Não se dorme com visita rondando..

680 Palavras
Saul: A noite caiu o silêncio aqui é diferente, dá pra ouvir a própria respiração todos já se recolheram pelas câmeras, varro os cantos, um por um nada fora do lugar minha pérola também está quieta a dosagem que Sofia deu foi forte nâo gosto de ver ela assim, dopada mas o médico foi claro sem agitação. Bato a mão na parede é o jeito de descarregar escuto passos olho rápido é o Davi na mão, dois combucas de alumínio o cheiro de feijão chega antes dele. —Davi: Toma não comeu hoje, né? Só balanço a cabeça nem lembrava da fome. —Davi: desconfiei mas tenta comer e depois deita um pouco se ela se mexer, eu te chamo. Não discuto pego a colher, mando uma cheia pra dentro a comida não é grande coisa, mas mantém de pé termino em silêncio, lavo na torneira improvisada, deixo no lugar a combuca Aqui é tudo meio improvisado só o Marcos insiste em ajeitar diz que é pra quando a tal Ágatha chegar obsessão dele nunca vi ele só conhece uma foto e o que o Caneta contou faz um ano que ela chegou bom a foto dela.. dizem que atirou em alguém, mas não matou brava.. Tiro as botas deito não pra dormir só pra descansar o corpo a mente tem que ficar desperta Priscila é o amor da minha vida todos os dias acordo por ela e pra ela não sei imaginar viver sem mesmo sem me reconhecer direito, ainda é ela às vezes queria ser eu no lugar dela, só pra ver ela livre. Leio alguns relatos em blogs famílias que lidam com traumas parecidos gente que passou por clínicas, internações eles dão dicas, ideias fico pensando se já não é hora de tirar ela do quarto mas olho em volta… aqui é só lata velha e ferro não seria o lugar certo. Faz tempo que penso em levantar uma estufa já desenhei o projeto, linha por linha. Verde no meio do ferro luz entrando um lugar pra ela respirar sem grades mas agora não posso me expor tem visita rondando misteriosa não dá pra dar bandeira de que existe algo além da sucata. Apaguei por alguns minutos acordo no salto celular tocando. Saco do bolso vejo na tela a foto que Ivan mandou do ponto de vigia um carro prata amplio na tela não dá pra ver muito escuro vidros fumê. Sento na beira da cama acendo um cigarro solto a fumaça devagar enquanto olho os detalhes pneus carecas rodados gastos placa mostra dois números, mas não é daqui. Mando mensagem curta. -É novo na área? Tem rodagem? A resposta vem rápido mais rápida do que eu queria. -Duas e segunda perguntou pelo ferro-velho. Dou um ok seco mas a mente já trabalha alguém perguntando demais isso nunca é bom sinal volto pro painel de câmeras olho cada setor, um por um o carro não aparece mais sumiu fácil demais. Não gosto disso gente que vem e vai rápido assim nunca traz coisa boa. Pego o caderno onde anoto tudo escrevo a hora, cor do carro, detalhes da placa, pneus, até o jeito que estava parado informação guardada vale mais que arma. Enquanto isso, o cigarro queima no canto da boca solto a fumaça, olho pras telas. Marcos não nota essas coisas, Davi até sente, mas não registra eu registro... Minha mente vai desenhando rotas se o carro voltar, já sei onde pode encostar, os pontos cegos, as saídas se vier gente dentro, já sei onde cobrir. Mas o que mais me incomoda é a pergunta pelo ferro-velho isso significa que não é coincidência alguém sabe... busco pelas telas o Marcos, estirado na rede do galpão, dorme pesado ele cai duro em qualquer canto já Davi, de novo no muro, parece atento tem algo brilhante na mão olho fixo, mas não consigo distinguir bem o que é.. Fecho o caderno apago o cigarro sento de novo na beira da cama o corpo pede sono, mas não vou dar esse luxo aqui não se dorme com visita rondando..
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