Guilherme ainda estava úmido, quando saiu do banheiro e se colocou diante de um fogão de duas bocas. De onde saiu um miojo muito bom, por sinal.
Sentado do meu lado na cama, ficou em silêncio, parecendo concentrado em seu celular.
Pensei em tentar quebrar o silêncio, mas não queria deixar as coisas ainda piores.
A breve discussão de instantes atrás provavelmente já matara minhas chances de matar Gael com minhas próprias mãos.
Deveria ter esperado até um momento mais apropriado para falar sobre aquilo novamente, se é que surgiria.
Tocar no assunto no meio do começo de uma sessão de sexo não fora o passo mais inteligente.
Obviamente, não havia garantia de que uma abordagem diferente tivesse alterado o resultado.
Parecia que quando Guilherme tomava uma decisão, tinha poucas chances de fazê-lo mudar de ideia, especialmente se a questão envolvesse invasões à favelas.
Mas não me daria por vencida.
Pensaria em outra coisa.
Se podia dizer que era boa em algo, era em planejar e eu planejaria até o último instante da minha liberdade, a queda do Gael.
Com ou sem a participação de Guilherme.
Tentando não ceder ao desapontamento que me invadia, terminei de comer e levantei, sem querer ficar na atmosfera tensa, já me imaginando dirigindo para casa e tendo que lidar com Rubinho. Mas, antes que pudesse me afastar da cama, Guilherme ergue o olhar do celular e me olhou de forma penetrante.
— Aonde você vai?
— Pra casa. Já está ficando tarde — Respondo com cautela.
— Senta. — Ele acena na direção da cadeira. — Ainda não terminamos nossa conversa.
Reprimindo a vontade de contrariá-lo, volto à cama e cruzo os braços.
— Eu realmente preciso ir, Guilherme.
— Quando vai poder vir aqui de novo?
Olhei para ele e meu coração acelera quando uma pequena bolha de esperança se forma no meu peito.
— Não sei. Mas pelo menos aqui na Rocinha, me sinto mais segura do que fora - E era verdade. Ninguém além dele, sabia que estava ali.
— Então, amanhã? — diz me olhando com atenção.
— É. Pode ser — Coloquei as mãos suadas sobre meu colo — Não se tem muita coisa para fazer no final de uma gestação.
— Está bem. — Ele olha novamente para o celular e digita alguma coisa enquanto o observava, m*l ousando respirar.
Depois de um minuto, ele ergue o olhar novamente, me
Encarando com expressão dura.
— Só vou lhe dizer isto uma vez, Marcela — diz calmamente — Vou dar um jeito de invadir o Alemão. Do meu jeito. Mas vai ter que me prometer que não vai mais matar ninguém. Se você descumprir nosso acordo, prendo você.
Antes mesmo que ele terminasse de falar, eu já estava dando em cima dele, pulando em seu colo.
— Tá bom! — Nem sabia como acabara no colo
dele, mas estava lá, com os braços em volta de seu pescoço ao beijá-lo repetidamente no rosto — Obrigada! Obrigada! Obrigada!
Ele me deixou beijá-lo até que fiquei sem fôlego. Em seguida, segurou meu rosto, me encarando intensamente.
Vi o toque de desejo em seus olhos, senti o volume rígido pressionando minhas coxas e soube que continuaríamos o que começáramos antes, cedo ou mais tarde.
Meu corpo começou a pulsar de ansiedade e os m*****s enrijeceram sob o tecido do vestido.
Como que sentindo minha excitação, Guilherme sorri de um jeito sexy, se levantando, me segura contra seu peito.
— Não faça eu me arrepender - murmura, estreitando os braços ao meu redor — Acredite, você não quer me desapontar.
— Não vou — Juro sem pensar duas vezes, passando os braços em volta do pescoço dele. — Prometo, Guilherme, não vou.
Não sabia até onde as palavras de Guilherme eram verdadeiras ou se tudo não passava de um plano apenas para me prender.
Mas por via das dúvidas, queria garantir que não sairia prejudicada de um jeito ou de outro. E para isso, usaria minha carta na manga que sempre soube usar muito bem.
— Ótimo. — A voz dele foi um ronronar profundo e ameaçador. — Agora, se vira.
Meu coração bate mais depressa por causa do nervosismo, faço o que ele pede. Apesar de desejar a escuridão naquele momento, havia uma onda minúscula de medo no meu estômago,
causada pelo instinto.
Guilherme me parecia imprevisível.
Um latejar quente e traiçoeiro começou entre minhas pernas ao pensar naquilo.
Ouvi um farfalhar e, em seguida, um pano macio cobriu meus olhos. Uma camiseta, talvez.
Percebi que era uma venda e prendi a respiração. Sem a visão, me sentia infinitamente mais vulnerável.
Minha mão direita se contraiu com a vontade súbita de erguer o braço e tirar a
venda.
— Ah, não, não vai fazer isso. — Julian segurou meu braço e seus dedos pareciam algemas - Eu espiei vocês e sei que gosta - Se inclinando sobre mim, sussurra no meu ouvido — Quem dizia que você gostava disso, não é?
Estremeço com o calor de seu hálito.
— Eu só...
— Quieta. — O comando dele me fez vibrar, aumentando o calor que pulsava entre minhas pernas. — Eu lhe direi quando for pra falar. — Soltando meu pulso, ele me empurra para a frente, fazendo com que eu tropeçasse e caísse quase de bruços sobre a cama, se não fosse minhas mãos que colocasse na frente. — Não se mexa — Ele ordena, chegando mais perto.
Obedeci, m*l respirando quando ele passou as mãos em mim, começando pelos ombros e terminando nas coxas.
O toque foi gentil, mas um tanto invasivo, como se ele fosse um estranho. E era por parte.
Ou talvez me sentisse assim porque estava com os olhos vendados. Conseguia senti-lo atrás de mim, mas não conseguia ver nada. Ele me tocava como se estivesse tocando em um objeto, fazendo comigo o que queria.
Senti os calos na palma das mãos grandes e quentes. A lembrança da primeira vez em que fiz sexo com Gael, voltou à minha mente, fazendo com que minhas entranhas se contraíssem de ansiedade e desejo sombrio.
Quando ele termina de me acariciar, me deita parcialmente de costas e me reposiciona na cama, colocando um travesseiro sob minha cabeça.
Em seguida, pegou meu braço e sinto quando
enrola uma corda áspera em volta do pulso.
Ele prende a outra ponta no que supus ser uma das
colunas da cama.
Depois disso, dá volta na cama e fez o mesmo com o outro braço.
Fiquei deitada como se fosse um sacrifício s****l, com os braços estendidos na diagonal e a venda ainda cobrindo os olhos.
Estava mais impotente do que o usual, o que me deixou
alarmada e excitada, como aconteceu da última vez.
— Você é linda. — O sussurro áspero dele foi acompanhado do toque leve de seus dedos na pele sensível do meu abdômen. — E toda minha. Não é?
— Sim. — Minha respiração ficou irregular quando os dedos dele desceram mais um pouco. — Sim, toda sua.
O colchão afunda quando ele sobe na cama e fica sobre minhas pernas. O tecido da bermuda jeans era áspero contra as coxas nuas,me relembrando de que ele ainda estava totalmente
vestido.
— Isso mesmo... — Ele se inclina e me cobre com o peito largo.
Os poucos pelos em seu peito, causando um pequeno arrepio contra minha pele.
Ele morde de leve o lóbulo da minha orelha, causando arrepios nos meus braços ao murmurar.
— Ninguém além de mim terá mais você.
Reprimo um tremor enquanto meu sexo se enchia de líquido quente, que já conhecia muito bem.