14 Amice

1356 Palavras
Tempos antes... Acordei fingindo não ter dormido apenas umas duas horas essa noite. Por mais que eu me esforçasse, eu não conseguia parar de pensar em Drake e no nosso beijo na beira do rio. Isso foi um erro, mas eu não conseguia parar de pensar em ir até o quarto dele e beijá-lo outra vez. Isso é errado, mas eu não consigo evitar. Caminhei pelos corredores esperando encontrá-lo por alí novamente, mas não. Apenas o silêncio era possível escutar. Nada de Drake. Sentei à mesa com meu pai, minha mãe e minha irmã. Nem mesmo Magnus estava alí. — Onde Magnus está? — Questionei tentando não levantar suspeitas. Onde Magnus está, Drake também está. Então perguntar por Magnus era o mais favorável. — Saiu cedo, estava apressado não disse onde ia. — A Rainha respondeu. — E Cadman? — Quesyionei. Isso, Amice. Chamar pelo sobrenome parece formal demais para alguém que tem proximidade com a pessoa. Minha mãe me olhou arqueando uma sobrancelha, e isso fez meu corpo estremecer. Eu achei que estava disfarçando muito bem. — Eu queria perguntá-lo onde meu noivo está. — Falei tentando amenizar a situação. — Ah! — Mamãe sorriu agora. — Também saiu com Magnus. — Vocês estão se dando bem? — O Rei questionou. Fiquei o encarando tentando não demonstrar choque, até entender que ele estava se referindo a Magnus. Quando estamos devendo ou escondendo algo, tudo que ouvimos parece estar relacionado ao nosso erro. Você está com a consciência pesada, Amice. Melhore. — Sim, estamos. Ontem mesmo saímos para caminhar juntos pelo reino e Magnus comentou que eu estava me soltando mais com ele. — Respondi forçando um sorriso. — Que bom, fico feliz que estejam se dando bem. Não quero obrigar minha filha a casar com alguém que ela não gosta. — Papai comentou. Apenas abaixei a cabeça e continuei fazendo o desjejum. Esperei por Drake e Magnus ata a tarde, e nenhuma notícia dos dois. Até que enquanto eu olhava para a entrada do castelo, ouço o som dos cavalos se aproximarem. Fico encarando a entrada do castelo até ver os dois entrarem montados nos seus cavalos. Fico angustiada andando de um lado para o outro do meu quarto. A minha vontade é de correr até lá embaixo, dar vários tapas em Drake e em seguida me aninhar em seus braços. Beijá-lo e deixar que ele faça tudo o que quiser comigo, tem algo nele que está me chamando agora. Tem algo que me prende nos olhos dele, nos lábios dele, na pele, no corpo dele. Eu quero tocá-lo, quero fazer algo que nem sei ao certo o que é, mas eu quero ele. Tudo o que ele puder me oferecer. Mas não posso me envolver com ele, isso é errado e pode causar a morte de ambos, estou sendo hipócrita. Causaria apenas a dele, pelo menos eu acho. Corro pelos corredores, corro em direção ao quarto de Magnus. Bato na porta e posso ouvir ele gritar um "entra". Quando abro a porta, vejo Drake lá dentro com ele de frente para a janela olhando lá para fora, como eu imaginei. Cadman me olha por um instante mas desvia o olhar para a janela como se me ignorasse. Meu coração se parte em mil pedaços, e me sinto terrível. Meu peito arde. — Amice? — Magnus me chamou me tirando da distração. — Ah! Oi. — O que faz aqui? Eu não pensei em um motivo para ir em seu quarto, apenas fui. — Onde você estava, Magnus? Fiquei preocupada. — Falei para ele com uma voz um pouco chorosa, e pensando bem, ficou bem convincente. — Você nem sequer deixou informações de onde iria. — Perdão, querida. Fui ver alguns lotes de terreno com Drake, não imaginei que fosse se preocupar tanto assim. — Magnus me olhou desconfiado. Me joguei em seus braços e o abracei forte realmente entrando no personagem. — Da próxima vez irei diretamente no seu quarto avisá-la. — Magnus afirmou dando tapinhas nas minhas costas. Abracei seu tronco e olho para Drake distraído na janela que nos olha algumas vezes de soslaio mas nunca diretamente, e apenas ignora minha presença. Uma hora ele demonstra tudo, me beija, me abraça, me envolve em seus braços em desespero, e em outro finge que não me vê, não consigo entendê-lo. — Vou para o meu quarto. — Comunico a Magnus e lhe dou um beijo na bochecha. — Está bem, se precisar de mim estarei aqui. Apenas assenti indo em direção ao meu quarto, fiquei o caminho inteiro até lá tentando entender se realmente o que lembro ter acontecido, aconteceu. Será que foi apenas uma fantasia da minha cabeça? Mas foi tão real, o toque desesperado dele, a forma como ele me apertou dolorosamente, Drake me beijou. Realmente aconteceu, eu não estou louca. Quando entro em meu quarto fico com isso martelando em minha cabeça, me sinto usada. Tudo o que eu queria era uma explicação, mas Drake parece indisposto a me falar algo. Levanto da cama olhando em volta me vendo sozinha quase no escuro, é estranho ter um quarto só para mim agora. Emma me expulsou do quarto dela mais cedo. Já era madrugada provavelmente, ou talvez tarde da noite. Viro para o lado procurando água na jarra e não encontro, então levanto para ir até a cozinha buscar mais. Nunca gosto de caminhar por esses corredores no meio da noite, não que eu tenha medo, mas me assusta andar por aqui no escuro. Enquanto caminho pelo corredor ouço barulhos estranhos e diferentes. Bem diferentes para falar a verdade, barulhos humanos, sons femininos, sons sôfregos e arfadas suplicantes. Na medida em que caminho pelo corredor e me aproximo de algum quarto que não tenho conhecimento de qual seja os sons aumentam. Arqueio as sobrancelhas olhando de um lado para outro do corredor procurando de onde os barulhos vinham, mas era difícil identificar de onde vinham. Já que os barulhos estavam abafados e vinham abafado de algum quarto trancado. Dou mais alguns passos lentamente tentando identificar de qual porta vinha, encostando a lateral do rosto em algumas portas do corredor. Abri uma e não tinha nada, só mais um quarto vazio. Abri a segunda e nada. Na terceira porta o som parecia mais alto vindo de lá, me vi tentada a conferí-lo, girei a maçaneta devagarinho e a empurrei devagar. Meus olhos se arregalaram vendo Drake e uma mulher, meu corpo esquentou mas ao mesmo tempo me senti enojada... Os dois nus em cima da cama de frente para a porta, ela com o rosto escondido no colchão e o quadril erguido para cima. Drake atrás dela. Ai Deus! Os gemidos dela ecoavam pelo quarto e se misturavam com o som dos corpos se batendo violentamente. Ele dava tapas nela, estralavam em um som alto, enrolava os cabelos dela na mão e puxava aparentemente com muita força, parecia que doía mas aparentava e dava a entender que ela estava gostando. Nunca vi tal cena em toda a minha vida, era estranho. Me pergunto se é assim o que casados fazem quando são casados. Mas Drake não é casado, mas ela também não. É uma prostituta. As expressões dele fazem meu corpo esquentar, e junto aos movimentos dele me fazem imaginar como deve ser estar no lugar dela. Os gemidos sôfregos e suplicantes dela poderia ser meus. — Ah!... Não pare... Mais forte... Ah! — Ela choraminga com o rosto escondido no colchão apertando forte as roupas de cama. Era uma cena tão indecente, mas eu não conseguia ir embora. Não conseguia parar de olhar para o tronco dele completamente nu, o rosto dele, as expressões, as sobrancelhas franzidas, a boca entreaberta e a respiração ofegante... Ele me olhou. Meus olhos se arregalaram ainda mais, ele notou a minha presença alí e em questão de meio segundo corri dalí o mais rápido possível. Saí correndo daquele quarto e corri para o meu, trancando a porta. Meu coração estava batendo muito rápido, eu estava assustada... Com raiva. Mais tinha algo mais, eu não sei dizer o que era. Mas é muito louco… é diferente.
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