Todos estavam ali me olhando, como ódio, se segurando esperando que eu falasse tudo que eu ainda não tinha falado, então vamos falar tudo, não tenho, mas nada a perder, a não ser minha filha e mulher.
— Não era o momento — falei mais baixo. — Eu protegi todos. Achei que era melhor assim. Eu… eu pensei nas consequências, tentei falar e ele riu
— Consequências? — Madalena gritou, e a voz dela quebrou — Você deu uma filha para um segredo. Para quê? Para manter a fachada? Para manter a empresa? E o Ruan? E Laura? Será que algum desses nomes te importou além do que te dava lucro? Porque não deixou eles irem embora e viver a vida deles com a filha.
A menção de Ruan e Laura foi uma punhalada. Senti o peso dos olhos dos presentes sobre mim — julgamento, incompreensão, pedido de explicações que não cabiam em mim. Lembranças que eu tentei enterrar apareceram vivas, como se a imprensa não tivesse apenas revelado transferências, mas ressuscitado, fantasmas.
— Eu fiz o que achei certo na época — disse, agora com amargura —. Tomei decisões difíceis por… por proteção, sim, eu fiz tudo para me proteger
— Proteção? — repetiu Pietro, com um olhar que eu conhecia do pai. — Você protegeu a si mesmo. À custa de quem? De nós?
A acusação foi certeira. Eu não podia mais usar o escudo da autoridade. A casa inteira parecia pedir por sangue, e eu — que havia distribuído ordens como quem respira — estava ali, sem ar, tentando juntar explicações que já não encontravam abrigo.
_ Se eles tivessem ficado calados, aceitado o meu acordo, não tinham morrido, eu não ia deixar ninguém levar o que era meu por direito, herança que era dos meus pais, jamais ia deixar, e quer saber não me arrependo de nada
Madalena se aproximou, olhou direto nos meus olhos.
— Eu não aceito as suas palavras. Você me traiu. Me fez de boba. E se a mídia diz que você roubou, que encobriu mortes e manipula a empresa, então talvez tudo o que construímos esteja manchado. Eu não vou ficar calada. — A decisão dela soou como sentença. — Não enquanto eu tiver forças para lutar, eu vou atrás da Laís porque ela foi sua vítima, ela carrega o seu sangue, assim como o da Catharina, e tudo que você fez vai pagar caro- ela me fala e me dar dois tapas da minha cara
Houve silêncio após isso. O som distante da televisão, o rumor das vozes que comentavam a quebra de reputações, e o eco do meu próprio coração batendo rápido demais. Pensei em chamar um assessor, em ligar para advogados, em buscar documentos que pudessem desmentir, mesmo sabendo que tudo é a mais simples verdade.
Tudo parecia distante, porque ali, naquele instante, nada do que eu poderia dizer apagaria a cena de uma mulher que me olhava como se eu tivesse matado um filho, apesar que sim matei dois o que ela esperava e não dei a chance de sentir isso, e aquele que eu lhe entreguei, assim como entreguei a Catharina para ela.
_ Você seu verme, vai pagar por tudo que fez para meu pai, e para meus sogros- Rayane fala perto de mim e soca minha cara, fui revidar só que o Pietro e o Taylor me seguraram
Catharina não falou mais. Os seus olhos estavam molhados, feridos pela traição que nunca soube carregar. Pietro respirou fundo, Taylor fechou as mãos, Enzo permaneceu firme, ao lado da tia dele a Rayane, que me olhava com ódio com pena.
— O que vai fazer agora? — perguntou Taylor, num tom que mais pedia que uma ordem.
Não tive resposta imediata. Eu sempre tive respostas. Mas ali, com a casa tomada por perguntas, a resposta que veio foi pequena, quase infantil:
— Vou limpar o meu nome, e quero a minha esposa e a minha filha comigo, não tem como, mas voltar para trás, e mesmo se tivesse iria fazer tudo de novo- falei com ódio
Madalena riu, sem humor nenhum. — Limpar? Eduardo, você limpou o que te convinha limpar. Agora limpe o resto. A imprensa já mostra o que você fez. Não é só nosso casamento que acabou, é tudo, você vai preso, porque daqui a pouco a polícia estará aqui— é a vida de todos nós que você manipulou e jogou como sempre quis, e eu vou aprender a de esquecer, de mim você só vai ter ódio.
A noite se fechou sobre a casa. As luzes da sala pareciam fracas diante da avalanche de telas que mostravam o meu nome. Eu senti alguém me tocar o braço. Era Catharina, leve e firme.
— Pai — ela murmurou. — Eu… não vou de odiar, mais a partir de agora não tenho pai, e tem sei se a minha mãe ainda vai querer ser minha mãe- ela fala chorando
_ Não chora meu amor, vai fazer mau as crianças, jamais que eu ia larga de ser sua mãe, porque é isso que eu sou, sua mãe, e dou vou deixar ninguém tirar isso de nós duas, porque somos tão vítimas como a sua sobrinha Lais, minha neta, lógico que nada muda o que ela fez para você e para Jasmine, mas ela é seu sangue- Madalena responde ela
E ali, no meio da ruína que eu mesmo ajudei a arquitetar, percebi que havia regressado ao ponto inicial: histórias que tentei controlar agora exigiam controle sobre mim. A queda não era só externa; era algo íntimo que corria nas veias da casa, nas falas do que amei e trai.
Levantei-me. Olhei para cada um deles. Tentei articular palavras que mostrassem autoridade, que negassem, que justificassem. Mas cada som que saiu da minha boca foi pequeno, insuficiente. Já não havia reinado suficientemente tempo para evitar que as rachaduras aparecessem.
A televisão continuou, incansável, projetando o que seria a estrada do meu desmantelo. Ouvi a porta se fechar atrás deles por um momento — não uma saída definitiva, pensei; era a antesala de algo maior. E eu, que sempre precisei controlar, agora caminhava por corredores escuros onde a única coisa que brilhava era a verdade exposta.
Escutamos alguém bater da porta, e a Madalena abriu, e ali naquela porta, passou vários polícias armados ali, me olhando, até que o delegado Soares entrou, sério me olhando
_ A justiça pode ter demorado Eduardo, mas ela foi justa, e trouxe tudo a tona, eu de falei que um dia, você iria cair por tudo que fez, e você riu da minha cara, sempre procurei a verdade, e hoje ela vai jogada das mídias, e para todos, você está preso por homicídios, roubou e fraude, você tem o direito de se manter calado, ou se não tudo que falar será usado contra você- ele fala e eu dou risada
_ Como você foi r**m neh, nunca conseguiu me pegar, e agora está aqui querendo fazer graça, fique sabendo que eu vou retorna, e vou me vingar de todos, e você Madalena sempre será minha, você não será feliz sem mim, eu não permito isso, e você Catharina já que não me vê como seu pai, eu vou me lembrar desse momento também, sua ingrata, sempre fiz de tudo para você, para agora virar as costas para mim, e ficar ao lado dessa família, não me culpe por nada que acontecer a partir de agora- falei e recebi dois socos do Taylor
Então o delegado veio e colou a algemas em mim, e saiu me arrastando para fora de casa, lá estava cheio de repórter e vizinhos curiosos ali me olhando, não adianta ser pobre ou rico, porque todos continuam fofoqueiros, então eu senti alguns ovos quebrando da minha cabeça, tomates da minha direção, enquanto andava do meio dos polícias, e eu segui em frente de cabeça erguida, porque eu sou Eduardo Salvatore, e não irei deixar que ninguém me tire esse orgulho, e eu irei voltar e assumir o meu papel de homem, porque mesmo que eu perca tudo, Madalena ainda é minha, e não irei deixar ela ser feliz sim mim, Catharina foi uma ingrata, que me virou as costas.
Mas mão tem problema nenhum, porque realmente eu vou lembrar de tudo isso, e logo, logo eu estarei de volta para me vingar, se não me aceita, por bem vai ser por m*l e pronto, e elas duas tem sonham o que está por vim ainda, fui colocado atrás do carro da polícia, de qualquer jeito, e fomos para a delegacia, chegando lá Soares me puxou com tudo para fora, e aqui também estava cheio de pessoas e repórteres, eu saí de cabeça erguida, mesmo levando mais ovada, mesmo sendo xingado, e assim entramos ali da cela que eu irei ficar, tinhas mais uns cinco homens, que me olhavam com ódio.
_ Espero que você já vai se acostumando de como será sua cadeia, por favor, rapazes não deixe ele gritar, e trate nosso hospode com carinho- ele fala e sai fechando a porta ali
Então senti um soco, um chute, e do final só sentia chutes, socos, um pedaço de pano sendo colocado da minha boca, para mim, não gritar, senti o sangue e o cheiro dele do meu nariz, e por fim sentir o meu corpo mole e eu desmaiando, escutando todos rindo de mim.
NÃO DEIXEM DE COMENTAR E TEM DE VOTAR COM BILHETE LUNAR.