Dário Minhas mãos tremem. As crostas nos meus dedos ameaçam se romper enquanto eu flexiono as juntas incessantemente. Punhos fecham, abrem. Fecham, abrem. Como se eu estivesse lutando contra mim mesmo. E, de certa forma, estou. A vontade de ir atrás dela me dilacera por dentro. Um impulso primal, bruto, animalesco. Cada célula do meu corpo grita pelo nome dela. Mas eu não posso. Preciso deixar Serena ir. Preciso deixá-la respirar fora da sombra que é amar um homem como eu. O perigo que nos cerca. O perigo que eu sou... não pode tocá-la. Talvez, quando tudo isso acabar, talvez — e é um talvez fraco, miserável, desesperado — eu possa lhe prometer algo. Ficar. Cuidar. Viver. Mas agora não. O zumbido discreto do telefone no bolso me arranca desses pensamentos corrosivos. O nome de Salva

