17 Vick Narrando

1184 Palavras
Assim que fechei a porta do apartamento naquela noite, encostei as costas nela e soltei o ar devagar. O dia tinha sido longo demais. A viagem que se aproximava, o trabalho, Arthur… sempre ele. Caminhei até a sala, joguei a bolsa no sofá e peguei o celular quase por impulso. A notificação já estava ali. Murilo. Meu coração deu um salto estranho, daqueles que misturam nostalgia e algo que eu ainda não sabia nomear direito. Abri a mensagem. “Estou sentindo sua falta. Pensei em você hoje.” Fechei os olhos por um segundo antes de responder. Murilo sempre teve esse efeito em mim. Uma presença constante no passado, uma promessa que nunca se cumpriu totalmente. Digitei com cuidado. “Também pensei em você.” A resposta veio rápido demais. “Quando voltar da Itália, poderíamos passar um tempo juntos. Só nós dois.” Hesitei. Não por medo. Talvez por saber que aquilo significava mais do que parecia. Ainda assim, aceitei. Marcamos de nos ver à noite, no dia seguinte à minha chegada. Algo simples. Ou pelo menos era o que eu dizia a mim mesma. Deixei o celular de lado e fui para o banho. A água quente escorrendo pelo corpo ajudou a aliviar a tensão acumulada. Lavei o cabelo com calma, me permiti ficar ali mais tempo do que o normal. Quando saí, vesti algo confortável e me deitei. O sono veio rápido, pesado. Na manhã seguinte, acordei cedo. O apartamento ainda estava silencioso. Preparei uma mochila pequena. Coloquei o carregador, o passaporte, meus documentos, cartões e algumas coisas íntimas que sabia que precisaria. Não fiz mala. Não havia necessidade. Tinha roupas suficientes na Itália, tanto no meu apartamento quanto na casa dos meus pais. Me arrumei sem pressa. Escolhi algo simples, confortável, mas que ainda refletia quem eu era. Desci pouco depois e encontrei Benicio na cozinha. — Bom dia — ele disse, já com uma xícara de café na mão. — Bom dia. Ele avisou que Arthur e Camille estavam a caminho para nos buscar. Assenti. Peguei uma maçã na fruteira e me encostei no balcão. — E você? — perguntei, fingindo casualidade. — Está gostando da Camille? Ele riu, um pouco sem graça. — A gente está se conhecendo melhor. Sorri. Gostei da resposta. Terminei a maçã e desci para esperar. Pouco depois, o carro chegou. Cumprimentei Arthur e Camille com um bom dia simples. Eles responderam. Nenhuma tensão. Nenhuma provocação. Seguimos direto para o jatinho. Assim que entrei, peguei o celular e comecei a conversar com Jasmine pelo w******p. Ela mandava fotos do filho, comentava sobre a saudade, perguntava se eu estava animada para a viagem. Enquanto digitava, senti. Aquele olhar. Levantei os olhos e encontrei Arthur me observando. Não disse nada. Nem eu. Com o tempo, a conversa fluiu naturalmente entre nós. Nada profundo. Nada defensivo. Apenas palavras soltas. Em algum momento, o cansaço venceu. Apoiei a cabeça e adormeci. Acordei com a voz dele me chamando baixinho, avisando que estávamos chegando. Pisquei algumas vezes até me situar. Acordamos Camille e Benicio, e logo o avião pousou. Descemos e seguimos para o carro. Benicio foi para a casa dos meus pais. Arthur e Camille ficaram comigo. No apartamento, mostrei o quarto de cada um. Depois entrei no meu, tomei um banho rápido e me joguei na cama. Antes de dormir, pensei na mensagem de Murilo. E, sem querer, no olhar de Arthur dentro do jatinho. Fechei os olhos sem saber que, mais uma vez, o destino já estava se movendo ao meu redor. Assim que fechei a porta do apartamento naquela noite, encostei as costas nela e soltei o ar devagar. O dia tinha sido longo demais. A viagem que se aproximava, o trabalho, Arthur… sempre ele. Caminhei até a sala, joguei a bolsa no sofá e peguei o celular quase por impulso. A notificação já estava ali. Murilo. Meu coração deu um salto estranho, daqueles que misturam nostalgia e algo que eu ainda não sabia nomear direito. Abri a mensagem. “Estou sentindo sua falta. Pensei em você hoje.” Fechei os olhos por um segundo antes de responder. Murilo sempre teve esse efeito em mim. Uma presença constante no passado, uma promessa que nunca se cumpriu totalmente. Digitei com cuidado. “Também pensei em você.” A resposta veio rápido demais. “Quando voltar da Itália, poderíamos passar um tempo juntos. Só nós dois.” Hesitei. Não por medo. Talvez por saber que aquilo significava mais do que parecia. Ainda assim, aceitei. Marcamos de nos ver à noite, no dia seguinte à minha chegada. Algo simples. Ou pelo menos era o que eu dizia a mim mesma. Deixei o celular de lado e fui para o banho. A água quente escorrendo pelo corpo ajudou a aliviar a tensão acumulada. Lavei o cabelo com calma, me permiti ficar ali mais tempo do que o normal. Quando saí, vesti algo confortável e me deitei. O sono veio rápido, pesado. Na manhã seguinte, acordei cedo. O apartamento ainda estava silencioso. Preparei uma mochila pequena. Coloquei o carregador, o passaporte, meus documentos, cartões e algumas coisas íntimas que sabia que precisaria. Não fiz mala. Não havia necessidade. Tinha roupas suficientes na Itália, tanto no meu apartamento quanto na casa dos meus pais. Me arrumei sem pressa. Escolhi algo simples, confortável, mas que ainda refletia quem eu era. Desci pouco depois e encontrei Benicio na cozinha. — Bom dia — ele disse, já com uma xícara de café na mão. — Bom dia. Ele avisou que Arthur e Camille estavam a caminho para nos buscar. Assenti. Peguei uma maçã na fruteira e me encostei no balcão. — E você? — perguntei, fingindo casualidade. — Está gostando da Camille? Ele riu, um pouco sem graça. — A gente está se conhecendo melhor. Sorri. Gostei da resposta. Terminei a maçã e desci para esperar. Pouco depois, o carro chegou. Cumprimentei Arthur e Camille com um bom dia simples. Eles responderam. Nenhuma tensão. Nenhuma provocação. Seguimos direto para o jatinho. Assim que entrei, peguei o celular e comecei a conversar com Jasmine pelo w******p. Ela mandava fotos do filho, comentava sobre a saudade, perguntava se eu estava animada para a viagem. Enquanto digitava, senti. Aquele olhar. Levantei os olhos e encontrei Arthur me observando. Não disse nada. Nem eu. Com o tempo, a conversa fluiu naturalmente entre nós. Nada profundo. Nada defensivo. Apenas palavras soltas. Em algum momento, o cansaço venceu. Apoiei a cabeça e adormeci. Acordei com a voz dele me chamando baixinho, avisando que estávamos chegando. Pisquei algumas vezes até me situar. Acordamos Camille e Benicio, e logo o avião pousou. Descemos e seguimos para o carro. Benicio foi para a casa dos meus pais. Arthur e Camille ficaram comigo. No apartamento, mostrei o quarto de cada um. Depois entrei no meu, tomei um banho rápido e me joguei na cama. Antes de dormir, pensei na mensagem de Murilo. E, sem querer, no olhar de Arthur dentro do jatinho. Fechei os olhos sem saber que, mais uma vez, o destino já estava se movendo ao meu redor. NÃO DEIXEM DE COMENTAR.
Leitura gratuita para novos usuários
Digitalize para baixar o aplicativo
Facebookexpand_more
  • author-avatar
    Escritor
  • chap_listÍndice
  • likeADICIONAR