11 Amice

1391 Palavras
Tempos antes... Caminhei pelos corredores com calma, mas acelerei os passos quando me vi quase em frente ao quarto de Magnus. Eu não sabia se conseguiria fingir que estava sentindo rios de simpatia por ele, mas eu também não poderia demonstrar desprezo. Eu não queria ver a cara dele naquela manhã, se o visse poderia dar um soco em seu rosto. Então era melhor evitar. Casarei com um príncipe de qualquer forma, e meu pai jamais o recusaria por motivos tão simples. Mas para mim eles são tudo menos simples, pois sou eu quem vai ter que conviver com esse homem. No ranking de pior pretende de todos aqueles príncipes, Magnus era o menos pior. Então eu prefiro o menos pior. Magnus pode não ser tão r**m assim, já que tenho alguém para lidar com ele junto comigo. Enquanto quase corro em frente ao quarto de Magnus, ouço resmungos vindo lá de dentro. Por curiosidade, eu acabei parando alí e ouvindo por trás da porta. Sim, esse segredo será só meu. — Ande, Magnus. Daqui a pouco vão estar todos acordados, e você precisará estar de pé. — O tom de voz de Drake era impaciente, isso era notável. — Ah! Minha cabeça... Está doendo... — A voz sofrida de Magnus ecoou. — Tome. — O que é isso? — Uma grande dose de vergonha na cara, você se sentirá melhor. — Obrigado, amigo. Por uns segundos não se ouvia mais nada, foi o momento em que percebi ser a hora de sair correndo, porém era tarde. Mas antes que eu terminasse de perceber, a porta se abriu e então caí nos braços de Drake que me seguraram. — Amice? — Magnus chamou meu nome sentado sobre o colchão. — Ah... Eu... — Gaguejei enquanto olhei para Magnus e encarei Drake logo em seguida. O escudeiro me olhou enquanto falava sem emitir som "Não fale nada" o olhei curiosa sem entender "Finja que não sabe de nada" ele repetiu. — Magnus! Bom dia. — O cumprimentei. — O Rei e a Rainha estão o chamando você e senhor Cadman para o desjejum. Se apronte, estamos o esperando. — Bom dia, Aila. Irei log... Ah! — Magnus pôs a mão na cabeça como se a mesma estivesse doendo. — Tudo bem, Magnus? — Questionei só por implicância para que ele tivesse que arrumar uma desculpa. — Sim, sim. Eu estou ótimo, não se preocupe pode ir. Irei daqui a pouco. — Está bem. Licença. — Falei por fim saindo do cômodo sendo acompanhada pelo escudeiro dele que já iria sair antes, quando me flagrou na porta. Caminhei lentamente enquanto mantinha minhas mãos juntas na altura do umbigo, andando realmente com bastante elegância. Fingindo plenitude, e fingindo não estar com vergonha de ser flagrada ouvindo atrás da porta. Drake ria algumas vezes baixinho, mordi a bochecha algumas vezes tentando não dirigir a palavra com ele. E que palavras essas que eram muito ofensivas. — Você finge classe muito bem. — Cadman quebrou o silêncio. Não o respondi. Tive uma pequena conversa com ele, mas isso não significava que nos tornaríamos amigos, e ele me ajudar a cuidar do meu futuro marido também não nos torna próximos. Prefiro que nossa proximidade continue da mesma maneira que está. — A Princesa Amice Aila ouvindo por atrás das portas, que inconveniente para uma mulher tão fina e recatada. Continuei caminhando como se não o escutasse. — Ontem você esteve conversando comigo normalmente, o que mudou hoje? — Por que age como se fôssemos amigos? — Questiono indignada sem olhar para ele. — Teremos que ser daqui para frente. — Não há necessidade de sermos amigos, você não é meu noivo. — Resmunguei caminhando, ou tentando ir mais rápido e acabo pisando fundo. Senti mãos fortes me puxarem, fazendo com que meu corpo se colida com a parede. Ergui meu olhar para cima encarando os olhos de Drake que me encaravam indecifrávelmente. — Posso não ser o seu noivo mas você deve me respeitar da mesma forma, se quiser que nossa convivência seja mais suportável. — Ele falou olhando nos meus olhos, mas seu olhar às vezes se perdia pelo meu rosto, ergui a mão para bater contra seu rosto mas ele foi mais rápido segurando meus punhos acima da minha cabeça e junto a isso, pressionou meu corpo na parede com o dele como uma forma de me segurar. Drake sorriu. — Ainda não havia notado as suas sardas. Fiquei perplexa encarando seu rosto, totalmente sem reação. Mas tive uma sim, o empurrei. — Nunca mais encoste em mim! — Gritei erguendo o dedo indicador como se estivesse dando uma ordem, e eu realmente estava. — Não grite, pode chamar atenção dos soldados e atraí-los até aqui. — Drake sussurrou colocando o indicador nos meus lábios como se me calasse com isso. — Essa é a intenção! — Lhe dei um tapa na mão para afastá-la de meu rosto. — Agressiva você. — Ele debochou sorrindo para mim. Ridiculamente sorrindo. — É, eu sou! — Empurrei seu peito para trás o fazendo colidir as costas na parede do outro lado. Saí andando, quase correndo o deixando para trás sozinho. Mais difícil que fingir simpatia por Magnus, é ter que sair para um passeio com ele. "Você precisa se aproximar do seu noivo, como pretende viver e conviver com seu marido em um clima totalmente pesado, desagradável e estranho?" Palavras de minha mãe. Como fingir simpatia por alguém que claramente não gosta de mim? Acreditei que ele seria o melhor partido entre todos aqueles príncipes, mas eu estava redondamente enganada já que ele está aqui totalmente obrigado pelo irmão. O entendo, é totalmente impossível conseguir gostar de alguém que estão nos obrigando a gostar. Mas isso não quer dizer que não me afeta. — Você se imaginou algum dia sendo rainha? — Magnus quebrou o silêncio. — Sempre me pareceu um cargo muito importante para alguém tão imaturo como eu. Então não, nunca imaginei. — Tentei demonstrar simpatia. Magnus sorriu e fiquei sem entender. — O que foi? — Questionei. — Nada, é só que essa é a frase mais longa que você já falou para mim. — E então ele balançou a cabeça. Fiquei em silêncio por um tempo tentando digerir a mudança de humor dele de uma hora para outra. Há poucos dias ele não suportava ter que interagir comigo, e agora ele gostou que eu falei um pouco mais. Talvez ele não seja tão ogro como eu pensei, ou talvez ele apenas esteja fingindo como sempre. Revirei os olhos levando a segunda hipótese em consideração. — Você não precisa agir tão delicadamente o tempo inteiro como ensinaram a você desde pequena, se é isso o que lhe incomoda. — Sou naturalmente assim, não me incomoda. — Forcei um sorriso. Magnus baixou a cabeça enquanto travava o maxilar, provavelmente se sentindo incomodado com a minha falta de interesse em dar cabimento a conversa. Já dá para ver o Rio que é bem próximo do castelo, se trata de um Rio bastante adorável. Nessa parte em que já dá para ver a beira do Rio bem longe tem uma árvore realmente lindíssima, sempre venho aqui passar o tempo. É o meu lugar preferido, e eu não quero estragá-lo levando Magnus lá. O puxei para outra direção, a direção contrária do Rio. — Onde esteve ontem? O procurei no quarto e não o encontrei. — Questionei enquanto o olhava fingindo ingenuidade. Pude ver Magnus engolir em seco, e eu quis muito rir, porém não podia. — Devia ser a hora em que fui atrás da criada, eu queria mais cobertas. — Magnus falou, mas nem sequer gaguejou. Está muito acostumado a contar mentiras, deve ser por isso que é tão bom. — Entendi. — Forcei um sorriso. Magnus me olhou e sorriu largo sem mostrar os dentes, analisou meu rosto e voltou para os meus olhos. — Você é muito linda, Amice. — Disse ele. — Obrigada, Magnus. — Sorri fingindo esconder o rosto timidamente para sorrir, mas escondi para revirar os olhos sem que ele percebesse. Muito conveniente a forma como ele tenta mudar de assunto. Você quer brincar de falsidade, Magnus?Eu também posso brincar, a mim você não engana. Eu sei da verdade e não vou ficar puxando o seu saco, sei quem você é.
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