Jardim de Certezas

1639 Palavras
As mãos de Changkyun estavam frias. O salão estava lotado e aparentemente todos se divertiam, ele também se divertiria se não estivesse tão tenso. A verdade era que o ômega tinha medo de fazer algo errado na frente de toda aquela gente e acabar sendo motivo de vergonha para seu noivo e a família real, mas morreria sem admitir isso. Tentava aparentar tranquilidade, todavia no momento em que Jooheon tocara suas mãos, o alfa pôde notar o que se passava com seu noivo. Não gostava de vê-lo assim. — Há algo errado? — o indagou. — Minha mãe está aqui, isso já é totalmente errado. — usara um tom de deboche, era sua arma quanto ao nervosismo, preferia mil vezes expor seu principal problema. A presença dela lhe dava arrepios. — Ela não pode lhe fazer nenhum, não enquanto eu estiver aqui. — sussurrou para ele, beijando o alto de sua cabeça em um simples gesto de carinho, mas que fazia toda a diferença para Changkyun — Pode ficar calmo. Ele até tentara, mas a imagem de sua mãe se aproximando o deixou eufórico, sentia vontade de sair correndo dali para não ser obrigado a sorrir para ela e fingir que não sentia nenhuma mágoa. A mulher era cínica ao ponto de o abraçar, travando os dentes em um sorriso que conseguia ser mais falso do que as joias que a mesma ostentava no pescoço. Seu estômago embrulhou ao vê-la abraçar Jooheon como se o mesmo lhe fosse alguém íntimo, ela já se fazia m****o da família antes mesmo do casamento. Até seu perfume o enjoava, tudo nela parecia ter sido montado em casa, deixando transparecer todo o seu teatro ensaiado. — Filho, sentimos tanto a sua falta em casa. — era mentira, como todas as outras falas que ainda viriam — Parece que falta um pedaço de mim ao acordar e não encontra-lo em sua cama. Cama esta que m*l lhe cabia, desconfortável, ao qual ela fingia não ver em dias de limpeza. Sua mãe conseguia ultrapassar todos os limites, lhe parabenizando pelo casamento que ela sequer queria. Era fato, se a mesma pudesse descartar Changkyun e colocar Minhyuk em seu lugar ela estaria no paraíso. Já ele nada dizia, apenas sorria amarelo e com dificuldades. — Poderia me dar um minuto da atenção do meu filho, príncipe? Quase entrou em pânico quando viu Jooheon sem opção alguma, cedendo naquele momento e entregando o ômega na boca do caçador. A mesma segurou em seu pulso de forma nada delicada, o puxando propositalmente de forma dolorosa até um cantinho qualquer onde havia menos pessoas, a expressão de seu rosto já era outra. — Espero que não esteja fazendo nada para impedir esse casamento. — soltou, a carranca já bem presente — Nossa família precisa dessa união e eu espero que não esteja sendo um malcriado com o príncipe, eu juro que se for mandado para casa os seus dias se tornarão muito difíceis! — Mais difíceis do que já eram? Acho bem difícil que consiga. — soltou seu braço de maneira ríspida, massageando o local dolorido, não se daria mais ao trabalho de fingir que havia algum sentimento bom ali presente — Mas ao contrário do que você pensa eu e Jooheon estamos muito bem, obrigado. Se afastara um pouco mais da mesma, sendo seguido por ela, que insistia em continuar com aquelas ameaças chulas e vazias, sendo revidadas pelas promessas de que estaria seguro com Jooheon. Ela não podia mais o ferir. Sentia medo dela, isso não poderia negar, mas se agarrava ao cheiro de seu alfa ainda impregnado em suas roupas para lhe passar coragem de enfrenta-la mais uma vez. — Virei ao castelo esses dias, ver como você está. — Vem me vigiar? — debochou. — Eu sou sua mãe, me trate como tal. — Então me trate como seu filho. Deixou a mesma para trás, cruzando o salão e indo direto para onde Jooheon estava, não se importando em abraça-lo e se mostrar frágil por aquele segundo, somente o abraço de Jooheon servia alento naquelas horas, ele era sua família agora, confiava nele. Gostava tanto do conforto que o abraço de Jooheon lhe dava, só agora se dera conta disso. Não queria mais ter que sair de perto dele, pelo menos, não naquele momento.     [...]     Era manhã, Changkyun usufruía da companhia de Hyungwon, que estava lhe contando sobre o dia de seu casamento, os olhos do ômega mais velho brilhavam ao relembrar o dia mais feliz de sua vida, e era para tanto, Hyungwon sempre fora completamente apaixonado por Hoseok, desde o primeiro dia em que o vira no castelo. — Ele é tão lindo, precisa conhece-lo um dia, eu tenho certeza de que vai gostar dele. — dizia — Claro, não é a pessoa mais dócil do mundo, mas sabe ser gentil, principalmente comigo, eu o amo tanto. — Deve ser muito bom amar alguém assim, tenho inveja de você. — o noivo do príncipe veio a confessar, meio sem graça e sem conseguir olhar para o amigo. — Mas você tem alguém para amar assim, basta querer isso. — o disse com um sorrisinho sapeca nos lábios, Hyungwon se aproximou mais, enquanto os dois se mantinham espatifados na cama — Aliás, eu tenho certeza de que isso será muito fácil, você já está completamente apaixonado por ele! — Não estou não! — o menor negou rapidamente, mas em seguida veio a murchar em sua fala — Quer dizer, eu gosto dele, “apaixonado” é uma palavra muito forte. Ficou pensativo com o que Hyungwon havia dito, estava tão na cara assim que ele estava caidinho pelo príncipe — encantado talvez — loiro. Mas o que poderia fazer? Sentia-se indo no caminho certo, até mesmo já fazia planos onde se via ao lado do príncipe em anos futuros. Mas o que poderia fazer? Se imaginava tento filhos com ele, netos até, Jooheon o encantava de uma forma que sequer sabia o que fazer adiante, ele havia se tornado seu por seguro para todo e qualquer medo que viesse a ter. Ele era como aqueles príncipes encantados das histórias que ouvira Kihyun lhe contar. Ouvira uma batida na porta que veio a interromper a conversa, era um dos servos com a mensagem de que a mãe de Changkyun viera o visitar, o que automaticamente veio a deixar o menor nervoso e assustado, ela cumprira a ameaça que havia feito de vir o vigiar. Aquela mulher sempre lhe arrancaria arrepios. — Eu não quero vê-la. — ditou assim que o servo veio a sair, segredando seu medo para Hyungwon. — Precisa ir, majestade, não será bom que os reis saibam de seu desentendimento com sua mãe. — aconselhou, passando para mais perto do ômega menor e segurando suas mãos — Não se preocupe, estarei por perto. — Obrigado. Desceu as escadas sentindo seu estômago gelado, Hyungwon vinha logo atrás dele, mas sua vontade naquele momento era de segurar a mão do amigo. Ajeitou sua roupa, que estava muito elegante naquele dia, queria que sua mãe visse o quanto já havia se tornado alguém da realeza. Encontrou a mesma no salão de visitas, mas daquela vez ela estava acompanhada por Minhyuk, que olhava para tudo naquele momento, menos para seu irmão. A mulher encarou o filho mais novo por alguns instantes, a mesma expressão ríspida continuava por lá, era desgostoso olhar para ela e ter que admitir que muitas vezes em sua vida sonhou em ter o amor da mesma e só recebeu seu desprezo. — Minhyuk, querido, nos deixe a sós. O mais velho sequer cumprimentou o irmão, dando meia volta e saindo pela grande porta.     [...]     Naquela hora Changkyun não desconfiava de nada, mas tudo servira apenas de pretexto para enfiar Minhyuk no castelo. O mesmo caminhava pelo jardim tão florido, passando a mão pelas flores e imaginando que tudo aquilo poderia um dia ser seu. Assim como sua mãe, o mesmo ainda não desistira de arrancar Changkyun do caminho e se apropriar de tudo, se apropriar do castelo, do noivado e do noivo, e tudo o que ele precisava era de um momento com o príncipe, um momento para mostrar de que era bem melhor do que seu irmão caçula. Era seu dia de sorte. Encontrara o príncipe sozinho no jardim, o mesmo se encontrava entretido na leitura de um livro, enquanto o sol quase posto iluminava seu rosto. Parara um segundo para admirar o quanto aquele homem era magnifico, se indignando ao relembrar o fato de que o mesmo escolhera Changkyun como seu futuro marido. Não! Aquilo não podia ficar assim, ele tinha que consertar tudo. — Olá. — usara de sua voz mais doce ao parar ao lado de onde o príncipe. O príncipe demorou um pouco para responder por estar distraído, mas voltou seus olhos para o ômega, abrindo um sorriso simples para ele. — Olá. — Posso sentar ao seu lado? — Ah, claro. Satisfeito com a resposta, Minhyuk sentou-se no gramado ao lado do príncipe, dobrando suas pernas ao imitar a maneira que o mesmo se sentava. — Eu gosto muito deste livro. — comentou, se referindo ao livro lido pelo alfa — É uma história mágica, o tipo de romance que qualquer um gostaria de viver. — E quem não gostaria de viver um amor assim? Feliz pela atenção que recebia, o irmão mais velho de Changkyun se sentia mais livre para tentar se aproximar mais do príncipe, ele acreditava que o fato do loiro estar a conversar com ele, poderia significar que seus esforços em conquista-lo estavam indo conforme planejava. — E você acredita que pode haver amores assim? O alfa olhou diretamente para o rosto de Minhyuk, abriu um sorriso largo. — Mas é claro, o amor que sinto por Changkyun é a prova disso.
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