Jardim de Beijos

2291 Palavras
Estavam tirando as medidas de Changkyun, o baile de noivado aconteceria em alguns dias e eles precisavam correr contra o tempo para que tudo ficasse pronto. Hyungwon, como sempre, estava com ele em seu quarto, enquanto os estilistas do rei mediam os ombros do Im. — Ansioso? — o ômega de companhia lhe perguntara. — Talvez, ainda não sei bem o que estou sentido, a única coisa que sei é que meu estômago borbulha sempre penso no casamento, parte de mim ainda está desavisada e sinto como se fosse sair correndo no dia. A forma como Changkyun falava fazia com que Hyungwon sentisse vontade de rir, o Chae via no mais novo alguém cheio de inseguranças, afinal, ele não estaria se casando com qualquer alfa, em breve seu noivo se tornaria rei, e ele seria o seu rei ômega, o ômega mais importante do reino, algo que a cabeça do Im ainda não havia processado da forma certa. Longe disso. — Isso é estar nervoso, majestade. — na frente de outras pessoas, o ômega de companhia se referia a ele desta maneira, não poderia dar a impressão de que estava sendo desrespeitoso com quem se casaria com o príncipe — É normal sentir isso, eu garanto, quando estava prestes a me casar eu sentia como se o mundo estivesse girando o tempo todo. O Im suspirou, era basicamente assim que ele se sentia, e mesmo que tentasse descer, o mundo não parava de rodar. Havia momentos em que sentia como se fosse vomitar, apavorado em alguns instantes, mas estranhamente a imagem do sorriso de Jooheon fazia com que aquele pavor diminuísse, como se por dentro ele já confiasse em seu noivo, mas seu corpo não conseguisse assimilar isso. — Mas e se... A enorme porta do quarto foi aberta, os olhos de todos foram para ela, se tratava do príncipe entrando, sempre de n***o da cabeça aos pés, a pele pálida e os cabelos loiros contrastando com tudo, a imagem de Jooheon era sempre assim, majestosa. Os estilistas guardavam tudo, já haviam terminado o que faziam, pararam por um momento para o reverenciar. — Está ainda mais lindo do que ontem. — foi a primeira coisa dita pelo príncipe, assim que parou diante do ômega, que ainda estava de pé. O menor sentiu seu rosto esquentar, os elogios do príncipe não eram como os elogios dos outros, os dele sempre o deixavam um pouco avoado, usava de palavras bonitas, propositalmente para o deixar ainda mais perdido. Ômegas gostavam de ser elogiados, isso era algo natural deles, independente de suas personalidades, elogiar a beleza de um ômega seria sempre o seu ponto fraco. — Obrigado. — acabou sorrindo, mesmo que nem quisesse. — Vamos dar uma volta no jardim, hum? — lhe estendeu uma das mãos, com aquele mesmo sorriso gentil nos lábios. A forma doce como Jooheon seria poderia derreter qualquer coração, até mesmo o de um ômega teimoso, que parecia tão determinado a não dar nenhuma brecha ao seu noivo. Lá estava Im Changkyun, segurando a mão do alfa, sorrindo de volta pra ele e saindo ao seu lado. O que poderia fazer? Não parecia uma má ideia, sempre passava muito tempo observando a forma como o casal real parecia feliz ao passear entre flores, sempre se perguntava se um dia poderia fazer a mesma coisa com alguém. Esse alguém era Jooheon, seu noivo, seu alfa, a pessoa com quem passaria o resto de seus dias. Isso não parecia algo r**m, pelo menos não agora. O jardim de alfazemas cheirava muito bem, queria que aquele cheiro ficasse preso em suas roupas por muito tempo, era o melhor lugar para se estar. A mão de Jooheon fazia um carinho na sua, ele precisava admitir que gostava daquilo, gostava de ter a mão de alguém segurando a dele, seu lobo se sentia seguro, uma segurança que até pouco tempo atrás parecia estar muito distante, mas que agora estava bem. Ele não entendia o que havia mudado, só sabia que as coisas estavam diferentes, Lee Jooheon deixara de ser uma ameaça, para se tornar um ponto de segurança. — Do alto da janela eu vejo você. — o príncipe começara a falar — Passa muito tempo observando meus pais no jardim, eu vejo a forma como olha pra eles, parece estar admirado. — O amor dos seus pais é muito bonito. — E você deseja viver um amor assim, não deseja? O ômega parou de andar, aquela pergunta poderia parecer boba aos olhos de qualquer um, mas mexia com Changkyun. Jooheon era sutil, queria saber mais dele, mas suas perguntas mexiam demais com o ômega, sempre batendo em uma ferida que não havia sequer começado a cicatrizar. Olhou para o alfa, ele poderia responder qualquer coisa, mas sentia que pelo menos daquela vez, ele precisava botar tudo para fora. — Omma uma vez me disse que eu nunca arrumaria um bom marido, que agindo dessa maneira nenhum alfa iria gostar de mim, que se um dia eu tivesse a sorte de me casar, sofreria até aprender a me comportar como o meu marido desejava. — falar aquilo doía, sabia que sua mãe estava cheia de raiva no dia em que disse aquilo, mas aquelas palavras o haviam machucado demais — Eu queria que alguém me amasse, que ela visse isso, visse que independente de como eu sou... alguém poderia gostar de mim. Uma lágrima escorreu solitária por seu rosto. Esse era o verdadeiro Im Changkyun, o ômega teimoso e malcriado, que respondia a todo mundo, um ômega que só queria ser aceito, ser amado, ser querido por alguém. O alfa segurou seu rosto, limpando a lágrima que escorreu e suspendendo o rosto do menor para que este o olhasse. Por alguns segundos tudo se deteve ali, um olhava para o outro sem pensar coisa alguma, apenas ouvindo o som do vento, o cheiro das flores e a beleza do rosto um do outro. Viu quando o rosto do alfa se aproximou mais, mas parou antes de encostar-se ao seu. Changkyun fechou seus olhos, apenas esperando pelo que viria a seguir, era a sua confirmação. Seus lábios se uniram em um selar simples por alguns segundos, fazendo com que o estômago do ômega voltasse a se revirar como se milhões de bichinhos dançassem dentro dele. Com a ponta da língua, o alfa empurrava buscando uma a******a, que aos poucos foi cedido, por mais inserto que o outro estivesse. O beijo era calmo e lento, as mãos do mais alto continuavam em seu rosto, segurando com delicadeza e respeito. Quando suas bocas se separaram, ambos continuaram próximos, suas testas ainda coladas, sentindo a respiração um do outro. Jooheon o abraçou, trazendo Changkyun para o seu peito. — Eu gosto de você, Changkyun, desde o primeiro momento em que pus os olhos em você. — lhe confessou em um tom baixinho, como se aquilo fosse um segredo — Eu gosto da sua teimosia, da sua personalidade forte, gosto de você exatamente como é, sem tirar e nem pôr. Aquelas palavras deixavam o ômega balançado, ele sentia seu coração arder e uma felicidade crescente passar a existir. Era estranho aquilo, e nessas horas ele se lembrava de que era um ômega, e que assim como os outros, queria ter o carinho de alguém, um carinho sincero. — Eu não consegui tirar você da minha cabeça, precisava tê-lo para sempre comigo. — as mãos alfa repousavam em seu rosto, segurando-o e fazendo-o olhar para ele, por mais que Changkyun teimasse em querer desviar o olhar. Estava envergonhado — Mas se não é isso que você quer, eu permito que vá embora. Os olhos do ômega se alargaram, ele não esperava ouvir aquilo. Ficou atordoado, estava tendo o poder escolher, escolher entre ficar e se casar, ou de partir e viver sua vida de outra maneira. Jooheon fez menção se de afastar, mas o menor segurou em sua mão para que ele ficasse. Os olhos bem fixos nele, segurando sua mão com força. — Eu também gosto de você, Jooheon. Entrelaçou seus dedos aos dele, passando a caminhar ao seu lado, praticamente o puxava para dentro do castelo sem dizer mais nenhuma palavra, não esperava que fosse dizer isso tão cedo, e agora sentia seu rosto ficar quente pelo que havia dito. O alfa não tirava o sorriso do rosto, estava feliz pelo que havia ouvido, e ainda achava engraçado a reação do menor, que parecia um tanto infantil e fofa, como um garotinho que confessa seus sentimentos pela primeira vez. E talvez fosse a primeira vez mesmo. No salão principal haviam muitas pessoas, de um lado para o outro arrumando tudo, pareciam apressadas. O casal real estava no meio delas, verificando se tudo estava de acordo, Hakyeon era o que mais falava e corria para todos os lados, ele era muito detalhista quanto a tudo que se envolvia, e se tratando do casamento do filho mais velho, ele parecia ainda mais dedicado. Quase saiu correndo quando os viu. — Meu querido, eu estava indo procura-lo agora mesmo. — disse assim que os alcançou, Wonsik estava sentado em um canto da sala, provavelmente cansado de andar com Hakyeon para todos os lados — Preciso que me fale quais as suas cores favoritas para podermos decorar com elas. Changkyun abriu a boca ainda pensando em sua resposta, nunca havia escolhido uma cor favorita. Olhou algumas coisas ao redor como quem procurava por qualquer cor que fosse mais chamativa aos seus olhos. Viu a janela, o céu estava muito bonito naquela manhã. — Azul e branco. — respondeu. O rei ômega apenas balançou a cabeça, voltando a andar de um lado para o outro pelo salão, desta vez passara a gritar “azul e branco” para todos, que mexiam em diversas caixas passando a carregar objetos azuis e brancos para todos os lados. — Me desculpe por isso, ele sempre fica dessa maneira quando há algum evento importante. — o príncipe parecia meio sem jeito pelo comportamento eufórico de um de seus pais, As vezes esquecia que somente os mais próximos conheciam esse lado dele. — Tudo bem. — sentiu vontade de rir, engraçado aquela cena — Eu me sinto... da família. O príncipe apertou sua mão, o puxando para outra direção. Acabou o acompanhando, sentia que podia confiar nele, pelo menos, daquela vez ele deveria confiar, já perdera muito tempo o olhando de maneira errada. Lee Jooheon não era r**m, muito pelo contrário, o alfa era uma pessoa que incrível, que merecia ter seus detalhes estudados mais a fundo. Conhecia aquele caminho, aquela escadaria que dava preguiça só de olhar, mas subiu degrau por degrau, com sua mão ainda colada com a mão dele. Era estranho pensar no quanto se sentia bem com isso, no quanto era incrível ter a mão dele ali com a sua. O ateliê de pintura estava uma bagunça, como sempre, mas uma bagunça que parecia organizada para o príncipe, ele sabia sempre onde tudo estava, enquanto o ômega precisava ter cuidado para não pisar em nada e acabar fazendo a maior sujeira. Era um lugar colorido, bom de se estar, a luz da janela tornava tudo claro, as pinturas do príncipe eram muito bonitas. — Eu fiquei muito feliz no dia em que veio aqui. — ele disse — Queria que passasse mais tempo comigo, não sabe o quanto deixa meu coração alegre. Se ele soubesse o quanto suas palavras mexiam com o ômega, não pararia de falar. Ele era mesmo muito encantador, assim como muitos diziam pelas ruas da cidade. O menor se sentou em um caixote que havia ali, estava cansado depois de subir tantos degraus. — Sabia que... — começou, queria ter alguma conversa descontraída com seu noivo — Correm muitos boatos seus pela cidade? — E esses boatos são bons ou ruins? — Depende de quem os ouve. — respondeu com um ar de riso — Alguns são bons, outros acabam dependendo muito do desejo de quem está ouvindo, mas nunca sabemos quais mentem e quais falam a verdade. — Eu posso desvendar todos esses boatos, basta só que me pergunte. O menor parou por um instante para lembrar, tinha um ar pensativo e até mesmo colocou sua mão queixo com uma expressão exagerada. Jooheon achava aquilo engraçado, foi o mais perto que tiveram de se sentir à vontade um com o outro. Pareceu ter pensando em algo, mas estranhamente ficou vermelho. — É que... muitos dizem que você recebe amantes no castelo... — perguntou, era uma curiosidade próprio, talvez alguém se arriscasse a dizer que era ciúme — Isso é verdade? O alfa olhou para ele, meneou a cabeça. — É. — respondeu, vendo uma expressão leve, mas de desagrado, surgir em Changkyun — Era. — Era? Jooheon se agachou ao seu lado, segurando as duas mãos pequenas do ômega, olhou em seus olhos com uma expressão calma. Changkyun ainda o olhava estranho, como se estivesse decepcionado com algo, ou um pouco irritado. — Era. Mas depois que você chegou ao castelo eu não recebi mais ninguém. — deu sua resposta — Sou complemente fiel a você, mesmo que ainda não seja o seu marido. A partir do momento em que eu disse que me casaria com você, eu me tornei seu. O ômega ficara ainda mais perdido, de todas as coisas que esperava ouvir, aquela era a última. Um sorriso acabou surgindo em seus lábios, a felicidade que já havia nascido, agora crescia de forma desenfreada em seu peito, o deixando tão leve que podia sentir seus pés formigarem. — Jooheon... — Isso não é um conto de fadas, Changkyun, mas se você puder me amar, nós podemos ter o nosso próprio “felizes para sempre”.  
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