver Drake alí sentado à beira do Rio. Me aproximei dele sentando ao seu lado, ele permaneceu em silêncio. Estava com o maxilar travado, como se estivesse com raiva. — Está tudo bem? — Quebrei o silêncio. — Por que beijou ele? — Ele questionou rude. O que ele queria que eu dissesse? — Porque ele é meu noivo. — Falei devagar como se fosse óbvio. Drake apertou o punho fortemente, e eu não conseguia entender. Conseguia e ao mesmo tempo não. — Isso é verdade. O amante sou eu, você tem um noivo e sou eu o intruso no seu noivado. O encarei sem entender. Ele estava com ciúmes? — Você está com ciúmes. — Afirmei, não tinha porquê fazer pergunta. — Estou! — Ele gritou. — Estou com ciúmes atoa, não é? Não tenho porquê. — Você acha que não tem? — Questionei incrédula. — Acho. Você age como uma mulher da vida, se esfrega no corpo de um homem estando noiva de outro. Eu não tenho porquê estar com ciúmes de uma prostituta. — Drake grita ríspido com o rosto vermelho. O encaro sentindo meu peito queimar. — Mulher da vida? — Questionei baixo. Drake ficou em silêncio me encarando com o maxilar ainda travado. Lhe acertei um tapa no rosto e saí dalí o deixando para trás. Vou para o meu quarto, tento não pensar em nada, apenas em me preparar para dormir agora. Deslizo as mangas do vestido que estou usando pelos ombros e o deixo cair no chão. Recolho o vestido sobre a cama e o visto cuidadosamente. Termino de arrumar alguns detalhes do vestido e me viro em direção a penteadeira. Quando me viro tomo um susto, meu coração bate umas 5 vezes mais forte ao ver Drake alí parado me olhando com a expressão neutra. Não sou de gritar quando tomo sustos, mas sou de gritar com escudeiros insolentes que me observam trocar de roupa. — O que você está fazendo aqui? — Gritei. Sem dar muita importância ele sobe o olhar lentamente dos meus pés até o meu rosto, quando seu olhar encontra o meu ele dá um sorriso de canto. Meu corpo inteiro arrepia, minhas pernas ficam moles e por um resquício de segundo parece que não consigo ficar de pé. — Drake! O que diabos você está fazendo aqui!? — Gritei novamente já ficando zangada. — Seu tarado! Se não sair daqui agora eu vou gritar! Meu pai mandaria deceparam sua cabeça se soubesse que estava me espiando. — Perdão princesa. Bati na porta e a senhorita não respondeu, apenas quero me desculpar. — Sua voz continha ironia, tanta calma que chegava a irritar. — Não ouviu? Saia daqui, eu vou gritar, estou avisando! Seus lábios se moveram em um sorriso de canto novamente e ele ficou em silêncio. Ergui as sobrancelhas para ele em sinal de irritação e Drake apenas riu pelo nariz. — Se quisesse gritar, já teria gritado. — Sorriu para mim e saiu.
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