capitulo 2 Murilo

730 Palavras
🥟 A COXINHA DA VITÓRIA E O CAOS NA FEIRA Eu olhei pro Faísca, que tava com o cabelo todo arrepiado do vento da garupa, parecendo que tinha levado um choque de alta tensão, e pro Pulga, que já tava na segunda latinha e parecia que tava num churrasco de domingo. O clima pesou com o pacto, a seriedade tomou conta, mas bastou um segundo pro veneno da zoeira voltar a correr nas veias daqueles marginais. — "Tá bom, bando de desgraçado." — Falei, finalmente soltando um pouco os ombros e cruzando os braços sobre o fuzil, relaxando a guarda por um instante. — "Mas fala logo a real do que vocês aprontaram lá embaixo. O rádio não parava de chiar, a central tava em pane e eu só ouvia barulho de pneu fritando e sirene de longe. Que p***a de circo foi aquele que vocês armaram na principal?" Faísca deu um gole generoso na cerveja do Pulga, levou um tapa de volta, limpou a boca com a manga da jaqueta de couro e começou a rir, os olhos brilhando com a lembrança do caos. — "Pô, Murilo, a gente tava indo buscar a carga de escama lá no setor 4, né? Tudo no esquema, tudo na maciota, motor baixo, sem dar bandeira." — O Faísca começou, gesticulando tanto que quase acertou a coronha do fuzil no queixo do Neguim. — "Aí do nada, na curva da principal, o que a gente vê? Uma blitz daquelas monumentais, mano! Giroflex pra todo lado parecendo árvore de natal em final de ano, os coxinha tudo de prontidão, de dedo no gatilho. O Pulga, que é um cagão de marca maior e tem medo até da própria sombra, já ia dar o retorno e enfiar a moto no bueiro..." — "Cagão é o teu passado, Faísca! Respeita a minha história!" — Pulga interrompeu, fazendo pose de ofendido. — "Eu só tava zelando pelo patrimônio da firma, ué! A carga era da boa, pura, brilhando! Não dava pra perder pro sistema por causa de um capricho teu!" — "Zelando o c*****o! Tu tava era tremendo as canela!" — Neguim entrou na conversa, rindo tão alto que dava pra ouvir do outro lado do morro. — "O Faísca olhou pra blitz, olhou pra mim na outra moto, deu um sorriso de quem perdeu o juízo de vez e gritou: 'É HOJE QUE EU VEJO SE ESSA MOTO VOA OU SE EU VIRO ASTRONAUTA!'. O louco simplesmente ignorou o sinal de parada, deitou na moto e passou raspando no pé do sargento, Murilo! O cone que tava na frente voou uns cinco metros de altura, parecia um foguete da NASA saindo da base! O sargento quase caiu de b***a no asfalto com o vácuo da fera!" Gargalo, que até agora tava só observando com aquele jeito de sniper, soltou uma risada curta e seca, balançando a cabeça. — "O pior não foi o cone, Murilo. O cone foi o de menos. O pior foi que o Faísca, no meio da perseguição, com três viaturas na cola com a sirene gritando, resolveu que era uma excelente ideia passar por dentro daquela feira livre que tava desmontando ali na divisa. Tinha alface, tomate e repolho voando pra todo lado, maluco! Parecia que a gente tava num videogame de corrida clandestina, só que com cheiro de tempero!" — "Mano!" — Faísca gritou, empolgado, revivendo a cena. — "Tinha um tiozinho com um carrinho de pastel... eu juro por Deus, Murilo, o vácuo da moto quando eu passei no grau foi tão forte, mas tão violento, que o chapéu de palha do cara rodou no ar, deu três piruetas e caiu certinho dentro da fritadeira de óleo quente! O cara ficou olhando sem entender nada, com a mão na cabeça! E o Pulga, em vez de atirar pra trás pra dar cobertura ou olhar o retrovisor, tava era tentando pescar uma coxinha que ficou presa entre o retrovisor e o cabo do freio no meio do atropelo!" — "E peguei, c*****o! Missão dada é missão cumprida!" — Pulga rebateu vitorioso, tirando um guardanapo todo amassado, manchado de gordura e sujo de poeira do bolso da calça cargo. — "Tá fria, tá cheia de fuligem de pneu e com gosto de adrenalina, mas tá suculenta que só a p***a. Quer um pedaço, patrão? É a coxinha da vitória, legítima do Ferreira!"
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