Tempos antes...
Arrumo um último detalhe em minha roupa de dormir, também dou uma arrumada no colchão.
Ouço a porta do quarto sendo batida sutilmente, indicando que alguém está querendo entrar.
— Pode entrar. — Permito a entrada, pois acreditei ser Emma ou até mesmo a Rainha por causa das batidas tão delicadas e por a hora que resolveram me chamar.
Quando viro para trás, vejo Drake surgir na porta.
— Mas que...! — Resmungo me jogando no colchão e enrolando meu corpo nas cobertas tentando me esconder. — Você vem ao meu quarto nesse horário, e nem sequer avisa que é você?
Drake me analisa e balança a cabeça com a expressão neutra.
— Perdão, Princesa. — Drake pareceu analisar o quarto.
— O que veio fazer aqui?
— Magnus passou por aqui?
— Não!? — Apontei como se fosse óbvio. — Ele me odeia, o que ele iria fazer aqui?
Drake caminhou de um lado para o outro como se estivesse preocupado com alguma coisa.
— O que houve? — Questionei.
— Perdi ele de vista, malditos 5 minutos em que fui em meu quarto.
— Não estou entendendo absolutamente nada. Por que você veio até o meu quarto essa hora da noite atrás do Magnus?
— Por que Magnus tem problemas com álcool, eu estava tomando conta dele para que não bebesse. Fui em meu quarto rapidinho, e quando voltei ele não estava mais lá. Você era a única que eu podia perguntar, se eu for perguntar a mais alguém perceberão a ausência de Magnus e podem descobrir os problemas dele.
— Mas é tão r**m assim? — Questionei levando em conta o desespero dele.
— Levando em consideração a vez em que ele arrumou uma briga com um cara super perigoso no bar. Sim, as vezes ele faz besteiras muito grandes.
Esfreguei o rosto buscando um pouco de paciência, e afirmo com toda certeza que falhei miseravelmente.
— Minha vontade é de contar ao meu pai, e fazê-lo escolher outro príncipe para ser Rei de Eratos. — Resmunguei.
Drake me olhou assustado, como se tivesse falado a maior atrocidade a vida inteira dele.
— Não... Não... — Ele balançava a cabeça enquanto negava.
Levantei do colchão pegando um blazer branco um pouco mais maior e me cobrindo.
Caminhei até a porta mas fui impedida por Drake que ocupava a passagem.
— Licença. — Pedi com tom de ordem.
— Não, Amice. — Ele balançava a cabeça inconformado.
— Saia da minha frente, Drake. — Repeti olhando para o seu rosto agora. Encaro seus olhos tentando manter o foco somente alí, estou tão próxima que posso ouvir sua respiração ofegante de preocupação.
— Você não entende, Princesa. Outros príncipes podem ser até mesmo piores do que Magnus, e ele com o tempo pode melhorar esse jei...
— Por que o defende?
— Não estou o defendendo.
— Está sim.
— Tudo bem, só me prometa que se eu sair da sua frente, você não irá atrás do seu pai. — Pediu com seu olhar de súplica.
Senti meu coração derreter, pois o tom de voz dele parecia realmente de alguém que estava desesperado.
— Por que? — Questionei encarando seus olhos, não desisto tão fácil.
— Sei que Magnus pode ser péssimo, mas você tem a mim. Eu sempre vou estar aqui para ajudá-la a lidar com ele, outro príncipe pode tratá-la bem pior, e já Magnus eu jamais permitiria que fizesse qualquer m*l a você.
— O que quer dizer?
— Você não sabe como outros príncipes podem tratá-la, a convivência podem ser bem pior com outro. Com Magnus eu posso ajudá-la, e jamais permitiria que ele a destratasse. Frances, irmão dele também não permitiria mesmo distante.
Fiquei encarando seu rosto enquanto ele falava, suas expressões continuavam demonstrando súplica. Tudo em Drake demonstrava preocupação, e eu queria saber o porquê, mas meu coração não parava de acelerar em ouvir ele dizer que indiretamente me protegeria.
— Eu sei que os outros príncipes podem ser piores que Magnus, por terem crescido tendo tudo o que queriam e sempre sendo o centro de tudo e também entendi que Magnus é problemático mas não me trata m*l. Mas por que você se importa? Por que não quer que eu vá atrás do Rei?
Drake ficou em silêncio me encarando por um tempo, procurou bem as palavras antes de falar.
— Se você fizer isso, vou voltar para Eldoria com ele e então será apenas eu lidando sozinho com ele. Frances, irmão dele jogará o peso de toda a responsabilidade somente em mim. Eu estou cansado de estar sempre atrás de Magnus, de dar conta de tudo o que ele faz.
— Você quer aliviar o peso das suas costas. — Ri comigo mesma.
— Não foi isso o que eu quis dizer. — Drake segurou meus braços como se tentasse me manter imóvel no mesmo lugar.
— Então o que?
— Também me preocupo com você, e sinto que podemos ajudar um ao outro.
— Está me propondo uma negociação? — Questionei.
— Digamos que isso. Eu farei o possível para que ele seja um marido suportável, e você me ajuda com ele. Por exemplo a procurá-lo agora sem que os guardas contem alguma coisa. — Ficou um pouco em silêncio. — Eu posso ajudar você em tudo o que precisar.
— Está bem, só se vire um instante. Vou trocar de roupa.
Drake me olhou dos pés a cabeça e virou-se de frente para a porta.
Escolhi uma roupa mais confortável, fiquei encarando as costas de Drake me certificando de que ele não fosse me espiar.
Até um momento em que ele virou um pouco o rosto para o lado.
— Opa! — Resmunguei.
— Não estou tentando olhar. — Se defendeu.
Arrumei alguns detalhes do meu vestido.
— Pronto.
Drake virou para mim e sorriu.
— O que foi? — Questionei preocupada analisando meu vestido.
— É só que você está parecendo uma simples camponesa.
Revirei os olhos indo até a porta, a abrindo e analisando os dois lados do corredor.
— Vem. — Chamei Drake que começou a me seguir.
Caminhei na ponta dos pés pelo corredor enquanto olhava para trás me certificando de que ele estava me acompanhando de fato.
Devagar olhei para o outro lado do corredor vendo dois guardas alí.
— Precisamos que eles saiam dalí para que consigamos passar. — Drake sussurrou.
— Vem comigo.
Saí o puxando para a cozinha, Drake me olhou sem entender. Apenas dei de ombros.
Quando chegamos lá, corri até o balcão enquanto o escudeiro ficava conferindo se alguém vinha na porta.
Puxei algumas coisas debaixo do balcão, até revelar a passagem que eu fiz com Emma quando éramos crianças. Ninguém nunca descobriu, mamãe nunca nos deixava sair para o jardim a noite.
— Vamos, você primeiro! — Chamei Drake.
— Isso é alguma espécie de túnel? — Ele questionou enquanto se abaixava e passava por debaixo do balcão.
— Quase isso. — Passei também, puxando as coisas que o escondia tampando a saída secreta.
Saímos exatamente na lateral do castelo, próximo a saída. Exatamente onde não havia vigilância.
— E agora? — Drake questionou olhando de um lado para outro.
— Vem. — O puxei quase o arrastando até a cocheira.
— O que está fazendo? Tem guardas no portão da cocheira.
— Eu sei, mas você acha que tem como sair daqui sem ser visto por ninguém? — Dei de ombros.
Me aproximei do guarda, tirei um saquinho de moedas de prata do bolso e o entreguei.
— Você não viu nada. — Apontei para o seu rosto. — Vem, Drake.
Drake olhava com a testa franzida para mim e para o guarda.
Entrei na cocheira pegando um cavalo e o retirando lá de dentro.
— Não faça barulho. — Falei para o cavalo.
— Não é a primeira vez que você foge a noite, não é? — Drake questiona.
Apenas sorri apontando para o cavalo, como se ordenasse que ele montasse.
— Vamos, antes que Magnus faça alguma besteira.