Pré-visualização gratuita PRÓLOGO
⚖️ O DESPERTAR DA FERA: A TOGA MANCHADA E O IMPÉRIO DO SANGUE
Muitos desses otários que cruzam o pátio do tribunal, com seus ternos de poliéster e hálito de café requentado, enxergam apenas uma advogada de sucesso. Veem uma mulher que domina o Vade Mecum como se fosse um baralho marcado e que ostenta o brilho das joias que o esforço, o sangue e o poder me proporcionaram. Veem o blazer de grife que abraça minhas curvas de forma estratégica, o coque impecável que prende meu cabelo ruivo cor de brasa, mas o que esses engravatados se recusam a aceitar ou têm medo de admitir é que, por baixo da seda cara da Hermès, bate o coração da mulher do homem mais procurado, temido e sinistro do Estado.
Eu sou Melissa Rocha Ferreira. E se tu acredita, na tua ignorância de classe média, que ser esposa de um líder e advogada criminalista é uma vida de luxo vazio e festinha em cobertura, tu não entende é p***a nenhuma sobre a responsabilidade de carregar dois mundos nas costas sem deixar a peteca cair.
Eu comecei do lodo, lá debaixo, onde o filho chora e a mãe não vê. Cresci sentindo o pó da estrada subir e entupir o nariz, ouvindo o som dos blindados ecoando nas ruelas enquanto a vida acontecia no limite do cano da arma. Hoje, eu sou a Dona da Lei. Mas antes de ser "Doutora", eu sou a mulher do Murilo, o Fantasma. Essa dualidade é uma corda bamba que eu atravesso de salto agulha 15 todos os dias, com a coluna ereta e o olhar fixo de quem sabe que um vacilo é o fim. O preconceito? Ele é meu café da manhã. Vem do juiz que subestima meu intelecto porque meu corpo é volumoso e minhas curvas não cabem no padrãozinho de modelo de passarela; vem dessa sociedade hipócrita que tenta me rotular como um "troféu de bandido".
Sou gordinha, sim. Sou curvilínea, sou imponente, sou uma cavala e sou linda pra c*****o. Meu corpo é o meu território sagrado, meu império de curvas que eu exibo com o queixo erguido e o peito estufado. Quem prega que o lugar da mulher é na submissão, lavando louça e baixando a cabeça, nunca cruzou o caminho de uma Ferreira. O lugar da mulher é onde ela bem entender: seja ditando sentenças que mudam o rumo do jogo numa mesa de audiência, ou coordenando a inteligência de uma retomada estratégica no topo do morro, com o rádio na mão e o ódio no olhar.
🏛️ O TRIBUNAL DAS VAIDADES: O TEATRO DOS HIPÓCRITAS
O ar-condicionado da 4ª Vara Criminal estava no talo, gelando até a alma, mas eu sentia o calor da indignação percorrer minha espinha como se fosse lava. O cheiro de papel velho, mofo e arrogância daquela sala parecia sufocar a verdade. Eu estava de pé há horas, desconstruindo, ponto a ponto, a farsa montada por aquela promotoria de merda. Eu tinha as provas técnicas, os áudios interceptados que mostravam a sujeira deles e a verdade nua e crua na palma da minha mão.
Um dos nossos, um moleque bom que nunca deu mancada, tinha sido levado na covardia. O cara é solteiro, não tem r**o preso com família, vive pela rua e pelo bonde, um soldado de frente, e foi justamente por isso que os vermes escolheram ele. Armaram um bote sujo, plantaram um flagrante de quilos de pó que o moleque nem tinha visto, e jogaram o cara num buraco de isolamento pra tentar forçar uma delação premiada que nunca viria. O clã Ferreira não dobra, não quebra e não deita pra sistema nenhum, e esses comédias deveriam saber disso antes de tentar peitar a firma.
— "Excelência, com todo o respeito que este recinto m*l merece, o processo é uma aberração jurídica de marca maior. A prisão é nula de pleno direito!" — Minha voz projetou-se com a clareza de quem não aceita ser interrompida por nenhum p*u mandado. — "Temos as imagens de satélite que provam que o réu não estava nem perto do perímetro da apreensão. Temos o registro de que a viatura desligou o GPS por quarenta minutos. O que houve foi um sequestro estatal travestido de operação policial, uma palhaçada armada pra dar satisfação pra mídia!"
O Desembargador Cavalcanti, um sujeito que parecia ter o coração feito de granito e a alma vendida para o sistema mais podre possível, nem se deu ao trabalho de desviar os olhos do celular de última geração. Para ele, eu era apenas a "advogada do crime", uma mulher que usava a norma culta e o decote para proteger o que ele considerava a escória da terra. Aquele olhar de superioridade dele, de quem se acha um Deus de toga, me causava mais asco do que qualquer cela imunda de delegacia de beira de estrada.
— "Dra. Melissa, por favor... poupe-nos da sua retórica acadêmica barata para defender um marginal do calibre desse indivíduo. Já conhecemos a sua fama e a sua... clientela." — Ele disse, com uma voz arrastada, limpando o canto da unha com um cortador de prata, como se eu fosse um incômodo passageiro. — "O tribunal não se pauta por filigranas processuais quando a segurança pública está em risco. Seu cliente é um perigo social, um câncer que precisa ser extirpado. A decisão está mantida. Pedido de soltura indeferido. Ele vai para o RDD (Regime Disciplinar Diferenciado) e lá vai ficar até esquecer o próprio nome, ou até que resolva abrir o bico sobre o tal 'Fantasma'."
O som do martelo batendo na madeira foi como um disparo seco de .40 no meu peito. Senti o mundo girar por um breve segundo, a raiva subindo pela garganta como um gosto de ferro. Toda a minha formação na PUC, as noites em claro estudando cada vírgula da Constituição, a crença na civilidade que eu tentei construir como um escudo... tudo parecia cinzas diante daquela prepotência nojenta. Eles não queriam a lei, eles queriam o troféu. Eles queriam o sangue do Ferreira, mas não tinham culhão pra subir o morro e buscar. Queriam usar a caneta pra fazer o serviço sujo que a bala não conseguiu.
Recolhi meus papéis com uma calma gélida, um silêncio absoluto que fez o promotor ao lado, um bosta que m*l conseguia me encarar, tremer na base. Guardei meu notebook, fechei minha pasta de couro legítimo e olhei fixamente nos olhos do magistrado. Naquele instante, a advogada educada cedeu lugar à rainha que conhece o peso do aço e a lei da selva.
— "O senhor acabou de assinar o fim de qualquer possibilidade de diálogo, Excelência. Espero que sua consciência seja tão blindada quanto o carro que o Estado te dá." — Falei em um tom baixo, um sussurro que carregava o peso de uma maldição ancestral. — "Eu trouxe o Direito, trouxe a civilidade, trouxe a chance de vocês serem justos. O senhor escolheu o arbítrio, escolheu a guerra. Sinta-se responsável pelo que as ruas vão cobrar a partir de agora. A conta vai chegar, o boleto do inferno é caro, e o senhor não vai ter onde se esconder quando o céu desabar."
Saí do fórum e o sol de São Paulo castigou minha pele como se fosse um carrasco me cobrando a derrota. O asfalto parecia querer derreter meu salto agulha, mas eu caminhei com a postura inabalável, peito aberto, ignorando os olhares curiosos dos estagiários e dos meganhas de plantão. Entrei no SUV blindado que me aguardava com a porta aberta na calçada. O motorista manteve o silêncio absoluto; ele conhecia o brilho de puro ódio nos meus olhos e sabia que qualquer palavra errada ali seria um gatilho.
No banco traseiro, a atmosfera estava carregada de fumaça densa de charuto cubano e um cheiro de perigo real, palpável, que fazia os pelos do braço arrepiar. Lá estava ele. Murilo Ferreira.
Ele estava sem camisa, exibindo as tatuagens que contavam a história de cada guerra, cada cicatriz e cada alma que ele já mandou pro quinto dos infernos. O fuzil curto, um 7.62 personalizado, estava atravessado no peito dele, a mão pesada e tatuada descansando sobre o metal frio como se fosse uma extensão do próprio corpo. O olhar de Murilo era o próprio abismo, uma tempestade de fúria contida que parecia consumir todo o oxigênio do carro. Ele não precisou perguntar nada. Ele viu na rigidez dos meus ombros e no meu coque levemente desfeito que a "Doutora" tinha voltado de mãos vazias por causa da soberba dos deuses de toga.
— "E aí, gordinha?" — A voz dele era um trovão rouco, carregada de uma vulgaridade agressiva que me fazia estremecer e desejar ele ao mesmo tempo. — "O fdp de toga soltou o nosso mano ou eu vou ter que transformar aquela p***a de fórum num açougue agora à tarde? Fala pra mim, que eu tô com o dedo coçando pra fazer justiça do meu jeito."
Joguei minha pasta de grife no chão do carro com um estalo seco que ecoou na blindagem. Aquele foi o fim oficial da minha paciência com a civilidade e com a paz. Voltei-me para ele, sentindo o calor brutal do seu corpo e o cheiro de pólvora, suor e perfume caro que o envolvia como uma aura de morte.
— "Eles riram de mim, Murilo. Ignoraram cada prova, cada nulidade, cada palavra técnica que eu cuspi naquela sala. Trataram a Constituição como se fosse papel higiênico e meu trabalho como uma piada de mau gosto só porque eu sou a 'mulher do Fantasma'." — Senti uma lágrima de ódio queimar minha bochecha, mas não era tristeza, era puro veneno destilado. — "Eu tentei, Murilo. Eu juro por tudo que é mais sagrado que eu tentei resolver na base da caneta, manter o jogo limpo para proteger o que construímos e não sujar nossas mãos à toa. Mas eles não respeitam a toga, não respeitam a inteligência. Eles só respeitam o pavor, o grito de agonia e o som do ferro batendo na carne."
Murilo soltou uma gargalhada seca, c***l e satisfatória, se inclinando para frente com a agilidade de um predador e me puxando pelo pescoço com uma força bruta, colando nossas testas. O hálito quente dele, com gosto de uísque e tabaco, batia no meu rosto.
— "Tu é f**a, Melissa! É a Doutora mais braba e mais gostosa que essa p***a de cidade já viu, mas eu te avisei, c*****o! Com esses comédias não tem ideia, não tem papelada, não tem 'Excelência'. Eles querem brincar de Deus? Então vamos mostrar pra eles quem manda no inferno e quem é o d***o que cobra a fatura!" — Ele apertou minha nuca com mais força, os olhos brilhando com uma malícia assassina que eu conhecia bem. — "Eles tocaram em um dos nossos pra ver se eu tremia, pra ver se o Fantasma estava ficando velho. Agora vão ver o que é terror de verdade quando eu bater na porta deles com o pé no peito e o cano quente."
Respirei fundo, sentindo o peso do nome Ferreira ecoar em cada batida acelerada do meu coração. Olhei nos olhos do homem que assombra o sono dos poderosos e vi que a civilidade tinha morrido na rampa daquele tribunal imundo. A Melissa advogada tinha dado o seu máximo, mas a Melissa Ferreira tinha assumido o comando.
— "Acabou, Murilo. Eu me desvinculei desse caso oficialmente lá dentro. Não existe mais Dra. Melissa para esses homens. Eles quiseram o monstro, eles cuspiram na diplomacia, agora eles vão ter o que pediram." — Aproximei-me do seu ouvido, sentindo o aço gelado do fuzil roçar em minha pele, um contato que me deu um t***o macabro enquanto a adrenalina subia como fogo nas veias. — "O campo tá liberado, Murilo. O Estado escolheu o conflito, então leve o inferno até a sala de jantar deles. Faça do seu jeito, do jeito c***l e impiedoso que só o Fantasma sabe fazer. O morro é teu, a rua é tua... e o sangue que vai correr agora está na conta daquela toga podre. Não quero ninguém vivo pra dar depoimento, não quero testemunha, não quero piedade. Quero que eles sintam o peso de ter negado a justiça pra uma Ferreira."
Murilo soltou um rugido baixo de pura satisfação, uma risada vulgar e potente que confirmava que a b***a tinha sido solta pela única pessoa que ele realmente respeitava na terra. Ele destravou o fuzil com um estalo seco que soou como a sinfonia mais linda que eu já ouvi.
— "Tava esperando tu dar a ordem, minha rainha! Se eles não quiseram a tua paz e o teu papo reto, vão ter que aguentar o meu m******e e a minha fúria. Vou descer essa p***a agora com o bonde pesado e mostrar que o Fantasma não perdoa traição de juiz nem palhaçada de policinha comédia. O nosso mano vai sair de lá nem que eu tenha que derrubar o presídio na base da granada e do C4! Hoje o asfalto vai chorar sangue!"
O carro arrancou com uma violência absurda, subindo o morro com os pneus gritando no paralelepípedo, voando em direção ao quartel-general do clã. Olhei pelo vidro fumê para o tribunal que ficava para trás, aquela estrutura de concreto que agora me parecia de vidro, frágil e pronta para ser estraçalhada pela realidade das ruas.
Eles acham que eu sou limitada pelo meu corpo curvilíneo, pelo meu tamanho ou pelo meu diploma pendurado na parede? Eles não viram foi nada ainda. Eu sou a Melissa Rocha Ferreira. Sou a Dona da Lei, mas quando a lei se torna uma ferramenta de injustiça nas mãos de hipócritas, eu viro a arquiteta da destruição. O lugar da mulher é onde ela quiser... e hoje, meu lugar é aqui, no trono do caos, ao lado do meu homem, observando o asfalto sangrar enquanto o Fantasma cobra cada centavo da dívida em vidas. O teatro acabou. Agora, começa o m******e.